domingo, 20 de junho de 2010

MÚSICA DO PiG BRASILEIRA


TATI QUEBRA-BARRACO E MARLBORO - A "MPB" do PiG.

A mídia golpista não quer que a MPB autêntica entre no gosto musical dos futuros brasileiros. Seria abrir as mentes demais da criançada, seria reativar toda uma conscientização cultural que a direita civil e militar, desde a militância do IPES, CAMDE, CCC, dos rosários do padre Peyton, em 1963-1963, até as pregações "etnográficas" da intelectualidade etnocêntrica, tentou destruir.

Por isso, a mídia, quando tenta noticiar algum projeto revolucionário, tenta distorcer as coisas. Isso é mídia tendenciosa. Foi o que se viu na reportagem de quinta-feira passada no Jornal das Dez, do canal noticioso Globo News - parceria dos irmãos Marinho com o magnata Rupert Murdoch - , quando foi noticiado o projeto MPB nas Escolas, que valerá obrigatoriamente nas escolas de ensino básico de todo o país, no ano que vem, mas que já é ensinado em várias escolas do Rio de Janeiro.

Como não se pode maquiar a reportagem, manipula-se a edição. Enquanto a repórter Denise Barbosa narra a definição do projeto educativo, idealizado por Ricardo Cravo Alvim (presidente da fundação Instituto Cravo Alvim), mostram-se, a princípio, imagens de mestres da música brasileira, como Cartola, Sinhô, Pixinguinha e Ary Barroso.

No entanto, quando a narrativa da repórter chega à parte da formação da identidade cultural brasileira, depois de mostrar uma foto de Cartola tocando violão e outra com os Doces Bárbaros (grupo formado por Caetano Veloso, Maria Bethania, Gilberto Gil e Gal Costa), aparece uma imagem de fundo, editada pelo jornalismo, que digitalmente associa o logotipo do projeto com as fotos de Tati Quebra-Barraco e DJ Marlboro.

Quer dizer, apesar do discurso oral ser totalmente correto e sem problemas, a edição de imagem investiu no tendenciosismo, na tentativa desesperada de proteger o brega-popularesco cujo mercado é patrocinado pela grande mídia conservadora, sobretudo as Organizações Globo.

Com isso, juntando o discurso honesto com a imagem tendenciosa, a Globo News passa a ideia de que a história da MPB termina sempre no brega-popularesco, sobretudo no "funk carioca" que é a menina dos olhos dos irmãos Marinho, queiram ou não queiram os "caros amigos".

Em outras palavras, a mídia conservadora não quer grandes mudanças. E vai fazer o possível para neutralizar os efeitos da penetração da MPB autêntica no reaprendizado cultural do povo pobre.

E, em se tratando de uma corporação midiática que havia defendido o golpe de 1964 que destruiu os Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC-UNE), com proposta similar ao do projeto "MPB nas Escolas", dá para perceber que os irmãos Marinho querem mesmo é um povo culturalmente subnutrido, escravo de "rebolations", "batidões", "tecnobregas" e dos medalhões do neo-brega que fazem rodízio nas visitas ao Domingão do Faustão.

3 comentários:

Marcelo Delfino disse...

Curiosamente, o público da Globo News está longe de ser o público povão a que se destina a Música Populista Brasileira. É um público de classe média baixa pra cima. Exatamente um público com acesso a uma educação geral melhor, e exatamente por isso o público que rejeita a Música Populista Brasileira.

Os editores de imagem da Globo News não conhecem os próprios assinantes.

Lucas Rocha disse...

Como dizia Karl Marx, a história se repete como farsa. Em 2003, uma reportagem sobre o centenário do nascimento de Lamartine Babo exibida no "Jornal Nacional" terminou de forma muito triste: tocou aquela versão da música "No Rancho Fundo" feita pelos índios breganejos Chitãozinho & Xororó. Sete anos depois, os funkeiros Tati Quebra-Barraco e DJ Marlboro estragaram a reportagem sobre o projeto MPB nas Escolas. No lugar desses dois cafajestes, deveriam aparecer os falecidos roqueiros Cazuza e Renato Russo.

Denise disse...

Agradeço o elogio ao meu texto, mas venho aqui defender também a edição. As fotos da Tati Quebra-Barraco e do DJ Malboro estavam no mesmo DVD que estavam todas as outras, e é este material que vai para as escolas. O Ricardo Cravo Albin me disse que um dos objetivos do projeto é provar que estes artistas populares só existem hoje porque existiram artistas importantes da MPB antes deles. O projeto é lindo, e eu creio que a reportagem mostrou quão lindo ele é. Com respeito, Denise