quinta-feira, 10 de junho de 2010

INTELECTUAIS QUE DEFENDEM BREGA-POPULARESCO SÃO ELITISTAS



Você já ouviu falar de intelectuais que disseram que quem reprova a "música popular" (brega-popularesca) é "elitista", entre outros adjetivos lamentáveis.

Grande engano. Elitistas são eles, que vão para a primeira danceteria de subúrbio de qualquer cidade e acha que aquilo que os DJs das casas noturnas e os programadores de rádio empurram de cafonice para o povo consumir, seja "pancadão", "rebolejo" ou "tecnobrega" etc, é a "autêntica cultura da periferia".

Quanta hipocrisia. São jornalistas, antropólogos, sociólogos e historiadores que, eles mesmo, detém uma grande bagagem de conhecimento musical, e se tornam ideólogos do brega-popularesco que domina a mídia cultural de nosso país, perpetuando modismos e tendências através de um discurso intelectualóide cheio de clichês.

São eles mesmos: Hermano Vianna, Milton Moura, Bia Abramo, Pedro Alexandre Sanches, Rodrigo Faour, que desperdiçam sua formação intelectual com abordagens apologéticas, que na prática não são mais do que mensagens publicitárias que legitimam o sucesso comercial da música brega-popularesca a partir de uma retórica "etnográfica" ou "pós-modernista".

Somente eles puderam conhecer a MPB autêntica dos anos 50, 60 e 70, que o grande público desconhece, somente eles puderam ouvir os discos dos grandes artistas do passado, e além deles, conhecer também a época que a música vinda das roças e dos morros tinha qualidade, e não essa esquizofrenia "pop" sem pé nem cabeça.

Mas eles, de forma hipócrita, guardam seus discos preciosos nos seus armários. Como os velhos sacerdotes medievais que escondiam os grandes segredos da humanidade.

Mas o grande público, que não pode mais assistir à ascensão de um novo Ataulfo Alves, de um novo Cartola, um novo Tião Carreiro, um novo Jackson do Pandeiro, um novo João do Vale, de um novo Luís Gonzaga, de novas Elza Soares e novos Tincoãs, de novos Novos Baianos, é obrigado a engolir ídolos medíocres que imitam estilos estrangeiros com a mentalidade débil do matuto alienado. O que não é a música brega, com todos os seus derivados, senão isto: a junção da submissão imperialista com a ignorância provinciana, a serviço da mediocridade artística e cultural?

Esses intelectuais que defendem a breguice dominante na música brasileira é que são elitistas. Independente deles gostarem dessa breguice ou não, a defesa deles soa paternalista, etnocêntrica. Eles é que, acomodados em seus apartamentos, veem a pobreza como um "universo lindo", um "paraíso de escombros e sujeira", eles é que ocultam os verdadeiros problemas do povo pobre, eles é que têm a miopia de julgar a pobreza como se fosse uma infância feliz.

No fundo, porém, eles não passam de meras traduções, supostamente benevolentes e etnográficas, do esnobismo anti-social de Justo Veríssimo, personagem de Chico Anysio.

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