domingo, 6 de junho de 2010

EM O GLOBO, ÁRVORE CAIU E ORTOGRAFIA TAMBÉM



É certo que a função de revisor se fundiu com a do jornalista, com a informatização da imprensa. Mas isso não significa que sua função terminou. Nada disso. Ela é que se acumulou nas funções de repórter e redator dos veículos da imprensa escrita, ou mesmo da falada, porque esta também lida com textos escritos, tanto quanto os da escrita.

Pois no jornal O Globo de hoje - 06 de junho de 2010, para facilitar quem consulta o Google - , no caderno Rio, página 34, a legenda sobre a queda de uma árvore na Lagoa Rodrigo de Freitas, durante os ventos fortes de ontem, mostram que a árvore caiu e a ortografia foi junto. Segue a legenda, literalmente reproduzida, no seu erro ortográfico:

"UM TRONO atravessado na ciclovia da Lagoa, na altira do Piraquê: obstáculo para ciclistas e pedestres"

O leitor funde a cuca ao imaginar a palavra "trono" associada a uma árvore. Nova espécie de árvore? Um tipo de poste natural camuflado em árvore? A lembrança, porém, vem em mente para alívio do próprio leitor, ou para desespero deste, porque a palavra em questão é "tronco", não sendo um neologismo que o pegue desprevenido feito assombração. Mas é desesperador porque é um erro de revisão num jornal que queira ser "respeitável", dentro do seu perfil claramente conservador.

A palavra "altira", dá para imaginar que é "altura" escrita errado. Afinal, não há conhecimento de que "altura" tenha tido, na nossa língua, a mesma tendência de expressões como "ouro", "dois", "dourado", "loura" e "coisa", que os nossos antepassados creditavam como "oiro", "dous", "doirado", "loira" (neste caso, ainda usamos a variação) e "cousa". "Altira"? Não, não existe essa palavra.

Que existem lapsos de revisão ou redação, vá lá. Mas esse erro ter deixado passar é uma prova de um certo desleixo editorial, e mostra o quanto nossa grande imprensa há um bom tempo não faz grande jornalismo. Até dá saudades do mau jornalismo de David Nasser, ou do jornalismo tendencioso de Carlos Lacerda. Eram figuras tenebrosas da mídia reacionária, é bem verdade, mas pelo menos escreviam muito bem e eram muito inteligentes.

Outros críticos da grande mídia já nos alertaram de reportagens e editoriais risíveis que a grande imprensa conservadora, como Globo e Folha (Veja nem se fala, seu "jornalismo" é patético), produzem, e que convertem seus periódicos impressos no seu único e maior papel social, que é o de servir de embrulho para peixes, mariscos e carnes.

4 comentários:

Lucas Rocha disse...

Alexandre,
Se qualquer ídolo brega-popularesco (fosse ele brega setentista, arrochento, axezeiro, breganejo, calcinhento, funkeiro, sambrega, "suingueiro" pornô ou tecnobrega) gravasse uma música com letra falando não sobre um desastre ambiental (como, por exemplo, um temporal ou um terremoto), como também acidentes com transportes (como automóveis, aviões, motos, navios, ônibus, trens e vans - neste caso, inclusive, é claro, a JURÁSSICA KOMBI da Volkswagen), será que eles ficariam "mais conscientizados" ou MAIS ALIENADOS?

Leonardo Ivo disse...

Alexandre,
Isso não é primeira vez que isso acontece. Eles ja vem cometendo erros até no jornal escrito algum tempo.

Marcelo Pereira disse...

"...meu mundo caiu..."

Marcelo Delfino disse...

Há de se anotar a manchete da Manchete AM, aqui:

http://www.radiomanchete.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=7625&Itemid=187

"Luiz de França salva homen ao vivo durante programa de Rádio"