domingo, 27 de junho de 2010

E SE AINDA HOUVESSE ELEIÇÕES PARA VICE-PRESIDENTE?



Há 50 ou 55 anos, por conta da Constituição de 1946, foi realizada, junto à eleição para Presidente da República, a eleição para Vice-Presidente. Foi através dos pleitos para vice em 1955 e 1960 que o gaúcho João Goulart foi eleito vice-presidente, chegando, em 1955, a ter mais votos do que o candidato titular à Presidência, Juscelino Kubitschek.

O fato enfureceu a direita brasileira da época, rendendo até discurso do então coronel Bizarria Mamede durante o enterro do general Canrobert Pereira da Costa (nome que os mais jovens, pelo menos os cariocas, conhecem mais como uma rua que liga Deodoro a Realengo) e uma ameaça de golpe militar envolvendo Carlos Lacerda e até o então presidente em exercício, Carlos Luz (que havia substituído Café Filho, que estava doente, e que já estava substituindo Getúlio Vargas, que se suicidou). Foi preciso um contragolpe do general Henrique Lott para botar ordem na casa. E Lott depois foi promovido marechal.

Há 50 anos, a votação em separado para presidente e vice permitiu que formasse uma composição do Governo Federal com chapas rivais. Jânio Quadros conseguiu ser eleito, mas não conseguiu garantir o Planalto para o vice de sua chapa, o jurista Milton Campos. Já Henrique Lott não conseguiu se candidatar presidente, mas seu vice, João Goulart, foi eleito.

Essa realidade surreal foi extinta com a ditadura militar e, quando veio a Constituição de 1988, a eleição para vice foi extinta. Hoje o presidente é eleito e vai o vice junto.

Mas, se ainda houvesse votação para vice, vejam os abacaxis que teríamos que encarar. Ambos insossos, conservadores, politicamente intragáveis, o peemedebista Michel Temer e o tucano Álvaro Dias. Não havia como votar nesses "malas". Não havia mesmo. Seria escolher entre o fisiologismo sem sal de Temer e o conservadorismo paranaense de Álvaro Dias.

Temer, além disso, é um pedófilo enrustido e Dias vem de uma cidade em que os "ultramodernos" ônibus, visualmente, parecem variação das frotas das forças armadas de tanta mesmice uniformizada.

Nenhum comentário: