sexta-feira, 25 de junho de 2010

DOIS PARÁS: O REAL E O FANTASIOSO


O PARÁ REAL - As tragédias da missionária Dorothy Stang e dos agricultores de Eldorado dos Carajás.

A imprensa de esquerda não entendeu bulhufas. Não entendeu a manobra ideológica dos dois Parás.

Existe o Pará fantasioso das breguices estereotipadas, da cultura dizimada do povo paraense, reduzido a meros estereótipos caricatos brincando de pop norte-americano através de ritmos tenebrosos como o tecnobrega e o forró-brega.

No entanto, existe o Pará real, sofrido, do sangue da missionária Dorothy Stang, dos agricultores de Eldorado dos Carajás, e de muitos outros militantes mortos pela fúria do latifúndio.

Latifúndio que, sob a máscara de "pequenas mídias" e "mercado independente", patrocina com muito gosto a cafonice cultural que transforma o povo paraense em caricatura de si mesmo, domesticado, patético, conformista, sem valores sociais próprios, "educado" unicamente pelas rádios locais que servem ao coronelismo doméstico e pelas redes de TV aberta.

É o outro Pará, o pará fantasioso, da cafonice sorridente e "feliz", surda, cega e muda aos problemas da população. Que a cultura popular não precisa fazer protesto ou falar de sofrimento o tempo todo, tudo bem. Mas a ideologia brega-popularesca, como um todo, transforma o povo em caricatura, em estereótipo, claramente domesticado e patético.

Será que a imprensa de esquerda não desconfia um só milímetro de tendenciosismo no tecnobrega, forró-brega e outras cafonices, que a mídia golpista (Globo e Folha, sobretudo) apoia com muito gosto?

É bom deixar bem claro que , pouco depois de virar capa na revista Fórum, o tecnobrega entrou na Rede Globo e na Folha de São Paulo, arquiinimigas dos movimentos sociais, pela porta da frente, incluindo Domingão do Faustão e o temível Jornal da Globo, com calorosa acolhida de um Nelson Motta associado ao Instituto Millenium.

É bom a imprensa de esquerda rever suas abordagens sobre cultura popular, sob pena de ver os valores sociais de nosso povo serem empastelados, enquanto o debate sobre mídia e política não passa de uma reunião de cúpula ignorada pelo grande público.


O PARÁ FANTASIOSO - Latifúndio patrocina cafonice cultural do forró-brega e do tecnobrega, obrigando o povo, desprovido de referências culturais sólidas, a brincar de pop norte-americano.

8 comentários:

Lucas Rocha disse...

Será que, daqui a pouco, o forró-brega e o tecnobrega paraenses vão entrar ou ser barrados na revista "Veja"?

O Kylocyclo disse...

Bom, Veja é medieval, não tem a sutileza brega da Rede Globo, O Globo e Folha de São Paulo, portanto não deve cortejar o tecnobrega. Sua praia costuma estar entre o breganejo, sambrega e axé-music, segundo a orientação da revista Contigo, da mesma Abril.

Lucas Rocha disse...

Será que, para o pessoal de Guapimirim (cidade da Baixada Fluminense que fica mais perto de Teresópolis) fazer uma nova "passeata dos cem mil" contra o tecnobrega, o ritmo paraense teria, primeiro, que firmar mercado no Brasil inteiro?

O Kylocyclo disse...

Bom, se depender do prefeito carioca Eduardo Paes, não vai haver passeata dos cem mil como a de 1968, porque a Avenida Rio Branco será transformada num calçadão semelhante ao que já tem na Rua Uruguaiana, cheio de obstáculos, o que perderá o sentido unitário do protesto.

Mas o que se vê é que o tecnobrega vende uma falsa imagem de "movimento alternativo" justamente para alcançar o mercado nacional como fez o "funk carioca" (FAVELA BASS).

Lucas Rocha disse...

Se o tecnobrega entrar em decadência já em 2015, será que a mexicana Thalia e o "marceneiro" Vinny (que cantava "Mexe a cadeira e bota na mesa da sala...") vão voltar a fazer sucesso?

O Kylocyclo disse...

Creio que não. A essas alturas o projeto MPB nas Escolas terá avançado e até o oportunismo de ídolos pedantes como Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó e Ivete Sangalo já deve ter enjoado a moçada.

No máximo, Vinny será reconhecido como o sósia do Ciro Bottini. Já Thalia estará no México tentando manter sua celebridade.

Lucas Rocha disse...

Tá bom, Alexandre.. Mas a essas alturas, pra qual ritmo os tecnobregas já vão ter se mudado: "jazz orquestral" tipo Ray Conniff ou carimbó mais "folclórico"?

Bruno Melo disse...

Joelma ainda vai pela beleza que não se põe na mesa, ainda assim meio sem sal. Agora, essa outra da foto a direita, cruz credo!