sábado, 19 de junho de 2010

BREGANEJO "CLÁSSICO" TAMBÉM VAI PASSAR


NÃO LEVEM A SÉRIO A PARTICIPAÇÃO DO BREGANEJO DANIEL EM VIOLA, MINHA VIOLA

Não dá para levar a sério a música brega. Música brega é música brega, seja falando de "cachorras", seja falando de "saudades do campo".

Qualquer um tem direito de curtir música brega, só não tem direito de falar besteira, dizendo que é "a verdadeira MPB" ou espinafrar quem fala mal dessa música cuja mediocridade salta aos olhos. Se fulano acha aquele cantor breganejo ou aquele ídolo do sambrega "geniais", ora, que curta os discos dele e nos deixem em paz, oras!

Inezita Barroso, veterana conhecedora de canções da música caipira autêntica, sabe o que é a música breganeja, e reconhece que a sua identificação com a cultura caipira é falsa, e já disse certa vez que apenas o cantor Daniel tem uma voz razoável, mas admitiu que ele também é breganejo.

Mesmo assim, na tentativa de tentar alavancar a audiência - a TV Cultura, eventualmente, recorre a ídolos popularescos para isso - , o programa Viola, Minha Viola, e assim convidou o breganejo Daniel, que revelou ser melhor ator do que cantor.

Daniel, que na verdade não é mais do que um crooner, com a predominância de músicas alheias que grava, participou do programa da mesma forma que Alexandre Pires no evento do programa Samba Social Clube da MPB FM: como um crooner, mais uma grife da grande mídia para gravar o cancioneiro tradicional brasileiro, sem acrescentar coisa alguma ao legado original da música brasileira, é mais uma referência para chamar o público do Domingão do Faustão para conhecer outras emissoras.

Aliás, Daniel e Alexandre Pires parecem "fazer a lição de casa" quando gravam covers da MPB autêntica. Mas, no repertório autoral, não vão além da música que nomes como Waldick Soriano, Wando e José Augusto já compuseram. Os dois já fizeram dueto num DVD deste último e eles, na verdade, não são mais do que discípulos de Fábio Jr., sendo cantores de brega romântico apenas travestidos de "ritmos regionais" como o "sertanejo" e o "samba". O mesmo sentido de uma mesma bala com sabores diferentes. E o próprio Domingão do Faustão é o maior palco eletrônico destes ídolos do neo-brega.

Inezita Barroso - que é cantora e em outros tempos foi atriz, tendo participado de filmes como É Proibido Beijar, de 1954 - também criticou um ídolo adolescente de breganejo, precocemente rotulado de "sertanejo universitário" e que foi mal falado até por Bruno Mazzeo. Inezita disse que a onda que envolve esse ídolo breganejo vai passar.

Não vamos citar o nome dele porque a fúria das talifãs está a todo vapor. Já basta as ações ultrareacionárias das talifãs que defendem Daniel, Alexandre Pires, Leonardo, Belo e outros, que soam como uma mistura de Comando de Caça aos Comunistas com menudetes.

Mas é bom deixar claro que mesmo o breganejo de 20 anos atrás vai passar. O som de Chitãozinho & Xororó, Leonardo (com e sem Leandro), Zezé Di Camargo & Luciano e Daniel (com e sem João Paulo), Christian & Ralf e outros que mostravam sua breguice nos anos 80 e 90 (o quanto cafonas eram eles nos seus discos da Copacabana e Chantecler, e nos programas de Raul Gil, Edson "Bolinha" Cúri e Gugu Liberato), vai passar, não dura para sempre.

Até porque é inútil que eles recorram à síndrome da "música paralisada brasileira", de regravar o cancioneiro original do ritmo que tentam imitar, se transformando em meros crooners de luxo, quando no fundo eles apenas seguem os passos de Fábio Jr. e sua breguice luxuosa, cheia de pompa. Nenhum deles vai acrescentar coisa alguma à MPB, nem à música caipira em particular, aliás ameaçada de desaparecer por causa da diluição musical desses ídolos.

O breganejo "clássico" não tem fôlego para durar para a posteridade, mesmo com cordiais adulações a nomes como Inezita Barroso, Almir Sater e Renato Teixeira. Na política, coisa igual já aconteceu, com figuras demagogas e fisiológicas bajulando grandes estadistas e grandes juristas para arrancar mais votos e "justificar" seu carreirismo político com um discurso pomposo e falsas odes à cidadania e ao bem-estar social.

Quem acha esses ídolos "sertanejos" maravilhosos, esteja à vontade para curtir. Mas, por favor, se limitem a participar dos blogs que falem bem deles. Se espinafrarem mais uma vez blogs como o meu, só estarão dando atestado de insegurança, intolerância, arrogância e até mesmo imprudência. Afinal, quando a cabeça fica quente demais, é porque o pé ficou muito frio.

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