quarta-feira, 30 de junho de 2010

CAROS AMIGOS ERRA AO APOIAR MÚSICA BREGA


Quanta ilusão da imprensa escrita de esquerda em cortejar a ideologia brega. Todos acham que assim o povo conseguirá realizar sua rebelião cultural, enquanto todo o oba-oba brega-popularesco vai terminar mesmo no palco do Domingão do Faustão ou na primeira página de Ilustrada, enquanto ruídos de gargalhadas ecoam nos corredores e salões do Instituto Millenium.

Mais uma vez, Caros Amigos decepciona aqueles que buscam uma cultura popular de verdade. Mais uma vez, através do menino de ouro de Otávio Frias Filho, Pedro Alexandre Sanches, faz-se a mesma choradeira de "preconceito" e o mesmo apelo desesperado de desprezo à estética.

Desta vez, Pedro Alexandre Sanches, num artigo cujo título ironiza a canção de Belchior celebrizada por Elis Regina - "Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais" - com um ponto de interrogação, entrevista os integrantes de um grupo de tributo à música brega, chamado Conjunto Vazio, Thadeu Meneghini e Adalberto Rabelo Filho.

O artigo todo é uma militância em prol da música brega, não somente a antiga, como a de raiz. Também apela para bodes expiatórios, como confundir Jovem Guarda com brega, e dizer que todo bolero é brega. Ou mesmo mencionar Genival Lacerda, que na verdade era o Falcão dos anos 70, ele fazia uma breguice humorística, não era um cafona querendo levar-se a sério.

A reportagem-artigo, tanto pelos depoimentos pró-brega dos entrevistados, quanto pela solidariedade opinativa de Pedro Sanches, investe nos mesmos clichês da apologia brega-popularesca. Lendo o texto, dá para perceber quanto entrevistador e entrevistados se sentem aliviados porque o brega não é mais "ridicularizado", que Eu Não Sou Cachorro, Não de Paulo César Araújo abriu as mentes para a música "Popular com P maiúsculo" (sic), que Waldick Soriano, Odair José e Diana são "injustiçados" e que Fábio Jr., Calcinha Preta e Parangolé (do rebolejo) possuem "valor artístico".

Claro, esse discurso aparentemente maravilhoso esconde a preocupação, realmente preconceituosa, da classe média paternalista, etnocêntrica e pequeno-burguesa da qual pertence Pedro Alexandre Sanches, em manter uma "cultura popular" caricatural, estereotipada, artificial e artisticamente duvidosa.

Pedro Sanches não quer que surjam novos Ataulfo Alves, Cartola, Tião Carreiro, Marinês, Jackson do Pandeiro, Pixinguinha, João do Vale, Luís Gonzaga. Ele quer, não se sabe se é por cinismo burguês ou por boa-fé ou por mero paternalismo etnocêntrico, que perpetuem na "cultura popular" seja a pieguice estereotipada de Fábio Jr. e seus verdadeiros "filhos" - Alexandre Pires, Daniel, Zezé Di Camargo, Exaltasamba, Ivete Sangalo, Luan Santana, Vítor & Léo - , seja o grotesco gratuito de Calcinha Preta, Gabi Amarantos, Parangolé, MC Créu e tudo mais, sem falar do ancestral de todos eles, Waldick Soriano.

Só que esse etnocentrismo "do bem", supostamente generoso e cordial, não vai salvar a verdadeira cultura popular, mas condená-la eternamente a ser uma Porcaria com P maiúsculo. O povo faz cultura de baixa qualidade e nós fingimos que essa cultura é de alta qualidade, que o problema está no nosso julgamento, nós é que somos preconceituosos, moralistas, puristas, saudosistas e tudo de ruim.

Só que, no plano político, isso equivale exatamente a dizer que Paulo Maluf foi um combatente do mesmo valor que Ernesto Che Guevara e, para citar um brasileiro, Carlos Lamarca. Não, a pregação de Pedro Sanches NÃO vai salvar a cultura do povo.

Pelo contrário, todo esse oba-oba nas páginas de Caros Amigos, Fórum, Carta Capital e outros veículos só vai realimentar o sucesso dos ídolos da Música de Cabresto Brasileira, e toda essa pregação na imprensa de esquerda cairá no conjunto vazio, porque seus ídolos vão comemorar a reputação conquistada nas plateias do Domingão do Faustão e nas páginas de O Globo, Época e Folha de São Paulo.

Um dia, o Instituto Millenium ainda vai dar uma medalha para Pedro Alexandre Sanches, pelos serviços que ele prestou em prol da mídia golpista.

TUCANOS E DEMOS ESTÃO AGORA CONTENTINHOS



O DEM conseguiu manter a parceria com o PSDB e pôs o jovem deputado Índio da Costa como vice de José Serra na chapa para a Presidência da República.

CANTOR DE AXÉ-MUSIC ATACA ED MOTTA NO TWITTER



A arrogância da axé-music ataca de novo. Em mensagem postada no Twitter, foi a vez do cantor Netinho fazer xingações ao músico Ed Motta, assim que soube que o sobrinho de Tim Maia fez duras críticas a axé-music na revista Contigo.

Netinho chamou Ed Motta de idiota e invejoso, além de disparar, irritado, o seguinte comentário: "Ed Motta é um mal criado e idiota falando mal assim do axé. Um cara que nunca criou nada, apenas tentou copiar a soul music americana: Tim Maia sim era original!".

Olhe só quem fala. É bem conhecida a extrema arrogância e a megalomania que marcam a axé-music, ritmo da Música de Cabresto Brasileira famoso por sua pretensão em ser "dona da Música Popular Brasileira". A axé-music se apropria de tudo, do baião ao Rock Brasil, passando pela Bossa Nova e até mesmo a música caipira (seja ela autêntica ou bastarda). A axé-music é a forma piorada do tão discutido processo de apropriação musical de Caetano Veloso, afinal este pelo menos procura ter conhecimento de causa.

A axé-music é que nunca criou coisa alguma, não passa de um amontoado de restos deixados pelo frevo, reggae, merengue, salsa, samba, baião e Jovem Guarda, algo como uma colcha de retalhos musical e muito ruim.

No comentário de Netinho, a apropriação musical se evidencia quando ele elogia Tim Maia em detrimento do sobrinho-discípulo do cantor de "Você". Puro oportunismo de quem quer se aproveitar de um artista prestigiado que já morreu. É mais ou menos, no sentido da herança artística, como baixar a lenha em Marcelo Nova e fazer louvores a Raul Seixas.

A mediocridade imperialista da axé-music é tanta que Luan Santana ainda era criança quando Ivete Sangalo despejava sua milícia talifã, uma espécie de Comando de Caça aos Comunistas com abadá, para expressar sua ira contra qualquer um que criticasse a "diva". Se alguém notar uma tosse da cantora em um show, era crucificado na Internet.

Acusam os irmãos que desfizeram o Oasis, Liam e Noel Gallagher, de arrogantes, o mesmo para a seleção argentina de futebol. Nada disso. Perto da axé-music, Maradona e Noel Gallagher são a mais elevada expressão da humildade e da modéstia humanas. Daí reações como a de Netinho, como a dos fãs de Ivete Sangalo e da fúria de Bell Marques contra o publicitário Nizan Guanaes. Axé-music não tolera críticas. Ritmo turrão e, isso sim, mal-criado.

Fica minha solidariedade ao cantor Ed Motta, esforçado em traduzir a soul music numa linguagem brasileira. Até arranjos bossa-novistas ele fez em várias gravações e Ed também é dedicado instrumentista.

MPB NAS ESCOLAS MUDARÁ, AOS POUCOS, O MAPA CULTURAL DO PAÍS



O projeto "MPB nas Escolas", organizado pelo Instituto Cravo Alvim e que será ensinado nas escolas de todo o país a partir de 2011, é, sem dúvida, uma luz no fim do túnel. O projeto certamente irá mudar o mapa cultural do Brasil, mas essa mudança, mesmo inevitável, acontecerá aos poucos.

Até agora, a "educação" radiofônica ditava as regras e os princípios da dita cultura popular, realidade que a intelectualidade etnocêntrica ignora completamente. Até porque os antigos críticos da Bizz/Ilustrada, hoje convertidos em dublês de pesquisadores da cultura popular, não enxergavam qualquer diferença entre eles mesmos ouvindo rock na 97 Rock nos anos 80 e o pessoal da periferia ouvindo brega-popularesco nas FMs controladas por políticos ou latifundiários.

Mas, com o novo projeto, já previsto em lei federal, as rádios terão a concorrência das escolas na formação cultural dos jovens, o que fará com que, aos poucos, o mapa cultural brasileiro se altere, ameaçando a atual hegemonia dos ídolos da música brega-popularescas, confiantes que seu sucesso se prolongará por 55 anos.

O projeto "MPB nas Escolas" funde elementos do princípio da "geléia geral" e dos Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes. Da "geléia geral" tropicalista, o projeto do Instituto Cravo Alvim herdou a exposição de tudo de bom e de ruim que a música brasileira produziu, como meio de promover o debate em torno da realidade cultural do país. Dos CPC's da UNE, a herança está na revalorização da cultura popular de raiz, e no debate de sua sobrevida diante do poder da cultura de massa que domina os referenciais do povo pobre do Brasil.

Não é um projeto que irá causar uma revolução da noite para o dia, porque é difícil romper, em muitas regiões e comunidades, o poder que a Música de Cabresto Brasileira - a suposta "cultura popular" de orientação brega-popularesca que a maioria das rádios toca e faz sucesso na TV aberta - alcançou nos últimos vinte anos, tendo já rompido os limites do público rural-suburbano e alcançando até mesmo as classes médias urbanas.

Em muitas regiões do país, a música brega-popularesca é mesmo um instrumento de poder das elites no enfraquecimento cultural do povo, para facilitar ainda mais o controle social. É uma realidade nem sempre reconhecida por todos, uma vez que normalmente música e política nada têm a ver uma com a outra. Mas a própria influência política sobre as rádios que tocam a Música de Cabresto Brasileira em todas as suas matizes, do "brega de raiz" dos anos 60-70 até o "funk carioca", deixa claro as manobras políticas em torno do tema cultura popular.

Afinal, o controle das rádios e TVs no entretenimento e no lançamento de ídolos que simbolizem a domesticação do povo pobre e a transformação de elementos culturais brasileiros em estereótipos visa dominar o povo por esse entretenimento que nada contribui na produção social de conhecimento, na transmissão de valores humanos, na qualidade da criação artística.

Além do mais, as oligarquias poderão sabotar o projeto, de todas as formas, e vemos o quanto as regiões interioranas ou mesmo as capitais socialmente atrasadas do país - como Salvador, da Bahia, por exemplo - possuem um quadro escolar deficitário, com professores mal-remunerados e um programa de ensino mal-aproveitado por diversas circunstâncias (greve por atrasos salariais, feriados "enforcados", o ensino despreparado de certos professores etc).

Seja com o grotesco explícito do tecnobrega, "funk carioca", pagodão, tchê-music, oxente-music e "brega de raiz", tão cortejada por Hermano Vianna e similares, quanto a pieguice pseudo-sofisticada dos medalhões do sambrega, do breganejo e da axé-music que aparece no Domingão do Faustão, a Música de Cabresto Brasileira sempre se empenhou em ofuscar a MPB autêntica o máximo possível.

Certamente, haverá oportunistas de plantão, como vemos nos neo-bregas Alexandre Pires, que pegou carona num evento-tributo de Wilson Simonal e num evento da MPB FM, e Daniel, que entrou numa brecha jabazeira no normalmente rigoroso programa de música caipira Viola Minha Viola da TV Cultura. Como há tantos exemplos nesse sentido, de misturar bregas e neo-bregas com MPB autêntica de qualquer maneira.

Sem falar do fenômeno que chamo de "Música Paralizada Brasileira", na tendência terrível dos medalhões do neo-brega gravarem sucessivos DVDs ao vivo, discos de duetos, covers e tudo mais, num claro processo de paralisia artística, misturado com o oportunismo de realimentar o sucesso às custas de disquinhos com plateias alucinadas ou duetos e covers que supostamente associem os ídolos neo-bregas a referenciais mais nobres ou bem-sucedidos (se fazem duetos com outros neo-bregas).

Por isso, o projeto "MPB nas Escolas" não será ainda a ruptura imediata com a hegemonia brasileira. Primeiro, porque as oligarquias não vão deixar vão sabotar o projeto nas escolas de sua região. Segundo, porque os ídolos da música brega-popularesca vão se autopromover às custas da redescoberta da MPB.

Só isso representa um grande conflito entre o renascimento da cultura popular de qualidade e o hegemônico império do entretenimento brega-popularesco, que tal qual lobo em pele de cordeiro, fará mil manobras para sobreviver mesmo diante da retomada da MPB autêntica ante o grande público.

Mas, com o tempo, a MPB autêntica prevalecerá, mesmo com mil oportunismos dos neo-bregas. Isso porque os futuros alunos das aulas de MPB nas escolas irá avaliar, por comparação, entre a "música popular" de gosto duvidoso (mesmo quando pseudo-sofisticada por Daniéis, Belos, Chitões e Ivetes) e a música popular autêntica que aprenderá nas aulas.

Com a comparação, o aluno verificará, criticamente, a esquecida música boa do Brasil e a música não tão boa que ouve nas rádios e vê no Domingão do Faustão. Certamente ele será tentado, pela força natural das melodias, a ficar sempre com a MPB autêntica, e ele, tão jovem, certamente não associará o brega-popularesco a supostos momentos felizes. Porque sua felicidade futura terá uma trilha sonora bem mais edificante.

ROSANA JATOBÁ FOI COLEGA MINHA



Há 20 anos, essa maravilhosa morena era minha colega na minha primeira turma da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia.

É sério. Formamos até um grupo juntos, na matéria Publicidade e Propaganda, e realizamos trabalho sobre a antiga fábrica de chocolates Chadler, situada em Salvador.

Rosana sempre foi gentil comigo, mas só como mera colega. Mas até que nos dávamos bem, nesse limite de relação, no segundo semestre de 1990. E eu sempre procurei ser legal com ela.

Ela só se tornou colega minha novamente em 1995. Ela havia trancado a UFBA para se dedicar ao direito na Universidade Católica do Salvador (UCSal). E foi numa matéria sobre Rádio que Rosana começou a sua trajetória para a fama, se reunindo num grupo de trabalho para visitar a TV Bandeirantes de Salvador. Eu não fiquei no grupo dela, fiquei em outro, que visitou o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), que possibilitou eu trabalhar como redator da Rádio Educadora da Bahia (FM e OC).

Resultado: Rosana Jatobá tornou-se repórter da TV Bandeirantes Bahia - anos depois, sua conterrânea Ticiana Villas-Boas (que não acompanhei na FaCom, porque eu já havia me formado antes, mas acho que cheguei a vê-la pessoalmente quando revisitava a faculdade à procura de novos eventos ou cursos de extensão) faria o mesmo.

Anos depois, Rosana foi para São Paulo e em seguida foi contratada pela Rede Globo de Televisão. Passou a fazer reportagens e tornou-se a "garota do tempo" do Jornal Nacional, sendo suplente na posição em outros telejornais. E também está entre os apresentadores suplentes do Jornal Hoje.

Em Salvador, Rosana Jatobá sempre foi namoradeira. Em São Paulo até passou algum tempo solteira, mas atualmente está casada com um empresário (sempre os empresários, né?!).

E hoje ela está num universo social para o qual eu não passo de um zero à esquerda. À esquerda, mesmo.

terça-feira, 29 de junho de 2010

RENATA VASCONCELLOS ESTÁ SOLTEIRA!!!!



Embora a (boa, aliás, ótima) notícia seja um tanto tardia e discreta, afinal as jornalistas brasileiras são muito desejadas por unir beleza e inteligência, vale divulgá-la em todo caso.

Pois a jornalista e apresentadora do Bom Dia Brasil, Renata Vasconcellos, está há um tempo solteira. Indício disso estava nos últimos anos, quando ela, em várias edições do noticiário, aparecia sem o anel de casada na mão esquerda.

De fato, é uma mulher bastante moderna para continuar casada com um presidente de uma empresa de consultoria empresarial, profissão que é marcada por uma conduta comportamental bastante sisuda, tanto devido às posições de poder quanto aos valores ainda arraigados, porém saturadíssimos, atribuídos supostamente ao tripé "maturidade, elegância e requinte".

Vale aqui ressaltar que, quando as mulheres se tornam elegantes, elas ficam mais interessantes, pondo mais cor, graça, poesia e charme nas suas posturas, no seu vestuário e nos seus gestos.

A elegância feminina é normalmente uma elegância moderada, espontânea, natural, alegre, diversificada e cheia de vida. É uma elegância acompanhada de inteligência, criatividade e simpatia.

Quando os homens, no entanto, querem ser elegantes, eles, salvo honrosas exceções (George Clooney e Rodrigo Santoro são exceções), tornam-se monótonos, forçados, sisudos, sobretudo abusando das cores tétricas de seus paletós e calças, com o desconforto de pontudos sapatos de verniz, numa obsessão pela elegância que chega ao ponto do patético, porque elegância é acima de tudo ser elegante nas ocasiões certas, e eles não medem ocasião para o rigor formal do seu vestuário.

A elegância masculina é normalmente uma elegância forçada, obsessiva, completamente sem graça, sem vida, sem valor, com o brilho dos sapatos engraxados tentando compensar a falta de brilho dos granfinos homens de negócio e profissionais liberais. É uma elegância ao mesmo tempo pedante, casmurra e viciada.

MARMANJÃO COM GÍRIA TEEN



No comercial do refrigerante Coca-Cola Zero, um marmanjão que fica dizendo "ih" já começa mal. Barbudo e aparentando o começo dos trinta, ele vai logo apelando para uma gíria que seria mais apropriada para a geração do Justin Bieber:

- E aí "galera", o que é que temos? - pergunta o cara, sendo depois respondido por uma linda morena que cita o referido produto.

Aí o cara vai para a geladeira, pensa que não achou o engradado de Coca-Cola Zero, fala "ih" e pensa em outras situações em que disse a mesma interjeição de esquecimento.

Mas aí, ao ouvir ele falando "galera" com sua barbona e adultão, me dá vontade de perguntar:

- Ô, rapaz, que idade você tem?

- Ih! - deve responder o referido rapaz, talvez se esquecendo que já é um trintão.

SERGINHO GROISMAN COMPLETA 60 ANOS HOJE


Bom, adiantamos a comemoração dos 60 anos de Serginho Groisman dias atrás, mas é hoje a data do seu aniversário.

Em todo caso, não custa lembrar da natural jovialidade do apresentador do programa Altas Horas, da Rede Globo, que deve servir de uma grande aula para os cinquentões que hoje estão casados com mulheres mais jovens e que não observam sua humilhante obsessão por padrões ultrapassados de "amadurecimento".

Pois com tantas transformações sociais atingindo vários setores da vida humana, principalmente as profissões nas quais esses cinquentões se dedicam, é urgente que eles tenham que se repaginar totalmente, antes que suas esposas se enjoem deles.

O oftalmologista carioca Almir Ghiaroni, que iniciava sua carreira de romancista e apareceu até em programas de TV - eu o vi até no Programa do Jô - , desapareceu do mundo das celebridades quando este não dava mais espaço ao velho modelo granfino que o médico de 56 anos insiste em seguir. Pelo contrário, forçou a esposa Geórgia Worthman a se tornar uma madame granfina antes do tempo, e só no final deste ano ela fará 40 anos. O tom da sisudez do dr. Ghiaroni parece ter agravado numa de suas últimas aparições em Caras, quando ele posou com cara de poucos amigos em fotos dos bastidores de um show de Charles Aznavour.

O empresário, ex-tenista e diretor de elenco da Rede Record, Eduardo Menga, deveria aprender e também seguir a jovialidade dos seus filhos, mas prefere sucumbir a um espírito desanimado e limitar a um tipo de traje "casual" de 25 anos atrás, sem renovar o senso de humor, desleixando até na forma física dos seus 57 anos e se isolando na sua sisudez deprimente, enquanto sua jovem esposa Bianca Rinaldi capricha na beleza ensolarada e deslumbrante.

Roberto Justus, coitado, até tenta ter um grande senso de humor, mas insiste na mesmice dos trajes antiquados do terno sem gravata - que era moderno lá pelos idos de 1974-1975, quando o autor deste blog classificava os homens engravatados como vestidos em "traje de ministro" - ou das camisas abotoadas em tom grafite, o que faz com que o granfino publicitário, convertido em celebridade, tornasse um sujeito tão cafona quanto Fábio Jr., por exemplo.

Malcolm Montgomery tenta usar roupas joviais e até encara tênis, jeans e camiseta. Mas em eventos como a pré-estreia de um filme, ou o lançamento de uma novela da Record (onde trabalha sua esposa Carla Regina), Malcolm usa terno sem gravata e sapatos de verniz, no já velho estilo yuppie.

Todos eles nem chegaram aos 60 anos e, na obsessão em soar "maduros", tornam-se mais imaturos ainda. Empresários ou profissionais liberais, eles ignoram que as transformações que acontecem nos seus ambientes profissionais é apenas um reflexo das transformações gerais da humanidade, que atingem também a vida social.

Mal sabem esses cinquentões, que confundem espontaneidade e prazer com o rigor das normas de etiqueta e elegância, que Serginho Groisman esteve sempre à frente deles, e nem por isso o apresentador de Altas Horas deixa de amadurecer.

Sim, Serginho amadurece, envelhece e ele sabe bem disso. Mas envelhecer e amadurecer na vida não significa ficar brigado com o ser jovem que era antigamente, não é criar um contraste entre o que um homem era aos 22 anos e o que ele mesmo é depois dos 50.

Mal sabe boa parte dos homens que tantos prazeres supostamente tolos da juventude, na medida em que são abandonados, consistem na eliminação de meios de defesa, física e psicológica, contra as doenças, amarguras e pressões da vida.

Ser sisudo, entre os 35 e 60 anos, é muito fácil e cômodo, quando significa sucesso financeiro e prestígio social. Quando significa poder, liderança, experiência. Mas depois vem a aposentadoria e a sisudez tão associada à "elegância", "bom gosto" e "requinte" não será além do que sinônimo de tédio, depressão, tristeza, doença e morte.

Daí que a melhor idade tem que ser hoje, não dá para esperar sobreviver ao primeiro enfarte da velhice para buscar melhorias na qualidade de vida. De que adianta, por exemplo, desposar moças lindas e jovens, se a personalidade dos homens se torna irritantemente velha e ultrapassada?

Serginho Groisman está prevenido. Parabéns, saúde e longa vida a esse verdadeiro garoto de meia-idade.

ETNOCENTRISMO PAULISTA A RESPEITO DA CULTURA POPULAR



Grande problema têm os intelectuais paulistanos que cortejam a ideologia brega-popularesca como se fosse a "verdadeira manifestação" da cultura popular.

Sabe-se que eles adotam uma postura etnocêntrica, e não é difícil explicar que visão etnocêntrica eles têm e que trata a cultura popular de forma estereotipada e subordinada aos padrões da grande mídia.

Nomes como Pedro Alexandre Sanches, Hermano Vianna, Bia Abramo e Rodrigo Faour têm origem na crítica musical, sua formação é algo entre o Rock Brasil e a apreciação do rock e do pop internacional dos anos 80.

Imagine então que "pesquisas etnográficas" eles realizam? Vão para as danceterias e passam pelo comércio de camelôs nas ruas. Pura analogia ao que eles faziam na capital paulista, visitando boates e percorrendo a Rua 25 de Março e os sebos da cidade.

Cientistas sociais frustrados - apesar de Hermano Vianna ter mestrado e doutorado, ele está longe de ter uma reputação de grande antropólogo - , eles tentam costurar seus argumentos sobre os modismos brega-popularescos de regiões distantes (como o arrocha da Bahia, o tecnobrega do Pará, a tchê-music do Rio Grande do Sul e o "funk carioca" do Rio de Janeiro) com referenciais mais díspares possíveis de comparação.

Seu preconceito etnocêntrico acaba sendo provado na medida em que julgam tais modismos, todos de valor artístico duvidoso e resultantes de uma "educação cultural" midiática dirigida pelas elites regionais (não precisamos aqui detalhar as concessões de rádio FM feitas por ACM e Sarney para políticos e empresários simpatizantes), de acordo com a formação cultural desses "pesquisadores".

Tentam comparar a estrutura de mídia e de divulgação de ritmos como o tecnobrega, o arrocha, o "pagodão" (também baiano) e o "funk carioca" de acordo com as avaliações que seriam mais apropriadas para definir o rock alternativo paulistano. Como se não tivesse diferença alguma entre uma Baratos Afins heroicamente sustentada pelo farmacêutico e produtor musical Luís Carlos Calanca e um selo paraense investido por um grande fazendeiro da região. Ou uma rádio FM controlada por um deputado federal de Salvador (Bahia) e uma rádio alternativa feita por uma universidade paulistana.

Dependendo das comparações, que deixam cada vez mais evidente a visão etnocêntrica, ou seja, um preconceito positivo de enxergar o "outro", referenciais dos mais distantes são usados para costurar as argumentações numa base teórica verossímil, mas exagerada e discutível.

No caso do tecnobrega do Pará, costura-se as comparações com o punk rock para definir a mídia supostamente "alternativa" - claro, seus "pesquisadores" vivem em São Paulo, querem ver o Pará como uma sucursal do underground paulistano - , enquanto tenta-se comparar o povo que frequenta seus espetáculos com as tribos indígenas analisadas por Claude Levi-Strauss. E, como fenômeno supostamente cultural, o tecnobrega é também comparado com o evento da Semana de Arte Moderna, e sua (baixa) estética com o Tropicalismo, quando atribui-se aos ídolos do tecnobrega uma suposta missão provocativa.

Esses intelectuais só ouviam Manu Dibango, Specials, Miriam Makeba e Gregory Isaacs e acham que o grotesco Psirico é igual a eles. Eles ouviam Beastie Boys, Afrika Bambattaa, Grandmaster Flash e Public Enemy e acham que MC Créu vai fazer igualzinho a eles.

Eles ficavam o tempo todo nos sebos do Centro de São Paulo, no comércio da 25 de Março e nas boates da Zona Sul paulistana. Eles passavam o tempo lendo revistas londrinas, assinando o New Musical Express, conheceram o underground pela MPB da cena da Lira Paulistana ou do rock alternativo da Baratos Afins, Wob Bop e outros selos indies.

Só conheciam sua cena alternativa de São Paulo (com alguma inclinação para o melting pop londrino, mesmo a Jamaica intermediada por Londres, a África intermediada por Paris) e de repente eram convidados pelas circunstâncias a pesquisar sobre cultura popular do interior do Brasil.

Eles nem conhecem as armadilhas do brega-popularesco. Só conheceram o brega através das paródias dos Titãs (quando Titãs do Iê-iê, tendo Ciro Pessoa na formação), do Premê (Premeditando o Breque) e do Língua de Trapo. Mal puderam perceber o quanto Waldick Soriano era um cantor ultraconservador e o venderam como um "guerrilheiro vanguardista". Coitados.

Sua formação intelectual não ia além do território delimitado entre o Cassino do Chacrinha e a 97 Rock FM. Tinham que analisar a cultura popular numa pesquisa apressada nas bibliotecas da USP e da PUC-SP que não conseguiu diminuir os preconceitos etnocêntricos dessa intelectualidade.

Daí ser mole definir um modismo da música comercial como se fosse um "fenômeno etnográfico", uma "cultura pós-moderna", cheio de divagações intelectualóides, ainda que "generosas". Imagine se a disco music, em todo o seu vazio intelectual, tivesse uma retórica de defesa típica do punk rock? Village People vendido como se fossem os Sex Pistols disco? Não faz o menor sentido.

Mas no Brasil politicamente correto de hoje, Claude Levi-Strauss, Oswald de Andrade, Malcolm MacLaren, Antônio Conselheiro e Hélio Oiticica são igualmente usados a bel prazer pelos intelectuais etnocêntricos que defendem a caricatural "cultura" do brega-popularesco.

Isso tudo, a ponto desses intelectuais atribuírem aos ídolos popularescos uma "sabedoria cultural" que esses ídolos não têm. Eles mal sabem a diferença entre Mário de Andrade e Oswald de Andrade e os intelectuais dizem que eles entendem de "antropofagia".

Pura lorota. O que os ídolos popularescos fazem é juntar o repertório que eles ouvem nas rádios e criar uma linha de montagem estético-musical para fazer sucesso na mídia. Tudo por dinheiro. Nada por cultura. Só a intelectualidade etnocêntrica não vê isso.

EX-RIDE ENCONTROU JESUS



O ex-integrante do Ride, Loz Colbert, atualmente toca com o Jesus & Mary Chain.

Rock alternativo é isso aí.

JESUS VOLTOU!!!!!!



Há um bom tempo a banda Jesus & Mary Chain voltou às atividades. Enfim Jesus reconciliou os irmãos William e Jim Reid.



Mas quem foi cantar aleluia mesmo foram os Happy Mondays.



segunda-feira, 28 de junho de 2010

MÍDIA GORDA CRIA O "FALA GALVÃO"



A mídia gorda, depois do jogo (de cartas marcadas) que ocorreu há pouco entre a $ele$$ão e os bonecos-de-corda do Chile, criaram o "Fala Galvão" em reação ao CALA BOCA GALVÃO.

Tudo para reafirmar o império midiático da Rede Globo.

Não adiantou eu escutar, via You Tube, o Hino Nacional do Chile, as músicas dos grupos chilenos Los Angeles Negros - uma delas, "El Rey y Yo", foi sampleada pelos Beastie Boys - e Pinochet Boys, nem mesmo os cantores de protesto Victor Jara e Violeta Parra.

Só deu $ele$$ão, que não representa o meu Brasil. Representa o Brasil das elites, da alienação, das desigualdades, do "jeitinho" e outros males e malas.

Só falta o próprio Galvão Bueno fazer seu solo de vuvuzela para a palhaçada ficar completa.

O FIM DO DEM OU A NOVA MORTE DA UDN



COMENTÁRIO DESTE BLOG: A UDN terá, provavelmente, mais uma morte neste ano. A crise do DEM, sobretudo com o episódio do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, acusado de liderar um esquema de corrupção, se agravou quando o candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, preferiu optar por um colega do partido para vice, em vez de manter a dupla PSDB/DEM (antes PSDB/PFL) como nas campanhas anteriores.

Fala-se no fim do DEM, mas provavelmente uma outra sigla herdará, com segurança, o programa já conhecido nos áureos tempos udenistas e que atravessou soberano toda a ditadura militar. Enquanto isso, o PTB é só um nome, por sinal apoiando a candidatura de Serra, apesar de Collor preferir puxar o saco dos petistas.

DEM já é tratado como peso morto

De Rudá Ricci - Blog de Esquerda em Esquerda

O erro de Serra é ser indeciso e grosseiramente pragmático. Mas ele sinalizou algo que todos analistas políticos já vaticinaram: o DEM (ex-Arena e ex-PFL) acabou ou está em vias de fechar as portas. Dificilmente chega às próximas eleições municipais.

A tendência é uma reestruturação geral do sistema partidário brasileiro. Já noticiei as conversas para criação de um novo partido envolvendo os democratas, parte dos tucanos não paulistas e pequenos partidos.

Luis Nassif sugere que os pequenos partidos formarão pequenos blocos nas extremidades do espectro ideológico. Se estiver certo, PMDB, PT e PSDB se aproximam, ao centro. Se o boato de formação deste novo partido for verdadeiro, a polarização PT/PSDB continuará por mais um período, tendo o PV de Marina Silva correndo por fora. O novo partido deverá agregar outras agremiações significativas, como o PPS. Este - o PPS - é um partido que me intriga.

Aliou-se de tal maneira ao serrismo que se tornou linha auxiliar dos tucanos paulistas. Acredito que mereceria outro destino, mais independente, pelo passado que carrega. PSB e PDT fizeram tanta algazarra que começam a caminhar nas trilhas do PPS.

Enfim, as opções partidárias representam mais grupos de interesses que reflexo do pensamento político ou ideais disseminados na sociedade brasileira. Os partidos nunca estiveram tão longe da política real como hoje. São ficções, do ponto de vista da representação social. Representam a si mesmos.

PEDRO ALEXANDRE SANCHES, O "CAPANGA" DA FOLHA/ABRIL?



Até agora, eu pessoalmente nunca li nem vi uma declaração do crítico Pedro Alexandre Sanches de que se decepcionou com a mídia de direita ou de que se identifica com a causa da mídia esquerdista.

Sempre achei estranho que Pedro Sanches, de uma hora para outra, saltou da Folha de São Paulo para Carta Capital e Caros Amigos assim de bandeja.

Sabemos muito bem que um grande abismo ideológico separa Folha de São Paulo e a imprensa de esquerda, e não é o tema da cultura popular que estabelecerá exceção para isso.

Também soa muito estranho que Pedro Sanches, com uma argumentação "intelectual" que já vimos em Hermano Vianna, Milton Moura e outros, vá na imprensa de esquerda defender um tipo de pseudo-cultura que transforma as classes populares em caricatura estereotipada, que é o brega-popularesco, uma pseudo-cultura que é recebida de portas abertas pelos veículos das Organizações Globo e do Grupo Folha.

Caso recente, sabemos, foi o do tecnobrega do Pará, que pouco depois de virar capa na revista esquerdista Fórum ganhou acesso fácil nos programas da temível Rede Globo: Mais Você (cuja apresentadora, Ana Maria Braga, militou no movimento direitista Cansei), Domingão do Faustão (símbolo máximo da alienação televisiva brasileira) e Jornal da Globo (cujo âncora William Waack é uma das expressões do reacionarismo midiático).

Até os padrinhos do tecnobrega, a Banda Calypso, tornou-se exemplo porque foi tão falsamente associado às "mídias pequenas", ao "esquema alternativo e independente de divulgação", e hoje tem as portas escancaradas da Rede Globo para aparecer em todos seus programas, além de ter ganho a primeira página, uma vez, do Segundo Caderno de O Globo, a ponto de Chimbinha e Joelma praticamente virarem "astros globais" não assumidos, mas de forma bem explícita. Com direito a se "rivalizarem" com Acarajette Lovve, a cantora axézeira fictícia vivida pelo casseta Beto Silva, cujo assessor Waldeck do Curuzu é interpretado pelo Millenium boy Marcelo Madureira.

Pois de que adiantou a Fórum gastar papel para capa e páginas de pura defesa do tecnobrega - cujo status de "movimento alternativo" é muito falso, ante o apoio latifundiário na "pequena mídia" local - da parte de Pedro A. Sanches, se pouco depois o colunista de Jornal da Globo, Nelson Motta, integrante do Instituto Millenium (expressão do pensamento conservador midiático, tal qual o IPES nos anos 60), escreveu as mesmas alegações?

Em ambos os casos, as apologias de Sanches e Motta se basearam no festival de lorotas que o livro Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música, de Ronaldo Lemos e Oona Castro, que não bastasse a badalação em torno da caricata cultura brega-popularesca então representada no tecnobrega, faz uma idealização da sociedade paraense completamente diferente da Pará sofrida, lutadora e historicamente ligada aos conflitos de terra que sacrificaram muitos trabalhadores e até figuras humanitárias, devido à pistolagem.

Aliás, como um verdadeiro capanga do Partido da Imprensa Golpista, Pedro Sanches entrou na mídia de esquerda e fez lá seu trabalho. Foi fazer o que sempre fez na Folha de São Paulo, dando sua visão etnocêntrica da cultura popular brasileira.

Mas, no fundo, Sanches não se tornou mais esquerdista do que os antigos esquerdistas que hoje militam no Instituto Millenium. Mesmo num método diferente, ele acaba atingindo os mesmos objetivos que Marcelo Madureira, Arnaldo Jabor, Nelson Motta e Guilherme Fiúza alcançam no Millenium, porque defende uma música popular caricata e estereotipada, o brega-popularesco da Música de Cabresto Brasileira, que a grande mídia patrocinou e apadrinhou desde os primórdios de Orlando Dias, Waldick Soriano e Nelson Ned, há mais de 50 anos.

OBSERVAÇÃO SOBRE O TENDENCIOSISMO DA MÍDIA IMPRESSA DE ESQUERDA



Sobre a questão da pressão editorial, recebemos uma boa observação do amigo Marcelo Delfino, de Brasil Um País de Tolos e parceiro na condução do Preserve o Rádio AM, quanto à influência do mercado editorial nas pressões que fizeram a imprensa escrita de esquerda no Brasil aderir ao tendenciosismo, apoiando o brega-popularesco.

Só quero fazer uma ressalva que, evidentemente, a questão do papel existe, mas reconheço que é apenas uma pequena parte de todo um mercado mafioso, que exige que a imprensa de esquerda, para sobreviver, tenha que aceitar a colaboração do "menino de ouro" de Otávio Frias Filho, o crítico Pedro Alexandre Sanches.

Evidentemente, a pressão do mercado editorial da Dinap (de propriedade da Abril) envolve uma série de questões, que envolve a sobrevivência da imprensa de esquerda no Brasil. Vamos à mensagem:

"Não tem a ver com a questão do papel, Alexandre. Tem a ver com o fato de que a Dinap ser a empresa que domina quase todo o mercado de distribuição de jornais e revistas em todo o país. Inclusive das publicações alternativas e/ou esquerdistas.

O proprietário da Dinap é ninguém menos que o grupo Abril.

http://www.dinap.com.br/site/institucional"

domingo, 27 de junho de 2010

MERCADO EDITORIAL PRESSIONOU IMPRENSA ESQUERDISTA A APOIAR BREGA-POPULARESCO



APOIO DE IMPRENSA DE ESQUERDA A RITMOS COMO "FUNK" E TECNOBREGA TERIA OCORRIDO POR PRESSÕES DO MERCADO EDITORIAL.

O mercado editorial brasileiro pode esconder um esquema mafioso que fez com que até a imprensa de esquerda tivesse seus momentos de tendenciosismo.

Afinal, são os barões da grande mídia, com seu grande poderio, que privilegiam o mercado de papel para impressão de periódicos. É necessário que se investigue melhor esse esquema, mas tudo indica que a pressão dos distribuidores de papel para órgãos de imprensa teria influído no tendenciosismo da imprensa de esquerda em elogiar ritmos da música brega-popularesca.

Isso porque a blogosfera de esquerda não aderiu à propaganda apologista de ritmos como "funk carioca" (FAVELA BASS) e tecnobrega, enquanto a imprensa escrita - Caros Amigos, Carta Capital, Brasil de Fato e revista Fórum - , até pela questão do caríssimo preço do papel utilizado para impressão, aderiram de forma bastante suspeita.

Não pode ser outra coisa, por exemplo, a contratação de um militante funqueiro, que pouco se incomoda em ser lisonjeado pelas Organizações Globo, e de um ex-crítico musical da Folha de São Paulo, para colaborarem nos periódicos de esquerda.

A explicação para isso é que a pressão dos fabricantes de papel, de um lado, e das associações e instituições ligadas ao mercado editorial, de outro, fez com que a imprensa de esquerda, no que se diz ao tema da cultura popular, praticamente adotasse um discurso análogo ao que a mídia golpista já adota, como podemos ver, da forma mais explícita, nos textos de Ilustrada e do Segundo Caderno de O Globo.

Não é coincidência nem fato inócuo que o mesmo discurso que Caros Amigos faz do "funk carioca" e que a revista Fórum fez do tecnobrega sejam, de forma imediata e entusiasmada, reproduzidos com surpreendente fidelidade retórica pelos programas da Rede Globo e pelas páginas da Folha e de O Globo, com os mesmos argumentos, as mesmas alegações.

É porque ritmos como o "funk carioca" e o tecnobrega, derivativos de uma ideologia fundada pela música brega de Waldick Soriano, Odair José e Gretchen, trabalham pela domesticação do povo pobre, transformando as classes populares em caricatura, contribuindo, muito mais do que os rancorosos artigos da imprensa golpista, com os objetivos de controle social dos barões da grande mídia.

A imprensa esquerdista, visando a sobrevida econômica, sucumbiu a esse verdadeiro jabaculê editorial.

NOTARAM QUE BREGA-POPULARESCO NUNCA TEM MÚSICA DE PROTESTO?


NÃO ESPEREM UM EQUIVALENTE AO CANTOR GERALDO VANDRÉ EM AXÉZEIROS, BREGANEJOS, FUNQUEIROS ETC.

Notaram que, na Música de Cabresto Brasileira, não existe uma única canção de protesto?

Que, quando muito, as "canções de protesto" - como o "Rap da Felicidade" de MC Cidinho & MC Doca, "Firme e Forte" do Psirico e "Favela" do Parangolé não passam de canções inofensivas em prol do conformismo social?

Que as "músicas de protesto" de Chitãozinho & Xororó e Zezé Di Camargo & Luciano chegam ao nível do risível de tão anódinas?

Que "Eu Não Sou Cachorro Não", de Waldick Soriano nunca foi canção de protesto, nem a pau, queiram ou não queiram as teses conspiratórias fabricadas por Paulo César Araújo?

E que o próprio Odair José afirma em suas entrevistas que não é mais do que um simples cantor romântico?

Que o "funk carioca" (FAVELA BASS) nunca fez um protesto real contra os verdadeiros problemas que atingem o povo, mas sempre se empenh0u no suspeitíssimo "orgulho de ser pobre" que tenta aquietar as massas populares ante a opressão das elites?

Que mesmo nas covers oportunistas de MPB, os ídolos da música brega-popularesca sempre tomam cuidado para não gravar uma canção 'contundente' do artista em questão? Ou alguém vai ouvir um conjunto ou cantor de sambrega gravando "Apesar de Você" de Chico Buarque?

Que música realmente de protesto a "alegria" da axé-music vai encarar? "Chega de bobeira, chega de bobagem, já virou sacanagem?". Não.

Quem é que disse que tecnobrega é "música de protesto"? "Hoje eu tô solteira"? Fala sério!!

Este é o tom da música brega-popularesca. Música de mero entretenimento, que já não é comprometida, de forma alguma, com a produção social de conhecimento, nem com a qualidade artística, nem com a transmissão de valores sociais edificantes.

Não bastasse isso, a música brega-popularesca não se compromete em coisa alguma a alertar dos reais problemas dos brasileiros, sendo mais uma música anestesiante, patrocinada pelas elites detentoras do poder político, econômico e midiático para exercer o controle social através da manipulação cultural das mesmas.

Só isso deveria causar preocupação a mais para nossos analistas acerca das manobras político-midiáticas dos donos do poder sobre o povo.

GATAS NO GLASTONBURY FESTIVAL. JÁ NO BRASIL...



Lá na Inglaterra, acontecem eventos como o Glastonbury Festival, com a maioria das atrações sendo música de qualidade e farta presença de gatas inteligentes na plateia.

Só de famosas, apareceram na edição 2010 do festival as atrizes Sienna Miller, Emma Watson e Kate Judson e a modelo Kate Moss, para dar uma ideia das gatas que pintam por lá.

Enquanto isso, no Brasilzinho brega e medíocre, mulheres-frutas e BBBoazudas ficam dançando festinhas juninas, como se fosse a coisa mais moderna do mundo. Ah, e dançando festas juninas sozinhas, sem namorado, apesar dos pretendentes à altura delas que existem aos montes.

Oh, dia, oh, céus...

E SE AINDA HOUVESSE ELEIÇÕES PARA VICE-PRESIDENTE?



Há 50 ou 55 anos, por conta da Constituição de 1946, foi realizada, junto à eleição para Presidente da República, a eleição para Vice-Presidente. Foi através dos pleitos para vice em 1955 e 1960 que o gaúcho João Goulart foi eleito vice-presidente, chegando, em 1955, a ter mais votos do que o candidato titular à Presidência, Juscelino Kubitschek.

O fato enfureceu a direita brasileira da época, rendendo até discurso do então coronel Bizarria Mamede durante o enterro do general Canrobert Pereira da Costa (nome que os mais jovens, pelo menos os cariocas, conhecem mais como uma rua que liga Deodoro a Realengo) e uma ameaça de golpe militar envolvendo Carlos Lacerda e até o então presidente em exercício, Carlos Luz (que havia substituído Café Filho, que estava doente, e que já estava substituindo Getúlio Vargas, que se suicidou). Foi preciso um contragolpe do general Henrique Lott para botar ordem na casa. E Lott depois foi promovido marechal.

Há 50 anos, a votação em separado para presidente e vice permitiu que formasse uma composição do Governo Federal com chapas rivais. Jânio Quadros conseguiu ser eleito, mas não conseguiu garantir o Planalto para o vice de sua chapa, o jurista Milton Campos. Já Henrique Lott não conseguiu se candidatar presidente, mas seu vice, João Goulart, foi eleito.

Essa realidade surreal foi extinta com a ditadura militar e, quando veio a Constituição de 1988, a eleição para vice foi extinta. Hoje o presidente é eleito e vai o vice junto.

Mas, se ainda houvesse votação para vice, vejam os abacaxis que teríamos que encarar. Ambos insossos, conservadores, politicamente intragáveis, o peemedebista Michel Temer e o tucano Álvaro Dias. Não havia como votar nesses "malas". Não havia mesmo. Seria escolher entre o fisiologismo sem sal de Temer e o conservadorismo paranaense de Álvaro Dias.

Temer, além disso, é um pedófilo enrustido e Dias vem de uma cidade em que os "ultramodernos" ônibus, visualmente, parecem variação das frotas das forças armadas de tanta mesmice uniformizada.

sábado, 26 de junho de 2010

FICHA LIMPA DA DITADURA


PAULO MALUF - Ex-militante do IPES nos anos 60, político civil que contribuiu com o regime militar, símbolo da direita reacionária dos anos de chumbo.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Excelente ideia tem o jornalista Emir Sader de pensar num meio de repudiar políticos (ou mesmo ex-políticos) que participaram ativamente da ditadura militar, defendendo o regime militar enquanto ele era firme e forte. Dançariam até mesmo o "moderno" Fernando Collor e o (dublê de) radiojornalista baiano Mário Kertèsz, para não dizer muita gente que ficou do lado dos milicos e contra o povo brasileiro.

Ficha limpa da ditadura

Emir Sader - Agência Carta Maior

A anistia decretada pela ditadura tentou limpar tudo, igualar tudo – torturadores e torturados. A forma como se deu a transição da ditadura à democracia permitiu que políticos que estiveram vinculados à ditadura, aparecessem como convertidos à democracia.

Porém nunca esqueceremos que o golpe militar rompeu o processo democrático brasileiro, depôs um presidente que havia sido eleito vice-presidente, tinha assumido a presidência com a renúncia de quem tinha sido eleito para este posto, aceitando inclusive recortar seus poderes, com a imposição do parlamentarismo. Posteriormente, João Goulart convocou um referendo sobre a forma de governo e venceu, democraticamente, o retorno do presidencialismo.

Esse presidente, legítimo e legalmente presidente, foi derrubado por um movimento militar golpista, que terminou com a democracia e impôs uma ditadura ao país. Se valeram dos recursos públicos para reprimir ao povo e a tudo o que tivesse que ver com democracia: organizações populares, Parlamento, Judiciário, partidos, movimentos culturais, imprensa popular. Contaram com o apoio e o beneplácito da imprensa, do governo dos EUA, de boa parte da elite política, do grande empresariado e suas associações. Prenderam arbitrariamente, torturaram, assassinaram a milhares de brasileiros, os condenaram sem processos, promoveram um regime do terror.

A volta à democracia foi tutelada pelos próprios militares que haviam dado o golpe e imposto a ditadura. Decretaram uma anistia que os poupasse de pagar pelos crimes que tinham cometido, assim como seus beneficiários – que se enriqueceram com o arrocho salarial, a intervenção nos sindicatos, a política econômica favorável aos grandes monopólios daqui e de fora.

Está bem o Ficha Limpa da corrupção. Mas por que não o Ficha Limpa da ditadura? Por que não impugnar todos os que participaram da ditadura, a apoiaram, se beneficiaram dela, foram políticos do regime, ocuparam cargos, foram governadores, prefeitos biônicos? Todos foram cúmplices, por ação ou por inação do episódio mais brutal da vida política brasileira.

Muitos deles ainda andam por ai. Façamos uma lista dos que foram políticos da ditadura e impunemente andam por ai, querendo definir quem é democrático e quem não é, quando eles foram, de corpo e alma, adeptos da ditadura e nunca fizeram autocrítica do seu passado.

Só para começar, me recordo de alguns deles:

Marco Maciel
José Sarney
José Agripino
Jorge Bornhausen
Romeu Tuma
Paulo Maluf

DAKOTA FANNING & MIRANDA COSGROVE



Elas eram duas simpáticas, talentosas e adoráveis criancinhas.



Hoje elas são uma explosão de beleza e sensualidade.

No Brasil, elas causariam um impacto tão violento que as tão "desejadas" boazudas passariam a sentir trauma de si mesmas diante de gatas verdadeiramente sensuais, belas e charmosas.

O FENÔMENO "CALA BOCA GALVÃO"



COMENTÁRIO DESTE BLOG: A prepotência da Rede Globo, tanto no ufanismo patético de Galvão Bueno, quanto pela intransigente obsessão em monopolizar entrevistas exclusivas, numa clara demonstração de anti-jornalismo, começa a gerar problemas nesta copa. Diante de episódios como "Cala Boca Galvão" e "Cala Boca Tadeu Schmidt", a Globo tentou neutralizar transformando soda cáustica em soda limonada, aludindo a supostas campanhas ecológicas (tal qual se fez com Geisy Arruda no Twitter) e reduzindo o impacto das campanhas a meras piadas que apenas reafirmam o poderio midiático de Galvão Bueno em particular e das Organizações Globo (sobretudo Rede Globo) em geral.

O fenômeno "Cala Boca Galvão"

Carlos Castilho - do Observatório da Imprensa

A TV Globo passou a ter um problema sério depois do impacto alcançado pela mensagem “Cala Boca Galvão”, no Twitter, um sistema de micromensagens disseminadas pela internet e que na semana passada chegou a ter repercussão mundial.

A emissora não vai afastar o polêmico locutor durante a Copa do Mundo, mas provavelmente dará férias prolongadas a Galvão Bueno depois do fim do torneio para tentar reverter a propaganda negativa gerada pela surpreendentemente rápida veiculação da mensagem entre os usuários do Twitter.

É a internet mostrando como o fenômeno das redes está mudando comportamentos que no passado eram considerados utópicos, como, por exemplo, a Globo ter que deflagrar uma operação emergencial de marketing para evitar danos maiores à imagem de seu mais importante nome na Copa do Mundo.

Esta não é a primeira vez que o slogan "Cala Boca Galvão" aparece em faixas levadas por torcedores em estádios de futebol. A diferença agora é que mais do que um protesto ele se transformou num fenômeno de marketing viral na Web. E aí a Globo não pode ignorá-lo. Ela agiu rápido para tirar as faixas levadas para os estádios sul-africanos, A faixa ficou só 3 minutos na arquibancada usando o peso de sua influência junto aos organizadores do evento, e contra-atacou em seus programas de esporte brincando com a repercussão do fato.

A emissora teve o cuidado de evitar a polêmica com os twiteiros, mesmo depois que estes criaram toda a espécie de confusões e equívocos misturando futebol com proteção a papagaios em extinção e supostos hits da cantora Lady Gaga. Até um clip com Hitler xingando o locutor circulou pela Web. Uma resposta mais agressiva atearia ainda mais fogo aos críticos de Galvão Bueno e a Globo sabia que o problema era menos visível.

Não se tratava apenas dos exageros verbais e os erros informativos de Galvão Bueno, mas do fato de que sua onipresença nas telas da Globo serviu como catalisador para um segmento do público que não gosta da hegemonia global na mídia brasileira. A emissora trata este tema com luvas de pelica porque sabe que na era digital uma fagulha pode se transformar num incêndio avassalador, em matéria de marketing de imagem.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

SEPARAÇÃO?! DA VIDA REAL



Karin é uma linda jornalista, mulher brilhante, inteligente, ao mesmo tempo sexy e graciosa, que viajou pela Europa e leu longos livros inteiros de Umberto Eco, e é muito brilhante nas suas conversas. Seu hábito de leitura é tal que Paulo Coelho para ela parece bula de remédio de tão chato de se ler.

Já Agnaldo, coitado, é um empresário careta e sisudo que preside uma companhia ligada ao setor financeiro, e que, workaholic, já deixou de ler livros há muito tempo. Por pura falta de tempo. E de paciência, para não dizer falta de atenção.

Certa vez, ele confundiu Jean Baudrillard com Pierre Bourdieu quando foi procurar um livro do primeiro que sua esposa estava lendo. E, quando recebeu um convite para assistir a uma encenação da peça Vestido de Noiva, ele agradeceu dizendo que admira muito o teatrólogo Plínio Marcos, sem saber que a obra, na verdade, foi escrita por Nelson Rodrigues.

Até na elegância Karin e Agnaldo se divergem muito. Ambos querem ser elegantes. Mas a elegância de Karin é colorida, alegre, jovial, dá gosto de se ver. Já a de Agnaldo é de uma tristeza só. Em três semanas seguidas, ele chega a usar um terno preto para tudo, só mudando a gravata.

Numa certa vez, Agnaldo quase foi para a praia de terno e gravata, imaginando que iria se encontrar com um outro casal amigo. Foi preciso Karin se assustar, com o marido já enrolando a gravata, e logo dizer para Agnaldo que o casal iria para a praia, e não para um workshop de negócios. Agnaldo quase morreu enforcado com sua própria gravata com a reprimenda de Karin.

Pobre Agnaldo. Quer dizer, rico Agnaldo. Seu trabalho são apenas negócios, negócios e negócios. O máximo de diversão que ele tem são os bailes de gala numa boate chique de São Paulo. Que ele vai como se fosse a uma festa na vizinhança. E o casal mora no Rio de Janeiro. Isso quando ele não viaja para o exterior com o objetivo de...fazer negócios.

Até para ser informal Agnaldo é extremamente formal. Coitado. Quer acompanhar o charme de sua linda esposa, que se aborrece com o pedantismo do marido. Certa vez, ele disse que a pintura Guernica era uma grande obra da pintura futurista de Salvador Dali. Pobre Pablo Picasso, autor do famoso quadro, e Filippo Marinetti, criador do futurismo, tão famosos mas sem o reconhecimento do superimportante Agnaldo.

Certo dia, aliás, um certo e adorável dia de sol, Agnaldo vai sair para acampar com Karin e os filhos. Ah, sim, o casal tem dois filhos, um casal. Nós não diremos o nome dos filhos porque tanto faz ser João e Maria, José e Ana, Luís e Luíza, Ceci e Peri, que sempre dá no mesmo. Chamaremos os filhos de Fulano e Fulana, para efeito da história:

- Agnaldo, para que tanto cartão de crédito? A gente só vai acampar!!

- Karin, você sabe que sou muito precavido. Vou levar os cartões de crédito, sim. Imagine se a gente tiver que gastar alguma coisa. Temos que nos prevenir.

É bom deixar claro que Agnaldo fala sempre com aquela voz enjoada de palestrante de um seminário de negócios. É sempre assim, até em conversas de bar.

Já Karin fala com a voz de veludo de uma jornalista cujo tom de graciosidade e doçura aumenta quando ela não está trabalhando. Uma voz belíssima, charmosa, alegre, radiante.

- Puxa, Agnaldo, e você vai levar toda essa penca de chaves? Tem até a chave do armarinho do banheiro de trás, você vai levar tudo isso? Bastam só as chaves de casa e do carro!

- Mas, Karin, eu boto as chaves tudo junto, para não perder!! Sou um homem precavido, eu já falei. - disse Agnaldo, com sua voz de palestrante de seminário de negócios.

Quando chegaram ao bosque, para o acampamento, com Agnaldo vestido de camisa de botão, bermuda jeans cheia de bolsos e mocassim, porque sente horror de se vestir de forma normalmente informal, ele foi brincar com o filho Fulano, de carrinho.

- Papai, por que você só brinca comigo e não é capaz de brincar sozinho? Você gosta de brincar ou só faz isso porque é meu pai?

- Filho. - diz Agnaldo, constrangido, com aquele tom de palestrante de seminário de negócios, só que um pouco mais paternal. - Papai fica muito ocupado para essas coisas.

- Não, pai!! - grita o filho, Fulano, aborrecido. - Você não gosta de brincar!! Você só brinca comigo porque é obrigado!! Fulana, papai não gosta de brincar com a gente!!

- É mesmo, Fulano? Bem que eu percebi que ele não queria brincar de boneca comigo. Fica na mesa rabiscando umas coisas e mexendo com o laptop.

- Filhos. - disse Karin para as crianças. - Papai tem o seu trabalho na empresa. Ele vive mesmo muito ocupado.

- Nada disso, manhê! - grita Fulano. - Papai faz negócio até nos almoços sociais de domingo. Eu sei que ele só fica falando de economia e política, quase não tem outro assunto!

Com esse quadro conjugal entediante, há sempre motivo para haver separação. Mas Karin e Agnaldo não se separam. Estão sempre, sempre dependentes de uma vida confortável a dois, que garantem contatos amistosos influentes e uma boa reputação na alta sociedade brasileira.

Mas, na hora do aperto, sempre fazem compromissos em separado, Karin como jornalista, Agnaldo como empresário. Pouco aparecem juntos. E quando Karin foi perguntada, numa entrevista, qual é o homem mais bonito de sua vida, respondeu o ator George Clooney, e quando a pergunta era com quem ela levaria para uma ilha deserta, ela respondeu vagamente "com minha família", palavra que poderia excluir o marido, nas piores situações.

Mas o casal continua sempre junto. Às vezes Karin aparece sem anel de casada. Mas no dia seguinte repõe seu anel e reafirma seu "amor" pelo marido.

DOIS PARÁS: O REAL E O FANTASIOSO


O PARÁ REAL - As tragédias da missionária Dorothy Stang e dos agricultores de Eldorado dos Carajás.

A imprensa de esquerda não entendeu bulhufas. Não entendeu a manobra ideológica dos dois Parás.

Existe o Pará fantasioso das breguices estereotipadas, da cultura dizimada do povo paraense, reduzido a meros estereótipos caricatos brincando de pop norte-americano através de ritmos tenebrosos como o tecnobrega e o forró-brega.

No entanto, existe o Pará real, sofrido, do sangue da missionária Dorothy Stang, dos agricultores de Eldorado dos Carajás, e de muitos outros militantes mortos pela fúria do latifúndio.

Latifúndio que, sob a máscara de "pequenas mídias" e "mercado independente", patrocina com muito gosto a cafonice cultural que transforma o povo paraense em caricatura de si mesmo, domesticado, patético, conformista, sem valores sociais próprios, "educado" unicamente pelas rádios locais que servem ao coronelismo doméstico e pelas redes de TV aberta.

É o outro Pará, o pará fantasioso, da cafonice sorridente e "feliz", surda, cega e muda aos problemas da população. Que a cultura popular não precisa fazer protesto ou falar de sofrimento o tempo todo, tudo bem. Mas a ideologia brega-popularesca, como um todo, transforma o povo em caricatura, em estereótipo, claramente domesticado e patético.

Será que a imprensa de esquerda não desconfia um só milímetro de tendenciosismo no tecnobrega, forró-brega e outras cafonices, que a mídia golpista (Globo e Folha, sobretudo) apoia com muito gosto?

É bom deixar bem claro que , pouco depois de virar capa na revista Fórum, o tecnobrega entrou na Rede Globo e na Folha de São Paulo, arquiinimigas dos movimentos sociais, pela porta da frente, incluindo Domingão do Faustão e o temível Jornal da Globo, com calorosa acolhida de um Nelson Motta associado ao Instituto Millenium.

É bom a imprensa de esquerda rever suas abordagens sobre cultura popular, sob pena de ver os valores sociais de nosso povo serem empastelados, enquanto o debate sobre mídia e política não passa de uma reunião de cúpula ignorada pelo grande público.


O PARÁ FANTASIOSO - Latifúndio patrocina cafonice cultural do forró-brega e do tecnobrega, obrigando o povo, desprovido de referências culturais sólidas, a brincar de pop norte-americano.

HOJE É DIA DE LEMBRARMOS DO ROCK



Há um ano, o baixista-vocalista do grupo psicodélico The Seeds, Sky Saxon, se foi.



NOTA: No programa de auditório do qual se extraiu este vídeo, Sky preferiu tocar pandeiro em vez de baixo.

DIA SEM GLOBO TAMBÉM É DIA SEM SPORTV



Para quem tem TV por assinatura, por favor, BOICOTE o canal Sportv 1 e 2!!

Vamos boicotar as Organizações Globo como um todo, porque o Sportv está integrado à Rede Globo nas coberturas da copa de 2010.

Portanto, o Sportv também pratica a mesma prepotência no monopólio das "entrevistas exclusivas".

Não faz sentido trocar a Rede Globo pelo canal Sportv, porque é como trocar seis por meia-dúzia.

Vamos dar um CALA BOCA total nas Organizações Globo, porque nosso protesto é, acima de tudo, CONTRA UM DOS MAIORES IMPÉRIOS DA MÍDIA EXISTENTES NO BRASIL.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

AMANHÃ É DIA DO "CALA BOCA REDE GLOBO"



Vamos ajudar a botar abaixo o Ibope da Rede Globo. É de lei!! Vamos sintonizar o jogo Brasil X Portugal em outra emissora.

ATENÇÃO!!!! O CALA BOCA VALE TAMBÉM PARA A SPORTV!!!! VAMOS BOICOTAR O CANAL SPORTV DE QUALQUER JEITO!!

Não vamos comprar O Globo. Nem o jornal Extra, nem Expresso.

Nem sintonizar a Globo News.

Nem sintonizar Rádio Globo, CBN, Beat 98, Bahia FM, 102 FM BH etc.

Nem os gaúchos podem sintonizar qualquer veículo da Rede Brasil Sul (RBS), que anda assim de mãos dadas com as Organizações Globo.

Não vamos comprar Época, nem Quem Acontece. E temos que fugir do G1, do portal Ego.

Vamos fugir de TUDO que significar Globo, para derrubar esse império de bosta que contamina a mídia brasileira e tenta viciar nossa população tão indefesa.

Vamos dar um CALA BOCA REDE GLOBO no dia 25 de junho de 2010.

Pelo bem do Brasil.

VERDES ÁRVORES QUE ACOLHEM TUCANOS



Em tese, o Partido Verde (PV) era um partido de esquerda. Mas recentemente se afastou gradualmente do grupo de apoio ao PT e parece namorar o PSDB, servindo de verdes árvores que acolhem tucanos em pouso.

Nem precisamos detalhar o ensaio disso, quando o verde Gilberto Gil foi atuar, em Salvador, na equipe do então prefeito de Salvador Mário Kertèsz, político ultradireitista enrustido, falso amigo das esquerdas, hoje fantasiado de radiojornalista imparcial. Mas isso foi só um ensaio do PV se tornar um partido cada vez mais identificado com a direita política.

Fernando Gabeira foi outrora um histórico jornalista e guerrilheiro, participante do sequestro de um embaixador dos EUA no Brasil, um dos primeiros atos que abalou o então nascente AI-5, já em 1969, permitindo que vários prisioneiros políticos da ditadura se tornassem exilados.

Mas hoje ele, que havia também participado do espírito de desbunde da intelligentzia brasileira, nos últimos anos havia adotado posições conservadoras e moralistas, além de usar com gosto os espaços da Rede Globo, Folha de São Paulo e Veja para expor seus atuais pontos de vista.

Marina Silva acabou se contagiando com a veia direitista. Como candidata, escolheu como vice o empresário da marca de cosméticos Natura, Guilherme Leal. Além disso, em entrevista dada à temível "dama de ferro" da grande imprensa, a mineira Miriam Leitão, Marina Silva defendeu o "enxugamento" do Estado e o incentivo ao agronegócio.

A grande mídia andou gostando muito do PV ultimamente. Enquanto que nós, da esquerda, ficamos decepcionados com o desfecho desse outrora simpático partido.

DIA 25 - DIA DE BOICOTE À REDE GLOBO DE TELEVISÃO!!



Já rola na Internet uma campanha para que todos os brasileiros BOICOTEM a Rede Globo de Televisão, durante a partida Brasil X Portugal, pela copa de 2010. Aconselha-se sintonizar a transmissão pela TV Bandeirantes, embora esta não seja uma mídia confiável, mas pelo menos neste momento é o que oferece de opção para fugirmos da Globo, que é o que mais interessa aqui.

Não aconselhamos que o pessoal vá sintonizar emissoras FM, porque estas, funcionalmente, são a "rede globo" do rádio, com todo seu tendenciosismo e pretensão.

Até porque quem vai abrir mão de ver imagens e som de qualidade, para ouvir, sem qualquer imagem à mostra, os sons de "fita-cassete antiga" ou de "dublagem da AIC São Paulo" das transmissões esportivas em FM ou do "puro som de FM" produzido pelas transmissões-cascata plugadas nas TVs por assinatura?



Para quem não curte futebol o jeito é fazer outra coisa. É desligar a televisão. Ler livros, consultar Internet, fazer MSN com aquela amiga de escola, tentar dormir ou, tendo televisão por assinatura, pode ver seriados, programas educativos, documentários.

Mas o que importa mesmo é que tenhamos que derrubar o Ibope da Rede Globo de Televisão, porque o CALA BOCA REDE GLOBO está bem acima de qualquer Cala Boca Galvão, Cala Boca Tadeu Schmidt, Cala Boca Alex Escobar e outros calabocas similares.

Porque o CALA BOCA REDE GLOBO é o calaboca de todos os portavozes da alienação midiática que quer dominar o país.

OS PALESTINOS DE LÁ E DE CÁ



Os palestinos do Oriente Médio e seus equivalentes no resto do mundo vivem o drama de não possuírem uma nação. São oprimidos e tratados injustamente como supostos defensores do terror e da guerra.

Eles querem uma nação, querem o reconhecimento de sua identidade. Mas, perseguidos, se refugiam, não raro como nômades, pelo mundo afora, pelo menos para salvar suas vidas e buscar lugares com um mínimo de tranquilidade.

Eles têm sua cultura, não reconhecida pelo "Ocidente", sobretudo o imperialismo que usa o Estado de Israel como massa de manobra para seus interesses.

Ironicamente, os palestinos são os judeus de hoje. Não que o povo judeu seja favorecido pela política imperialista sobre Israel, mas porque são os palestinos que sofrem hoje diante da supremacia de um Estado supostamente associado ao povo judeu, cuja multidão, indiferente aos senhores da guerra, é também batalhadora e sofredora na sua realidade.

No Brasil, além dos próprios palestinos residentes no país que são solidários ao sofrimento geral de seu povo, temos o povo pobre que na prática se tornam os palestinos de cá, com sua realidade de opressão e sofrimento.

A perseguição que os nossos "palestinos" sofrem é a dos proprietários de terras, dos detentores do capital, dos barões da grande mídia e mesmo de outros "coronéis" ou "capangas" militantes e enrustidos, uns camuflados na esquerda midiática, numa brecha editorial de seus militantes, que abrem suas redações para os intelectuais etnocêntricos educados nas bancadas da mídia golpista.

Os palestinos de cá têm sua cultura de mais de 500 anos dizimada diariamente pela condenação da grande mídia, por um lado, e pelo circo do entretenimento popularesco, por outro.

Aos palestinos do Oriente Médio, a "civilização ocidental" seduz pela narcose imperialista da gororoba consumista ianque da mass culture.

Aos palestinos do Brasil, a "democracia brasileira" seduz pela narcose brega-popularesca da gororoba cafona, ora chorosamente piegas, ora grotesca, da mass media tupiniquim.

A mass media dos EUA tenta nos seduzir sob o rótulo de "modernidade" da indústria pop.

A mass media brasileira, mais enrustida, tenta nos seduzir sob o rótulo de "verdadeira cultura popular".

Mas pelo menos a "cultura de massa" dos EUA não é muito sutil nem convincente, apesar de ser desesperadamente persuasiva.

A "cultura de massa" brasileira torna-se sutil, diante do povo indefeso, com seu discurso seduzindo até quem deveria combater todas as manobras da grande mídia local.

O latifúndio, a contravenção, o baronato midiático, os direitistas enrustidos, combatem os palestinos de cá, destruindo sua cultura, seus valores, sua cidadania.

Os palestinos do Oriente Médio fogem para qualquer lugar que, ainda que degradado, lhes ofereça um mínimo de segurança e dignidade.

A opressão imperialista pune os palestinos de lá lhes impedindo de ter um lugar próprio, condenando-os ao nomadismo sem pátria ou ao exílio distante.

A opressão doméstica das elites brasileiras pune os palestinos de cá empurrando-os para o exílio eterno das favelas que desmatam o meio ambiente, para os cortiços nos prédios antigos fedorentos e focos de graves doenças, ou para o nomadismo retirante num Brasil sem futuro.

O "paraíso" de luzes neon, prédios megalomaníacos e praças arrogantes não consegue esconder o drama dos palestinos do Oriente Médio.

O "paraíso" da periferia multicolorida, superproduzida, da cafonice espetacular de boates em luzes coloridas, das grandes avenidas e antigas praças transformadas em calçadões pseudo-coloniais e dos complexos empresariais futuristas, não consegue esconder o drama dos palestinos de cá do Brasil.

A luta dos palestinos do Oriente Médio e de seus semelhantes do mundo inteiro está em construir sua nação, e ter seus direitos sociais e políticos reconhecidos pela "civilização" moderna.

A luta dos palestinos de cá do Brasil está em romper com a opressão latifundiária e grão-midiática, com o paternalismo dos intelectuais etnocêntricos, e ter seus direitos sociais e políticos reconhecidos, sem hipocrisia, pela "democracia brasileira".

Expressamos nossa igual solidariedade aos palestinos de cá e de lá, com suas lutas humanas e dignas.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O TRISTE DRAMA DAS CHUVAS EM ALAGOAS E PERNAMBUCO

Essa visão dramática, trágica, com tanta angústia e tanta dor que somente suas vítimas podem sentir com tamanha intensidade, mostra o quanto o Brasil deveria ver sua situação ambiental.

Essas fotos mostram um Nordeste e suas comunidades pobres que não correspondem à paradisíaca "disneylândia" da cafonice que etnocêntricos como Pedro Alexandre Sanches, Hermano Vianna, Milton Moura e quejandos narram das populações pobres.

Também essa tragédia não conta sequer nas músicas dos grupos de forró-brega e, se aparece na música "Firme e forte" do Psirico, é só para manter o povo na eterna imobilização social, sem lutas, sem ajuda senão do inimaginável acaso.

Pois as fotos que colhi da Internet mostram a dura realidade que nada tem a ver com o "mundo de sonhos e fantasia" da periferia idealizada pela intelectualidade etnocêntrica.

Deve-se pensar o povo como gente que precisa de ajuda, e não como bobos-alegres que gostam de viver sofrendo.








QUESTÃO DE COERÊNCIA


SOLANGE GOMES VERSUS MIRANDA COSGROVE - Advinha quem é que leva a melhor?

Qual dessas duas é a mulheraça?

Solange Gomes, boazuda de 36 anos e bibliófoba assumida, que chega a constranger com sua vulgaridade extrema e vazia?

Ou a atriz teen Miranda Cosgrove, de 17 anos, estrela do seriado iCarly (Nickelodeon) e também presente no filme Escola do Rock, que surpreende não só por seu rosto sensualmente encantador, mas também por sua inteligência e doçura?

Quem apostou na estrela da Nick, acertou.

MÍDIA APÁTRIDA, CULTURA APÁTRIDA



Mídia apátrida, manipuladora, defensora de interesses anti-nacionais, inimiga dos movimentos sociais, deturpadora da cultura brasileira.

Mídia gananciosa, que defende um Brasil de uns poucos ricos, fortalecido às custas da pobreza e do sofrimento do povo pobre.

Mídia imperialista, não só por defender o imperialismo, mas por defender o seu imperialismo doméstico, se julgando acima até mesmo da autoridade específica de um técnico de futebol.

Mídia mercenária, tendenciosa, que manipula a verdade, que mexe com a História como se fosse uma massa de modelar, como se a mídia grande tivesse também controle sobre o passado da humanidade.

Mídia que domestica o povo através do entretenimento e não assume a responsabilidade por tamanha manobra.

Mídia que deturpa a Música Popular Brasileira, destruindo suas raízes, "saudavelmente" misturadas com tendências estrangeiras que não complementam nem enriquecem, mas dominam e enfraquecem.

Mídia que deturpa os valores culturais de nossos povos, dissolvendo o trabalho social de gerações, destruindo a ética, desqualificando a ecologia, distorcendo as relações interpessoais, pervertendo a infância, deturpando o respeito aos mais velhos (de preferência, mantendo apenas o respeito aos maus velhos).

Mídia que transforma os manifestantes sem-terra, que apenas querem lugar para plantar, escola para estudar, bons hospitais e qualidade de vida, em criminosos.

Mídia que transforma criminosos passionais, que tão fria e brutalmente transformam suas próprias companheiras em cadáveres, em coitadinhos sofredores, numa impunidade que não é mais só a da lei, mas a impunidade do consentimento, da passividade com as injustiças que beneficiam quem não merece.

Mídia que reclama a sua liberdade de expressão, mas condena a liberdade de expressão de todos aqueles que se comprometem pelo verdadeiro interesse público.

Mídia que ataca os outros, seja com ironias, desaforos e chantagens, mas que não quer que seja críticada por uma vírgula sequer.

Mídia que invade espaços críticos para impor seu ponto de vista dominante, quando nenhum de seus opositores invade a mídia dominante para espinafrá-la gratuitamente.

Enfim, mídia golpista, que não faz apenas o golpe político, faz o golpe social. Seu golpe é contra a sociedade brasileira, contra os movimentos sociais, contra o desenvolvimento autônomo de nosso país.

Mídia golpista. Mídia apátrida. Mídia anti-patriota.

Mídia que trabalha CONTRA o Brasil.

Mídia que trabalha CONTRA o povo brasileiro.

INTELECTUAIS PRÓ-BREGA SÃO COMO O MOLEIRO DO CONTO DE OSCAR WILDE



Poucos conseguem imaginar o que está por trás do discurso "etnográfico", "sociológico" ou "pós-moderno" que jornalistas, antropólogos, sociólogos e historiadores fazem em favor da ideologia brega-popularesca.

Eles estufam o peito acusando os outros (os que reprovam o brega-popularesco) de "paternalistas", "elitistas", "etnocêntricos", quando são eles - Hermano Vianna, Pedro Alexandre Sanches, Bia Abramo, Milton Moura, Rodrigo Faour etc - os detentores de tais adjetivos nada positivos.

Esses "pensadores" do brega-popularesco exaltam a população pobre como criancinhas simpáticas, produzindo uma cultura "qualquer nota" classificada como "natural" e "espontânea" porque supostamente não encontra intervenção da mídia nem de qualquer outra elite, mesmo a intelectual. Mas, no fundo, se felicitam com a mediocridade cultural reinante, sobretudo na música, sem desconfiar num só momento da exploração ideológica que as oligarquias fazem através de todas as tendências brega-popularescas.

Para piorar, a abordagem deles acaba por parecer com o personagem de um conto do escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900). É o conto "O amigo dedicado", que se trata de uma história sobre um pobre jovem chamado Johnny que cultiva lindas flores em sua casa, enquanto o moleiro, falsamente amigável, compra suas flores e faz elogios hipócritas ao floricultor.

O moleiro vive uma vida de luxo com sua família, enquanto despreza a miséria de Johnny, que, apesar de cultivar lindas flores, vive sozinho e em séria penúria. Certa vez, Johnny pediu um carrinho de mão para carregar as flores e o moleiro, que tinha um carrinho em bom estado, preferiu entregar ao jovem um outro, velho e em estado lastimável. Dias depois, Johnny morre afogado quando voltava para casa, numa noite de temporal.

A obra critica o desprezo das elites pelo que os pobres produzem de bom. Na cultura brasileira, esse desprezo se refere à cultura de qualidade, aos valores positivos e sólidos, que o povo desenvolveu até servir de fantoche das oligarquias e dos barões da grande mídia com o golpe de 1964 e a ditadura.

As elites - não os membros do CPC da UNE, que apenas queriam um diálogo com o povo - se apropriaram da música de raiz do povo pobre, a ponto de hoje um simples baião não mais contar com um novo representante dentro do povo dos sertões.

Tínhamos um músico com a força e o talento que foi Luís Gonzaga, mas hoje nem as domésticas das zonas urbanas ouvem o cantor, senão em regravações nas festas juninas que elas nem se dão conta que canções são.

Mas hoje os baiões, quando muito, são apenas curtidos por cantores universitários de classe média, para as festas sociais de profissionais liberais sisudos. Os grupos associados ao "som nordestino" de hoje e ao povo da periferia se limitam a fazer uma mistura caricata de disco music com country e, pasmem, usando um som de acordeon da música gaúcha. E isso se vende como se fosse o "legítimo regional nordestino", pelo discurso dos intelectuais etnocêntricos.

Esses intelectuais, como o moleiro, vivem sua apreciação cultural com preciosidades. Eles usurparam, dos Johnnys brasileiros de outrora, toda a discografia e cancioneiro da MPB autêntica, todo o histórico do folclore brasileiro.

Enquanto isso, os mestres desses intelectuais, os barões da grande mídia para os quais a intelectualidade etnocêntrica trabalhou e dos quais aprenderam suas lições, empurram para o povo o mais rasteiro paradão comercial, que serve de ração cultural para as tosqueiras brega-popularescas que desde 1958 são produzidas, sob os aplausos da mídia grande que finge nada ter a ver com a breguice reinante. Assim como o moleiro acha que não tem a ver com a tragédia que vitimou o jovem e pobre floricultor.

Afinal, pouco importa para o moleiro se Johnny morreu afogado porque não tinha um bom transporte para levá-lo de volta para casa. Assim como pouco importa para os Sanches, Viannas, Mouras, Araújos da vida se existe conflitos no campo, deslizamentos de terrras dos morros, enchentes nos subúrbios, seca nos sertões. Para o moleiro, Johnny era um garoto feliz. Para os intelectuais etnocêntricos, a periferia apenas vai e vem feliz nas boates de sua cidade para ouvir o mais rasteiro brega. Visão mais hipócrita de povo do que esta, impossível. É Justo Veríssimo querendo ser Albênzio Peixoto.

Vamos ver se o projeto MPB nas Escolas tirará do povo pobre o véu de cafonice que as oligarquias e o baronato da mídia apátrida colocaram.

terça-feira, 22 de junho de 2010

AÇÃO POPULAR É POSSÍVEL PARA BARRAR FECHAMENTO DA AV. RIO BRANCO



A população não sabe, mas conta com um grandioso instrumento democrático para barrar decisões arbitrárias. É a ação popular, que qualquer um pode mover, através do Ministério Público ou da Defensoria Pública, para impedir que atos políticos que lesem o patrimônio público e sejam contrários ao interesse social, sejam realizados.

O fechamento da Av. Rio Branco é um caso de arbitrariedade do prefeito Eduardo Paes que, numa demonstração de pedantismo, acha que vai levar o Rio de Janeiro para o Primeiro Mundo com a transformação de uma grande avenida em calçadão.

NENHUMA COMPENSAÇÃO

O fechamento da avenida, que custará R$ 300 milhões (grande desperdício de dinheiro), não terá compensação alguma. Só será fechada a Av. Rio Branco e acabou. O trânsito será transferido para as avenidas Passos, a caminho da Praça Tiradentes, e Alfred Agache, a caminho da Praça 15, causando congestionamentos.

Some-se a isso a redução em 50% do número de ônibus, e pronto. Piora na certa. Coisa que nenhum parque bonito a ser colocado na Rio Branco irá justificar tamanha bobagem do prefeito do Rio de Janeiro.

Daí ser possível que qualquer cidadão mova a ação popular contra a prefeitura do Rio de Janeiro, enquanto o projeto ainda não saiu do papel e os recursos previstos ainda não foram aplicados.

Quem entende de urbanismo e não o coloca em detrimento dos interesses sociais, sabe muito bem que é muito mais prioridade resolver os problemas da habitação e do meio ambiente do que criar uma praça megalomaníaca para turista estrangeiro ver.

Aqui está o trecho da Constituição Federal que garante a qualquer cidadão a iniciativa da ação popular:

Título II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
Capítulo I
Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;

LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos.