quarta-feira, 19 de maio de 2010

REDE GLOBO APOSTA NO TECNOBREGA


Valeu a retórica "etnográfica" da esquerdista revista Fórum? Valeu desperdiçar páginas e espaço de htm da mídia de esquerda, gastos para promover um ritmo que agora entra pelas Organizações Globo pela porta da frente, através do mesmo discurso que promoveu o "funk carioca"?

O tecnobrega, cuja trilha na verdade foi aberta pela Banda Calypso, apareceu no Domingão do Faustão, apareceu no temível jornalístico Jornal da Globo, e ontem apareceu no Mais Você, de Ana Maria Braga, conhecida por sua postura domesticamente conservadora.

No Jornal da Globo, teve direito até a comentário em discurso "pós-moderno" de Nelson Motta (que, para quem não sabe, participa do Instituto Millenium), que tentou promover o tecnobrega como um fenômeno "alternativo" divulgado pela cibercultura e difundido pelos camelôs.

De uma forma paternalista, Nelson Motta argumentou que o tecnobrega, combinando o brega romântico (Waldick Soriano, Odair José) com a música eletrônica, é "o que o povo quer ouvir".

Mais um hype que vira modismo sem ser considerado como tal. Mais um hype que vem acompanhado de discurso "etnográfico", "sociológico", "pós-moderno". Mais um hype que fatura com um discurso que evoca de Antônio Conselheiro a Malcolm McLaren, passando por Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Claude Levi-Strauss, Hélio Oiticica, Rogério Sganzerla e o escambau. Mais um modismo a querer, como a axé-music, tomar parte da herança do Tropicalismo.

O que a revista Forum foi publicar que vai de acordo com o interesse do Instituto Millenium é um mistério. No fim, os esnobes jornalistas de Veja acabam sempre fazendo chacotas da intelectualidade de esquerda, que teima em usar a mesma trilha sonora da mídia de direita (Faustão, Gugu e similares). A imprensa de esquerda permite, ela mesma, esse verdadeiro bullying jornalístico...

Mas a imprensa de esquerda quebra a cara, porque as Organizações Globo e o Grupo Folha fazem o mesmo discurso, até com mais entusiasmo, para defender modismos da Música de Cabresto Brasileira. "É o que o povo sabe fazer", "É o que o povo quer ouvir", dizem os intelectuais etnocêntricos ao defenderem a música brega-popularesca.

E é o que o Brasil todo será obrigado a ouvir, mais uma vez, até depois de cinco anos de sucesso, quando virão os sucessivos DVDs e CDs de eternas regravações de seus sucessos. Os eternos duetos, os eternos tributos, os eternos covers, mal-disfarçados por mornas canções inéditas de trabalho, esquecíveis depois de seis meses. E tudo isso por pelo menos 55 anos (tempo estimado para os ídolos popularescos de hoje manterem alguma saúde física para aparecer nos palcos).

Haja paciência para assistirmos passivos à cultura brasileira transformada em penico.

3 comentários:

Lucas Rocha disse...

Alexandre,
Já estou sabendo que as Organizações Globo, depois de oito anos patrocinando o "funk carioca", agora estão investindo no tecnobrega. Será mesmo que, daqui a pouco, essa neolambada vai invadir o Circo Voador (onde, há trinta anos atrás, nasceu o rock brasileiro dos anos 80)?

O Kylocyclo disse...

Creio que sim, Lucas, uma vez que o ritmo já apareceu no último RecBeat, antigo evento alternativo que era reduto dos mangue-boys.

Lucas Rocha disse...

Então, tá bom, o tecnobrega já apareceu no EjectBeat. Será que, já no ano que vem, a neolambada vai invadir todo o propriamente dito Sul do Brasil (Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina)?