segunda-feira, 17 de maio de 2010

POR QUE AS BRASILEIRAS COMUNS NÃO SE MIRAM NAS MELHORES MULHERES?


SERÁ QUE NÃO HÁ MULHER COMUM SEGUINDO O EXEMPLO DESSAS TRÊS MULHERES?

Causa indignação quando se vê, nos perfis na Internet, que a maioria das brasileiras comuns apresenta os piores referenciais. São sempre as fãs de música brega, umas resignadas com sua vidinha de mesmice com mamãezinha e afilhado, outras arrogantes indo a noitadas só para dizer "não" para os pretendentes. Perfis que, não me leve a mal, variam do patético ao ridículo.

Por que há um grande contingente de mulheres assim, sobretudo as solteiras? Que interesse elas têm nessa verdadeira baixa auto-estima? Por mais que neguem o machismo e queiram parecer emancipadas, até recusando pretendentes - creio até que, na Semana Santa, elas tenham passado a sentir alergia de uma espécie de peixe, devido ao nome - , mas sonhando com a breguice por vezes mais lacrimosa (Fábio Jr., Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano e derivados), por vezes mais grotesca ("funk carioca" e porno-pagode em geral, "rebolation" incluído), e presas aos valores transmitidos pela televisão aberta.

Que o machismo fez lavagem cerebral em boa parte das brasileiras, é verdade. Aquelas que vão para as plateias do Exaltasamba e do Bruno & Marrone e ficam se achando. Aquela que sonha com um pagodeiro de cabelo oxigenado, mas diz "não" para o fornecedor de mercadorias para supermercados que tem o mesmo visual. Que, contraditoriamente, sonham com um Fábio Jr. e querem um Ian Curtis. Ficam resignadas com sua vidinha de nada - se orgulham até em ficar para titias - e, no entanto, escolhem demais um homem para namorar.

Quando se fala nesse padrão de machismo, fala-se de um machismo "cordial" que não impede que as mulheres tenham seu próprio emprego, tenham sua própria renda. Mas estabelece papéis sociais que deixam essas mulheres em situação subordinada, dão a elas sempre um vestuário medíocre, às vezes frouxo e desastrado até para padrões mais flexíveis de vestuário, em outras vezes "apelativo" demais.

Em vários Estados brasileiros, sobretudo Norte e Nordeste, há casos de mulheres que usam o tipo de traje mais ridículo que se pode imaginar. Usam camisas abotoadas curtíssimas, que parecem terem sido compradas para dar de presente a seus afilhados de 12 anos. Junto a essas camisas, uma calça justa nas coxas e curta e folgada nas pernas, e sandálias com plataforma grossa demais.

É o supra-sumo da falta de elegância feminina, tão ruim quanto o excesso de elegância masculina (como nos empresários, profissionais liberais ou mesmo dirigentes olímpicos mais sisudos), que, como o 0º e o 360º de uma circunferência, dão na mesma coisa. Neste sentido, o poderoso empresário viciado em usar terno e gravata se nivela à maria-coitada que brinca com seu afilhado ao som de Belo.

Mas mesmo as boazudas que só mostram o corpo também enjoam. Não é moralismo, não, mas vestir roupas "apelativas", como se quisessem ser sensuais à força, desesperadamente, enjoa, cansa, decepciona. Elimina qualquer fantasia sexual, porque a mulher-objeto é a ilusão ambulante, e ilusão quando se torna realidade acaba com qualquer possibilidade de sonhar, fantasiar.

E por que essas brasileiras comuns se procedem assim? Por que, mesmo entre as mais "legaizinhas" do Big Brother Brasil, são sempre essas moças frouxas que curtem Alexandre Pires, Bruno & Marrone, Calcinha Preta, que representam ou apreciam o vazio existencial da TV aberta, que parecem ficar felizes na sua baixa auto-estima, no seu padrão de vida monótono, tedioso, que as faz incapazes até de render uma boa conversa? Quando muito, só analisam mesmo a marca da farinha de trigo que compram no supermercado, ou então, os buracos nas ruas de sua cidade.

Por que não se estimulou às brasileiras a querer ler clássicos literários, em vez de assistir aos "riélites" da televisão aberta?

Por que não se estimulou às brasileiras a não só falar de farinha de trigo ou buracos nas ruas, mas também sobre política, geopolítica, História e ciências sociais?

Por que não se estimulou às brasileiras a ouvir Sá & Guarabira em vez de Vítor & Léo, Noite Ilustrada em vez de Alexandre Pires, 14-Bis em vez de Chitãozinho & Xororó, Toninho Horta em vez de Luan Santana, Banda Black Rio em vez de DJ Marlboro? Até a MPB autêntica que conseguem conhecer só lhes foi possível porque estava na triha da novela das oito ou porque era tema de minissérie da Globo.

Por que, depois de tantos anos de lutas feministas, de tantos anos vendo vidas femininas sacrificadas seja pela fúria marital, seja pela raiva tarada dos estupradores, seja pelas condições de trabalho lamentáveis impostas pelo pior patronato, seja pela insegurança que permite a ação de latrocidas, vemos as brasileiras apenas superando formalmente o machismo, quando ainda seguem valores e padrões ideológicos próprios do machismo?

Ou será que elas acham o máximo se prenderem até mesmo aos mais débeis programas da Rede TV!, SBT e Record? Ou mesmo o Domingão do Faustão, que para elas soa "sofisticado", quando não passa de mero Olimpo de ídolos neo-bregas e da baixaria camuflada de forma mais "comportada"? Será que elas acham o máximo serem fanáticas religiosas, ou fanáticas por futebol, ou fanáticas por noitadas, e pensam que se tornam modernas quando rebolam o "pancadão" (FAVELA BASS) ou o "rebolation" (REBOLEJO)?

É lamentável que essas moças sejam felizes assim, nessa baixa auto-estima. Desejam homens de outro mundo, recusariam pedido de casamento até de sósias do Brad Pitt, quando por outro lado se atiram afoitas ao sósia de John Lydon que encontram pela frente. Acham que serão vistas como moças "sem preconceitos"?

Não, muito pelo contrário. Se tornam mais preconceituosas, mais confusas nos seus desejos amorosos, indecisas e impotentes por se conformarem com sua mesmice na vida, sem saber que "nova vida" elas querem. Querem ser independentes, mas dependem de toda uma série de valores ideológicos do machismo que as faz abobadas ou arrogantes por nada. E querem amadurecer sendo mais infantis que seus afilhados!

Essas mulheres, vistas aos montes no Orkut, Twitter e Facebook e também nas páginas dos jornais populares, deveriam rever seus valores. Se querem superar o machismo formal, trabalhando fora e dispensando a ajuda masculina, é ótimo, é excelente. Mas é apenas a primeira parte do processo. A segunda parte é superar o machismo cultural que as faz ouvir música brega-popularesca, ler livros de auto-ajuda, rezar em excesso e ver a programação ruim da TV aberta.

Se elas lessem livros de ciências sociais, buscassem a cultura (realmente) de qualidade, desligassem a televisão e ouvissem música de alto nível (não confundir com os neo-bregas que aparecem na TV falsamente sofisticados, tipo Alexandre Pires e Zezé Di Camargo & Luciano), talvez elas pudessem brincar, com muito mais sabedoria e proveito, com seus afilhados de 12 anos, assobiando um sucesso de Sílvia Telles e transmitindo ideias de Umberto Eco.

6 comentários:

Lucas Rocha disse...

Será que tudo isso que você falou no texto sobre a atual situação das mulheres brasileiras deveria ter acontecido no começo dos anos 80 (quando a fase burguesa da MPB abriu caminho para o Rock Brasil)? Ou isso acontece desde os COLLORIDOS tempos de 1989-1992?

O Kylocyclo disse...

Isso ocorre de forma mais evidente desde os anos 90, mas as condições que permitiram isso são mais antigas, sobretudo no interior do país, em áreas há décadas dominadas pelo coronelismo. A própria ditadura militar também ofereceu condições para a alienação feminina.

Lucas Rocha disse...

Será que a Campanha da Mulher pela Democracia (Camde), órgão do IPES/IBAD, tinha estimulado a alienação feminina no começo dos anos 60?

O Kylocyclo disse...

Sim, e não foi só isso.

Foram campanhas como esta que fizeram dividir os papéis sociais das mulheres. As Renatas Vasconcellos e Capucci foram patrocinar suas independências sociais se casando com empresários ou profissionais liberais. Já a Renata Frisson foi jogada para o celibato que sua insegurança amorosa e sua arrogância narcisista lhe reservam.

Em outras palavras, fez com que a mulher que quisesse de fato se emancipar que se casasse com homens poderosos, enquanto as mulheres que permanecessem num padrão subordinado de vida foram condenadas à solidão.

Lucas Rocha disse...

Será que a Miss Brasil 2007 Natália Guimarães é uma solteira burra ou inteligente?

O Kylocyclo disse...

Natália Guimarães é inteligente. Ela tem classe, talento, tem potencial.