segunda-feira, 24 de maio de 2010

O ETNOCENTRISMO INTELECTUAL E O POVO


O intelectual etnocêntrico que defende a ideologia brega na imprensa de esquerda faz o seu julgamento sobre povo e cultura popular:

As favelas são residências improvisadas e em condições precárias, não obstante em áreas de muito risco. Para o intelectual etnocêntrico, "favela" é pura e simplesmente uma arquitetura pós-moderna.

O povo ganha salários baixos, que não dão para uma sobrevivência digna. Mas, para o intelectual etnocêntrico, a pobreza do povo é sinônimo de auto-suficiência.

Os velhos mendigos sucumbem ao alcoolismo e, dançando feito débeis-mentais, balbuciam umas bobagens. Para o intelectual etnocêntrico, isso é o supra-sumo do comportamento pop aplicado ao povo brasileiro.

As moças pobres são obrigadas, pelo machismo, a assumir papéis subordinados e submissos. O intelectual etnocêntrico acha que esses papéis representam o feminismo.

O povo é manipulado, mas para o intelectual etnocêntrico, o povo já está emancipado.

A mediocridade musical que as rádios empurram para o povo consumir, para o intelectual etnocêntrico, é "a cultura intuitiva das periferias".

O povo consome o que seus patrões criam e planejam. Mas o intelectual etnocêntrico pensa que é o povo que cria.

O povo é obrigado a consumir enlatados e o pior dos valores ianques, por causa da grande mídia. Para o intelectual etnocêntrico, isso é "estabelecer contato com as novidades do mundo".

O povo é feito gato e sapato pela mídia e pela indústria do entretenimento. Mas, para o intelectual etnocêntrico, o povo manda na mídia e na indústria do entretenimento.

A mídia transforma o povo em caricatura de si mesmo. O intelectual etnocêntrico acha que isso é adequar o povo às informações cosmopolitas da modernidade pop.

O povo sofre. Mas, para o intelectual etnocêntrico, o povo é feliz.

Um comentário:

O Kylocyclo disse...

O mais cruel disso tudo é que o intelectual etnocêntrico dz odiar o etnocentrismo, acha que está gostando do "outro" - no caso, o povo pobre - através de uma mera e hipócrita exaltação, que despreza os verdadeiros problemas que o povo sofre.

Esse intelectual etnocêntrico, qe invade revistas e jornais de esquerda e até mesmo periódicos de faculdades, elogiando modismos como "rebolation", tecnobrega e o que vier mais, faz um discurso completamente idealizado.

Ele acusa de idealistas os intelectuais que defendem a verdadeira cultura popular, sobretudo de raiz. Como se não pudéssemos mais voltar aos tempos em que os sertões geravam Luís Gonzaga e Cornélio Pires, ou que as favelas e os morros geravam Jackson do Pandeiro e Ataulfo Alves. Um novo Dorival Caymmi, então, se ele surgir na periferia de Salvador é visto como "burguês".

Mas são esses defensores do "rebolation", do "funk carioca", do tecnobrega, do "brega de raiz" de Waldick e Odair, de todo esse espetáculo da vulgaridade embalado como se fosse "etnografia pós-moderna", que idealizam o povo, que adotam uma visão paternalista do povo pobre.

Enquanto o povo pobre, desdentado e miserável faz um sorriso patético sob as ordens da grande mídia, os intelectuais da espécie de Hermano Vianna e Pedro Alexandre Sanches ficam felizes, no seu bom paternalismo sociológico. Mas, e quando o povo enraivecido coloca pneus em chamas nas rodovias, reivindicando justiça social, será que vai baixar o espírito vejista que, no fundo, está dentro dessa intelectualidade hipócrita?