segunda-feira, 17 de maio de 2010

NINGUÉM ENTENDEU O MITO DA LOURA BURRA


O BRASIL SE APEGA AO MITO ESTRANGEIRO DA "LOURA BURRA", QUANDO AQUI AS "LOURAS BURRAS" DANÇAM O "REBOLATION" E ASSISTEM AO PIOR DA TV ABERTA.

Os Estados Unidos da América podem não ser o modelo de qualidade de vida para a humanidade do mundo inteiro, e está até bem longe disso. Mas lá o espaço para o senso crítico é bem mais livre do que no Brasil de hoje.

E houve até um retrocesso, porque entre 1964 e 1968, em plena ditadura militar, o senso crítico ainda era socialmente estimulado entre os brasileiros. Mas, dos anos 90 para cá, mesmo num contexto abertamente democrático, há quem veja a expressão do senso crítico como um ato anti-social, que faz o emissor de abordagens críticas à realidade oficial como uma figura desprezível, que até os amigos se esforçam em evitar.

Mas, felizmente, aos poucos, o senso crítico renasce aos poucos, enquanto aqueles que o rejeitavam têm que engolir seco diante da retomada das abordagens críticas, sobretudo na blogosfera.

Como quase tudo no Brasil é copiado dos EUA - até agora não houve um pronunciamento oficial do ridículo que é o nosso culto ao Papai Noel, em pleno verão promovido ainda como um personagem de inverno - , até o mito da loura burra NÃO corresponde à realidade própria de nosso país.

O mito da loura burra se define como uma moça bonita que fala mal, é ingênua, abobalhada, estúpida, relapsa, ingorante, é um corpo bonito com uma personalidade completamente vazia, superficial e ridícula. Não obstante, a loura burra também é apresentada com uma voz de taquara rachada, vestindo-se mal ou usando um irritante sotaque caipira.

A difusão do mito da loura burra é uma crítica à alienação feminina consequente da ideologia machista. Que determina que a mulher, por ser bonita, não necessita ser inteligente para vencer na vida. E, nos EUA que há décadas se critica os meios de comunicação de massa, a indústria cultural em TODOS OS SEUS ASPECTOS - lá não se pega pesado contra o jogo político, mas pegando leve nas armadilhas musicais da grande mídia, mas se pega pesado em TUDO que for problema - , o mito da loura burra pode até ter ido longe demais, criando injustiças, o que pode ser, aqui, um erro, mas é tão errado quanto o de se contentar, por omissão, com a alienação feminina.

No Brasil, os equivalentes às "louras burras" não são louras. Pode parecer cruel o que falo, mas a grande mídia, implacável na manipulação dos valores CULTURAIS da sociedade - atenção quem só critica o jogo da mídia no âmbito político - , tenta transformar até mesmo as jovens mulheres da periferia em "louras burras" brasileiras. Quem adere a esse jogo midiático popularesco, acaba caindo mesmo nos estereótipos cruéis.

O que são as fãs do porno-pagode baiano (Psirico, Pagodart, Parangolé, Saiddy Bamba etc) senão as "louras burras" brasileiras, como as fãs de breganejo, axé-music e "funk carioca"? Ah, temos que fingir crer que elas são "inteligentes"? O problema não sou eu que falo, vejam as caraterísticas das "louras burras" e adaptem para a realidade brasileira.

MUITA ATENÇÃO. Não são minhas palavras que são cruéis, cruel é a realidade que me sinto obrigado a mostrar, a título de informação. Preconceito é eu omitir que as jovens da periferia, sobretudo negras, são induzidas pela grande mídia para fazerem o papel patético de moças burras e grotescas, nas plateias do "funk", do sambrega, do tecnobrega, do forró-calcinha, do porno-pagode. Para mim, melhor seria que nunca fosse assim. Há 50 anos, as jovens da periferia e do interior contavam com referenciais culturais bem melhores.

Nem essas mulheres que hoje se procedem assim são as culpadas, porque quem trabalha esses estereótipos é a grande mídia, é a indústria do entretenimento que se diverte com as jovens fãs de porno-pagode vestindo-se mal, se comportando feito imbecis e tendo voz de taquara rachada.

Elas têm que fazer tais "papéis sociais", segundo o interesse da grande mídia. Que promove as boazudas que aparecem no portal Ego, das Organizações Globo, se limitando apenas a mostrar o corpo.

Essa mídia também promove as patricinhas com vocabulário limitado - já não falam "bar", "boate", "festa", "noitada", "baile", "diversão", "reunião de amigos", usando a gíria "balada" para se referir a tudo isso, como falam "galera" para definir qualquer coletivo de pessoas (o que daria notas vermelhas em Português, na escola) - , ou outras patricinhas que acham o máximo curtir coisas duvidosas como axé-music e breganejo (incluindo a nova onda do "sertanejo universitário"), para não dizer coisas mais grotescas, ou exagerar no fanatismo religioso ou futebolístico.

As "louras burras" brasileiras dançam há anos o "rebolation" (REBOLEJO) desde os primeiros meses de sucesso do É O Tchan. As "louras burras" brasileiras odeiam ler livros e ainda se orgulham disso nos perfis do Orkut. As "louras burras" brasileiras empobrecem o vocabulário com as gírias "galera" e "balada".

As "louras burras" brasileiras são escravas da TV aberta, do rádio FM, se vestem de vaqueiras caricatas em festas de rodeio ou de agropecuária.Acham que o fanatismo religioso irá protegê-las dos males da vida, quando as torna mais frágeis para eles. Querem ser mais fanáticas por futebol do que seus próprios pais, querem entender demais sobre o esporte mas ainda cometem a arrogância de não querer namorar jogadores de futebol ou membros de torcidas, para disfarçar seus reais interesses amorosos.

As "louras burras" brasileiras é que "não montam na lambreta", sonhando com galãs popularescos como o breganejo Daniel mas recusando seus similares, enquanto, para parecerem "menos pretensiosas", preferem assediar homens com ar sombrio tipo Ian Curtis, se caso estes vivam com seus pais e bebam suco em vez de cerveja. Caras que, no entanto, nunca trocariam seus caseiros fins-de-semana pelas turbulentas festas em eventos de música brega-popularesca, da feira de agropecuária ao "baile funk", do evento tecnobrega ao festival gospel.

As "louras burras" brasileiras, no país do "jeitinho brasileiro", são tidas como "inteligentes" e "modernas", e a própria grande mídia tenta acusar de "preconceituosos", "invejosos" e até "racistas" quem questionar a validade do comportamento delas.

Mas tudo se mostra de forma gritante, quando as marias-coitadas, marias-bobeiras, popozudas, periguetes, marias-rodeios, entram em ação, sejam elas louras, morenas, negras, ruivas etc. Expondo uma burrice e uma estupidez que não é natural a elas, mas é resultante das condições sócio-culturais e educativas que a sociedade neoliberal determina para elas.

Afinal, burrice não tem raça nem credo, ela não resulta da cor da pele nem do cabelo, mas pelas condições sócio-educativas que a pessoa se encontra, e que a faz incapaz de aprimorar, ordenar e avaliar seus conhecimentos.

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