sexta-feira, 7 de maio de 2010

MÍDIA GORDA CONSEGUE PÔR GÍRIA "BALADA" NO AURÉLIO



A gíria "balada", primeira gíria brasileira que conta com seu próprio departamento comercial, tem seu próprio esquema de marketing e faz até mershandising em novelas, telejornais e outros programas de rádio e TV, foi incluída no dicionário Aurélio, graças à pressão da mídia gorda, sobretudo dos proprietários intelectuais da gíria, a Rede Globo de Televisão e a Jovem Pan Sat.

O dicionário Aurélio, originalmente criado por Aurélio Buarque de Holanda, irmão do historiador Sérgio Buarque de Hollanda e tio do cantor Chico Buarque, é considerado um dos mais populares, mas, muitos anos depois do seu criador ter falecido, o dicionário virou um ao-deus-dará, assimilando modismos vocabulares nem sempre com critério científico (que envolve análises sociológicas e linguísticas de forma crítica, sem aceitar cegamente as manobras da mídia grande). Neste sentido, o dicionário Houaiss é bem mais criterioso e prestigiado entre os verdadeiros interessados na língua.

Falando nesta gíria de proveta, que toda vez que ameaça cair em desuso (destino natural das verdadeiras gírias), é relançada até em telejornais "sérios", o Jornal Hoje mostrou, dias atrás, um momento risível relacionado à gíria "balada".

Uma reportagem sobre moda, dedicada aos sapatos femininos, disse que determinados sapatos são adequados para ocasiões sofisticadas. O problema é que, quando tentou exemplificar as ocasiões sofisticadas, a repórter disparou a seguinte "pérola": "como na balada".

Desde quando "balada" é considerada situação sofisticada? E, do jeito que a mídia em geral define "balada", pode ser até um monte de idiotas sentados num bar qualquer, enchendo a cara de cerveja ao som de forró-brega e tudo. Para a mídia gorda, "balada" é qualquer tipo de lazer realizado à noite em algum bar, boate ou na rua mesmo. Nada menos sofisticado do que tudo isso.

Isso sem falar que a gíria "balada", no grosso, se relaciona tão somente ao universo clubber, de pop dançante (sobretudo a "prata da casa", ou seja, da Jovem Pan 2, Energia 97 e similares), de cantoras "polêmicas" como Britney Spears, Beyoncé e Lady Gaga, de DJs europeus decadentes vindo ao Brasil como se ainda estivessem em alta, ou de jovens alienados que só ficam bebendo, consumindo "baseado" e brincando com telefone celular.

Essas pessoas são tão preocupadas em defender seu entretenimento como se fosse "causa nobre" que não admitem ser criticadas sequer de forma construtiva, acham que suas "baladas" são o máximo em "intelectualismo", nada fazem de útil na vida mas mesmo assim querem ser respeitadas, quando a ninguém respeitam. São pessoas vazias querendo se passar por inteligentes, como uma embalagem oca que tem umas três pedrinhas dentro só para dizer que tem algum conteúdo.

Enquanto isso, no exterior, a juventude mais moderna e mais inteligente continua apostando no bom e velho "I go to the party with my friends" ("Eu vou para a festa com meus amigos"). Eles não têm ideias retrógradas para serem disfarçadas com gírias moderninhas, não.

Nenhum comentário: