sexta-feira, 14 de maio de 2010

JOSÉ SERRA QUER MANTER PROJETO DE TRANSPOSIÇÃO DO "VELHO CHICO"



O pré-candidato à presidência da República pelo PSDB, José Serra, disse ontem numa entrevista em Recife que, se eleito, vai manter os projetos atuais do Governo Federal, como a transposição do Rio São Francisco.

A transposição do Rio São Francisco está para o plano federal assim como o fechamento da Av. Rio Branco está para o âmbito do município do Rio de Janeiro. Dois projetos desastrosos, horrorosos, mas supostamente defendidos pela "sociedade organizada". Com o agravante de que a transposição do "Velho Chico", como o rio é conhecido, é uma afronta aos desígnios da Natureza. É o Governo Federal querendo brincar de Deus.

A transposição irá comprometer o curso natural do Rio São Francisco, que corta alguns Estados das regiões Sudeste e Nordeste. Um trecho do rio será "destruído" para que outro trecho supostamente atinja as áreas do semi-árido nordestino, mas o que parece beneficiar as populações nordestinas miseráveis, poderá se transformar numa tragédia ambiental futura.

Em primeiro lugar, não é necessário desviar a rota do "Velho Chico". O que se precisa é aproveitar os lençóis de água e outros recursos naturais que possam acabar com a seca no semi-árido nordestino.

Existe tecnologia para isso, e ela não é nova. O trecho do deserto do Saara, no Egito, próximo aos rios Nilo, Tigre e Eufrates, décadas e décadas antes de Jesus Cristo, foi irrigado com êxito, permitindo até mesmo o desenvolvimento da agricultura. E olha que se tratava não de uma região do semi-árido, mas de uma área desértica, e numa época em que a civilização de nosso planeta ainda era recente, sem as conquistas sociais, tecnológicas e culturais que temos hoje.

Desafiar a Natureza para desviar o curso de um rio, com claras intenções populistas que iludem muita gente, só vai gerar mais problemas. Beneficiará uns - e, creio, não será de forma grandiosa e efetiva como muitos pensam - e prejudicará outros. E uma solução mirabolante dessas, para muitas autoridades, é muito mais cômodo do que realizar estudos concretos e verdadeiros, realmente comprometidos com as causas sociais, e que não dependam de transformações danosas para a Natureza.

Mas, num país comandado por tecnocratas com seus projetos mirabolantes e falsamente futuristas, dane-se a Natureza, dane-se o povo, danem-se os cidadãos. Como se nada tivessem servido as advertências críticas dos escritores de ficção científica, diante dos delírios das autoridades quanto à sociedade "futurista".

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