sexta-feira, 14 de maio de 2010

JORNALISTA DE VERDADE EXERCE SENSO CRÍTICO


Fanática defensora de ídolo de sambrega deve pensar que ser jornalista é ser fantoche de assessoria de imprensa.

Chega a ser risível o comentário que Francielle Siqueira, a integrante da milícia Talifan a serviço de Alexandre Pires, disse na mensagem neurótica que mandou para este blog: "(...) ME ADIMIRA UMA PESSOA QUE LÊ QUE TEM UMA CERTA CULTURA JA QUE É JORNALISTA NÃO DAR VALOR A UM CANTOR COMO ALEXANDRE QUE É SUCESSO INTERNACIONAL".

Quer dizer, em outras palavras, para a esquentadinha moça, ser jornalista é quase que ser fantoche de assessoria de imprensa, de relações-públicas, mas não alguém que busca questionar o mundo das aparências, em nome do verdadeiro direito à informação?

Dá para perceber a burrice da srta. Siqueira, que deve entender como "jornalismo" apenas o Jornal Nacional e a revista Contigo, que devem ser os únicos órgãos de imprensa que a moça conhece e têm disposição de apreciar.

Em primeiro lugar, jornalista de verdade lida com senso crítico. Talvez Francielle, no seu delírio, tenha se esquecido de que Alexandre Pires tenha cantado ao lado do impopular George W. Bush num evento de imigrantes latinos. Talvez ela pense que Alexandre Pires tenha cantado no comício da vitória de Barack Obama, ou algo mais 'progressista'.

Como jornalista, tenho nível de cultura, sim. E, antes de encarar os sucessos de Alexandre Pires, conheci cantores infinitamente muito superiores a este ídolo do "pagode mauricinho". Wilson Simonal, Agostinho dos Santos, Noite Ilustrada, Ataulfo Alves, Cartola, só para citar cantores negros que gravaram sambas, independente de terem sido sambistas ou não.

Minhas pesquisas envolvem passeios pelas ruas, muita observação. Ou será que Francielle pensa que pesquisar é só fazer contas matemáticas? Certamente ela esperava que eu valorizasse um cantor ou grupo musical não pela qualidade ou não de sua música, mas pelo barulho dos aplausos que tal ídolo musical recebe no Domingão do Faustão.

Além do mais, cega pela idolatria desesperada, Francielle desconhece que o sucesso de Alexandre Pires nos EUA nem foi tanto assim, como os sucessos internacionais da lambada e do "funk carioca" não passaram de pequenas marolinhas. Observando bem, Pires estava em desvantagem enorme num mercado competitivo duplo, seja de cantores de charm como Bobby Brown, Chris Brown, Usher e R. Kelly, seja de cantores latinos como Alejandro Sanz, Enrique Iglesias, Ricky Martin e Marc Anthony.

Ser jornalista não significa necessariamente coisas agradáveis, senão o "verdadeiro" jornalista teria que dizer, por exemplo, que José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal, era um grande estadista, porque foi eleito pelo voto direto etc, e que seu escândalo de corrupção era apenas fruto de preconceituosos e invejosos.

Ou então, tínhamos que dizer que a procuradora Vera Lúcia Gomes, por sua posição "ilibada", é vítima de intriga e que não teríamos que condená-la por coisa alguma, mas teríamos que reconhecer nos hematomas que sua filha adotiva levou da procuradora uma mera maquiagem para uma festinha na escola.

Tenha paciência, Francielle!! Se não gosta do que aqui se escreve sobre Alexandre Pires, fiqeu na sua!! Aqui não é sucursal da Contigo nem do Domingão do Faustão. Este é um blog sério e não estou aqui para agradar todo mundo, não!! Se acredita em unanimidade, azar o seu, porque disse o famoso dramaturgo e cronista esportivo Nelson Rodrigues que toda unanimidade é burra.

Só duas questões acerca de Francielle Siqueira:

1. Seu sobrenome e cidade de origem coincidem com o da presidente de um fã-clube de Alexandre Pires em São Paulo;

2. Por que suas mensagens nos blogs favoráveis ao ídolo de sambrega são tão curtas e lacônicas, enquanto dispara textos longos (e mal escritos) para quem fala mal do cantor?

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