sábado, 22 de maio de 2010

FOLHA DE SÃO PAULO FAZ PROPAGANDA DO TECNOBREGA



Esta é para esfregar na cara dos jornalistas da revista Fórum. A FALHA DE SÃO PAULO, um dos pilares da mídia demo-tucana, integrante do Instituto Millenium e arquiinimiga dos movimentos sociais, vestiu a camisa do tecnobrega.

O periódico de Otávio Frias Filho fez uma reportagem sobre o estilo e repete todo um processo e toda uma campanha retórica que rondou o "funk carioca", hoje em período de "entressafra", anos atrás. O "pancadão" carioca deu uma aula de demagogia nos "ezecutivos" do tecnobrega, que investem em semelhante retórica "etnográfica". Até livro foi lançado para reforçar a campanha retórica bem ao agrado do Instituto Millenium, escrito por Ronaldo Lemos e Oona Castro, intitulado Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música.

Agora fala-se que o tecnobrega surgiu "sem o apoio da mídia", "de forma independente" e "através de pequenas mídias". Quanta lorota! Num local onde os ritmos popularescos são patrocinados por políticos e latifundiários, dizer que os ritmos patrocinados por eles são oriundos de "pequenas mídias", é no mínimo uma incoerência.

Pois, dois meses após aparecer na revista Fórum - uma atitude discutível e de valor duvidoso dentro da mídia de esquerda - , o tecnobrega recebeu tapete vermelho da Rede Globo de Televisão, e agora é exaltado pelas páginas da Folha de São Paulo.

A reportagem recente apela pelos clichês retóricos de qualquer defesa de ritmos popularescos emergentes, inclusive a choradeira do "preconceito". Tudo tentando fazer crer que o tecnobrega, ritmo da Música de Cabresto Brasileira, surgiu no underground paraense, tem comercialização independente e não está atrelado à grande mídia. Mentira. Está tão atrelado que suas referências são o hit-parade tanto nacional (o brega-romântico original) quanto o estrangeiro (daí o caso da Beyoncé do Pará, Gabi Amarantos).

PRETENSO TÍTULO DE "PATRIMÔNIO CULTURAL" - Pois o mesmo pretensiosismo dos funqueiros, que agora é seguido pelos defensores do tecnobrega. Os funqueiros queriam transformar o ritmo brega-popularesco carioca em "patrimônio cultural" por vias político-parlamentares, pois pela natural via dos autênticos cientistas sociais, isso seria mais difícil.

A Assembleia Legislativa do Pará aprovou um projeto considerando o tecnobrega um "patrimônio cultural" do Estado. A aprovação ocorreu em votação em primeiro turno na última terça-feira (18/05). Só falta um turno para a temível aprovação de fato ocorrer.

Como dizer que as festas de "aparelhagem", que envolvem muitos e caros equipamentos, são expressões "da periferia" ou de "pequenas mídias"? Assim como é duvidoso dizer que a música brega original, de Waldick Soriano, só porque começou a ser tocadas nos auto-falantes, não representava o poder da mídia? Afinal, quem é que investe nessas aparelhagens, agricultores que vivem na beira do córrego, sem sítio para morar? E as aparelhagens de som, quem investe, mendigos que não têm dinheiro para comer?

É lamentável que é mais um ritmo neo-brega que persegue o rótulo de "patrimônio". Isso não vai dar certo, não vai ser levado a sério, o suposto título só servirá para garantir divisas para o empresariado que está por trás do tecnobrega, e que armou todo esse discurso "etnográfico", todo esse marketing da exclusão, para prolongar o ridículo modismo não só por uns meses a mais, mas talvez para sempre.

Mas uma amostra de que nem todo mundo é ingênuo é a reação de um público que ia ver a banda Monobloco (de Pedro Luís, que em outros tempos, criticava a "fábrica de idiotas" na banda de rock Urge) em Belém, quando Gabi Amarantos apareceu para uma participação. O público voltou para a bilheteria para pedir os ingressos de volta.

Arrogante e esnobe, a Beyoncé do Pará reagiu ao protesto inteligente da rapaziada com uma frase hipócrita: "Esse pessoal curte música enlatada". Pelo contrário, são os fãs de tecnobrega que curtem música enlatada, não aqueles que justamente combatem esse verdadeiro entreguismo musical, capaz de fazer Roberto Campos dormir um sono tranquilo.

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