sexta-feira, 28 de maio de 2010

ESCORREGADAS DO "LÍDER DE OPINIÃO"



Creio que muita gente não entendeu ainda o que é um "líder de opinião", e não se prepara diante da imensa blogosfera para avaliar o perfil de figuras badaladas mas essencialmente inexpressivas, que prometem derrubar os poderosos da grande mídia e da política, mas se afrouxam quando põem suas ideias em prática.

Durante anos o "líder de opinião" predominava na primeira fase dos blogs, sendo gente que, situada ideologicamente entre a segunda divisão da grande mídia (aquela que parece mais "imparcial") e a facção acomodada da mídia esquerdista, pouco cumpria na sua promessa em exercer o senso crítico em prol da verdadeira informação.

Com a atual fase dos blogs mais voltada ao senso crítico e ao desconfiômetro das armadilhas do jogo político-midiático, soam hoje ridículos muitos dos procedimentos do "líder de opinião", que costumam enfeitar seus blogs com fotos de autoridades, sindicalistas e professores universitários, de preferência em trajes paisanos para não assustar, acham que fazem bom jornalismo assim, sobrecarregando o aspecto formalmente político.

Selecionamos aqui alguns dos procedimentos dos "líderes de opinião", que até pouco tempo atrás arrebanhavam multidões de internautas, que eram atraídos para seus blogs menos pelas ideias apresentadas e mais pelo cartaz e pela visibilidade que os responsáveis destes blogs possuem na sociedade. Ei-los, então:

1) Consumidor de informação, ele se comporta feito criança que vê o Papai Noel toda vez que uma emissora de rádio FM cria um novo programa de falatório prolongado ou de debateboca esportivo.

2) Copia textos de outros blogs não por questão de necessidade ou contexto, mas porque quer se apropriar do prestígio da fonte original do texto copiado, por pura vaidade.

3) Odeia os políticos corruptos, até o momento em que qualquer um deles adquira uma frequência em rádio FM para implantar uma programação "informativa". Aí o "lider de opinião" vai exaltar o corrupto até quando for possível, ansioso por mais uma arena de visibilidade para aquele.

4) O "líder de opinião" foi um dos últimos a saber que a Folha de São Paulo é, de fato, um periódico ultra-conservador. Parecia que era ontem que o "líder de opinião" se vangloriava de ter o mundo em suas mãos só porque era assinante da Folha de São Paulo, jornal que ele, de forma triunfante, ostentava feliz e altivo para os amigos.

5) O "líder de opinião" diz odiar a Rede Globo e adora escrever ou copiar textos falando mal da referida rede de televisão. Mas, na intimidade, fica feliz em assistir ao Domingão do Faustão, Fantástico, Globo Esporte e Esporte Espetacular, programas aos quais ele assiste religiosamente. No fundo, ele amaldiçoa apenas o Jornal Nacional.

6) Na mídia esportiva, quando o assunto é ufanismo esportivo, ele se limita a falar mal de Galvão Bueno, mas diante de procedimentos similares no restante do showrnalismo esportivo, ele mantém sua alegria de criança inocente.

7) Acredita que a grande mídia só existe através de mega-corporações com escritórios na Av. Paulista. Fora isso, incluídas suas afiliadas, ele acha que a mídia restante é "cidadã" e "responsável".

8) Suas abordagens críticas à grande mídia não vão além dos clichês. Até hoje ele tenta questionar Ratinho, Gugu e Tiazinha depois que nem se critica mais eles (com a ressalva de que a Tiazinha, na verdade, é uma mulher sofisticada que parodiou uma mulher vulgar), de tão apagados eles estão na opinião pública.

9) Limita-se a entender o showrnalismo apenas nos exemplos mais grosseiros, como o noticiário policial mais sangrento e as fofocas mais picantes sobre celebridades. Ele não tem ideia de que fait divers (banalidades) também podem representar showrnalismo até mesmo na grande mídia mais "informativa".

10) Também limita-se a entender o tendenciosismo da mídia da forma mais grosseira, como nos noticiários manipulativos da mídia golpista propriamente dita. Mas é incapaz de entender que mesmo a "mídia boazinha" é também tendenciosa. As "campanhas cidadãs" da Rádio Metrópole, de Salvador (BA), são o exemplo desse tendenciosismo que o "líder de opinião" não entende, já que ele entende como "tendencioso" pura e simplesmente quando a mídia abertamente reacionária, como a Rede Globo, defende determinado candidato das oligarquias.

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