terça-feira, 25 de maio de 2010

DORIAN GRAY SERIA MULHER?


Quem conhece literatura sabe a história do personagem Dorian Gray, da obra O Retrato de Dorian Gray do escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900). É a história de um rapaz que, querendo manter a juventude eterna na sua aparência física, compensa com a imagem do seu retrato envelhecendo drasticamente. E não se fala no estado do papel da foto em si, mas do rosto impresso nele, que de um jovem fotografado evolui para um velho fotografado.

Mas teria sido Dorian Gray mulher? Por que, no caso de jovens moças casadas com cinquentões empresários ou profissionais liberais, elas preservam suas juventudes enquanto seus maridos se apegam, de maneira mórbida e melancólica, a um padrão de "maturidade" que hoje soa bastante antiquado, mas que eles aprenderam entusiasmados em alguma ocasião entre 1973 e 1976, nas suas bancadas universitárias do Brasil ditatorial.

O que revolta nem é somente o fato deles parecerem antiquados para suas esposas, mas antiquados até mesmo para os homens de sua geração. E, antigos símbolos de sofisticação masculina, hoje representam um paradigma de sisudez que constrange até mesmo os colunistas sociais, antes receptivos a qualquer sisudez que simbolize "elegância", "sucesso" e "racionalidade profissional".

Imagine então comparar a jovialidade acanhada de Malcolm Montgomery com a natural jovialidade de Evandro Mesquita? O cantor da Blitz e ator de A Grande Família é capaz de conversar com um garotão de 20 anos como os dois fossem colegas de cursinho pré-vestibular, com a mesma descontração e informalidade. Enquanto isso, mesmo quando o ginecologista escreve sobre Beatles, no meio do caminho aparece um moralismo paternal, o que mostra o quanto Malcolm não vê a hora de liberar a sisudez do seu interior, que permitiu contatos amistosos e pedantes com seus mestres de medicina.

E o que dizer com a evolução do colunismo social, há mais de 50 anos longe de Jacintho de Thormes, quando coluna social hoje é Rodrigo Hilbert pegando onda na praia, é Paulo Vilhena indo de skate para o Leblon? Nessa atual fase do colunismo social, é mais fácil encontrar os "médicos" do seriado SOS Emergência do que os sisudos e paternais colegas do oftalmologista Almir Ghiaroni, cuja sisudez complica até mesmo sua iniciante carreira de romancista, no pouco comum mercado de médicos-romancistas que nos deu Pedro Nava e hoje ainda tem Moacir Scliar.


BIANCA RINALDI NA PRAIA - Cadê o Eduardo Menga?

Os empresários e profissionais liberais sisudos que são casados com belas mulheres como Bianca Rinaldi, Geórgia Worthman, Carla Regina e Ticiane Pinheiro, já servem de péssima escola para os coleguinhas de 40 e tantos anos que são casados com as belas jornalistas tipo as "renatas superiores" Capucci e Vasconcellos, ou com atrizes belíssimas na beira dos 40.

Presos a um padrão de comportamento e vestuário vigente nos anos 70, eles, temerosos na missão de tentar se rejuvenescer com suas esposas, derem para aparecer pouco nas colunas sociais. Roberto Justus é o que continua aparecendo mais, Almir Ghiaroni praticamente sumiu. Mas, em todos os casos, nem parece que eles nasceram no decorrer da década de 50 do século XX, que, no Reino Unido, gerou a maior parte do elenco do punk rock.

Os sisudos brasileiros safra 1950-1955 perderam o trem da História. Eram muito jovens para militar nos arriscados protestos de 1968. Eram um pouco mais velhos para atuar nos protestos estudantis de 1977. Representaram, nos anos 80, a pálida tradução do yuppie norte-americano. E, quando seus cabelos começaram a embranquecer, a norma foi deixar de tomar Tom Cruise e George Clooney como modelos de sucesso para correrem atrás dos antigos James Stewart, Ricardo Montalban (o "senhor Hoarke" já tinha uma boa estrada no cinema antes da "Ilha"), Paul Newman e Humphrey Bogart. Será que Malcolm Montgomery se arrepiaria ao ouvir falar de Montgomery Clift?

O que leva os maridos cinquentões a evitar o máximo contato com os referenciais de suas jovens esposas é um mistério. Principalmente se eles são da mesma geração de Kid Vinil, Evandro Mesquita, Lulu Santos e Sérgio Groisman. Não dá para entender que há mulheres jovens e modernas cujos maridos mais velhos se recusam a conviver com a juventude delas.

Logo eles, que, como empresários e profissionais liberais, tiram de letra as necessidades eventuais de sempre mudar. São novas técnicas de cirurgia, novas ideias de administração - como o empreendedorismo, que está em moda - , novas estratégias de publicidade, alterações nas leis, novas tecnologias, novos desafios, que esses cinquentões tiram de letra até em textos lançados em primeira mão em inglês.

E mais: esses cinquentões têm carros modernos, modernos aparelhos domésticos - laptop, toca-DVD, toca-CD, ar condicionado, telefone celular - e seus apartamentos contam com uma concepção estética moderna.

Mas de que adianta isso se esses empresários/profissionais liberais cinquentões adotam um vestuário antiquado, até para situações comezinhas como ir a um cinema, a um aniversário, a um almoço entre amigos?

De que adianta um toca-DVD do século XXI, um celular da hora, o carro do ano, se esses cinquentões ainda se pautam nos quarentões granfinos de 1973-1974? Eles até andam de bermuda e tênis em caminhadas turísticas, mas sentem horror a usar tênis em um almoço ao ar livre com amigos! Se curtem Beatles, são somente aquelas canções lentas que cantores românticos regravaram ad nauseam. Se eles são tão modernos e atualizados no seu trabalho, por que eles são tão antigos e frouxos no lazer?

E que mal tem um Eduardo Menga escutar um CD dos Titãs, um Almir Ghiaroni ir a uma apresentação de Leoni? Isso se falando por iniciativa pessoal deles, e não pela hipócrita curiosidade na discoteca dos filhos. Que medo eles têm do Rock Brasil cujo caminho foi aberto por caras que poderiam ser amigos de infância desses empresários/profissionais liberais, como o caso dos citados Evandro Mesquita e Lulu Santos?

Feito o retrato de Dorian Gray, que mostra seu rosto envelhecido enquanto seu modelo mantém a aparência jovial, os empresários/profissionais liberais cinquentões envelhecem na medida em que suas esposas parecem jovens, lindas, modernas.

Os maridos escravos de um modelo de "maturidade" e "sofisticação" que não faz sentido nos dias de hoje, fogem das colunas sociais menos por discrição do que por medo, que é o medo de ver as páginas ensolaradas das atuais edições de Caras, com garotões surfando e andando de skate, com cantores tocando violão em casas de veraneio, tudo isso longe daquela mesmice fechada das velhas festas de gala, dos trajes sisudos de terno e gravata ou smoking, da velha, velha e velha etiqueta que nem Danuza Leão mais defende.

Que tal esses cinquentões perderem suas barrigas, usarem mais tênis na hora do lazer, ouvir Rock Nacional, ouvir as piadas dos amigos de suas jovens esposas? O mundo gira, não faz sentido Roberto Justus, Almir Ghiaroni, Malcolm Montgomery, Eduardo Menga e similares ainda procurarem pelas cinzas do extinto templo granfino do barão Von Stuckhart, a tragicamente destruída boate Vogue. Que, com suas cinzas e seus mortos, parece ter levado, há 55 anos atrás, todo um velho ideal de "bom gosto" e "sofisticação".

3 comentários:

Marcelo Pereira disse...

Quero ver um desses maridos cinquentões fazer o mesmo tipo de sessão de fotos que suas jovens esposas. Aí a farsa será desmascarada.

Como é que essas mulheres lindas, esbeltas vão aguentar pelancudos encostando em seus corpinhos. Só a custa de muito dinheiro e empurrão profissional.

O Kylocyclo disse...

Bruno, eu não falei que eles tenham que curtir rock, mas ouvir, conhecer, perder o medo. É no sentido de respeitar mesmo essa música, e não dar o mesmo desprezo esnobe a Legião Urbana e Trem da Alegria.

Esses cinquentões se fecham muito no mundo deles, dão a impressão de que eles se casaram com as mulheres mais jovens por pura obrigação. Mas se recusam a participar do meio sócio-cultural delas, por medo e preconceito.

Imagine se suas esposas fizerem uma festa e convidassem os amigos da infância e adolescência delas? Seus maridos vão ficar isolados, feito paizões caretas?

O problema é isso. Além do mais, o fato desses cinquentões tratarem o Rock Brasil como se fosse musiquinha de criança é uma incoerência, se vermos que a primeira safra do Rock Brasil 80 é de gente que praticamente nasceu junto com Roberto Justus, Eduardo Menga e quejandos.

O que eu quis dizer, na verdade, é que esses cinquentões precisam arejar suas mentes, e abandonar a ideia de que eles têm que adotar um padrão de "maturidade" que só valeu mesmo há 35 anos atrás.

Bleffe disse...

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