terça-feira, 11 de maio de 2010

DEFESA DO BREGA-POPULARESCO: DE ONDE VEM O DINHEIRO?



A Música de Cabresto Brasileira conta com muitos defensores espalhados em comunidades do Orkut, sobretudo dedicadas à cultura de qualidade ou contra ídolos popularescos. A comunidade MPB, por exemplo, foi invadida por um fã do grupo de porno-pagode Psirico, que usou uma canção "de protesto" do grupo para justificar a defesa.

Toda comunidade assim tem pessoas reagindo contra. Tudo bem se seria uma simples discordância, mas a coisa parece mais uma epidemia, sempre com alguém querendo defender o ídolo popularesco de forma enérgica, com textos mal escritos, com desaforo e arrogância. E às vezes com certa insistência. E com a fúria que fez com que Bruno Mazzeo os apelidasse de "talifãs".

Por que será que "fãs" de axé-music, breganejo ou sambrega aparecem muito em comunidades contra seus ídolos, para fazer defesas arrogantes? Eles não tem seus sites, fóruns, comunidades virtuais, blogs e todo o espaço para falar bem desses ídolos? Por que uma Francielle Siqueira nos envia um texto longo e nervoso defendendo o cantor Alexandre Pires, se nos blogs favoráveis a ele ela escreve textos tão lacônicos? Será que eles não sabem que perdem tempo querendo converter quem é incapaz disso?

O que está por trás disso? Possivelmente, muito dinheiro. É muito dinheiro investido na campanha de fazer a Música de Cabresto Brasileira, "universo" musical com tendências derivadas da música brega original, uma pretensa unanimidade no Brasil.

Afinal, não é pela "qualidade artística" de glúteos balançantes, de crooners medíocres e enrustidos, de ídolos com vozes fanhas ou esganiçadas, de axézeiros ocos, sambregas engraçadinhos e breganejos abobados e outros cafonas cada vez mais patéticos, que o ritmo anda crescendo muito no establishment do entretenimento brasileiro. É porque há muito investimento por trás, muito dinheiro do empresariado, fora o que há de jabaculê ou mesmo da mais literal lavagem de dinheiro dos corruptos.

Não devemos nos esquecer que esses ídolos popularescos são grandes vendedores de discos, grandes lotadores de plateias e grandes alimentadores do sucesso da grande mídia.

Mas agora, depois de cerca de 20 anos de sucesso, acumulado ao longo dos anos, esses "artistas", através de seus supostos fãs - provavelmente gente que trabalha para a mídia ou para os próprios ídolos - , tentam passar a imagem de "injustiçados", "discriminados", isso porque não são levados a sério pela maior parte dos verdadeiros universitários e porque ainda não conquistaram sua reserva de mercado no âmbito da MPB.

É muito cinismo, muita cara de pau mesmo. Eles há muito tempo simbolizam o mainstream da música comercial brasileira, e agora querem passar a imagem de "cultura", usando de argumentos "intelectuais" ou "democráticos". Fica bonito falar em "tudo junto e misturado", mas o que ninguém percebe é que esse argumento encontra consonância na ideia reacionária de "liberdade" defendida pela mídia associada ao Instituto Millenium.

Por isso, é impossível que por trás dessa campanha toda, não haja dinheiro envolvido. Afinal, a Música de Cabresto Brasileira envolve grande investimento financeiro, de origem honesta ou não. Há desde trabalhos honestos de divulgadores até mesmo o trabalho desonesto de subornar intelectuais ou criar "patrulheiros" para neutralizar qualquer crítica à música brega-popularesca veiculada na Internet.

É o golpismo cultural querendo que a MPB autêntica e a música popular de verdade - hoje rebaixada a um mero folclore de museu - desapareçam não só do gosto das classes populares, como até mesmo da memória da classe média. Se o povo pobre há muito era proibido de apreciar com prioridade a MPB autêntica, agora é a classe média que sofre a mesma proibição.

Mas a música brega-popularesca move um mercado movido a jabaculê, a propina. Por isso, cabe perguntar de onde vem o dinheiro todo investido na campanha pela prevalência de seus ídolos no gosto musical da maior parte dos brasileiros.

Nenhum comentário: