segunda-feira, 31 de maio de 2010

BREGA-POPULARESCO PROSPEROU EM MOMENTOS POLÍTICOS REACIONÁRIOS


FERNANDO COLLOR - Projeto sócio-político ajudou nas carreiras de Zezé Di Camargo & Luciano e Alexandre Pires.

Tanto burburinho em torno da defesa da Música de Cabresto Brasileira ignora ou despreza que todas as tendências brega-popularescas floresceram quando o cenário político brasileiro, no plano nacional ou regional, vivia momentos de reacionarismo ou quando projetos progressistas sofriam processo de crise.

A História registra que, desde os primeiros ídolos cafonas até a axé-music, a música brega-popularesca foi favorecida por cenários políticos reacionários, seja quando o Brasil ou seu respectivo Estado federativo eram governados por políticos conservadores, seja quando entram em ascensão movimentos reacionários contra projetos políticos progressistas ou reformistas.

Isso mostra que a música brega-popularesca está muito longe de representar a "verdadeira cultura popular", que seus defensores tanto alardeiam em campanha maciça que invade até a imprensa de esquerda que, na boa fé, acha que valorizar o brega-popularesco é o mesmo que valorizar o povo da periferia. Quanta ingenuidade.

Mas as provas são evidentes e irrefutáveis de que a música brega-popularesca floresceu com as elites no poder ou em busca do poder, e mesmo o fato de tendências recentes como o "funk carioca" e o tecnobrega terem surgidos aparentemente sob o cenário progressista do governo Lula não desmentem a tese, até porque as duas tendências também foram impulsionadas em cenários prósperos ao reacionarismo: o "funk carioca" se ascendeu durante o escândalo do "mensalão" e, no Rio de Janeiro, surgiu respaldado pela contravenção, pelo narcotráfico e pelo latifúndio fluminense, e o tecnobrega é apoiado pela influência coronelista dominante no Pará.

A associação entre as elites nacionais e as oligarquias com a indústria da mídia e do entretenimento impulsionaram o sucesso da música brega-popularesca que hoje domina o país.

PRIMÓRDIOS DA MÚSICA BREGA

Quando a música brega nem tinha esse nome e nem mesmo a palavra cafona existia, os ídolos que integraram os primórdios da música cafona representaram arremedos caricatos e requentados da já passada era dos boleros, das valsas e serestas. Ídolos como Orlando Dias ("Tenho ciúme de tudo"), Waldick Soriano, Agnaldo Timóteo e Nelson Ned não podem ser comparados com os seresteiros de outrora, e defendiam um som datado que eles nem tiveram interesse em renovar, como linguagem, preferindo fazer um arremedo caricatural do som do passado.

Quando eles surgiram, entre 1958 e 1964, o latifúndio do interior do país - berço dos primeiros ídolos cafonas - começava a reagir com mais energia à ascensão das Ligas Camponesas, equivalente do Movimento dos Sem-Terra na época, através da famigerada violência do campo, da pistolagem.

Em São Paulo, cidade que divulgou em âmbito nacional os primórdios da música cafona, um grupo de jovens empresários fundava, na época, o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), entidade de direita destinada a desmoralizar o nacionalismo presente no governo de Juscelino Kubitschek, através de seu vice João Goulart.

O latifúndio do interior do país exerce não somente o domínio político, mas o domínio cultural, e para os "coronéis", era mais vantajoso investir em pseudo-boleros e pseudo-serestas mofadas do que na verdadeira música caipira de protesto. Com as relações do latifúndio com a mídia de suas regiões, e do empresariado fonográfico e midiático paulista com as oligarquias anti-nacionalistas, nota-se que os primórdios da música brega tiveram uma base bastante conservadora. Waldick Soriano, em sua carreira, nunca escondeu isso, ele mesmo era bastante conservador. Só recentemente Paulo César Araújo, Patrícia Pillar e simpatizantes tentam esconder essa realidade mais do que evidente.

A música cafona dos primórdios seguia, na música, a mesma filosofia do projeto econômico do ministro do Planejamento do governo Castello Branco, Roberto Campos. Assim como o projeto econômico de Campos previa um desenvolvimento econômico dependente (do Primeiro Mundo) e se servia de tecnologia obsoleta nos países desenvolvidos, a música brega já previa o desenvolvimento dependente (do hit-parade norte-americano e italiano) da cultura brasileira, se servindo de tendências musicais obsoletas (como os boleros e serestas que eram diluídos pelos primeiros ídolos cafonas).

BREGA DOS ANOS 60-70

A ascensão definitiva da música cafona se deu a partir de 1964, quando o Brasil passou a ser governado pela ditadura militar. E, na medida em que o poder ditatorial avançava, as tendências do brega-popularesco seguiam o mesmo caminho.

Em 1968, a segunda geração de ídolos cafonas, que não mais emularam boleros fora de moda, mas eram ídolos retardatários da Jovem Guarda, e, artisticamente, equivalentes ao dos "roqueiros comportados" dos anos 50 - há uma analogia entre Odair José e Luís Ayrão com Pat Boone e Paul Anka - se ascendeu quando o governo militar pensava em medidas mais enérgicas para conter o avanço dos protestos populares, a partir do movimento estudantil. Paulo Sérgio, Dom & Ravel e Evaldo Braga também integraram essa fase.

Quando foi decretado o AI-5, essa segunda geração, que assim como a primeira, adotou o modelo dependente de expressão cultural, tornou-se símbolo da "cultura ufanista" do projeto de "Brasil Grande" defendido pelo regime militar. Mas, assim como o projeto político-econômico da ditadura militar previa um astral patriótico dentro das perspectivas do regime, o brega-popularesco assiste ao primeiro arremedo de "brasilidade" através do "sambão-jóia" de Luís Ayrão, Luís Américo e Benito di Paula. O "sambão-jóia" era uma caricatura do samba-rock (que, apesar do nome, que se deve mais ao uso de guitarra elétrica, fundia samba com soul music), com claros contornos piegas e exageradamente ufanistas.

BREGA DA ERA GEISEL

A ditadura militar se baseava no rigor moralista pregado pelas passeatas Deus e Liberdade que pediram a saída de João Goulart do Governo Federal. Essas passeatas, cujo ápice foi a reunião no Vale do Anhangabaú, São Paulo, em 19.03.1964, contavam com o apoio integrado de setores conservadores da igreja católica e de correntes protestantes.

Mas, quando estourou a crise do petróleo, no Oriente Médio, todo aquele projeto político-econômico da ditadura militar entrou em colapso, porque a crise atingia o mundo inteiro. O "milagre econômico" decaiu por conta dessa crise, principalmente pelo fato da forte influência das empresas estrangeiras instaladas no Brasil.

Como essa crise poderia resultar num clima de protesto semelhante tanto ao das vésperas do golpe de 1964 quanto aos protestos estudantis de 1966-1968, as elites ligadas ao entretenimento que respaldavam o regime militar tiveram uma ideia que, para as elites conservadoras, era como abir mão dos anéis para salvar os dedos: liberar a "sacanagem" para o povo pobre.

Dessa forma, o humorismo televisivo trocou os textos engraçados por piadas de duplo sentido. Vieram as revistas pornográficas, mas a Editora Abril também atuou na franquia da revista Playboy. As chacretes se tornaram uma resposta brega às antigas vedetes do teatro de revista, e o cinema brasileiro se rendeu à pornochanchada. Para remediar os "excessos", seitas neo-pentecostais foram estimuladas pelo regime, através de incentivos fiscais. Não por acaso, Rita Cadillac e Gretchen se ascenderam na mesma época que Edir Macedo e R. R. Soares.

A música brega dessa época - e, pela primeira vez, era propagado o termo "brega" - de maior sucesso diferia dos cafonas das duas fases anteriores pelo desenvolvimento do apelo juvenil. Harmony Cats, Gretchen, Sidney Magal, Nahim, Sérgio Mallandro e outros mantinham a dependência cultural, sobretudo em relação à disco music e aos ritmos latinos difundidos em Miami. A "brasilidade", e mesmo assim, relativa, ficava por conta da diluição do forró no Norte e Nordeste pelos ritmos caribenho-floridenses, e pela pasteurização da música caipira brasileira pelo romantismo enlatado de Bee Gees e similares.

BREGA DOS ANOS 80 - PRIMÓRDIOS DOS NEO-BREGAS

A breguice dos anos 80 está associada, como os movimentos anteriores, ao cenário político da ditadura militar e do coronelismo regional. Na televisão, ela está vinculada à ascensão midiática do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), de Sílvio Santos, que impulsionou a adesão, por motivos concorrenciais, da Rede Record e da TV Bandeirantes.

Essa mídia, que inspirava também o aparecimento e crescimento de rádios popularescas (chamadas de "rádios do povão"), continuava difundindo os ídolos bregas dos períodos anteriores, acima citados.

A grande diferença, agora, está nas tendências neo-bregas que tentam modernizar a cafonice já dominante nas camadas pobres do país. Na Bahia, produtores e radialistas ligados ao poder de Antônio Carlos Magalhães desenvolveram a diluição de ritmos caribenhos, africanos e baianos com o apelo comercial da Jovem Guarda, resultando na axé-music dos "grupos de trio", dos quais os maiores símbolos são Luís Caldas e Chiclete Com Banana. Era a trilha-sonora do ufanismo regional do poder carlista no Estado.

No plano nacional, o poderio dos músicos Michael Sullivan e Paulo Massadas - que atualizavam o citado projeto econômico de Roberto Campos aplicado à música brega em outro contexto - , protegidos das Organizações Globo (já envolvida em lamentáveis episódios de tendenciosismo político e jornalístico), tentavam dar à música brega um aspecto de luxo e de pompa.

Sullivan e Massadas, cooptando ídolos bregas e artistas de MPB contratados pela RCA e Som Livre, juntavam ao som cafona a influência da MPB pasteurizada do final dos anos 70, sobretudo pela influência de Lincoln Olivetti e Robson Jorge. Para comemorar o êxito comercial da intriga, os quatro compuseram a música "Amor Perfeito" e entregaram a Roberto Carlos (usado para popularizar a música brega a partir de 1976) para gravar a música. Depois, a mesma canção foi regravada pelo ícone axézeiro Chiclete Com Banana.

A dupla Sullivan e Massadas pode ser considerada precursora do neo-brega, quando a música brega tenta imitar os clichês da MPB e adotar postura pedante. E que influenciou todo o cenário de música brega dos anos 90 até hoje.

Os acordos escusos de concessão de rádio e TV do presidente José Sarney e de Antônio Carlos Magalhães, na função de ministro das Comunicações, entre 1985 e 1987, permitiu o crescimento vertiginoso de rádios popularescas em todo o país, também contribuindo para a hegemonia brega-popularesca no território nacional.

BREGA NOS ÚLTIMOS 20 ANOS

1989-1992 - Os hoje medalhões do brega-popularesco, como as duplas "sertanejas" (Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano), o "pagode mauricinho" (Raça Negra, Alexandre Pires/Só Pra Contrariar, Katinguelê, Exaltasamba) e o forró-brega (oriundo da lambada e do "forró" bregalizado dos anos 70), foram favorecidos pelo cenário político de Fernando Collor de Mello, político conservador vitorioso nas eleições de 1989, sobretudo através do apoio da mídia golpista (Veja, Folha e Rede Globo/O Globo).

O "funk carioca" se ascendeu apoiado, por um lado, pela contravenção e pelo narcotráfico ("proibidões"), por outro pelo empresariado (equipes de som e DJs) respaldado pelas oligarquias fluminenses que exercem influência no interior do Estado do RJ e, mais ainda, na Baixada Fluminense.

1993-1994 - Em seguida, a Era FHC deu fim a um pequeno intervalo de crise na música brega, que se deu com o impedimento político de Collor. Nesse breve períoso, 1993-1994, a MPB autêntica retomava o crescimento e reapresentava tanto novos talentos quanto os talentos veteranos à juventude. Paulinho da Viola, Jorge Ben Jor e Luís Melodia eram descobertos pelas novas gerações enquanto Marisa Monte se popularizava e o mangue beat se tornava o fenômeno de renovação cultural do país.

1994-2002 - Mas o projeto neoliberal de FHC impediu a ascensão definitiva da MPB autêntica e, além de retomar os neo-bregas da Era Collor, despejou a axé-music até em regiões antes hostis ao ritmo baiano (como o Sul do país e o Estado do Rio de Janeiro), sobretudo através da vulgaridade mais grotesca do grupo É O Tchan. Foi durante os oito anos de domínio do bloco político PSDB/DEM, herdeiros ideológicos do antigo IBAD, que a música brega-popularesca tornou-se hegemônica de fato em todo o país, com seus mercados firmados em qualquer parte do território nacional.

Em 1999, houve a reação da imprensa e de intelectuais a essa hegemonia brega-popularesca, com artigos de Arnaldo Jabor (então ainda distante de seu reacionarismo atual), Ruy Castro, Mauro Dias, Dioclécio Luz e outros, na imprensa e na Internet, questionando os ritmos popularescos. Livros de Comunicação Social também questionavam o popularesco, sobretudo o fenômeno É O Tchan. Biografias sobre Rock Brasil se queixavam de que breganejos e sambregas tiraram as bandas de rock brasileiros (de valor artístico superior ao dos ídolos popularescos) da divulgação da mídia.

2002 - No entanto, em 2002, veio a contra-ofensiva do brega-popularesco, que passou a se servir de intelectuais para justificar, num discurso engenhoso, sua hegemonia. A retórica, em resumo, se vale da falsa imagem de "verdadeira cultura popular" dos fenômenos popularescos, além de um discurso que fala em "vítimas de preconceito", acusando a MPB autêntica de elitista e discriminatória.

Vieram então, na mídia e na Internet, ideólogos como Hermano Vianna, Bia Abramo, Milton Moura (BA), Eugênio Raggi (MG), Pedro Alexandre Sanches, Rodrigo Faour, Paulo César Araújo, além de celebridades e artistas, defendendo a música brega-popularesca sob a tendenciosa justificativa de que ela é a "verdadeira cultura popular". As desculpas para essa tese, bastante duvidosa, tentam associar os ídolos popularescos (vários deles já superando os antigos mestres da MPB em poder financeiro) à suposta expressão do povo da periferia.

Este blog já mostra várias nuances dessa campanha retórica, comparável à das campanhas "racionais" do IPES ("instituto" derivado do IBAD) e do atual Instituto Millenium. Em resumo, é uma interpretação etnocêntrica e tendenciosa da cultura popular, desprezando os mecanismos de indústria cultural e controle social que estão por trás dos fenômenos popularescos.

Essa campanha serve tanto para prolongar o sucesso comercial de ídolos popularescos em evidência como para tentar recuperar o sucesso de ídolos esquecidos, sem medir escrúpulos de empurrar tanto uns quanto outros em eventos relacionados à MPB autêntica.

2005 - A campanha retórica da música brega-popularesca avança no sentido de tentar desmentir o caráter de hit-parade evidente em todos os fenômenos popularescos. Seja para promover fenômenos regionais como expressão de "mídias pequenas", seja através do rótulo "universitário" que empurra certas tendências para o consumo do público jovem das classes médias urbanas.

O "funk carioca" - na verdade, retomando uma retórica apologética timidamente testada com o É O Tchan - , foi o símbolo desta fase, dentro de uma rica retórica dotada de clichês do discurso intelectualóide, através de uma abordagem supostamente etnográfica dentro das mais avançadas técnicas de discurso narrativo, como o new journalism (reportagens narradas como romances literários) e a História das Mentalidades (narrativa histórica que privilegia pessoas comuns). É todo um rico discurso que se contrasta com a mediocridade artística do ritmo carioca, mas que conseguiu enganar muita gente, até mesmo educadores.

A retórica funqueira, atualmente, é reproduzida também pelos ideólogos do tecnobrega - ritmo derivado do forró-brega - e tenta dar um status "alternativo", "independente" ou "folclórico" de tais tendências. A alegação de "cultura da periferia" é a mais utilizada. O discurso é engenhoso mas tem um ponto fraco: os intelectuais identificam a "expressão popular" em fontes discutíveis como o comércio de camelôs e as danceterias de subúrbio, na verdade cenários regionais do controle sócio-cultural da mídia.

A proliferação de tendências "universitárias" - nome que não tem sentido prático algum, na realidade - do brega-popularesco, não consegue esconder que tais tendências são apenas imitações das mesmas tendências bregas e neo-bregas vigentes, apenas com alguma dose de profisisonalismo. Mas, no fundo, não passa de um rótulo mercadológico, para jogar ídolos emergentes para o público jovem de classe média urbana. Mas o "sertanejo universitário", "pagode universitário", "arrocha universitário", "brega universitário" e similares em nada acrescentam de novo aos ritmos que os inspiraram.

As tendências brega-popularescas de 2003 para cá, no contexto sócio-político, são resultantes ainda dos tempos do governo FHC, ou então floresceram dentro do contexto de apoio conservador ao governo Lula, seja por partidos da direita moderada (como PR e PP), seja pelo esquema de corrupção do mensalão. Há também, no caso do "funk carioca" e do tecnobrega do Pará, a influência de oligarquias conservadoras nos Estados de origem.

Às vésperas da campanha eleitoral, quando os setores conservadores da sociedade brasileira querem a volta da dupla PSDB/DEM ao poder presidencial, torna-se cada vez mais acirrada seja na superexposição de medalhões da axé-music, breganejo e sambrega na mídia golpista, na promoção de ritmos emergentes (como o tecnobrega) e na recuperação do estrelato de antigos fenômenos (como Michael Sullivan e o som do É O Tchan reciclado no "rebolation").

O reacionarismo também se nota na ação dos "talifãs" que tentam desmoralizar quem fala mal dos ídolos popularescos. Mas até aí música brega e direita política andam de mãos bem dadas. O que são os talifãs que defendem Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano, Ivete Sangalo, Luan Santana e Banda Calypso diante dos internautas que defendem a vitória de José Serra na corrida presidencial?

Quem te viu, quem te vê, como diz o mestre da MPB autêntica, Chico Buarque.

Um comentário:

Lucas Rocha disse...

Alexandre,
Nesse texto, faltou você falar do pedantismo neo-brega, cujos principais participantes são os breganejos e os sambregas. Será que as "mulheres-frutas" já fizeram algum trabalho parecido com a participação de Alexandre Pires num tributo caça-níqueis a Wilson Simonal e a apresentação de Chitãozinho & Xororó com o maestro João Carlos Martins? Por exemplo, a Melancia já posou de "Mérlin Monrôu" e a Melão se fantasiou de Betty Boop.