quarta-feira, 5 de maio de 2010

BREGA-POPULARESCO NÃO REPRESENTA DIVERSIDADE CULTURAL


Um dos discursos que a música brega-popularesca, a Música de Cabresto Brasileira, fez há anos para defender sua hegemonia, ameaçada pelo natural desgaste de seus ídolos e tendências, é que ela fazia parte da diversidade cultural de nosso país.

Sabemos, aqui, que os mesmos ritmos e tendências popularescos que, nas décadas passadas, foram lançados como "monocultura", como modismos forçadamente empurrados para o grande público nas chamadas rádios "povão" - seja a suposta "música sertaneja", o breganejo, o tal "pagode romântico", o sambrega e a pretensa "música baiana", a axé-music, fora tantos outros - , a partir de 2002 ou 2003 passaram a ser "relançados" como se fossem "expressão máxima" de nossa diversidade cultural.

Pura hipocrisia. Nomes como Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, Exaltasamba, Chiclete Com Banana, Calcinha Preta, Zezé Di Camargo & Luciano, É O Tchan e DJ Marlboro, entre tantos e tantos outros similares, representavam a baixaria musical brasileira e hoje eles passam a falsa imagem de "verdadeira música popular".

Eles alimentaram suas carreiras através do jabaculê radiofônico, subornando produtores de rádio todo ano, e hoje passam a falsa imagem de "arte verdadeira". Defenderam os valores mais reacionários, por vezes grotescos, por outras piegas, e se acham "modernos". Estão no establishment do establishment da mídia brasileira mas insistem em dar a falsa impressão de que eles nunca fizeram sucesso na vida.

Eles não representam diversidade cultural porque, fora a roupagem estilística que apresentam, não têm a menor diferença artística uns dos outros. Que diferença tem o breganejo Leonardo do sambrega Alexandre Pires? Nenhuma. Qual a diferença entre a porno-grosseria do É O Tchan com a da Gaiola das Popozudas? Nenhuma. Que diferença faz Chiclete Com Banana e Odair José? Nenhuma. E o sambrega "universitário" Jeito Moleque e o breganejo "universitário" João Bosco & Vinícius, que diferença eles têm? Nenhuma.

Nos tempos do Rock Brasil, sabíamos bem as diferenças artísticas dos seus grupos e músicos. Eles tinham personalidade e sonoridade próprias. Legião Urbana tinha sua personalidade, Paralamas do Sucesso outra, Titãs outra, Barão Vermelho outra, Plebe Rude outra. Lulu Santos não era igual a Celso Blues Boy, que não era igual a Lobão, que nunca quis imitar os amigos deste, Cazuza e Júlio Barroso. Marina Lima também nunca quis imitar Ângela Ro Ro, por exemplo, cada uma tinha seu estilo bem próprio. E o grupo paulista Fellini, dos jornalistas Cadão Volpato e Thomas Pappon, conquistou até o saudoso DJ inglês John Peel!

Mas o brega-popularesco não conta com personalidade. Seus ídolos não diferem muito, são apenas pequenas "variações" de uma mesma coisa, sem gosto e sem graça. São fantoches da grande mídia que contam com uma assessoria tão grande que não é preciso raciocinar muito de onde vem todo esse patrulhamento de defensores desses ídolos, quando veem textos como neste blog, criticando os erros dos cantores e grupos popularescos.

Isso não é fruto de comentários raivosos. É só comparar uma antiga entrevista de um roqueiro brasileiro na Bizz nos anos 80, por exemplo, e a entrevista recente de um ídolo breganejo na revista Tititi. Quanta diferença. Mas certamente a cegueira sentimentalóide dos fãs de popularesco não percebe.

Se um breganejo fala, por exemplo, em sua entrevista: "Traição não tem problema. A gente briga, reclama, voa vaso pela sala e depois resolve e se ama. Depois de tentar ser monôgamo de várias mulheres, no fim viro polígamo de uma só mulher", só quem não tem senso crítico para avaliar o nível da besteira. Ou então, quando o pagodeiro baiano fala somente da "galera da Capelinha apoia a gente, a galera do Curuzu vai bombando no nosso show", é impossível desconhecer, em sã consciência, o nível de superficialidade da declaração dos "artistas".

Por isso mesmo, esse papo de "diversidade cultural" é conversa fiada para quem quer se manter no mercado por muito mais tempo. Como é também a falácia de ídolos comerciais que se dizem "não-comerciais" e acusam os verdadeiros artistas de comercialismo. Isso é outra história que se falará em breve.

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