sexta-feira, 7 de maio de 2010

BARÕES DA MÍDIA USAM GÍRIA "BALADA" PARA CONTROLAR A JUVENTUDE



Parece bobagem se preocupar com o poder midiático de uma gíria. Mas não é.

Primeiro, a gíria "balada" não tem fundo social. E mesmo qualquer pretexto sobre sua origem e propagação é sempre duvidoso, pois nem as corruptelas de "embalada" ou "badalada" nem os derivativos da gíria "bala" explicam exatamente a gíria, já que se tratam de procedimentos pouco típicos entre nossos jovens.

Segundo, porque é uma gíria que não veio das ruas nem das reuniões juvenis, mas de DJs paulistas que inventaram o termo e propagaram entre o público local, há cerca de 20 anos. A gíria teria caído em desuso, não fosse a persistência da Jovem Pan Sat, primeira corporação da grande mídia a propagar nacionalmente a gíria, e, mais tarde, da Rede Globo de Televisão, em manipular a gíria "balada" para todo tipo de público, quando na verdade a gíria é relacionada ao pop dançante, ao chamado "poperó".

O que preocupa é que a gíria é usada como um teste dos barões da grande mídia em manobrar a juventude. Não bastassem os ídolos empurrados goela abaixo, fundindo a cuca da "galera pós-1978" a ponto dos mesmos playboys que, em 2000, gritavam "morte aos pagodeiros", hoje vão para a primeira fila de um festival para ver o Exaltasamba e o Alexandre Pires.

Não é por acaso que eu mesmo, no Orkut, tive que enfrentar a fúria de jovens reacionários - iguaizinhos àqueles estudantes da Mackenzie envolvidos com o Comando de Caça aos Comunistas (entre eles um hoje conhecido âncora de TV) - porque disse que "balada" não é gíria de gente inteligente (eles querem ser inteligentes por nada; escrevem mal, são brutos, odeiam livros, mas mesmo assim acham-se sábios assim, de graça; vá entender...).

É gente que finge ser "diferente", mas adere à mesmice da grande mídia. Gente pseudo-esquerdista, mas aconselhada pelos pais a cultuar o economista Roberto Campos como se fosse um santo protetor. Gente que se diz "alternativa" mas só cultua o irrit-pareide. É esse gente que entusiasmadamente fala a palavra "balada" no lugar de "festa", "boate", "noitada", "clube noturno", "encontro de amigos", empobrecendo o vocabulário oral, não bastasse a degradação ortográfica que tão orgulhosamente praticam.

Esses jovens são marionetes da grande mídia. São cães-de-guarda que os barões da mídia gorda enviam para o Orkut, Facebook, Twitter e até mesmo nos fóruns diversos da Internet. Primeiro são manipulados a bel prazer pelos pretensos totens da mídia gorda, desde a infância - sua "alfabetização cultural" foi às custas de Xuxa e Gugu Liberato, e logo em seguida conheceram também Faustão, Luciano Huck e Ratinho - , e depois passam a defender os valores míopes que aprenderam, até com certa fúria.

Pior é que eles, só por serem jovens (não têm mais que 32, 34 anos), se passam por "modernos". Espancam até empregadas domésticas, mas querem ser considerados modelo de juventude brasileira. Com vocabulário raquítico e ortografia caótica, querem ser considerados "inteligentes".

Mas, como disse Renato Russo, eles se acham tão modernos, mas é só uma questão de idade. Passando dessa fase, tanto faz se essa "galera irada" for considerada "reacionária" ou não. Até porque os atuais frequentadores das tais "baladas" estarão no Congresso Nacional preparando novos esquemas de mensalão. É esperar para ver.

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