segunda-feira, 31 de maio de 2010

MINHA EXPLICAÇÃO SOBRE O CASO DE ISRAEL


Nunca me passou pela cabeça menosprezar os fatos políticos em detrimento dos culturais. O que eu cobro da mídia de esquerda, da imprensa esquerdista, é uma postura crítica completa em todos os ramos. É preciso coerência na abordagem da realidade.

Hoje houve um ataque de tropas israelenses contra um navio humanitário que deixou pelo menos 10 vítimas. Certamente é mais um episódio da complicada situação de Israel, visto pelos analistas de esquerda como um país subordinado aos interesses imperialistas dos EUA. A maioria das vítimas eram simples cidadãos turcos.

É preciso coerência porque sabemos das artimanhas políticas do imperialismo sobre o Oriente Médio, e reconhecemos a necessidade de discutir o tema amplamente. O que não pode é discutir tais temas e menosprezar as armadilhas "culturais" que o coronelismo do interior do país faz para distrair o povo pobre, com claros interesses para desviar as atenções das pessoas para problemas sérios e também para evitar que a cultura popular de verdade transmita conhecimentos e valores edificantes que lancem o povo contra os poderosos.

Por isso é que critico. Reconheçamos o problema do Oriente Médio, mas chega de dizer que "funk", tecnobrega e outras porcarias são "expressão da periferia". Porque tudo isso não passa de engodo irrit-pareide brasileiro, música brega da pior qualidade.

ACORDA, MÍDIA DE ESQUERDA DO BRASIL!!



A mídia de esquerda do Brasil consegue ver neoliberalismo no cenário político do distante Israel.



Tudo bem. Mas a mídia de esquerda não consegue enxergar a influência do coronelismo no cenário brega-popularesco do Pará, difundido pela mídia latifundiária.

É como reza o dito popular: Como é que alguém enxerga um argueiro no olho de outra pessoa, se não vê uma trave no seu próprio olho?

BREGA-POPULARESCO PROSPEROU EM MOMENTOS POLÍTICOS REACIONÁRIOS


FERNANDO COLLOR - Projeto sócio-político ajudou nas carreiras de Zezé Di Camargo & Luciano e Alexandre Pires.

Tanto burburinho em torno da defesa da Música de Cabresto Brasileira ignora ou despreza que todas as tendências brega-popularescas floresceram quando o cenário político brasileiro, no plano nacional ou regional, vivia momentos de reacionarismo ou quando projetos progressistas sofriam processo de crise.

A História registra que, desde os primeiros ídolos cafonas até a axé-music, a música brega-popularesca foi favorecida por cenários políticos reacionários, seja quando o Brasil ou seu respectivo Estado federativo eram governados por políticos conservadores, seja quando entram em ascensão movimentos reacionários contra projetos políticos progressistas ou reformistas.

Isso mostra que a música brega-popularesca está muito longe de representar a "verdadeira cultura popular", que seus defensores tanto alardeiam em campanha maciça que invade até a imprensa de esquerda que, na boa fé, acha que valorizar o brega-popularesco é o mesmo que valorizar o povo da periferia. Quanta ingenuidade.

Mas as provas são evidentes e irrefutáveis de que a música brega-popularesca floresceu com as elites no poder ou em busca do poder, e mesmo o fato de tendências recentes como o "funk carioca" e o tecnobrega terem surgidos aparentemente sob o cenário progressista do governo Lula não desmentem a tese, até porque as duas tendências também foram impulsionadas em cenários prósperos ao reacionarismo: o "funk carioca" se ascendeu durante o escândalo do "mensalão" e, no Rio de Janeiro, surgiu respaldado pela contravenção, pelo narcotráfico e pelo latifúndio fluminense, e o tecnobrega é apoiado pela influência coronelista dominante no Pará.

A associação entre as elites nacionais e as oligarquias com a indústria da mídia e do entretenimento impulsionaram o sucesso da música brega-popularesca que hoje domina o país.

PRIMÓRDIOS DA MÚSICA BREGA

Quando a música brega nem tinha esse nome e nem mesmo a palavra cafona existia, os ídolos que integraram os primórdios da música cafona representaram arremedos caricatos e requentados da já passada era dos boleros, das valsas e serestas. Ídolos como Orlando Dias ("Tenho ciúme de tudo"), Waldick Soriano, Agnaldo Timóteo e Nelson Ned não podem ser comparados com os seresteiros de outrora, e defendiam um som datado que eles nem tiveram interesse em renovar, como linguagem, preferindo fazer um arremedo caricatural do som do passado.

Quando eles surgiram, entre 1958 e 1964, o latifúndio do interior do país - berço dos primeiros ídolos cafonas - começava a reagir com mais energia à ascensão das Ligas Camponesas, equivalente do Movimento dos Sem-Terra na época, através da famigerada violência do campo, da pistolagem.

Em São Paulo, cidade que divulgou em âmbito nacional os primórdios da música cafona, um grupo de jovens empresários fundava, na época, o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), entidade de direita destinada a desmoralizar o nacionalismo presente no governo de Juscelino Kubitschek, através de seu vice João Goulart.

O latifúndio do interior do país exerce não somente o domínio político, mas o domínio cultural, e para os "coronéis", era mais vantajoso investir em pseudo-boleros e pseudo-serestas mofadas do que na verdadeira música caipira de protesto. Com as relações do latifúndio com a mídia de suas regiões, e do empresariado fonográfico e midiático paulista com as oligarquias anti-nacionalistas, nota-se que os primórdios da música brega tiveram uma base bastante conservadora. Waldick Soriano, em sua carreira, nunca escondeu isso, ele mesmo era bastante conservador. Só recentemente Paulo César Araújo, Patrícia Pillar e simpatizantes tentam esconder essa realidade mais do que evidente.

A música cafona dos primórdios seguia, na música, a mesma filosofia do projeto econômico do ministro do Planejamento do governo Castello Branco, Roberto Campos. Assim como o projeto econômico de Campos previa um desenvolvimento econômico dependente (do Primeiro Mundo) e se servia de tecnologia obsoleta nos países desenvolvidos, a música brega já previa o desenvolvimento dependente (do hit-parade norte-americano e italiano) da cultura brasileira, se servindo de tendências musicais obsoletas (como os boleros e serestas que eram diluídos pelos primeiros ídolos cafonas).

BREGA DOS ANOS 60-70

A ascensão definitiva da música cafona se deu a partir de 1964, quando o Brasil passou a ser governado pela ditadura militar. E, na medida em que o poder ditatorial avançava, as tendências do brega-popularesco seguiam o mesmo caminho.

Em 1968, a segunda geração de ídolos cafonas, que não mais emularam boleros fora de moda, mas eram ídolos retardatários da Jovem Guarda, e, artisticamente, equivalentes ao dos "roqueiros comportados" dos anos 50 - há uma analogia entre Odair José e Luís Ayrão com Pat Boone e Paul Anka - se ascendeu quando o governo militar pensava em medidas mais enérgicas para conter o avanço dos protestos populares, a partir do movimento estudantil. Paulo Sérgio, Dom & Ravel e Evaldo Braga também integraram essa fase.

Quando foi decretado o AI-5, essa segunda geração, que assim como a primeira, adotou o modelo dependente de expressão cultural, tornou-se símbolo da "cultura ufanista" do projeto de "Brasil Grande" defendido pelo regime militar. Mas, assim como o projeto político-econômico da ditadura militar previa um astral patriótico dentro das perspectivas do regime, o brega-popularesco assiste ao primeiro arremedo de "brasilidade" através do "sambão-jóia" de Luís Ayrão, Luís Américo e Benito di Paula. O "sambão-jóia" era uma caricatura do samba-rock (que, apesar do nome, que se deve mais ao uso de guitarra elétrica, fundia samba com soul music), com claros contornos piegas e exageradamente ufanistas.

BREGA DA ERA GEISEL

A ditadura militar se baseava no rigor moralista pregado pelas passeatas Deus e Liberdade que pediram a saída de João Goulart do Governo Federal. Essas passeatas, cujo ápice foi a reunião no Vale do Anhangabaú, São Paulo, em 19.03.1964, contavam com o apoio integrado de setores conservadores da igreja católica e de correntes protestantes.

Mas, quando estourou a crise do petróleo, no Oriente Médio, todo aquele projeto político-econômico da ditadura militar entrou em colapso, porque a crise atingia o mundo inteiro. O "milagre econômico" decaiu por conta dessa crise, principalmente pelo fato da forte influência das empresas estrangeiras instaladas no Brasil.

Como essa crise poderia resultar num clima de protesto semelhante tanto ao das vésperas do golpe de 1964 quanto aos protestos estudantis de 1966-1968, as elites ligadas ao entretenimento que respaldavam o regime militar tiveram uma ideia que, para as elites conservadoras, era como abir mão dos anéis para salvar os dedos: liberar a "sacanagem" para o povo pobre.

Dessa forma, o humorismo televisivo trocou os textos engraçados por piadas de duplo sentido. Vieram as revistas pornográficas, mas a Editora Abril também atuou na franquia da revista Playboy. As chacretes se tornaram uma resposta brega às antigas vedetes do teatro de revista, e o cinema brasileiro se rendeu à pornochanchada. Para remediar os "excessos", seitas neo-pentecostais foram estimuladas pelo regime, através de incentivos fiscais. Não por acaso, Rita Cadillac e Gretchen se ascenderam na mesma época que Edir Macedo e R. R. Soares.

A música brega dessa época - e, pela primeira vez, era propagado o termo "brega" - de maior sucesso diferia dos cafonas das duas fases anteriores pelo desenvolvimento do apelo juvenil. Harmony Cats, Gretchen, Sidney Magal, Nahim, Sérgio Mallandro e outros mantinham a dependência cultural, sobretudo em relação à disco music e aos ritmos latinos difundidos em Miami. A "brasilidade", e mesmo assim, relativa, ficava por conta da diluição do forró no Norte e Nordeste pelos ritmos caribenho-floridenses, e pela pasteurização da música caipira brasileira pelo romantismo enlatado de Bee Gees e similares.

BREGA DOS ANOS 80 - PRIMÓRDIOS DOS NEO-BREGAS

A breguice dos anos 80 está associada, como os movimentos anteriores, ao cenário político da ditadura militar e do coronelismo regional. Na televisão, ela está vinculada à ascensão midiática do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), de Sílvio Santos, que impulsionou a adesão, por motivos concorrenciais, da Rede Record e da TV Bandeirantes.

Essa mídia, que inspirava também o aparecimento e crescimento de rádios popularescas (chamadas de "rádios do povão"), continuava difundindo os ídolos bregas dos períodos anteriores, acima citados.

A grande diferença, agora, está nas tendências neo-bregas que tentam modernizar a cafonice já dominante nas camadas pobres do país. Na Bahia, produtores e radialistas ligados ao poder de Antônio Carlos Magalhães desenvolveram a diluição de ritmos caribenhos, africanos e baianos com o apelo comercial da Jovem Guarda, resultando na axé-music dos "grupos de trio", dos quais os maiores símbolos são Luís Caldas e Chiclete Com Banana. Era a trilha-sonora do ufanismo regional do poder carlista no Estado.

No plano nacional, o poderio dos músicos Michael Sullivan e Paulo Massadas - que atualizavam o citado projeto econômico de Roberto Campos aplicado à música brega em outro contexto - , protegidos das Organizações Globo (já envolvida em lamentáveis episódios de tendenciosismo político e jornalístico), tentavam dar à música brega um aspecto de luxo e de pompa.

Sullivan e Massadas, cooptando ídolos bregas e artistas de MPB contratados pela RCA e Som Livre, juntavam ao som cafona a influência da MPB pasteurizada do final dos anos 70, sobretudo pela influência de Lincoln Olivetti e Robson Jorge. Para comemorar o êxito comercial da intriga, os quatro compuseram a música "Amor Perfeito" e entregaram a Roberto Carlos (usado para popularizar a música brega a partir de 1976) para gravar a música. Depois, a mesma canção foi regravada pelo ícone axézeiro Chiclete Com Banana.

A dupla Sullivan e Massadas pode ser considerada precursora do neo-brega, quando a música brega tenta imitar os clichês da MPB e adotar postura pedante. E que influenciou todo o cenário de música brega dos anos 90 até hoje.

Os acordos escusos de concessão de rádio e TV do presidente José Sarney e de Antônio Carlos Magalhães, na função de ministro das Comunicações, entre 1985 e 1987, permitiu o crescimento vertiginoso de rádios popularescas em todo o país, também contribuindo para a hegemonia brega-popularesca no território nacional.

BREGA NOS ÚLTIMOS 20 ANOS

1989-1992 - Os hoje medalhões do brega-popularesco, como as duplas "sertanejas" (Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano), o "pagode mauricinho" (Raça Negra, Alexandre Pires/Só Pra Contrariar, Katinguelê, Exaltasamba) e o forró-brega (oriundo da lambada e do "forró" bregalizado dos anos 70), foram favorecidos pelo cenário político de Fernando Collor de Mello, político conservador vitorioso nas eleições de 1989, sobretudo através do apoio da mídia golpista (Veja, Folha e Rede Globo/O Globo).

O "funk carioca" se ascendeu apoiado, por um lado, pela contravenção e pelo narcotráfico ("proibidões"), por outro pelo empresariado (equipes de som e DJs) respaldado pelas oligarquias fluminenses que exercem influência no interior do Estado do RJ e, mais ainda, na Baixada Fluminense.

1993-1994 - Em seguida, a Era FHC deu fim a um pequeno intervalo de crise na música brega, que se deu com o impedimento político de Collor. Nesse breve períoso, 1993-1994, a MPB autêntica retomava o crescimento e reapresentava tanto novos talentos quanto os talentos veteranos à juventude. Paulinho da Viola, Jorge Ben Jor e Luís Melodia eram descobertos pelas novas gerações enquanto Marisa Monte se popularizava e o mangue beat se tornava o fenômeno de renovação cultural do país.

1994-2002 - Mas o projeto neoliberal de FHC impediu a ascensão definitiva da MPB autêntica e, além de retomar os neo-bregas da Era Collor, despejou a axé-music até em regiões antes hostis ao ritmo baiano (como o Sul do país e o Estado do Rio de Janeiro), sobretudo através da vulgaridade mais grotesca do grupo É O Tchan. Foi durante os oito anos de domínio do bloco político PSDB/DEM, herdeiros ideológicos do antigo IBAD, que a música brega-popularesca tornou-se hegemônica de fato em todo o país, com seus mercados firmados em qualquer parte do território nacional.

Em 1999, houve a reação da imprensa e de intelectuais a essa hegemonia brega-popularesca, com artigos de Arnaldo Jabor (então ainda distante de seu reacionarismo atual), Ruy Castro, Mauro Dias, Dioclécio Luz e outros, na imprensa e na Internet, questionando os ritmos popularescos. Livros de Comunicação Social também questionavam o popularesco, sobretudo o fenômeno É O Tchan. Biografias sobre Rock Brasil se queixavam de que breganejos e sambregas tiraram as bandas de rock brasileiros (de valor artístico superior ao dos ídolos popularescos) da divulgação da mídia.

2002 - No entanto, em 2002, veio a contra-ofensiva do brega-popularesco, que passou a se servir de intelectuais para justificar, num discurso engenhoso, sua hegemonia. A retórica, em resumo, se vale da falsa imagem de "verdadeira cultura popular" dos fenômenos popularescos, além de um discurso que fala em "vítimas de preconceito", acusando a MPB autêntica de elitista e discriminatória.

Vieram então, na mídia e na Internet, ideólogos como Hermano Vianna, Bia Abramo, Milton Moura (BA), Eugênio Raggi (MG), Pedro Alexandre Sanches, Rodrigo Faour, Paulo César Araújo, além de celebridades e artistas, defendendo a música brega-popularesca sob a tendenciosa justificativa de que ela é a "verdadeira cultura popular". As desculpas para essa tese, bastante duvidosa, tentam associar os ídolos popularescos (vários deles já superando os antigos mestres da MPB em poder financeiro) à suposta expressão do povo da periferia.

Este blog já mostra várias nuances dessa campanha retórica, comparável à das campanhas "racionais" do IPES ("instituto" derivado do IBAD) e do atual Instituto Millenium. Em resumo, é uma interpretação etnocêntrica e tendenciosa da cultura popular, desprezando os mecanismos de indústria cultural e controle social que estão por trás dos fenômenos popularescos.

Essa campanha serve tanto para prolongar o sucesso comercial de ídolos popularescos em evidência como para tentar recuperar o sucesso de ídolos esquecidos, sem medir escrúpulos de empurrar tanto uns quanto outros em eventos relacionados à MPB autêntica.

2005 - A campanha retórica da música brega-popularesca avança no sentido de tentar desmentir o caráter de hit-parade evidente em todos os fenômenos popularescos. Seja para promover fenômenos regionais como expressão de "mídias pequenas", seja através do rótulo "universitário" que empurra certas tendências para o consumo do público jovem das classes médias urbanas.

O "funk carioca" - na verdade, retomando uma retórica apologética timidamente testada com o É O Tchan - , foi o símbolo desta fase, dentro de uma rica retórica dotada de clichês do discurso intelectualóide, através de uma abordagem supostamente etnográfica dentro das mais avançadas técnicas de discurso narrativo, como o new journalism (reportagens narradas como romances literários) e a História das Mentalidades (narrativa histórica que privilegia pessoas comuns). É todo um rico discurso que se contrasta com a mediocridade artística do ritmo carioca, mas que conseguiu enganar muita gente, até mesmo educadores.

A retórica funqueira, atualmente, é reproduzida também pelos ideólogos do tecnobrega - ritmo derivado do forró-brega - e tenta dar um status "alternativo", "independente" ou "folclórico" de tais tendências. A alegação de "cultura da periferia" é a mais utilizada. O discurso é engenhoso mas tem um ponto fraco: os intelectuais identificam a "expressão popular" em fontes discutíveis como o comércio de camelôs e as danceterias de subúrbio, na verdade cenários regionais do controle sócio-cultural da mídia.

A proliferação de tendências "universitárias" - nome que não tem sentido prático algum, na realidade - do brega-popularesco, não consegue esconder que tais tendências são apenas imitações das mesmas tendências bregas e neo-bregas vigentes, apenas com alguma dose de profisisonalismo. Mas, no fundo, não passa de um rótulo mercadológico, para jogar ídolos emergentes para o público jovem de classe média urbana. Mas o "sertanejo universitário", "pagode universitário", "arrocha universitário", "brega universitário" e similares em nada acrescentam de novo aos ritmos que os inspiraram.

As tendências brega-popularescas de 2003 para cá, no contexto sócio-político, são resultantes ainda dos tempos do governo FHC, ou então floresceram dentro do contexto de apoio conservador ao governo Lula, seja por partidos da direita moderada (como PR e PP), seja pelo esquema de corrupção do mensalão. Há também, no caso do "funk carioca" e do tecnobrega do Pará, a influência de oligarquias conservadoras nos Estados de origem.

Às vésperas da campanha eleitoral, quando os setores conservadores da sociedade brasileira querem a volta da dupla PSDB/DEM ao poder presidencial, torna-se cada vez mais acirrada seja na superexposição de medalhões da axé-music, breganejo e sambrega na mídia golpista, na promoção de ritmos emergentes (como o tecnobrega) e na recuperação do estrelato de antigos fenômenos (como Michael Sullivan e o som do É O Tchan reciclado no "rebolation").

O reacionarismo também se nota na ação dos "talifãs" que tentam desmoralizar quem fala mal dos ídolos popularescos. Mas até aí música brega e direita política andam de mãos bem dadas. O que são os talifãs que defendem Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano, Ivete Sangalo, Luan Santana e Banda Calypso diante dos internautas que defendem a vitória de José Serra na corrida presidencial?

Quem te viu, quem te vê, como diz o mestre da MPB autêntica, Chico Buarque.

domingo, 30 de maio de 2010

ETNOCENTRISMO NÃO É SÓ ODIAR O "OUTRO"



A grande mídia difunde a ideia de que o etnocentrismo se expressa necessariamente na pura e simples rejeição ou problematização do "outro".

A título de exemplo, é como se eu fosse etnocêntrico tão somente por dizer "eu não gosto do outro", "eu odeio o outro". Se eu "gostar do outro", deixarei de ser etnocêntrico, segundo a mídia grande e seus ideólogos, muitos deles aparentemente "insuspeitos".

Distorcer os conceitos de ciências sociais é um artifício tão sutil que, mesmo produzido pela grande mídia, por ordem de seus barões para evitar o esclarecimento da sociedade, ele penetra na mídia de esquerda, tão precavida em assumir posições nos assuntos de política internacional, mas tão desprevenida em adotar uma postura crítica para o próprio cenário cultural brasileiro.

É como no caso das moças da periferia que, pelo capricho da manipulação ideológica da grande mídia, são induzidas a assumir uma postura de vulgaridade e grosseria que, na medida em que espanta os homens mais diferenciados - que em cidades como Salvador chegam mesmo a ser vítimas de assédios sexuais dessas moças - e as faz arrogantes e turronas para os homens de suas comunidades, as coloca numa situação de solidão e niilismo amoroso que a própria mídia, no seu discurso "etnográfico", chama equivocadamente de "feminismo".

Sim, a ideia de feminismo, para a grande mídia, não é mais da mulher que luta pela quaidade de vida, que busca verdadeiras conquistas sociais, mas tão pura e simplesmente da moça embrutecida que fala mal do ex-namorado e sai à noite com as amigas, todas desprovidas de companhia masculina (quando muito, um irmãozinho mais novo ou um afilhado de uma das moças). Essas moças foram induzidas a exercer um tipo grotesco pela mídia machista, elas são vítimas do machismo, mas a mídia, pondo a sujeira debaixo do tapete, prefere creditar essas moças como "feministas" apenas porque esculhambam os homens de suas comunidades.

DEFESA DO BREGA-POPULARESCO IDEALIZA O POVO

O etnocentrismo é o processo de alguém entender o outro não como ele é, mas como o observador gostaria que fosse. Pode ser por aversão, mas pode ser também pela admiração, porque gostar do outro também pode dar na sua idealização.

É o que ocorre com a defesa da música brega-popularesca, cujo teor de idealização do povo pobre é evidentemente forte, mas até agora não houve algum questionamento ou mesmo alguma constatação oficial a respeito disso.

Afinal, classificar a periferia como um "paraíso" a ser descoberto, assim como creditar o povo pobre como se fosse uma multidão "feliz", transformando o grotesco, numa estruturação discursiva, no sentido invertido de uma "selvageria florida", numa "desordem ordeira", numa "vulgaridade inocente", onde os glúteos balançam como se quisessem imitar os movimentos das asas das borboletas.

Pura idealização. Vejam o que Hermano Vianna escreve, o que Pedro Alexandre Sanches escreve. Na alegre retórica deles, não há tiroteios nos morros, não há o deslizamento do Morro do Bumba, não há o povo pobre racionando os gastos porque é obrigado a equilibrar o salário de fome com o sofrido pagamento de contas do mês e com o investimento parcial de subnutridas cestas básicas. Não há coronéis da mídia regional controlando rádios e determinando o gosto cultural do povo tratado feito gado.

Nada disso. Na alegre retórica de Vianna e Sanches, e de outros como Milton Moura, Rodrigo Faour e similares, o "outro" não tem problemas. O outro vive em festa. O outro não é manipulado, é um bebê que fala desde o berço. O outro não sofre, a favela é um misto arquitetônico de pop art com cubismo, não existe erosão, nem enchentes, nem violência, nem drogas, nem tristeza. Só existe o "créu", o "rebolation", o "tchan", o "tecnobrega", e outras fantasias.

Quanto erro em ver a pobreza assim, quando os problemas são gritantes, quando as pessoas, na vida real, sofrem a sua tragédia. A revolta popular que faz muitos moradores bloquearem estradas com pneus em chamas, os prantos das mães que perdem seus filhos devido à violência, as casas ameaçando cair, as enchentes destruindo todos os bens nos lares das famílias, os incêndios causados por curtos-circuitos sobretudo nas favelas de São Paulo, os bandidos morando ao lado das casas dos trabalhadores. Isso não aparece no discurso doce do brega-popularesco.

O etnocentrismo que corteja a música brega-popularesca se expressa com uma intelectualidade que, ao que parece, cansou de ouvir MPB. Só ela ouvia a MPB autêntica, mas parece ter se cansado dela, só que não quer que ela esteja acessível ao povo pobre.

A cultura pobre tem que ser qualquer nota, grotesca, medíocre, piegas, "docemente" malfeita. A cultura pobre tem que se limitar ao grotesco dócil e sorridente. Mas essa visão "generosa" do povo pobre é puramente etnocêntrica. Fantasia demais o outro. Mas em nada contribui para melhorar a vida do outro, não lhe traz dignidade.

Os intelectuais do brega-popularesco "gostam" do outro, e nem por isso se tornam menos etnocêntricos. Eles continuam apreciando o outro, no caso o povo pobre, de forma idealizada e fantasiosa, mas desprezam os verdadeiros problemas que atingem o povo que eles contemplam.

A defesa do brega-popularesco com base no mito da "verdadeira cultura popular" é um discurso ilusório que apenas cria um faz-de-conta, que tenta nos convencer de que o povo pobre, com uma realidade dura e com muitos problemas, é uma mera "multidão feliz".

sábado, 29 de maio de 2010

"EU QUERIA FAZER MPB..."



Em tese, todo mundo quer fazer MPB. Do choroso breganejo ao funqueiro mais desbocado. Do axéxeiro parasita ao pagodeiro metido. A MPB parece ser o paraíso do Eden em que a mediocridade cultural tenta seguir a cartilha positivista ensinada pela grande mídia.

Sabemos do fenômeno da "música paralisada brasileira", em que os cantores da MPB autêntica são discriminados pelo mercado e somente suas músicas antigas são divulgadas, enquanto os medalhões do brega-popularesco, os donos do mercado musical, gravam sucessivos DVDs e CDs, sucessivos duetos, sucessivos covers, contrariando a pretensão de serem reconhecidos como os "atuais criadores de nossa música".

Vemos vários casos de cantores de sambrega e de porno-pagode que começaram, respectivamente, em grupos de samba "sério" e de samba-reggae. Jovens que eram apenas uns entre tantos percussionistas de grupos de samba-reggae que se tornaram vocalistas do mais ridículo grupo de porno-pagode. Cantores de grupos de bailes cariocas da Zona Norte, que tocavam de samba-enredo a sucessos antigos do samba, que se converteram no mais viscoso sambrega. Há outros casos, em outros estilos.

É um caminho muito perigoso. O cantor, quando criança, ouve música brasileira no rádio - é a sua única forma de absorção de valores culturais, ainda que artificialmente - , nos anos 80, e nos anos 90 vê na música brega o caminho imediato para o sucesso. Se é a fórmula do sambrega, ele se inspira tanto em Wando quanto nas lições de Michael Sullivan e Paulo Massadas adaptadas para o ritmo sambista, sobretudo através das gravações de Alcione. Se é breganejo, ele se inspira em Waldick Soriano adaptado para instrumentos de moda de viola.

Esse caminho fácil da música cafona, com discos de capas ridículas, com visual patético, com músicas de doer os ouvidos, tornam-se sucesso pelo esquema jabazeiro das rádios. "Entre Tapas e Beijos", "Depois do Prazer", "A Barata", e outras canções lamentáveis, se grudam feito chiclete de bola nas mentes do público. Versos totalmente ridículos tipo "Chega de plantar loucura / No campo do meu sentimento" e "Nós dois embaixo do chuveiro / Amor com cheiro de xampu", tornam-se a "poesia" tosca consumida ingenuamente pelo povo pobre, às custas do que a grande mídia empurra para o gosto popular.

São cerca de cinco anos e cinco CDs de sucesso, sempre com esses sucessos medíocres, um igual ao outro, seja um sambrega que ora imita Lionel Richie, ora parodia Zeca Pagodinho, seja um breganejo que ora imita Bee Gees, ora parodia o Clube da Esquina. No embalo, soul music dos EUA pasteurizada em ritmo pseudo-sambista, country music pasteurizado em ritmo pseudo-caipira. Duetos com apresentadoras infantis, apresentações em programas de TV de quinto escalão, fazem parte da maratona para o sucesso desses ídolos medíocres.

Mas eis que, de repente, esses ídolos da mediocridade que apareciam fácil nas piores revistas de fofocas e nos piores programas de TV, ganham um banho de loja e aparecem, feito penetras em festa, em eventos relacionados à MPB, com a ajuda de uma poderosa rede de televisão.

Da noite para o dia, seus CDs passaram a ser superproduzidos, e eles preenchem parte do repertório desses álbuns com covers que variam entre o mais manjado sucesso de MPB e alguma música esquecida do cancioneiro brega. Os sambregas vão logo parasitando o cancioneiro sambista, ou então a música de Djavan. Os breganejos vão parasitando o cancioneiro caipira, ou então a música de Milton Nascimento. E, de recheio, uns jogam Luís Ayrão e Benito di Paula no meio, e outros fazem o mesmo com Moacir Franco e José Augusto.

Mas há outros casos. O porno-pagode tenta parasitar a música de Riachão e Jackson do Pandeiro. A axé-music, como ritmo camaleônico, é o que mais parasita em relação à música em geral, se autopromovendo às custas desde a Bossa Nova até o Rock Brasil.

O pretensiosismo é tal que todo mundo adota uma postura oportunista quando as circunstâncias permitem. Os ritmos mais grotescos ou dançantes, do "funk carioca" ao forró-brega, tentam se autopromover às custas de comparações oportunistas ao Tropicalismo, do qual também a axé-music corre atrás, como um cafajeste cobiçando a herança de alguém. Já o sambrega e o breganejo, que evocam valores "tradicionais", há a autopromoção às custas de antigos seresteiros autênticos como Nelson Gonçalves e Lupicínio Rodrigues, rebaixados a culpados pela pieguice das "duplas sertanejas" e dos "pagodeiros românticos".

As críticas negativas, evidentemente, são inevitáveis. Afinal, não dá para não sentir incômodo quando a mediocridade musical começa a ocupar espaços onde a música de qualidade reinava. Afinal, a música de qualidade fala por si mesma, a música medíocre, ao contrário, fala pelo marketing persuasivo e obstinado da grande mídia.

De repente, a MPB autêntica perde espaços de divulgação e expressão, tomados gradualmente pela mediocridade brega-popularesca. A MPB autêntica, quando muito, se torna apenas uma coadjuvante, para não dizer figurante, do gosto musical do grande público. E isso quando falamos apenas da MPB que figura em trilhas de novelas da Rede Globo e que são conhecidos dos "especialistas" de classe média, aqueles intelectuais etnocêntricos que, só eles, ouvem MPB autêntica mais rara, enquanto defendem o pior do brega-popularesco como se fosse a "cultura da periferia".

Aí, quando a rejeição pesa, vem o "marketing da rejeição", que é a tentativa de promover o cantor ou grupo como "bom" através da repercussão negativa da crítica. Aí o cantor explora sua pretensa imagem de "vítima", faz uma estranha publicidade com a rejeição que sofre. Tenta reverter a impopularidade através desse truque.

Aí, torna-se tarde demais. A mediocridade foi feita em vários discos de sucesso. Os ídolos primeiro expuseram seus erros artísticos, sua ignorância, sua mediocridade, e, quando tentam alcançar os espaços da MPB autêntica e muita gente reage em protesto, os ídolos se fazem de vítimas e tentam fazer muitos artifícios. Como os covers tendenciosos de MPB e os sucessivos DVDs, CDs, discos de duetos, tanto para disfarçar a incompetência artística diante das cobranças do mercado.

Só que isso não adianta. Gravando covers de MPB, os ídolos do brega-popularesco parecem "alunos aplicados" fazendo o "dever de casa" (embora o resultado seja sempre sofrível). Mas, no ramo autoral, continuam na mesma mediocridade dos seus primeiros LPs.

A lição que fica é que a mediocridade artística custa muito caro. Os pesados investimentos da grande mídia, seu poderio sobre o gosto musical popular e a base de apoio de intelectuais convertidos em ideólogos faz o sucesso da música brega-popularesca se prolongar. Mas é um preço muito, muito caro, que não traz garantias de que os grandes ídolos brasileiros de hoje deixem suas marcas para a posteridade, coisa que nem as visitas semanais ao Faustão, nem as capas em rodízio em Caras podem garantir.

Ninguém nasce sabendo, mas os verdadeiros artistas preferem deixar suas fases de aprendizado no anonimato. Não vão transformar a mediocridade inicial em sucesso. Tornam-se discretos no aprendizado, até atingir a qualidade desejada. Ele não ia transformar seus rascunhos em milhões de discos vendidos e depois perseguir a popularidade a todo custo. Ele tem humildade, não tem pretensiosismo. Virtudes que os sorridentes ídolos da música brega-popularesca não têm.

FESTA "FORA DO PERFIL" NÃO É PARA NERDS



A festa "Fora do Perfil" nem é tão fora do perfil assim. É puro establishment. Não é para nerds, o que não prejudica em coisa alguma a intenção de sucesso de seus organizadores.

A ocorrer numa casa noturna de São Paulo, o evento é uma espécie de "Festa Ploc 80" sem limites cronológicos, e o evento certamente terá público suficiente para deixar de se preocupar demais com a demanda nerd. Porque o verdadeiro nerd prefere passar os fins de semana em casa, mesmo, quando muito indo a uma festa de aniversário de amigos.

Pelo menos o evento é sincero, seu lema é "Não precisa ter neurônio, só precisa ter quadril", o que representa que os nerds, famosos pelos neurônios, são uma demanda descartada para esses tipos de eventos.

Não se iludam se os eventos de badalação em geral dizem que "estão abertos até para os nerds". Isso é apenas mera estratégia de marketing. No Carnaval baiano, só para dar um exemplo, não existe uma proibição formal para a frequência de nerds, mas o grotesco constrangedor do "pagodão" (Psirico, Parangolé), junto ao verdadeiro bullying musical do sucesso chicleteiro "Ele Não Monta na Lambreta", mostram o quanto a humilde sociedade de pessoas excêntricas e simples são malvistas pela fauna axézeira.

Quanto a "Fora do Perfil, a Festa", a presença de duas celebridades faz qualquer nerd preferir ficar em casa, comendo seus biscoitos Plugados e seu suco Citrus vendo filmes de Luís Buñuel em casa. Rita Cadillac e Geisy Arruda garantiram presença na festa.

ATOR DENNIS HOPPER MORRE AOS 74 ANOS



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Um grande ator e referência para gerações recentes se foi. E Sem Destino, sua obra também como cineasta e um dos roteiristas, foi um grande ícone da Contracultura dos EUA.

Do Portal Terra

Morreu, na tarde deste sábado (29), o ator americano Dennis Hopper, mais conhecido por seu papel e direção no filme Sem Destino (1969). Hopper estava em sua casa em Los Angeles, nos EUA. Sua família e amigos próximos estavam junto ao ator, que lutava contra um câncer de próstata há anos - em março, quando ganhou finalmente sua estrela na Calçada da Fama, em Hollywood, o ator apareceu em público pesando cerca de 45 quilos e totalmente debilitado.

Dennis Hopper era uma ator e diretor estimado em Hollywood, tendo participado, à frente e atrás das câmeras, em mais de 150 filmes e seriados de TV. Um de seus últimos trabalhos, o seriado Crash (da HBO, baseado no filme vencedor do Oscar em 2006), no qual interpreta um produtor musical, ainda pode ser visto aos domingos e segundas (reprise). Seus dois últimos filmes, a animação Alpha and Omega - ele faz a voz do personagem Tony -, e o longa The Last Filme Festival, ainda serão lançados.

Hopper casou-se cinco vezes e teve quatro filhos.

Confira os principais destaques da filmografia de Dennis Hopper:

Como ator
2008 - Promessas De Um Cara De Pau (Swing Vote)
2008 - Fatal (Elegy)
2008 - Crash - Destinos Cruzados (Crash)
2005 - O Corvo-Vingança Maldita (The Crow-Wicker Prayer)
2005 - Americano (Americano)
2005 - Terra dos Mortos (Land of the Dead )
2004 - Blueberry - Desejo de Vingança (Blueberry)
2004 - Um Motivo para Viver (Leo)
2002 - O Guarda-Costas (The Piano Player)
2002 - O Poder Da Mente (Unspeakable)
2001 - Filhos da Máfia (Knockaround Guys)
2001 - Sob Fogo Cruzado (Luck Of The Draw)
1999 - EdTV (EdTV)
1998 - Os Irmãos Id e Ota (Meet The Deedles)
1997 - O Grande Golpe (Top Of The World)
1997 - Blackout (The Blackout)
1996 - Basquiat - Traços De Uma Vida (Basquiat)
1996 - Sansão e Dalila (The Bible - Samson And Delilah)
1995 - Waterworld - O Segredo Das Águas (Waterworld)
1994 - Velocidade Máxima (Speed)
1993 - Super Mario Bros. (1993)
1991 - O Apocalipse De Um Cineasta (Hearts Of Darkness- A Filmmaker`s Apocal)
1987 - A Caminho Do Inferno (Straight To Hell)
1986 -O Mistério Da Viúva Negra (Black Widow)
1986 - Juventude Assassina (River`s Edge)
1986 - Veludo Azul (Blue Velvet)
1983 - O Selvagem Da Motocicleta (Rumble Fish)
1979 - Apocalypse Now (Apocalypse Now Redux)
1976 - Mad Dog (Mad Dog)
1969 - Bravura Indomita (True Grit)
1969 - Sem Destino (Easy Rider)
1956 - Assim Caminha a Humanidade (Giant)
1955 - Juventude Transviada (Rebel Without a Cause)

Como diretor
1994 - Uma Loira Em Apuros (Chasers)
1990 - Um Local Muito Quente (The Hot Spot)
1989 - Atraida Pelo Perigo (Catchfire)
1988 - As Cores da Violência (Colors)
1980 - Anos de Rebeldia (Out Ot The Blue)
1969 - Sem Destino (Easy Rider)

Como roteirista
1969 - Sem Destino (Easy Rider)

NÃO DÁ PARA MISTURAR MPB COM MÚSICA BREGA-POPULARESCA



Para os defensores da Música de Cabresto Brasileira - denominação que lhes causa horror, obviamente - , juntar seus ídolos com a MPB é visto como um "processo lindo" em que pretextos sentimentalistas como a "inclusão social", a "ruptura de preconceitos" e o "reconhecimento de nossa verdadeira diversidade" são evocados tendenciosamente, para jogar os ídolos popularescos no panteão da Música Popular Brasileira, recurso hábil para recuperar ídolos medíocres à beira do ostracismo.

Só que tudo é lindo na teoria, tudo é romanticamente maravilhoso no discurso, "tudo junto e misturado" parece uma frase democrática. Mas não esqueçamos que as forças mais reacionárias são as que mais falam em "democracia", e que, na prática, esse discurso sentimental, de palavras lindas e dóceis, não se efetua na prática.

Talvez beneficiado pelo hábito dos brasileiros em só ouvir música quando estão papeando com os amigos, de preferência bebendo cerveja, ou quando se ocupam em outras atividades, como lavar carro, por exemplo, a música brega-popularesca não pode ser devidamente avaliada em audições mais atentas, tendo apenas o ouvinte e o toca-discos num processo de comunicação entre o sucesso musical e aquele que o escuta.

Se houvesse esse ritual da pessoa parar em sua sala ou em seu quarto para ouvir um CD, com atenção e concentração, veria a ruindade e a mediocridade da música brega-popularesca, mesmo nas canções supostamente "lindas", que são de uma pieguice de causar constrangimento.

A audição atenta vale muito mais do que o marketing, do que os aplausos da plateia do Faustão, do que a fúria dos "talifãs", para avaliar a qualidade ou falta de qualidade de uma música. Mais do que o suposto sucesso de um ídolo do momento.

É esse ritual, somente entre o ouvinte e a música em questão, pode demolir muitos discursos apaixonados ou arrogantes, desesperados ou persuasivos, que cerca a Música de Cabresto Brasileira. A audição mais atenta derruba muitos "grandes cantores" cujo talento medíocre é dissimulado por uma estrutura de superprodução e por um marketing agressivo em todos os sentidos, sobretudo entre os talifãs.

MÚSICA BOA VERSUS MÚSICA NEM TÃO BOA ASSIM

Juntando MPB com a música brega-popularesca, dá para perceber que, na verdade, se junta a música boa com a música nem tão boa assim. A boa vontade não faz a música ficar boa. "Ah, mas aquele cantor de 'pagode romântico' sofreu tanto no começo da carreira, veio sozinho do interior...", dirá essa pessoa, que na prática é forçada, pelo sentimento politicamente correto, a aceitar aquele cantor medíocre que a mídia golpista transforma em "grande sambista" sem que ele de fato entenda de samba.

Coloque Tom Jobim ao lado de Waldick Soriano. Na teoria, é muito lindo, democrático, generoso. Mas preste atenção numa música como "Wave" e compare com "Eu Não Sou Cachorro Não". Com toda a boa vontade, não dá para ver as músicas como sendo a mesma coisa, e no fundo a música de Waldick acaba expressando má qualidade, não dá para esconder a ruindade com um sentimento de piedade que beira à hipocrisia.

Nos duetos, é a mesma coisa. A música "Sinônimos", sucesso recente de Zé Ramalho, teve uma regravação pela dupla Chitãozinho & Xororó com o mesmo cantor, e se nota muito bem a diferença. A gravação original, só com Zé Ramalho, é sóbria, bela, expressiva. Já a regravação mostra o contraste entre a boa voz grave do cantor paraibano com a desafinação da dupla breganeja.

Também fica estranho ver um cantor de perfil performático e concretista, como Arnaldo Antunes, fazer duetos com o artífice do neo-brega, Michael Sullivan (que ainda cooptou Marisa Monte, Carlinhos Brown e até Daniel Jobim para sua tendenciosa volta à mídia). Mal comparando, é como se juntássemos, no plano dos estudos do nosso país, esquerdistas como o economista Celso Furtado e o educador Paulo Freire ao lado dos neoliberais Roberto Campos e Flávio Suplicy de Lacerda. Ou, no plano da Igreja Católica, seria como se juntássemos a Teologia da Libertação com os militantes do Opus Dei.

Há muitos outros casos de duetos envolvendo um intérprete de MPB autêntica com ídolos popularescos, e quase todos eles caem no esquecimento, embora vários causem momentâneo burburinho na mídia, que se autopromove às custas do mal-estar que os fãs de Música Popular Brasileira sentem com tais duetos.

O mal-estar não pode ser resultante de qualquer sentimento de moralismo, preconceito ou inveja, mas pela preocupação de que a mediocridade musical, pelo sucesso comercial que obtém nas rádios, relegue a segundo ou talvez a último plano a música de qualidade que outrora atraía um público maior do que o atual.

Além do mais, a aparente bondade de juntar bregas e neo-bregas à MPB não deixa marca. São geralmente covers que os ídolos popularescos gravam ao lado de medalhões da MPB para se autopromoverem. São gravações que nunca ficam na História, e que, passada toda a relativa badalação do momento, caem no mais absoluto esquecimento, por mais que a mídia se esforce em evitar este destino certo.

Um cantor carioca, considerado um dos maiores mestres da MPB e filho de conhecido historiador, foi convidado para fazer dueto com uma dupla goiana de "sucesso". A música em questão foi uma música italiana que o cantor conheceu no exílio, durante a ditadura, e que fez uma versão originalmente gravada por ele e um renomado grupo vocal de MPB.

A versão com a dupla goiana só rendeu badalação no lado popularesco, nas revistas, jornais, programas de rádio e TV e sites, que "comemoraram" a junção da dupla, símbolo do sucesso comercial, com o veterano cantor, símbolo do prestígio artístico.

Mas, no lado da MPB, ficou uma grande indiferença. O citado cantor, numa grande entrevista em jornal de grande circulação, simplesmente não falou do tal dueto, como se ele nunca tivesse havido. Simplesmente não sentiu a menor necessidade de falar de um fato que, na prática, é insignificante.

No mais, misturar música brega e neo-brega com MPB acaba tendo o mesmo sentido que reunir, hipoteticamente, o colunista de Veja, Diogo Mainardi e o blogueiro Altamiro Borges para produzirem, juntos, um jornal independente. A estranheza, por mais boa vontade que se tenha, é inevitável, e os problemas futuros, bem prováveis de acontecer.

Em tese, tudo fica lindo, democrático, inclusivo. Mas, na prática, o mal-estar e o contraste na ideologia, no método e tudo mais, ficam evidentes. Aí não há argumento "bondoso" que desminta o equívoco da situação.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

ALHOS COM BREGALHOS



Alhos com Bugalhos. O joio como parte integrante do trigo. Separar o joio do trigo é uma atitude "elitista", de proteção ao trigo, e separar os bugalhos dos alhos é uma atitude "preconceituosa".

Tão sabidos são os intelectuais etnocêntricos. Hermano Vianna, Pedro Alexandre Sanches, Milton Moura, Paulo César Araújo, Rodrigo Faour, entre tantos outros. Uns, apenas por saber de tudo o que acontece na música brasileira, defende uma gororoba que eles chamam de "diversidade".

Sim, eles ouviram Alaíde Costa, Banda Black Rio, Azymuth, Ednardo, Sérgio Ricardo, Diana Pequeno, Toninho Horta, Tincoãs, Renato Borghetti, Edu Lobo, Turíbio Santos, Sílvia Telles, Dick Farney, Quinteto Violado. Só que o grande público, não. Mas fica aquele discurso demagógico dos intelectuais etnocêntricos, de palavras tão sedutoras, por vezes desesperadas, falando do "preconceito" que nós temos contra a música brega-popularesca de Banda Calypso, Zezé Di Camargo & Luciano, Alexandre Pires, É O Tchan, Tati Quebra-Barraco, Waldick Soriano e muitos outros.

Quer dizer, o grande público não ouve a MPB autêntica, que Pedro Alexandre Sanches tão esnobemente chama de "condomínio blindado", e ouve o que as rádios apadrinhadas há 25 anos por José Sarney e Antônio Carlos Magalhães determinam que o povo ouça. O povo vira marionete da mídia, mas como o espetáculo, para muitos, parece muito bonito de se ver, os intelectuais etnocêntricos entendem isso como "cultura espontânea do povo".

Quanta preocupação de Pedro Alexandre Sanches pelo fato de um banco ser sócio da gravadora Biscoito Fino, sem perceber quantos latifundiários estão por trás das "inocentes" rádios que primeiro divulgaram a música brega "de raiz" e hoje divulgam o tecnobrega!!

Quanta preocupação de Hermano Vianna em falar mal dos "grandes centros" que ignoram as tendências populares(cas) que ele tanto exalta, quando a própria Rede Globo, seja no plano nacional, seja no plano de suas afiliadas, difunde essas mesmas tendências praticamente no nascedouro, na primeira hora, através sobretudo de entrevistas em telejornais locais!!

Eles, "inocentes", querem isentar de sua culpa pela propaganda da degradação cultural com a bagagem de conhecimentos que eles, de fato, possuem. Mas eles são culpados, não pelo fato de não saberem de cultura, mas pelo fato deles misturarem o joio do trigo, supostamente em defesa da inclusão social, mas agindo em prol de uma exclusão social cada vez mais perversa.

Bonito é defender o tecnobrega, o "pagode mauricinho", o breganejo e a axé-music invadindo as universidades, as rádios alternativas e todos os espaços de MPB. Bonito é inserir o "funk carioca" (FAVELA BASS) e o "rebolation" (REBOLEJO) no gosto da classe média. Mas ninguém pensa em mostrar Jacob do Bandolim para um jovem favelado, ou estimular uma moça da periferia a trocar Tati Quebra-Barraco por Sílvia Telles.

Os intelectuais etnocêntricos criam um discurso que muita gente, indefesa, desprevenida, acaba aplaudindo sem saber por quê. E toda a retórica "socializante" que agora atinge todos os fenômenos da Música de Cabresto Brasileira, sobretudo com a choradeira "contra o preconceito", acaba legitimando o que os veículos da mídia dominante divulgaram ao longo de 46 anos sob o rótulo de "música popular".

Esse discurso é tão hipócrita que tenta ocultar a grande mídia que respalda os ritmos e tendências do brega-popularesco. O tecnobrega, da noite para o dia, saltou das páginas da revista Fórum para a Rede Globo, a Vênus platinada do Instituto Millenium, sem escalas. Com muito apetite, a Rede Globo jogou o tecnobrega no Domingão do Faustão, no Mais Você e até no Jornal da Globo, e não foi nas mãos da graciosa Elaine Bast (que deu um sumiço para cuidar dos filhos), que como exceção é independente da linha tendenciosa da emissora, e sim por Nelson Motta, que participa do banquete midiático dos barões eletrônicos do Instituto Millenium.

Ou seja, de que adianta Nelson Motta, na Rede Globo, e Pedro Alexandre Sanches, na revista Fórum, falassem a mesma coisa? Se a mídia esquerdista identifica neoliberalismo até nas ações políticas de Israel contra o povo palestino, seria mais adequado que enxergue também vestígios de coronelismo nas tendências brega-popularescas do Pará.

Ou será que a farra de concessões de rádios FM de Sarney e ACM foi apenas uma "marolinha" superada? Se fosse superada, nosso cenário político teria sido muito melhor, quando na verdade piorou completamente. São os políticos corruptos fazendo mensalão no Congresso Nacional, são as rádios popularescas se multiplicando no país através do esquemão milionário do jabaculê.

Mas o jabaculê que produziu gerações de cantores cafonas, bregas e neo-bregas em 46 anos, com o apoio de um poderoso empresariado, agora não é mais levado em conta, e de repente fomos transportados, de um estalar de dedos, para o "paraíso calipígio" da dita "cultura popular". A ditadura do mau gosto faz o seu discurso choroso, "vítima de preconceito", "escorraçado pela mídia", seja com Waldick Soriano ou Tati Quebra-Barraco, seja com Alexandre Pires ou Michael Sullivan, seja com Chiclete Com Banana ou Gabi Amarantos.

É inútil fazer o brega-popularesco se misturar à MPB autêntica porque os bugalhos não se parecem com os alhos, os joios não se parecem com os trigos. Só serve para atender aos orgasmos discursivos dos intelectuais etnocêntricos, nas suas masturbações verborrágicas pretensamente "sociológicas".

Mas isso em nada contribui com o enriquecimento da cultura, só compensa a queda de qualidade com quantidade. Será uma geleia-geral transformada em gororoba, com todos os coliformes fecais que se "tem direito". Que dará no mesmo, ou seja, será toda uma retórica "socializante" que só confirmará e reforçará o poderio dos barões da mídia nacionais e regionais que investem na Música de Cabresto Brasileira.

ESCORREGADAS DO "LÍDER DE OPINIÃO"



Creio que muita gente não entendeu ainda o que é um "líder de opinião", e não se prepara diante da imensa blogosfera para avaliar o perfil de figuras badaladas mas essencialmente inexpressivas, que prometem derrubar os poderosos da grande mídia e da política, mas se afrouxam quando põem suas ideias em prática.

Durante anos o "líder de opinião" predominava na primeira fase dos blogs, sendo gente que, situada ideologicamente entre a segunda divisão da grande mídia (aquela que parece mais "imparcial") e a facção acomodada da mídia esquerdista, pouco cumpria na sua promessa em exercer o senso crítico em prol da verdadeira informação.

Com a atual fase dos blogs mais voltada ao senso crítico e ao desconfiômetro das armadilhas do jogo político-midiático, soam hoje ridículos muitos dos procedimentos do "líder de opinião", que costumam enfeitar seus blogs com fotos de autoridades, sindicalistas e professores universitários, de preferência em trajes paisanos para não assustar, acham que fazem bom jornalismo assim, sobrecarregando o aspecto formalmente político.

Selecionamos aqui alguns dos procedimentos dos "líderes de opinião", que até pouco tempo atrás arrebanhavam multidões de internautas, que eram atraídos para seus blogs menos pelas ideias apresentadas e mais pelo cartaz e pela visibilidade que os responsáveis destes blogs possuem na sociedade. Ei-los, então:

1) Consumidor de informação, ele se comporta feito criança que vê o Papai Noel toda vez que uma emissora de rádio FM cria um novo programa de falatório prolongado ou de debateboca esportivo.

2) Copia textos de outros blogs não por questão de necessidade ou contexto, mas porque quer se apropriar do prestígio da fonte original do texto copiado, por pura vaidade.

3) Odeia os políticos corruptos, até o momento em que qualquer um deles adquira uma frequência em rádio FM para implantar uma programação "informativa". Aí o "lider de opinião" vai exaltar o corrupto até quando for possível, ansioso por mais uma arena de visibilidade para aquele.

4) O "líder de opinião" foi um dos últimos a saber que a Folha de São Paulo é, de fato, um periódico ultra-conservador. Parecia que era ontem que o "líder de opinião" se vangloriava de ter o mundo em suas mãos só porque era assinante da Folha de São Paulo, jornal que ele, de forma triunfante, ostentava feliz e altivo para os amigos.

5) O "líder de opinião" diz odiar a Rede Globo e adora escrever ou copiar textos falando mal da referida rede de televisão. Mas, na intimidade, fica feliz em assistir ao Domingão do Faustão, Fantástico, Globo Esporte e Esporte Espetacular, programas aos quais ele assiste religiosamente. No fundo, ele amaldiçoa apenas o Jornal Nacional.

6) Na mídia esportiva, quando o assunto é ufanismo esportivo, ele se limita a falar mal de Galvão Bueno, mas diante de procedimentos similares no restante do showrnalismo esportivo, ele mantém sua alegria de criança inocente.

7) Acredita que a grande mídia só existe através de mega-corporações com escritórios na Av. Paulista. Fora isso, incluídas suas afiliadas, ele acha que a mídia restante é "cidadã" e "responsável".

8) Suas abordagens críticas à grande mídia não vão além dos clichês. Até hoje ele tenta questionar Ratinho, Gugu e Tiazinha depois que nem se critica mais eles (com a ressalva de que a Tiazinha, na verdade, é uma mulher sofisticada que parodiou uma mulher vulgar), de tão apagados eles estão na opinião pública.

9) Limita-se a entender o showrnalismo apenas nos exemplos mais grosseiros, como o noticiário policial mais sangrento e as fofocas mais picantes sobre celebridades. Ele não tem ideia de que fait divers (banalidades) também podem representar showrnalismo até mesmo na grande mídia mais "informativa".

10) Também limita-se a entender o tendenciosismo da mídia da forma mais grosseira, como nos noticiários manipulativos da mídia golpista propriamente dita. Mas é incapaz de entender que mesmo a "mídia boazinha" é também tendenciosa. As "campanhas cidadãs" da Rádio Metrópole, de Salvador (BA), são o exemplo desse tendenciosismo que o "líder de opinião" não entende, já que ele entende como "tendencioso" pura e simplesmente quando a mídia abertamente reacionária, como a Rede Globo, defende determinado candidato das oligarquias.

RÁDIO METRÓPOLE SINTONIZADA COM O PiG ATÉ NA LINGUAGEM



A Rádio Metrópole é vista pelos míopes baianos como se fosse uma anti-mídia, como se não participasse do baronato da grande mídia baiana, tradicionalmente associado, tão somente, ao grupo da Rede Bahia, dos herdeiros de Antônio Carlos Magalhães (mal conseguem se lembrar de como Mário Kertèsz foi entusiasmado pupilo de ACM, apesar de eventuais e já resolvidos atritos, e o quanto MK ajudou ACM no sucateamento do Jornal da Bahia).

Mas até na linguagem a Rádio Metrópole segue fielmente os passos da mídia golpista, e se seu astro-rei não vai às reuniões do Instituto Millenium, é porque ele não tem projeção nacional para isso, e não passa de um matuto metido a ser sósia do Allen Ginsberg.

Quem ouviu uma das vinhetas irritantes da Rádio Metrópole FM, ambas soando toque de celular, uma fazendo "pim-pim-pim, pim-pim-pim" e outra fazendo "pim-piririm-pim-pim", verá que a segunda vinheta é plágio de uma vinheta que rola no programa Globo Esporte, da Rede Globo de Televisão, usada para anunciar boletim das partidas do dia anterior e que, na onomatopéia, seria algo como "Tan-tararã-tan-tan".

O jornal Metrópole, pelo menos em 2008 - já não estou mais em Salvador deade novembro daquele ano - , também imitou o projeto gráfico da Folha de São Paulo - outra colega de golpismo midiático - usado nos anos 90, com a retranca envolta num cabeçalho colorido, semelhante ao da Folha no final dos anos 90.

Até quando os críticos da grande mídia baiana ficarão cegos à participação da Metrópole e de seu astro-rei MK no baronato da grande mídia local, não se sabe. Vão pagar caro com esse pacto pela visibilidade que os faz cegos ao poderio da "mídia fofa", que cada vez mais engorda de ruim...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O QUE O BARÃO DE ITARARÉ ACHARIA DO "LÍDER DE OPINIÃO"?



O que o Barão de Itararé pensaria a respeito do "líder de opinião", aquele sujeito que diz querer fazer uma devassa no poder político e midiático, mas que no fundo faz a média da mídia mais mediana?

Sabemos que o "líder de opinião", por incrível que pareça, não é o articulista da mídia golpista, mas um sujeito oblíquo, que faz a média da chamada "mídia imparcial" e, misturando trejeitos de líder sindical com a de professor universitário, apenas faz o dever de casa do mero consumidor de notícias, com um perfil ideológico que mistura a revista Isto É com Carta Capital, TV Bandeirantes com Caros Amigos. E que volta e meia corteja corruptos que investem na "mídia boazinha", como os baianos que se sentem seduzidos pela Rádio Metrópole.

Pois o Barão de Itararé, com seu humor fino mas ferino, desconfiado de certas armadilhas da vida, se não me engano talvez definiria o "líder de opinião" assim: "líder de opinião é o escritor e jornalista que quer desafiar o poder sem poder".

Não esqueçamos que Barão de Itararé ironizou o estereótipo do grande jornalista, o astro da grande imprensa, com a seguinte frase: "Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça para o dono do jornal encher nababescamente a barriga".

Mas o "líder de opinião", além de muitas vezes brincar de ser jornalista - mesmo sendo um jornalista profissional - nunca ouviu falar de Barão de Itararé, ou, se ouviu, não prestou atenção. Estava ocupado demais com cronistas esportivos e com a crônica política que discutia o sexo do PMDB.

REVISTA VEJA FEZ PROPAGANDA VISANDO O PÚBLICO JUVENIL



Vendo as publicações da Editora Abril dedicadas ao público jovem, neste mês, nota-se que a revista Veja criou uma propaganda própria para os jovens, para o leitor "do futuro".

Quanta hipocrisia para uma revista que é, mesmo diante de seus parceiros em reacionarismo, a Folha de São Paulo e O Globo, a mais retrógrada publicação da imprensa brasileira, cujas páginas sensatas se resumem tão somente a três: Millôr, Lya Luft e Roberto Pompeu de Toledo (que, sem ser esquerdista, mesmo assim transmite boas ideias em bons textos).

É evidente que essa propaganda dará no mesmo. Nos anos 90, a juventude amestrada por É O Tchan, Chitãozinho & Xororó e Raça Negra, que cultura top models e Estado anoréxicos, que fala "balada" em vez de "festa" e "vida noturna", que acha que futebol substitui a Educação, e que, a serviço de fãs-clubes de ídolos como Alexandre Pires, Belo e Zezé Di Camargo & Luciano, perseguem, com fúria medieval, os blogs que falam mal deles, se deliciava com as páginas de Veja que seus pais assinavam com muito prazer. Hoje só não assumem que adoram Diogo Mainardi tanto quanto adoram Ivete Sangalo porque serão negativamente visados (mas que adoram, adoram).

Felizmente, porém, temos a blogosfera que serve como farol das mentes desamparadas e indefesas, expostas à hipocrisia dessa juventude que é a própria expressão do direitista enrustido. Fingem que falam mal da Rede Globo, mas exaltam seus produtos e até seus ídolos protegidos. Fingem cultuar Che Guevara, mas no fundo estão felizes por ele estar morto há muito tempo. Fingem odiar o imperialismo, mas no fundo estão gratos por tudo o que o imperialismo lhes oferece de bom. Tudo isso em comunidades do Orkut e Facebook, no Twitter, nos fóruns da Internet e até nas violentas mensagens de e-mail que eles enviam.

Isso com o cuidado de não guardarem as edições de Veja em seus quartos, para não expor seu reacionarismo para os visitantes.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

TECNOBREGA NÃO É FENÔMENO ALTERNATIVO



É totalmente incoerente a ideia de que o modismo do tecnobrega é um movimento musical alternativo. Não faz sentido algum.

Em primeiro lugar, a música brega sempre foi establishment. Se não foi establishment na casa do professor mineiro Eugênio Raggi nem do jornalista paulistano Pedro Alexandre Sanches e nem do antropólogo paraibano-carioca Hermano Vianna, o problema é deles.

O sucesso da música brega foi um subproduto da mentalidade hit-parade introduzida na cultura de massa brasileira, através da adoção da mídia paulista aos ídolos cafonas patrocinados pelos latifundiários regionais. Os primeiros ídolos cafonas sempre seguiram a lógica da música comercial, da "música de sucesso", e isso valeu para TODAS as tendências bregas e neo-bregas, até mesmo para a axé-music.

Aliás, só a mentalidade provinciana existente no Brasil, em que vimos um bando de roqueiros de butique de São Paulo endeusarem a revista Billboard e desprezarem a New Musical Express, que permite trabalhar a ideia de que o tecnobrega é "alternativo", porque surgiu supostamente pela ação de pequenas gravadoras, pela divulgação de vídeos na Internet e pelo aparente respaldo do público local.

É um provincianismo que só admite o cosmopolitismo cultural pelas lentes da Rede TV! e do portal Ego. Com essa malandragem de creditar o tecnobrega como "alternativo" ou "independente", supostamente sem o respaldo da grande mídia (mas dentro daquela ideia paulistocêntrica de "grande mídia", como se o poder da mídia só tivesse sentido se o veículo da mídia tiver escritório na Av. Paulista), vemos as seguintes incoerências:

1) Se o tecnobrega é um fenômeno "alternativo", por que a principal cantora do gênero, Gabi Amarantos, se inspira em Beyoncé Knowles, cantora que simboliza muito bem o hit-parade do hit-parade do hit-parade, nos mais altos escalões do establishment do mainstream?

2) As rádios que tocam tecnobrega seguem o formato "rádios do povão", portanto em nenhuma hipótese podem ser tratadas como "rádios alternativas" nem ser dissociadas do esquema da grande mídia, no caso regional.

3) Como o tecnobrega pode ser considerado um fenômeno de pequenas mídias se usa equipamentos caros e suas apresentações são superproduzidas e com muitos dançarinos? Certamente existem poderosos empresários por trás desse modismo.

4) As gravadoras "independentes" que lançam o tecnobrega e lançou a Banda Calypso (agora promovida a precursora do tecnobrega), na verdade, são pequenos selos que nada tem a ver com a verdadeira filosofia indie e que são sustentadas por empresários e fazendeiros regionais. Selos cuja mentalidade mercantilista salta nos olhos.

Além do mais, existe o esquema do jabaculê, do apoio de políticos e fazendeiros locais, sobretudo nos festivais que tocam tecnobrega e o forró-brega. O que prova, por A mais B, que o tecnobrega NUNCA foi um fenômeno "alternativo" e "independente".

Alternativo e independente, de fato, foi por exemplo o rock underground de São Paulo, de bandas como Fellini, Violeta de Outono e Vzyadoq Moe. E gravadora independente, mesmo, é a Baratos Afins, como podemos confirmar com a trajetória corajosa e batalhadora do farmacêutico Luiz Carlos Calanca (que até fez uma ponta num episódio do seriado Aline, da Rede Globo, num leilão na Galeria do Rock de um suposto vestido usado por Rita Lee). Calanca, sim, é um batalhador solitário de sua gravadora, e tem uma filosofia em que o valor artístico está acima e independente do sucesso comercial. Coisa que não existe no cenário pseudo-indie do tecnobrega paraense.

EDUARDO PAES NÃO CONSEGUE AVALIAR CUSTO BENEFÍCIO





Enquanto o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, sonha tanto com um lindo parque tomando o lugar da Avenida Rio Branco, dentro de um novo calçadão a ser construído sob um investimento de R$ 300 milhões, no mínimo, não há um projeto que possa, a curto prazo, transformar visualmente a área do Complexo do Alemão, que está no caminho dos turistas que desembarcam no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão).

Ou seja, de que adianta construir um grande calçadão no centro carioca, cuja megalomania acompanhará o deserto de mármore da atual Praça Quinze de Novembro, se temos uma paisagem feia, desorganizada e de alto risco para a vida dos moradores - vide as épocas de temporais - no caminho entre o Galeão e o centro carioca?

Será que Eduardo Paes e sua equipe não avaliam o custo-benefício de certas medidas? Será que eles não sabem o que deve ser tomado como prioridade?

Dizer que o PAC resolverá tudo, ou que vai chover dinheiro para sanar todos os problemas, enquanto nada se vê de concreto, nem de definitivo, e as obras do PAC, mesmo em andamento, nada garantem que vá transformar o Complexo do Alemão numa bela região de bairros, com residências dignas para o povo e uma concepção urbanística de arrepiar.

Pelo contrário, enquanto a tradicional vida urbana da Av. Rio Branco sofre um golpe tal qual a da Praça 15 - cuja Av. Alfred Agache se resume a um humilhante túnel cheirando a urina - , o visual tétrico das regiões de Bonsucesso, Olaria, Penha e Ramos continuará por longos anos, apenas parcialmente resolvido por alguns paliativos.

Eduardo Paes tem que governar para os cariocas, e não para os turistas estrangeiros.

O GASTO ESTIMADO PARA FECHAR A AV. RIO BRANCO, NO RIO DE JANEIRO



O dinheiro previsto para ser investido no fechamento da Av. Rio Branco, no Rio de Janeiro, que se transformará num calcadão supostamente ecológico e destinado à indústria turística, será de R$ 300 milhões, de acordo com as expectativas do prefeito carioca Eduardo Paes.

A grana daria para investir em uma parte da desfavelização da enorme região da Penha e de Bonsucesso, na rota entre o Galeão e o centro do Rio. Trezentos milhões, neste caso, é pouco, mas daria uma boa ajuda para reduzir o lamentável retrato suburbano que os turistas estrangeiros inevitavelmente observam quando vão do Galeão ao Centro.

Mas Eduardo Paes acha que capital de Primeiro Mundo se faz com praças e calçadões megalomaníacos, de transporte "futurista" com ônibus que não passam de arremedos de trem e fardados (note a herança da ditadura) conforme o trajeto ou o tipo de serviço.

Sem falar que, se a moda do fechamento da Av. Rio Branco pegar, veremos a Avenida Paulista, em São Paulo, ser também transformada em calçadão, complicando os motoristas.

Vá entender...

POR QUE TEM TANTA SOLTEIRA NO BRASIL BREGA?



Advinhem qual é a mais nova solteira na praça: GEISY ARRUDA, que realizou a maior pegadinha de 2009, que foi aquele "escândalo" na faculdade que enganou muita gente, até nós, e fez a mídia popularesca fazer Contracultura em copo d'água, com aquele papo de "anti-moralismo".

Ah, e tem Solange Almeida, ex-Aviões do Forró e agora evangélica. E tem Lia, Fernanda, Fran, Fani, Tessália, e até a ex-casadona Cida, todas ex-BBB's, todas sem namorado.

Por que será que no Brasil o brega-popularesco, de uma maneira ou de outra, tem tanta mulher solteira? Definitivamente, Brasil não é França, e entre uma Leandra Leal e Regiane Alves que se tornam solteiras, há dezenas de ex-BBB's, cantoras de forró-brega, mulheres-frutas (com passado amoroso tenebroso) e tudo mais.

Na França, quem fica solteira são as mulheres inteligentes, porque aproveitam a solteirice para enriquecer suas vidas, buscando conhecimento, aprimoramento profissional, crescimento pessoal como mulheres.

Aqui no Brasil parece que o conceito de mulher solteira é meio desviado, é coisa de mulher amorosamente "suicida" que recusa os pretendentes ideais para tirar onda de "emancipada", ou é mulher que só quer curtição. Ou então são aquelas mulheres que não sabem mais o que querem dos homens. Porque eles estão aí, atrás delas, elas é que não querem.

E nós, homens diferenciados, NÃO queremos essas mulheres. Que elas tirem o burrico do temporal. Os homens legais também querem mulheres legais.

MAIOR VIAGEM...



A "viagem" de Sérgio Dias (D), guitarrista dos Mutantes:

Eliminar a criatividade psicodélico-tropicalista de sua famosa banda e transformar o grupo numa pretensiosa banda de rock progressivo, nos anos 70.

A "viagem" de Sérgio Dias (E), secretário de Urbanismo do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes:

Fechar a Av. Rio Branco a pretexto de "ecologia" e "turismo" e transformar a movimentada avenida num gigantesco, arrogante e megalomaníaco calcadão.

Mó viagem. Sóóóóóóó...

FRIAS E A REFORMA DA FOLHA


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Folha de São Paulo botou botox!!

FRIAS E A REFORMA DA FOLHA

Por Maurício Caleiro - blog Cinema & Outras Artes

A Folha de S. Paulo está de cara nova. Agora, além dos infográficos pululando em profusão, há todo um design padronizado, privilegiando o azul. Impossível não pensar em Dorian Gray, personagem de Oscar Wilde que mantém uma bela e jovem aparência física a ocultar uma essência putrefata e carcomida.

Não passa de coincidência, é claro, que azul seja a cor primária do PSDB e que, embora a mais recente pesquisa eleitoral presidencial divulgada pelo enquadrado Datafolha tenha constatado empate em 37%, Serra, em foto favorável (na medida do possível, é claro...), continue ocupando o canto superior esquerdo, em harmonia com o azul dominante que lhe é graficamente destinado, enquanto Dilma, em sisudo close, venha depois, devidamente borrada com o vermelho do comunismo comedor de criancinhas.

Como se sabe, o leitor do diário da Barão de Limeira – essa espécie de mulher de malandro que adora ser enganada - só foi informado do empate entre Serra e Dilma porque o outrora respeitável Datafolha, agora na mira do Ministério Público, subitamente divulgou números bem diferentes dos alegadamente auferidos por suas pesquisas anteriores. O receio que o motiva, porém, não é tanto a ponto de o site do instituto atualizar manchetes. Lá, a mais recente - das que dizem respeito às eleições presidenciais - é de 03/05 e faz companhia a outras em que Serra continua bem à frente. Ficam lá, mofando, misto de saudade e wishful thinking vindo do passado.

Mas não sejamos maldosos: talvez a demora em atualizar a página se deva à concepção anacrônica que os Frias têm da internet. A se basear nas palavras do intelectual da famiglia sobre o jornalismo na web, talvez eles sequer saibam o quão fácil é renovar um site. Vejam o que o chefe do clã, após cometer a declaração desprovida de clichês de que o jornalismo tem sete vidas, escreveu:

“Muito desse novo jornalismo tem qualidade discutível, quando não é produto de mera pirataria. Os blogs e o jornalismo cidadão parecem oportunidades promissoras, mas quase sempre seu alcance fica limitado, seja em termos de recursos ou abrangência, seja porque expressam visões demasiado particulares e engajadas. Para piorar, o jornalismo que emerge está eivado de entretenimento, culto à celebridade, inconsequência”.

O velho Freud deve estar se remoendo no túmulo! Até um primeiroanista em Psicologia reconheria o quanto há de projeção referente a seu próprio jornal na fala de Frias. Faça um favor, leitor(a): releia o trecho pensando na Folha e gargalhe junto comigo.

Poderíamos utilizar a lógica para contrapôr à afirmação de que muito do jornalismo virtual teria qualidade discutível, a constatação decorrente de que há ilhas de qualidade – certamente muito mais recorrentes e de melhor qualidade do que na própria Folha, onde tal coisa é artigo rarefeito. Ou nos resfestelar apontando a contradição de alguém responsável há tantos anos pela Ilustrada e pelo Folhateen – que fazem um tal culto aos ídolos do pop/rock estrangeiro que até o nada nacionalista Caetano Veloso se viu instado a criticar-lhes – acusar o culto à celebridade. Mas minha parte favorita é quando Frias acusa os blogues de expressarem visões engajadas. Vindo de quem vem, é hilário.

Certamente para evitar tal risco, a reforma do jornal incluiu a demissão até do Paulo Nogueira Batista e a contratação de colunistas afinados com a linha editorial da Veja, digo, da Folha.

Frias prossegue, evidenciando que a sua teimosia em ser publisher está privando o público brasileiro de um humorista de mão cheia:

“Conforme mais pessoas imergem no oceano de dados e versões que giram pela rede, maior a demanda por um veículo capaz de apurar melhor, selecionar, resumir, analisar e hierarquizar. Esse veículo, no papel ou na tela, se chama jornal”.

Ou seja, tal qual uma Maria Antonieta recomendando ao povo que coma brioches, o publisher da Folha ainda acredita que seu diário, violador sistemático da ética jornalística, tem a função de hierarquizar a notícia de forma a conduzir o leitor – uma pretensão reveladora não apenas de seu anacronismo, mas de suas tendências autocráticas.

Ao ler o artigo de um dos próceres da plutocracia midiática, fica evidente que a crise da imprensa brasileira é ainda pior do que se imagina: ele não está entendendo nada, absolutamente nada da nova dinâmica da comunicação na era digital.

Mas numa coisa eu concordo com Frias Filho: o jornalismo tem sete vidas. A Folha está na sétima.

PTB ANUNCIA APOIO À CANDIDATURA DE JOSÉ SERRA


Mudam a História e os personagens.

Em 1964, foi realizado no dia 13 de março, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro - que era então o Estado da Guanabara - , um gigantesco comício com o presidente da República João Goulart, também presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro.

Entre os presentes, além de políticos como Leonel Brizola (que estava em processo de mudança de domicílio político, do Rio Grande do Sul para a Guanabara), estava também um líder estudantil, o presidente da União Nacional dos Estudantes, José Serra, uma jovem figura de esquerda.

2010. O presidente nacional do PTB é outro e o último presidente da UNE antes do golpe civil-militar de Primeiro de Abril de 1964 tardiamente aderiu à mesma causa direitista que derrubou João Goulart e instaurou a ditadura militar (reforçada depois pelo AI-5).

No almoço de ontem, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson - o mesmo que participou do populareco programa O Povo na TV - e o pré-candidato à presidência da República pelo PSDB, José Serra - o economista que "entende" de Matemática, com sua fórmula tecnobrega para a divisão entre 170 e 37 - acertaram o apoio do PTB ao tucano. Oficialmente, o PTB passou para a chapa do PSDB, no plano federal.

HOMENS SACRIFICAM OS PÉS EM ATÉ 42% DE HORAS POR SEMANA



A vaidade, acima de tudo. Em detrimento do conforto para os pés, e a pretexto do "bom gosto".

A constatação que temos é que boa parte dos homens considerados "de sucesso", desde os universitários com carreira em ascensão até os profissionais liberais e empresários com uma boa carreira, sacrificam os próprios pés usando os desconfortáveis e sisudos sapatos de couro e de verniz.

Mesmo alguns sapatos com calços acolchoados e pontas redondas não resolvem o problema. E, ainda assim, são justamente os sapatos pontudos e de calços menos confortáveis que continuam sendo os prediletos dos homens, sobretudo para os eventos considerados "sociais". Não é à toa que esses sapatos ganham o tendencioso nome de "sapatos sociais".

A frequência de uso desses sapatos chega a ocupar até 42% do total de horas por semana. Geralmente nas 10 horas diárias que compreendem ida e volta da casa para o trabalho e almoço, mais os compromissos sociais dos fins de semana. Se estes compromissos ocuparem dias consecutivos, como sexta-feira, sábado e domingo, quando se estima um total de pouco mais de quatro horas, o tempo total de uso desses sapatos fica em torno de 70 horas por semana, ou seja, 42% de um total de 168 horas semanais.

Isso faz uma diferença negativa para os homens que, sem brilho próprio, dependem do brilho artificial desses sapatos bem engraxados. Não se pode ser uma usina de ideias o tempo todo, e os empresários e profissionais liberais considerados "de sucesso" têm nesses sapatos "sociais" um piloto automático para suas carreiras, um símbolo de ostentação e luxo que lhes dá a falsa impressão de "homens sérios".

Só que, nessas cerca de 70 horas, ao longo de 40 anos de uso desses sapatos "sociais", podem render sérias dores nas articulações na velhice. Não adianta disfarçar os malefícios com andanças lentas, que é o que os homens considerados "finos" fazem, quando vão e vem das festas e dos eventos em caminhadas pachorrentas, quando não têm os carros a seu dispor (eles ou não dirigindo tais veículos).

Isso pode causar problemas quando eles se aposentarem, pois o semi-sedentarismo sobre sapatos que eles usam por cerca de quatro décadas pode se converter no sedentarismo dolorido de colunas problemáticas, pés quase sangrando, articulações sofridas.

Por isso é que muitos idosos acabam tendo dor de coluna, dores nas articulações, dores nos pés, não aguentando mais de tanto andar, ou mesmo não aguentando sequer a menor e mais lenta caminhada. É porque, em nome da "sofisticação", da "seriedade" e do "bom gosto", eles maltataram os próprios pés. Atitude que, no fundo, é de muito mau gosto.

terça-feira, 25 de maio de 2010

DORIAN GRAY SERIA MULHER?


Quem conhece literatura sabe a história do personagem Dorian Gray, da obra O Retrato de Dorian Gray do escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900). É a história de um rapaz que, querendo manter a juventude eterna na sua aparência física, compensa com a imagem do seu retrato envelhecendo drasticamente. E não se fala no estado do papel da foto em si, mas do rosto impresso nele, que de um jovem fotografado evolui para um velho fotografado.

Mas teria sido Dorian Gray mulher? Por que, no caso de jovens moças casadas com cinquentões empresários ou profissionais liberais, elas preservam suas juventudes enquanto seus maridos se apegam, de maneira mórbida e melancólica, a um padrão de "maturidade" que hoje soa bastante antiquado, mas que eles aprenderam entusiasmados em alguma ocasião entre 1973 e 1976, nas suas bancadas universitárias do Brasil ditatorial.

O que revolta nem é somente o fato deles parecerem antiquados para suas esposas, mas antiquados até mesmo para os homens de sua geração. E, antigos símbolos de sofisticação masculina, hoje representam um paradigma de sisudez que constrange até mesmo os colunistas sociais, antes receptivos a qualquer sisudez que simbolize "elegância", "sucesso" e "racionalidade profissional".

Imagine então comparar a jovialidade acanhada de Malcolm Montgomery com a natural jovialidade de Evandro Mesquita? O cantor da Blitz e ator de A Grande Família é capaz de conversar com um garotão de 20 anos como os dois fossem colegas de cursinho pré-vestibular, com a mesma descontração e informalidade. Enquanto isso, mesmo quando o ginecologista escreve sobre Beatles, no meio do caminho aparece um moralismo paternal, o que mostra o quanto Malcolm não vê a hora de liberar a sisudez do seu interior, que permitiu contatos amistosos e pedantes com seus mestres de medicina.

E o que dizer com a evolução do colunismo social, há mais de 50 anos longe de Jacintho de Thormes, quando coluna social hoje é Rodrigo Hilbert pegando onda na praia, é Paulo Vilhena indo de skate para o Leblon? Nessa atual fase do colunismo social, é mais fácil encontrar os "médicos" do seriado SOS Emergência do que os sisudos e paternais colegas do oftalmologista Almir Ghiaroni, cuja sisudez complica até mesmo sua iniciante carreira de romancista, no pouco comum mercado de médicos-romancistas que nos deu Pedro Nava e hoje ainda tem Moacir Scliar.


BIANCA RINALDI NA PRAIA - Cadê o Eduardo Menga?

Os empresários e profissionais liberais sisudos que são casados com belas mulheres como Bianca Rinaldi, Geórgia Worthman, Carla Regina e Ticiane Pinheiro, já servem de péssima escola para os coleguinhas de 40 e tantos anos que são casados com as belas jornalistas tipo as "renatas superiores" Capucci e Vasconcellos, ou com atrizes belíssimas na beira dos 40.

Presos a um padrão de comportamento e vestuário vigente nos anos 70, eles, temerosos na missão de tentar se rejuvenescer com suas esposas, derem para aparecer pouco nas colunas sociais. Roberto Justus é o que continua aparecendo mais, Almir Ghiaroni praticamente sumiu. Mas, em todos os casos, nem parece que eles nasceram no decorrer da década de 50 do século XX, que, no Reino Unido, gerou a maior parte do elenco do punk rock.

Os sisudos brasileiros safra 1950-1955 perderam o trem da História. Eram muito jovens para militar nos arriscados protestos de 1968. Eram um pouco mais velhos para atuar nos protestos estudantis de 1977. Representaram, nos anos 80, a pálida tradução do yuppie norte-americano. E, quando seus cabelos começaram a embranquecer, a norma foi deixar de tomar Tom Cruise e George Clooney como modelos de sucesso para correrem atrás dos antigos James Stewart, Ricardo Montalban (o "senhor Hoarke" já tinha uma boa estrada no cinema antes da "Ilha"), Paul Newman e Humphrey Bogart. Será que Malcolm Montgomery se arrepiaria ao ouvir falar de Montgomery Clift?

O que leva os maridos cinquentões a evitar o máximo contato com os referenciais de suas jovens esposas é um mistério. Principalmente se eles são da mesma geração de Kid Vinil, Evandro Mesquita, Lulu Santos e Sérgio Groisman. Não dá para entender que há mulheres jovens e modernas cujos maridos mais velhos se recusam a conviver com a juventude delas.

Logo eles, que, como empresários e profissionais liberais, tiram de letra as necessidades eventuais de sempre mudar. São novas técnicas de cirurgia, novas ideias de administração - como o empreendedorismo, que está em moda - , novas estratégias de publicidade, alterações nas leis, novas tecnologias, novos desafios, que esses cinquentões tiram de letra até em textos lançados em primeira mão em inglês.

E mais: esses cinquentões têm carros modernos, modernos aparelhos domésticos - laptop, toca-DVD, toca-CD, ar condicionado, telefone celular - e seus apartamentos contam com uma concepção estética moderna.

Mas de que adianta isso se esses empresários/profissionais liberais cinquentões adotam um vestuário antiquado, até para situações comezinhas como ir a um cinema, a um aniversário, a um almoço entre amigos?

De que adianta um toca-DVD do século XXI, um celular da hora, o carro do ano, se esses cinquentões ainda se pautam nos quarentões granfinos de 1973-1974? Eles até andam de bermuda e tênis em caminhadas turísticas, mas sentem horror a usar tênis em um almoço ao ar livre com amigos! Se curtem Beatles, são somente aquelas canções lentas que cantores românticos regravaram ad nauseam. Se eles são tão modernos e atualizados no seu trabalho, por que eles são tão antigos e frouxos no lazer?

E que mal tem um Eduardo Menga escutar um CD dos Titãs, um Almir Ghiaroni ir a uma apresentação de Leoni? Isso se falando por iniciativa pessoal deles, e não pela hipócrita curiosidade na discoteca dos filhos. Que medo eles têm do Rock Brasil cujo caminho foi aberto por caras que poderiam ser amigos de infância desses empresários/profissionais liberais, como o caso dos citados Evandro Mesquita e Lulu Santos?

Feito o retrato de Dorian Gray, que mostra seu rosto envelhecido enquanto seu modelo mantém a aparência jovial, os empresários/profissionais liberais cinquentões envelhecem na medida em que suas esposas parecem jovens, lindas, modernas.

Os maridos escravos de um modelo de "maturidade" e "sofisticação" que não faz sentido nos dias de hoje, fogem das colunas sociais menos por discrição do que por medo, que é o medo de ver as páginas ensolaradas das atuais edições de Caras, com garotões surfando e andando de skate, com cantores tocando violão em casas de veraneio, tudo isso longe daquela mesmice fechada das velhas festas de gala, dos trajes sisudos de terno e gravata ou smoking, da velha, velha e velha etiqueta que nem Danuza Leão mais defende.

Que tal esses cinquentões perderem suas barrigas, usarem mais tênis na hora do lazer, ouvir Rock Nacional, ouvir as piadas dos amigos de suas jovens esposas? O mundo gira, não faz sentido Roberto Justus, Almir Ghiaroni, Malcolm Montgomery, Eduardo Menga e similares ainda procurarem pelas cinzas do extinto templo granfino do barão Von Stuckhart, a tragicamente destruída boate Vogue. Que, com suas cinzas e seus mortos, parece ter levado, há 55 anos atrás, todo um velho ideal de "bom gosto" e "sofisticação".

AINDA SOBRE O INTELECTUAL ETNOCÊNTRICO


PEDRO ALEXANDRE SANCHES - Exemplo de intelectual etnocêntrico.

O mais cruel disso tudo é que o intelectual etnocêntrico dz odiar o etnocentrismo, acha que está gostando do "outro" - no caso, o povo pobre - através de uma mera e hipócrita exaltação, que despreza os verdadeiros problemas que o povo sofre.

Esse intelectual etnocêntrico, que invade revistas e jornais de esquerda e até mesmo periódicos de faculdades, elogiando modismos como "rebolation", tecnobrega e o que vier mais, faz um discurso completamente idealizado.

Ele acusa de idealistas os intelectuais que defendem a verdadeira cultura popular, sobretudo de raiz. Como se não pudéssemos mais voltar aos tempos em que os sertões geravam Luís Gonzaga e Cornélio Pires, ou que as favelas e os morros geravam Jackson do Pandeiro e Ataulfo Alves. Um novo Dorival Caymmi, então, se ele surgir na periferia de Salvador é visto como "burguês".

Mas são esses defensores do "rebolation", do "funk carioca", do tecnobrega, do "brega de raiz" de Waldick e Odair, de todo esse espetáculo da vulgaridade embalado como se fosse "etnografia pós-moderna", que idealizam o povo, que adotam uma visão paternalista e romantizada do povo pobre. São esses intelectuais "generosos" que veem a miséria como se fosse um paraíso selvagem de tijolos e asfalto, em que o povo que, na realidade, é explorado pelo poderio dos barões da mídia, é associado à ideia falaciosa de uma "felicidade inocente, purificada e resignada".

Enquanto o povo pobre, desdentado e miserável faz um sorriso patético sob as ordens da grande mídia, os intelectuais da espécie de Hermano Vianna e Pedro Alexandre Sanches ficam felizes, no seu bom paternalismo sociológico. Mas, e quando o povo enraivecido coloca pneus em chamas nas rodovias, reivindicando justiça social, será que vai baixar o espírito vejista que, no fundo, está dentro dessa intelectualidade hipócrita?

(TRANSCREVI, COM ADAPTAÇÕES, O MESMO COMENTÁRIO MEU PARA O TEXTO O ETNOCENTRISMO INTELECTUAL E O POVO, PORQUE O ASSUNTO ACABOU RENDENDO UM TÓPICO À PARTE)