sexta-feira, 9 de abril de 2010

A VERDADE SOBRE A "RÁDIO GLOBO AM" EM FM



Um internauta com ideias incoerentes, talvez esquizofrênicas, anuncia, com clara retórica marqueteira, que a vinda do clone em FM da Rádio Globo AM irá "valorizar o rádio AM". Falando feito um Amigo da Onça ou como um machista sanguinário que diz que ama as mulheres, esse cara está dando muita dor de cabeça para mim e para o Marcelo Delfino, no blog que nós fazemos, o Preserve o Rádio AM, por conta da argumentação confusa desse pretenso dono da verdade.

Ele vive no mundo dos sonhos, onde para ele só existem um punhadinho de emissoras que ele gosta: Transamérica, Tupi, Band News, Globo AM e talvez uma ou outra a mais. O "rádio AM" que ele tanto fala com entusiasmo é um pequeno planetinha de no máximo dez emissoras FM que atendem às "pragmáticas necessidades" de informação e entretenimento. E os "grandes comunicadores", para ele, são apenas aqueles que, recebendo ligação de ouvintes, sabem contar uma "boa piada" a ponto de haver até claque no estúdio para rir junto. Entenda-se "boa piada" dentro dos padrões oficiais do Pânico da Pan.

É terrível haver minorias de pessoas que querem se impor como uma maioria. No rádio, é sempre assim, um punhado de adeptos - entre os ouvintes mais fanáticos e os próprios profissionais disfarçados de pseudônimos - defendendo os interesses de uma meia-dúzia de FMs, de corporações radiofônicas interessadas no monopólio ou, pelo menos, na hegemonia de mercado.

Mas no discurso deles "não" existem interesses empresariais. Tudo é tão lindo, embora a coisa fique feia sempre que alguém discorda. Fui eu discordar de um comentário de um âncora da CBN num espaço de mensagens de um blog de rádio e o responsável disparou uma resposta irritada contra mim. E ninguém ali fala em "mídia golpista", corporações de mídia, interesses empresariais. Se a revista Veja não fosse uma revista, e sim uma emissora de FM, certamente não sria considerada "mídia golpista". Eles podem baixar a lenha até nos povos indígenas, descendentes dos primeiros povos existentes no Brasil, que os "radialistas" sempre terão razão.

Infelizmente, para esses internautas radiófilos - não falo dos bons radiófilos, que existem, até tentando dar uma luz para os tietes das rádios da moda, sejam estas 89 FM ou "Rádio Globo AM" FM - , a mídia é inocente, só pensa no cidadão etc. Eles acreditam em duendes e nós, que analisamos as contradições da mídia, é que somos "lunáticos".

A entrada da Rádio Globo AM nas ondas de FM não é algo externo aos mecanismos golpistas das Organizações Globo. Outras ilusões foram derrubadas. Até alguns anos atrás, ninguém via a CBN como um órgão das Organizações Globo, achava que a CBN era uma "mídia de esquerda mais equilibrada". Os "líderes de opinião" que constituíam, anos atrás, numa facção mais acomodada porém popular dos blogueiros, falavam mal da Rede Globo mas felizes assistiam ao Big Brother Brasil como se fosse a salvação da lavoura. Também ninguém viu no "funk carioca" uma poderosa arma de manipulação das Organizações Globo, mesmo com o estilo aparecendo, como um produto em merchandising, em tudo quanto é veículo das OG ou em programas de todo tipo da Rede Globo.

Agora, fala-se da Rádio Globo AM entrando em FM como se fosse uma rádio comunitária sendo inaugurada. Quanta tolice. A emissora até caiu em qualidade, se comparado com antes, e muita gente já se queixava disso. Nunca ficamos iludidos com o tendenciosismo que a emissora tinha, é verdade, pois até durante da crise política do governo João Goulart, já em 1963, a Rádio Globo AM montou, com a Rádio Tupi AM e a Rádio JB AM, com os microfones abertos até para o jornalista Carlos Lacerda, a Rede da Democracia, que naquele ano já havia lançado a proposta do golpe militar em vários de seus debates.

Por isso mesmo, a Aemização das FMs, seguindo o ritmo de esvaziamento gradual do dial de AM, está de acordo com os interesses de poder dos empresários de rádio. Poder econômico e poder político. Por mais que falem sempre no "cidadão". Até porque esse "cidadão" não passa de um boneco que representa os interesses empresariais, de concentração de poder econômico e político. A Holanda e a Irlanda não extinguiram o rádio AM pensando na verdadeira cidadania, mas em interesses tecnocráticos e de concentração de poder de grupos de radiodifusão.

Mas os pretensos radiófilos que só fazem falar nas colunas de rádio, juntamente com os colunistas de rádio chapa-brancas (porque acabam numa hora ou em outra defendendo os interesses empresariais) vão falar nas terríveis novidades do rádio com o deslumbramento de um filho caçula que vê o Papai Noel chegando.

E esse pessoal, quando contestado, se irrita e tenta argumentar mais do que nós. Sem serem muito convincentes, diga-se de passagem.

Um comentário:

Marcelo Delfino disse...

Não é "ele", Alexandre. É "ela". É uma mulher que defende impiedosamente o AM em FM nos comentários do blog Preserve o Rádio AM.