sábado, 3 de abril de 2010

SAMBREGA ESTÁ DE OLHO NA "NOVA ONDA SERTANEJA"


GRUPO RAÇA NEGRA, HERDEIRO DO SAMBÃO-JÓIA, FOI O PRIMEIRO GRUPO DE SUCESSO DA PRIMEIRA GERAÇÃO DO SAMBREGA.

O recente reacionarismo de fãs de Alexandre Pires e Belo, disprando comentários contra nosso blog como se fôssemos obrigados a falar bem de tais cantores, ícones da mediocridade dominante na mídia brasileira, está de olho na recente onda "sertaneja" que tanto celebra os novos ídolos - tidos como "universitários" - quanto os veteranos, sobretudo aqueles que foram lançados na festa eleitoral de Fernando Collor de Mello, no final de 1989.

Isso porque o sambrega, espécie de resposta "sambista" ao breganejo, e conhecido como "pagode mauricinho", por não ter mercado nacional próprio - ele é forte como mercado regional, concentrado no Sudeste - , no âmbito federal sempre está associado ao breganejo. Não por acaso, em caráter nacional, o cantor Alexandre Pires é tratado como se viesse da mesma cena de Zezé Di Camargo & Luciano e Chitãozinho & Xororó.

Os eventos dos mais diversos, como o festival de Barretos ou mesmo a recepção de celebridades ao cantor Julio Iglesias, não deixam mentir. E o próprio Alexandre Pires veio do interior do país, de Uberlândia, Triângulo Mineiro, sendo o interior de Minas Gerais também reduto forte do breganejo, "cortesia" da influência política dos grandes produtores de leite e dos criadores de gado na região.

A súbita reviravolta do mainstream do brega-popularesco, trocando o "funk carioca" - expressão musical equivalente ao esquema "fisiológico" da política petista, principalmente no esquema do "mensalão" - pelo breganejo, expressão mais associada, explicitamente, a valores conservadores, ligados à tradição direitista dos grandes proprietários de terras.

BREGANEJO ESTÁ COERENTE COM A CAMPANHA CONSERVADORA DA MÍDIA

A julgar pelas mobilizações de jornalistas, intelectuais e artistas engajados no Instituto Millenium e até mesmo por uma mídia "boazinha" que, mesmo conservadora, não assume abertamente a mesma mobilização, o cenário sócio-político do Brasil, depois da farra grotesca e fisiológica do "funk", agora encampa o conservadorismo breganejo, evocando os tempos da Era Collor, quando o cenário midiático construído pela farra de concessões do governo Sarney começa a estabelecer sua prática.

Dessa forma, o sambrega, também lançado durante o governo Collor junto ao breganejo, vê suas chances mercadológicas serem renovadas nesse quadro conservador. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, no entanto, o breganejo procurou se concentrar no Norte, Centro-Oeste e no interior de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, enquanto liberava a axé-music para as regiões litorâneas. E o sambrega teve que se contentar com o mercado regional, enquanto pegava carona na axé-music, para entrar no Nordeste, e no breganejo, para entrar no Norte e Centro-Oeste.

O próprio sambrega têm a mesma missão de controle social e manipulação emocional das classes populares, nos subúrbios, que o breganejo possui nas zonas rurais. Além disso, é algo que deveria ser estudado, sobretudo pelos críticos da grande mídia, sobre a ação do coronelismo fluminense, que patrocina os ídolos sambregas junto ao latifúndio paulista e mineiro. Afinal, a crítica da grande mídia não pode se enganar e achar que o sambrega é um "samba de verdade", porém "diferente", porque pode deixá-la em descrédito, porque no caso seria uma armadilha da grande mídia que os críticos foram incapazes de identificar.

O Brasil conservador já mantém suas barreiras midiáticas para impedir a propagação da cultura de qualidade no grande público. O reacionarismo dos defensores de Belo, Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano, Vítor & Léo, João Bosco & Vinícius e outros reflete esse medo da "cultura de massa" brasileira dar lugar a uma cultura popular de verdade. E reflete que, assim como José Serra conta com sua tropa-de-choque, os ídolos popularescos também contam com a sua. O AI-5 se converteu em AÊ-5, nas mãos da reacionária juventude atual.

Um comentário:

Leonardo Ivo disse...

Alexandre,
Sei que voce procura ao máximo não tratar de religiões aqui, mas o que eu vou falar tem tudo a ver com os assuntos tratados aqui. Você nunca parou para perceber que as denominações evangélicas pentecostais ou não pentecostais fazem o mesmo trabalho de manipulação e conformismo politico e social da população pobre? De que complementam o trabalho feito pela midia e pelos artistas do brega-popularesco? Não estou me referindo das igrejas comerciais como Universal ou Renascer, por exemplo, mas de igrejas como Assembleias de Deus, algumas correntes da Batista e da Metodista e de igrejas pentecostais e mesmo "modernas não comerciais" independentes e outras similares. Ja notou que em bairros pobres, periferias, suburbios e favelas são cheias destas igrejas? Vê se em bairros da Região Oceanica de Niteroi ou na Zona Sul do Rio e na Barra da Tijuca tem essa quantidade enorme destas igrejas? Voce é jornalista e acredito que deve saber melhor do que eu destas imformações que lhe passo, pois por tratar destes assuntos de controle social e cultural da população ja deve ter reparado nisso também. Um outro fator que mostra o que eu lhe digo é o perfil dos politicos destas religiões: são ultra conservadores não só em questões morais como homosexualismo e aborto, por exemplo, mas com tudo que venha beneficiar povo e em relações a beneficios sociais de uma maneira geral. Estão sempre votando contra os seu eleitores e seguidores de suas respecitvas religiões e contra qualquer projeto que beneficie a população de uma maneira geral. Um exemplo disso era o Estatuto da Igualdade Racial do qual os deputados da bancada evangélica juntamente com os demoniocratas lutaram contra este estatuto, sobretudo os projetos que beneficiavam os negros, o que configura uma tremenda punhalada nas costas destas populações, uma vez que tem mais negros em igrejas evangélicas do que em religiões de matriz africana ou católica, por exemplo. Mudando de assunto, voce ja foi nas Lojas Americnas? Ja percebeu o quanto ela promove os artistas do brega-popularesco? Um Abraço e pensa no que lhe disse aqui.