sexta-feira, 9 de abril de 2010

REDE GLOBO MANIPULA HORÁRIO DE PARTIDAS DE FUTEBOL



A prepotência da Rede Globo de televisão pressionou o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM-SP) a vetar os projetos dos vereadores Antônio Goulart (PMDB) e Agnaldo Timóteo (PR - brega como cantor, mas razoável como político), restringindo o fim das partidas de futebol nos estádios da capital paulista às 23:15 h.

Dessa maneira, a Rede Globo quer que as partidas continuem até tarde, sacrificando os paulistanos que querem acordar cedo, e que já dormem muito tarde para ver seu time favorito em campo até o fim da partida. Se a Globo quiser que uma partida termine à 1h da manhã, fará tudo para isso.

Algumas emissoras concorrentes mostraram-se solidárias aos vereadores, mas, pessoalmente, não acredito que haja uma polarização, com a Globo num lado e a mídia restante no outro. É bom deixar claro, por exemplo, que Jorge Kajuru, suposto opositor da grande mídia, queria montar uma "CBN dos esportes" e mesmo as partidas esportivas que encerrariam às 23:15 renderiam entrevistas e debates, cansativos mas sedutores para os fanáticos do futebol, por cerca de uma hora e meia. Ou seja, o coitado do ouvinte só poderá ir para a cama praticamente às duas horas da manhã, e se ele mora longe do lugar de trabalho, só terá no máximo duas horas de sono.

Há outra crueldade, que é realizar partidas de futebol em datas em que os jogadores poderiam muito bem estar descansando com suas familias, como o domingo da Páscoa, o dia de Finados, o Dia da Pátria. Mas mesmo dentro do período de Carnaval, o sábado às vezes é reservado para o futebol. Muita crueldade, fruto da ganância de empurrar o espetáculo futebolístico em qualquer dia de folga.

Em Salvador (Bahia), onde transmissão esportiva é sinônimo de poluição sonora cumplicemente apoiada pela imprensa ou mesmo pelos "líderes de opinião" locais (desses que fazem blogs pseudo-esquerdistas enfeitados de notas tendenciosas sobre autoridades, sindicalistas e servidores), certamente tanto faz, para os barões da mídia baiana, se a Rede Globo defende ou não o horário tardio das partidas.

São frequentes casos em que a poluição sonora de porteiros de prédios, frentistas de postos de combustível, taxistas e de bares, sobretudo nas transmissões esportivas das rádios Metrópole, Transamérica e Itapoan, irritam seriamente os moradores próximos, que nada podem fazer. A imprensa não considera isso poluição sonora, envolvidos estão os jornalistas na cumplicidade corporativista dos radialistas esportivos, também considerados jornalistas.

Pior ainda é quando as partidas baianas acontecem até altas horas da noite. Houve caso de posto de combustível fechar e o vigia ficar com o rádio ligado, até o fim não da partida, mas do debate esportivo. E as rádios Metrópole, Transamérica, Itapoan ou qualquer outra, querem mesmo perturbar o sossego dos cidadãos, tirar o sono destes sem piedade. Com todo o cinismo que as emissoras se acham no direito. Tudo pela tal doutrina da "emoção", essa palhaçada inventada pelo radialismo esportivo.

A Rádio Metrópole, hipócrita, uma vez criou uma campanha contra a poluição sonora. Deveria olhar para ela mesma, que estimula a poluição sonora durante suas transmissões esportivas ou durante o programa do astro-rei Mário Kertèsz. Se o jogo termina meia-noite ou uma hora da manhã, pouco importa.

Na cidade sem lei que é Salvador, ainda sofrendo os reflexos do carlismo, os interesses da mídia local estão acima dos interesses dos cidadãos, que não tem a que recorrer, já que até a mídia oposicionista está do lado dos "coronéis" eletrônicos de Salvador.

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