quarta-feira, 21 de abril de 2010

O ROCK DE BRASÍLIA


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Por restrições cronológicas devido a compromissos pessoais, eu reproduzo um texto do site Rock Brasília. Fico aqui saudando às bandas Aborto Elétrico, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Plebe Rude, Capital Inicial, Finis Africae, Escola de Escândalos, Detrito Federal e tantos outros que batalharam pela cena roqueira da capital federal.

Fica aqui também a dedicação deste tópico às memórias de André Pretorius, Renato Russo e Fejão (Escola de Escândalos).

ROCK DE BRASÍLIA: O QUE É ISSO, AFINAL?

GIOVANI IEMINI - Rock Brasília

O que é rock de Brasília? Olhando assim, com nome e estilo, dá para imaginar um movimento social, uma escola artística, uma associação intelectual. Mas não é nada disso. rock de Brasília é apenas o rock que é feito aqui, nada mais.

Não existe uma “cena”, tampouco uma filosofia ou uma inspiração comum para os roqueiros da cidade. Rock de Brasília é o som variado que sai das diversas caixas nos mais diferentes eventos. Falar em rock de Brasília imaginando algo assemelhado ao grunge de Detroit (EUA) ou o punk inglês é estereotipar e engrandecer os nossos simplórios conjuntos musicais. Não há uma linha condutora, uma produção encorpada, um desejo difundido. Talvez o que mais englobe esse rock de Brasília seja a vontade de fazer o mesmo sucesso que a Legião Urbana alcançou.

Nesta cidade tão compartimentada em setores, o rock também surgiu distinto. Há os punks, os headbangers, os skazeiros, os pop/rock sem discriminação, os clássicos, os modernosos, os experimentalistas, os indie, os forró-core... todos tão iguais e tão diferentes. A maioria prestigiando o próprio umbigo e desconsiderando os que não os felicitam. Talvez a única coisa que os una, além da vontade de fazer sucesso, seja o ódio por axé, pagode e política, tudo que a cidade tem em excesso, além de asfaltos e árvores.

Na verdade, o rock de Brasília é uma grande incongruência, como a arquitetura niemaryana e a câmara legislativa. a boa intenção, o talento e o desejo de construir um “Rock de Brasília” esbarram no objetivo final, a necessidade de sucesso e as concessões em prol dessa vontade. Assim como o arquiteto imaginou monumentos disfuncionais e esdrúxulos, a câmara legislativa faz leis inconstitucionais e desordena a terra e as construções, os roqueiros da cidade não buscam concretizar a única e irrecorrível verdade do roquenrou: a diversão!

Se, ao invés de querer aparecer no Faustão, o rock feito na cidade, que é atemporal e permanentemente gera bandas interessantíssimas, tivesse o objetivo de simplesmente “curtir um som” com os amigos em algum pub/boteco por aí, certamente a admiração e a conseqüente satisfação por este rock de Brasília seriam completos.

E o resto que vá pra micarecandanga.

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