sábado, 17 de abril de 2010

MÍDIA MACHISTA MOSTRA IMAGEM "INJUSTIÇADA" DE ASSASSINO IMPUNE



A mídia golpista é sutilmente machista. Não satisfeita em noticiar a impunidade de homens que assassinam mulheres, tenta mostrar o cotidiano deles, tentando fazer propaganda de uma pretensa imagem de "vítimas" desses assassinos.

Imagine se você, caro leitor, sabe que um empresário matou a esposa com dois tiros, sai impune por conta da lei e ainda sai com aquela garota que você está a fim? Isso não ocorreu pessoalmente comigo, mas pode ocorrer com qualquer cidadão de bem, que perde sua garota para os braços de alguém que já acabou com a vida de outra mulher.

Pois é. Doca Street tornou-se o "bom velhinho", Pimenta Neves cometeu uma "besteira", Guilherme de Pádua é "injustiçado" e agora o ex-médico Farah Jorge Farah, que esquartejou uma amante, é um "simpático solitário". Todos posando de vítimas em declarações à imprensa, nos últimos anos. Todos "coitadinhos", supostamente desprovidos das vantagens na vida.

Agora o portal G1 mostra o cotidiano "simples" do estudante Farah, que cursa duas faculdades, dando a crer que ele tornou-se um "sofredor", um "solitário".

E os familiares da vítima de Farah, como vivem? Será que o criminoso sofre mais que a vítima, ou que os entes que a vítima deixou sofrendo de saudades? Farah tenta fazer pose de "nerd sofredor", mas quando seu acesso de fúria o fez massacrar sua antiga paciente, ele nada teve de simpático. Se ele se arrependeu ou não, é outra história, porque o crime que ele cometeu traz consequências morais muito sérias para ser compensado com uma aparente pose de coitado ou por algum sentimento de depressão ou tristeza.

A mídia quer promover o machismo como se fosse um sistema de valores onde os homens cometem grandes erros e fingem grande arrependimento. Cometem erros gravíssimos e querem sair deles como se nenhum prejuízo tivessem feito. Não conseguem ser punidos pela Justiça, e agora querem a reintegração social mais do que os verdadeiros cidadãos de bem.

É até irônico que os pacíficos agricultores que lutam por um pedaço de terra e um lugar na escola sejam, aos olhos da grande mídia, muito mais criminosos do que homens que matam esposas, namoradas, ex-pacientes ou ex-colegas de novela.

Pedir uma passarela para a comunidade de um subúrbio é "crime". Pedir terra para plantar, pedir escolas melhores, pedir aumento salarial é "crime". Mais do que um machista que nunca amou sua própria mulher e que, cobrando dela o amor que ele não dá em troca, é capaz de massacrá-la por um simples anúncio de fim de relação.

Ou seja, os machistas não amam, mas querem ser amados. Cometem crimes, mas se dizem vítimas de injustiças. Sofrem ataques de fúria, mas não querem sucumbir à depressão. E são mais protegidos do que qualquer movimento social edificante.

Mídia vergonhosamente machista.

Um comentário:

Leonardo Ivo disse...

Aelxandre,
Voce leu o recado que lhe deixei no seu Orkut? Quero a sua opinião sobre o que lhe propus. Outra, vai ter um encontro de busólogos no passeio publico amanhã, dia 18. Quer ir?