quinta-feira, 22 de abril de 2010

MACHISMO MATA TAMBÉM OS PRÓPRIOS MACHISTAS



Se o machismo mata a mulher à vista, pela vingança dos homens "traídos", ele também mata os próprios machistas, à prestação.

Mata pelo álcool que os machistas consomem aos montes nos fins de semana.

Mata pela nicotina tragada aos montes por pura obsessão e que destrói os já cansados pulmões machistas.

Mata pelas drogas que eles consomem para se auto-afirmar.

Mata pelos desafetos que encontra pela frente, mais armados do que eles.

Mata pelos sustos que os machistas levam quando veem pela frente os entes queridos de suas vítimas.

Mata pelos olhares de desdém das pessoas que os reconhecem como algozes.

Mata pela tragédia que os machistas reservaram às próprias mulheres, mas que eles mesmos não querem assumir para si, mas que sofrerão em dobro ou até pior.

Mata pelo câncer que eles recusam a admitir que têm e que se agrava sob seu silêncio e omissão.

Mata pelo enfarte que os surpreende quando eles menos esperam.

Mata por outras doenças que eles contraem, da AIDS à dengue, pela exposição kamikaze ao perigo e à imprudência.

Mata pelos acidentes de trânsito que os próprios machistas causam, já que machista no volante é perigo constante.

Mas também mata pelos acidentes de trânsito que outros causam, pelo descuido dos próprios machistas.

Mata homens ainda jovens, fisicamente saudáveis, entorpecidos pela raiva que os envelhece demais por dentro.

E mata homens no começo da velhice, na medida em que os machistas velhos mal conseguem correr contra o tempo que lhes esgota (sem que eles saibam quando) para fazer alguma coisa útil.

Mata quando os machistas, confiantes na longevidade, morrem mais cedo do que imaginavam.

Mata pelo caducamento das ideias machistas e pela redução de espaços sociais que toleram tais machistas.

Mata pelo ostracismo que faz os machistas desaparecerem aos poucos da sociedade.

Mata pela impunidade judicial que os expõe à insegurança das ruas, em vez da prisão que os protegeria até mesmo do ódio da sociedade.

Mata até mesmo pelo medo desses machistas morrerem.

Mata pelo processo que eles fazem contra a mídia, para não relembrar os crimes que eles cometeram e do qual saíram impunes.

Mata pela noite escura e traiçoeira, cruel até para qualquer valentão.

Mata pelo decorrer dos tempos, que parecem longos mas não são.

E mata pelas lápides silenciosas que os túmulos dos machistas sanguinários reservam para o esquecimento coletivo, enquanto matam os nomes ilustres dos machistas vingativos que quase nunca souberam o que é a punição dos homens, e não tardam a conhecer o que será a punição dos céus.

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