terça-feira, 6 de abril de 2010

CHUVA INTENSA ATINGE RIO DE JANEIRO



Até quando o homem, em nome do "progresso", insistirá em degradar o meio ambiente, e em recusar-se a recuperar o que foi perdido?

Mais uma vez vemos uma grande tempestade matar várias pessoas. Até agora, são 93 mortos, vítimas de deslizamentos de terras.

A situação é tão grave que as autoridades aconselham a população a não sair de casa. A não ser os moradores das áreas de risco, aconselhados pela Defesa Civil a abandonarem suas residências e buscarem outro lugar de abrigo.

É verdade que esses moradores ocupam terrenos de forma irregular, mas isso também é consequência da exclusão imobiliária imposta pelas altas taxas cobradas pelos apartamentos.

O que mostra, também, que as favelas não correspondem à linda imagem de "arquitetura pós-moderna" trabalhada pela retórica do "funk carioca" para evitar que o povo pobre lute por melhores moradias.

Aliás, o deslizamento de terra não aparece no "funk carioca". De jeito nenhum. Se o funqueiro tem irmãos ou amigos mortos pela polícia, ele vai lá e põe isso na letra de seu "funk". Mas se ocorre deslizamento de terras, enchentes, sofrimento da população, ele se recusa a falar nisso. Volta para suas letrinhas animadas, sobre créus e eguinhas, sobre bundas e peitos femininos, cercado de dançarinas com caras de idiotas. Fala que não é obrigado a falar de sofrimento, nessas situações. Mas quando lhe convém, ele fala, para querer a polícia fora dos morros ele faz até um CD inteiro falando nisso.

Temos que pensar em problemas como esse da trágica tempestade que atingiu o Grande Rio, poucos meses depois de algo similar ter castigado os paulistanos. É preciso rever o sistema de escoamento de água, que em muitos locais ainda é da década de 50, e também a questão do uso do solo e do mercado imobiliário, este por demais injusto e seriamente excludente.

Se nada for resolvido, certamente teremos os anos de 2014 e 2016 caóticos, porque também não é garantia alguma se a copa e a olimpíada serão realizadas em dias de sol, com céu de brigadeiro.

É bom investir nos projetos sociais, que é o verdadeiro cartão de visita para os turistas estrangeiros.

Um comentário:

Leonardo Ivo disse...

Alexandre, O favela bass nunca representará o povo favelado. Ele feito para domina-los. Só o samba os reprentava de verdade como nesta letra do compositor Sergio Ricardo, que morava no Vidigal escreveu. Veja:
"Todo morro entendeu quando o Zelão chorou
Ninguém riu, ninguém brincou, e era Carnaval
No fogo de um barracão
Só se cozinha ilusão
Restos que a feira deixou
E ainda é pouco só
Mas assim mesmo o Zelão
Dizia sempre a sorrir
Que um pobre ajuda outro pobre até melhorar

Choveu, choveu
A chuva jogou seu barraco no chão
Nem foi possível salvar violão
Que acompanhou morro abaixo a canção
Das coisas todas que a chuva levou
Pedaços tristes do seu coração."

Esta musica se chama Zelão e tive contato com ela ainda criança na segunda série do primário em 1992 no livro Integrand o Aprender da Editora Scipione, da famigerada Editora Abril. Olha como são as coisas!