sábado, 3 de abril de 2010

CARAS LEGAIS TAMBÉM MERECEM MULHERES LEGAIS


É MAIS FÁCIL UMA BALEIA ENTRAR NA CABEÇA DE UM ALFINETE DO QUE UM NERD ESTAR NA PLATEIA DE UM NOME COMO AVIÕES DO FORRÓ.

No cenário brega-popularesco, a queixa das boazudas, sejam "mulheres-frutas", ex-chacretes ou atrizes de comédia popularesca, ou as marias-coitadas, que são as moças recatadas que curtem brega, é que elas estão sozinhas porque procuram "caras legais" para namorar.

Afinal, quem mandou fazer parte de um "universo" em que os homens são estimulados a ter um comportamento grotesco ou valentão? O que diabos a maria-coitada que curte breganejo quer, se ela rejeita os galãs com pinta de caubói que são o tipo ideal para quem curte esse tipo de música?

Ou então, o que quer a fã de sambrega, de "pagode mauricinho", se os rapazes comuns que parecem muito com Alexandre Pires, Vaguinho, Netinho de Paula, Belo, e tantos outros são rejeitados por essas garotas? Na plateia, ela chama lindo aquele mulato mauricinho com cabelo tingido de loiro, e na vizinhança vem um cara igualzinho pedindo ela em namoro e ela recusa.

E as fãs de forró-brega, que reclamam da solidão, mas quando vão para eventos do gênero, recusam tudo quanto é pretendente, podendo ele ser o sósia do Brad Pitt. Vão para esses eventos só para comer bolo de fubá e dançar com as amiguinhas, e depois vão embora como se nada tivesse acontecido, como quem foi para um supermercado matar a sede no bebedouro e depois ir embora.

Enquanto isso, essas moças quando veem um nerd mas intelectualizado, modesto mas com uma inteligência crítica insuspeita, só falta elas estuprarem o cara. Se um cara desses for jornalista e, por razões profissionais, ir a uma apresentação do Saiddy Bamba, em Salvador, o risco dele receber assédio sexual das garotas da plateia é altíssimo. E olha que o nerd nada tem a ver com aquele ambiente social, ele está ali para trabalho, e no entanto as gartoas parece que veem nele um galã de novela, parece que elas nunca viram homem na vida.

Será que é essa a sina dos homens legais? Será que ter uma personalidade que combina senso crítico, sensibilidade emocional, simplicidade e jovialidade, é um grande erro? E que nós temos é que montar empresa, instalar restaurante em bairro nobre, para termos garotas que signifiquem um convívio mais substancial.

Homens legais querem mulheres legais, que deem para conversar, para trocar ideias, para trazer também inteligência para eles. As mulheres que de uma forma ou de outra lidam com os referenciais bregas não são mulheres legais. De jeito nenhum. Sejam boazudas ou marias-coitadas, elas mais parecem remanescentes de um projeto de mulher imposto pela supremacia machista, umas servindo para o recreio sexual deles, outras para a escravidão doméstica para eles.

Mas se até os machistas aparentemente se enjoaram delas, e que, por outro lado, essas mulheres passaram a ter medo até de namorar seus próprios vizinhos, elas acabam se condenando para a solidão irremediável. Solidão agravada pela péssima propaganda dos homens da periferia ou do interior pelos programas policialescos de TV ou pela imprensa populista, que, mais do que a história do "homem do saco" para as crianças, faz as mulheres dos subúrbios e zonas rurais terem medo até dos homens que se parecem com os mesmos ídolos musicais delas.

Dessa forma, nós, caras legais, pagamos pelo preço de nos limitarmos a poder conquistar mulheres que não sabem conversar, que não têm o que dizer, que não tem coisas interessantes a nos transmitir. Quando muito, só dá para falar de produto de supermercado, de qual padaria faz o maior pão, ou então falar mal de pessoas que soltam balões ou dos buracos das ruas causados pelo temporal anterior.

A mulher legal une virtudes morais com inteligência. Não pode sucumbir a uma personalidade infantilizada, piegas, ingênua, dotada de referenciais cafonas, presa na sua rotina de ver programas de TV aberta ou ouvir as piores FMs (num tempo em que a Frequência Modulada vive uma decadência profunda).

A mulher legal tem independência, não somente formal - como ter um emprego próprio - mas da maneira como encara a vida, refletindo de maneira própria, tendo opinião própria, falando bem, gesticulando bem, ainda que sem o rigor da etiqueta (até porque isso faria as mulheres tornarem-se chatas, como já faz com os homens).

A mulher que não superar a situação subordinada imposta pelo machismo, das mulheres-objetos e das mulheres-coitadas, não poderá pegar rapazes dotados de caráter e inteligência desenvolvidos. Mulheres que se comportam assim se conformam com sua situação subordinada, basta se consolarem com as músicas breganejas, sambregas e cafonas em geral que rolam no rádio, de Fábio Jr. a Pixote, de Belo a MC Leozinho, de Waldick Soriano a Bruno & Marrone, ou então os Aviões do Forró e Calcinha Preta da vida.

Quem se apoia nesses ídolos e nos valores cafonas, carregando demais no sentimentalismo tolo e infantilóide, só resta mesmo deixar de escolher homens e pegar os que estão na vizinhança. Com toda a propaganda que a mídia policialesca faz contra esses homens, superestimando o caráter perigoso de apenas uma pequena parte deles.

Os homens legais não querem mulheres cafonas. Os homens legais querem mulheres legais.

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