sexta-feira, 9 de abril de 2010

BRASIL NÃO SERÁ POTÊNCIA COM CULTURA BREGA



O Brasil é um país emergente, considerado uma potência mundial do futuro. Está na mesma situação que Rússia, Índia e China, daí formando um bloco de países emergentes que os especialistas denominam como BRIC, usando as iniciais dos quatro países.

Reconhece-se que o país progrediu muito economicamente, além do aspecto político ser legalmente democrático. Mas o país não atingiu a prosperidade esperada, estando longe até mesmo das metas que se pretendia atingir em 1964, quando o golpe militar pôs tudo a perder.

Afinal, do contrário do período 1958-1964, quando se esforçava para se ter um desenvolvimento econômico arrojado com justiça social plena, hoje temos um desenvolvimento econômico que, por mais que procure estabelecer a inclusão social, é ainda bastante excludente.

Muitos dos intelectuais que viveram entre 1958 e 1964 estão mortos. Não há mais grandes pensadores da educação e, o que é pior, há uma retórica sentimentalóide e confusa da grande mídia achando que Educação é só ensinar a criança a ler, escrever e jogar bola. As ONG's, não todas, mas parte delas, se empenham em fazer o mesmo papel dos antigos CPC's da UNE, dando sua pequena contribuição que carece do apoio das autoridades e da sociedade.

Além disso, a chamada cultura brega, lançada pelos latifundiários para transformar as classes populares em caricaturas de si mesmas, impondo-lhes conformismo, resignação social e uma personalidade patética e estereotipada, cresceu tanto nos últimos anos que hoje ameaça a sobrevida da MPB autêntica e mesmo do folclore popular, comprometendo a transmissão de conhecimento e valores sociais sólidos entre as classes mais pobres e entregando a música brasileira para a hegemonia sorridente de meros lotadores de plateias, cercados de seus defensores reacionários e esquentadinhos.

Fala-se que a cultura brega e suas ramificações neo-bregas - quando o ideal cafona se dissolve numa suposta "diversidade cultural" - é a "verdadeira cultura popular". Só porque o cantor tal e o grupo qual lotam plateias com "facilidade"? E essa declaração, tão cínica, esconde o fato de que a popularidade desses cantores e grupos se efetiva com muita campanha na imprensa, muitos factóides, muitas bobagens e muito lero-lero.

Além disso, que "força criadora" têm esses cantores que, depois de uns débeis cinco sucessos, se nivelam a meros crooners gravando DVD's ao vivo um atrás do outro, gravando covers, duetos, sem acrescentar coisa alguma de nova na música brasileira? Temos que fingir que eles são os "grandes artistas", os "grandes criadores", assim? Não criticá-los sequer nas coisas mais amenas?

O Brasil brega nunca será desenvolvido. Nunca será potência. Será uma economia "desenvolvida" de um povo subdesenvolvido. Será um grande circo do entretenimento que mal consegue disfarçar a anemia cultural do povo.

O Brasil brega mostra um povo subordinado, patético, feliz com seu sofrimento, como um débil-mental. Mostra cantores e grupos medíocres, em espetáculos superproduzidos, para disfarçar seu péssimo talento, quando muito equiparado ao dos calouros de programas de auditório, com seus talentos falhos que os defensores desses cantores e grupos se recusam a enxergar.

A mediocridade cultural não traz conhecimento, não cria valores sociais sólidos, não traz justiça social. É apenas enchimento de linguiça para garantir a audiência de rádios e TVs e os lucros das gravadoras e das casas de espetáculos. É apenas um "calmante", um "dopante", para tranquilizar as massas às custas de patéticos cantores e conjuntos de talento artístico bastante sofrível, por mais que seus irritadinhos defensores neguem isso.

Encher plateias não garante mérito algum de um cantor ou grupo medíocres, até porque, na cultura de cabresto aplicada à música brasileira, o povo é levado feito gado pela mídia para seguir os ídolos máximos da mediocridade.

É a Música de Cabresto Brasileira barrando a evolução cultural de nosso povo. E que não vai deixar o Brasil ser, de fato, um país verdadeiramente desenvolvido.

Um comentário:

Lucas Rocha disse...

Será que o Brasil é mesmo um país portador dos males de Parkinson e Alzheimer?