sábado, 10 de abril de 2010

40 ANOS DO FIM DOS BEATLES


ÚLTIMA APARIÇÃO AO VIVO DOS BEATLES, NO TERRAÇO DO EDIFÍCIO DA APPLE RECORDS, EM 30 DE JANEIRO DE 1970.

Em 30 de janeiro de 1970, os Beatles tocaram ao vivo juntos pela última vez. John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, tocaram algumas músicas, entre elas "Get Back" e uma canção obscura da primeira fase, "One After 909". Era apenas uma pequena quebra do jejum de cerca de quatro anos, já que em 1966 os quatro músicos de Liverpool decidiram abandonar os palcos porque não conseguiam escutar o que eles próprios tocavam devido à histeria das fãs, e também porque queriam fazer experimentações artísticas, na condição de músicos de estúdio.

No entanto, a breve reunião ao vivo não afastou as tensões entre os quatro ingleses, que já tinham, cada um, uma individualidade muito forte, e desde 1968 já havia registros e atividades solo dos integrantes dos Beatles. Isso fazia com que os interesses de cada um dos músicos entrasse em choque, e desde 1968 as divergências eram fortes. O próprio disco The Beatles, depois denominado The White Album devido à sua capa, evidenciava as diferenças artísticas de John, Paul, George e Ringo.

Os Beatles foram um grupo com uma experiência muito rica e intensa, para os dez anos de existência, entre 1960 e 1970, sendo que desde 1962 com a formação que se tornou célebre e popular. Do contrário que certos granfinos tentam nos fazer crer, os Beatles não estavam isolados do cenário musical em que viviam. Durante sua trajetória, os quatro rapazes de Liverpool conviveram com os Rolling Stones, Who, Animals, Gerry & The Pacemakers, Pink Floyd fase Syd Barrett, Yardbirds, Jeff Beck Group, Cream, Hollies, Herman's Hermits, David Bowie, Led Zeppelin e Deep Purple, só para citar seus compatriotas. Mas também entrosavam com Bob Dylan, Jimi Hendrix, Frank Zappa, Byrds e Beach Boys (sobretudo na permuta musical entre os dois grupos, com o curioso fato de que dois dias separam os nascimentos de Paul McCartney e Brian Wilson).

Os Beatles fizeram os adolescentes de todo mundo juntarem suas mesadas e comprarem seus instrumentos, para formar suas bandas. Os quatro ingleses impulsionaram um riquíssimo cenário de rock que teve seu auge em 1967, quando muitos álbuns conceituais foram lançados, incluindo os discos dos Beatles Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band e Magical Mystery Tour.

Por isso, acabou sendo um choque quando Paul McCartney anunciou que saiu dos Beatles, em 10 de abril de 1970. Só depois vieram fatos que confirmaram os motivos da saída que resultou na dissolução do grupo. Havia atritos entre Paul e os guitarristas John e George porque o primeiro não gostou do resultado deixado pelo produtor Phil Spector para o disco Let It Be (o único sem a batuta do maestro George Martin e gravado antes de Abbey Road, de 1969), enquanto os outros dois gostaram. Também Paul estava insatisfeito com os rumos da Apple Records, selo administrado pelo grupo, e estava tocando seu primeiro disco-solo, McCartney, e queria levar a frente seu projeto individual.

Com a saída de Paul, semanas depois John Lennon declarou na famosa entrevista à revista Rolling Stone, que o sonho acabou. Lennon haveria, depois, de reforçar seu ceticismo compondo a música "God", em que dizia não acreditar, entre outras coisas, nos próprios Beatles, mas apenas nele e em Yoko Ono, sua esposa.

Rumores sobre as possibilidades de reunião dos Beatles apareceriam na virada dos anos 70 para os 80, quando John e Paul voltaram a estabelecer contato. No entanto, o assassinato de John Lennon sepultou de vez as esperanças.

Em 1995, os três então sobreviventes fariam gravações inéditas em acompanhamento a gravações demo deixadas por John, acrescentando melodias e arranjos juntamente com George Martin e com o líder do Electric Light Orchestra, Jeff Lynne, escudeiro musical de George Harrison.

Em 2001, o caçula dos Beatles morreu vítima de um triplo câncer no cérebro, na garganta e no pulmão.

Um comentário:

Marcelo Pereira disse...

Por não gostar do trabalho de Spector, que anos atrás foi lançado o "Let it be Naked", versão que McCartney gostaria de ter lançado na época.