sexta-feira, 30 de abril de 2010

THE LA'S - CAIXA COMEMORA 20 ANOS DO ÚNICO LP



Um dos melhores álbuns de 1990 é praticamente desconhecido no Brasil. E surpreende por sua genialidade em todas as faixas. Trata-se de The LA's, álbum do grupo do mesmo nome, que depois de Beatles, Echo & The Bunnymen e outros grupos, fizeram a fama musical da cidade inglesa de Liverpool.

Talvez o grande pecado desse disco dos LA's seja ter sido lançado em 1990. No Reino Unido, tudo bem, porque as bandas geniais desse país eram bem populares nacionalmente, mas fora de seu território só conseguiam vingar no circuito alternativo dos EUA e olhe lá.

No Brasil, lamentavelmente, a mídia roqueira passou a se ocupar de bandas de funk metal (nada contra, mas, só isso?) ou então a endeusar as bandas de poser metal ou "metal farofa". O grande preconceito contra os ingleses fazia vários críticos e radialistas imaginarem que todas as bandas soavam como Stone Roses e Happy Mondays. Grande erro.

Por isso, talvez os LA's tivessem mais sorte se este LP tivesse sido lançado em 1967. Pois o astral do álbum é esse mesmo. É um álbum dos anos 60 lançado em 1990, porque vemos no disco influências de Beatles (é claro!), Rolling Stones, Byrds, Who, Beach Boys, enfim, a nata do rock sessentista dos dois países, EUA e Reino Unido. Tem elementos de mersey beat, folk rock e psicodelia.

E essas influências, como nas melhores bandas de garagem dos anos 60, não soam como mera cópia, mas como elementos que enriquecem a expressão artística. The LA's, seguramente, é até mais importante que, por exemplo, Nevermind do Nirvana que é até um bom álbum, mas nada revolucionário.

O disco dos LA's, sim, é revolucionário, não talvez por trazer um elemento inédito, afinal suas músicas são influenciadas pelos anos 60, mas pelo fato de trazer a beleza das melodias de volta, depois de um mainstream dos anos 80 sujeito à overdose de sintetizadores e dançarinos.


LEE MAVERS, O GENIAL CANTOR, GUITARRISTA E COMPOSITOR DOS LA'S.

Os LA's, por incrível que pareça, não tem seu nome relacionado com o vocalista e guitarrista Lee Mavers, que nem foi o líder original da banda. O grupo surgiu em 1983 por iniciativa de Mike Badger, outro guitarrista e vocalista, que decidiu pelo nome da banda por influência de um sonho. A banda, de fato, iniciou suas apresentações em 1984, quando Badger contava como parceiros Lee, o baixista John Power e um rodízio de bateristas.

As formações dos LA's mudaram tanto que é difícil creditá-las completamente aqui. Quem quiser, que consulte o texto sobre o grupo no Wikipedia. Sabe-se que em 1986 Mike Badger deixou os LA's e segue sua carreira até hoje, com outras bandas ou em trabalhos solo.

Ao longo dos anos 80, o grupo só lançou compactos. Daí a coletânea Callin' All (nome de uma das músicas do grupo) ser lançada, em comemoração aos 2o anos de The LA's, com NADA MENOS que 84 MÚSICAS. Uma caixa com quatro discos, para singles e B-sides, outro para versões raras em estúdio e outros dois com versões ao vivo.

Os LA's foram elogiados por Morrissey e até a revista Billboard - espécie de equivalente musical do FMI - teve que reconhecer a força do grupo inglês. Foram "jocosamente" citados em 1991 numa reportagem sobre o grupo de indie dance The Farm na extinta revista Melody Maker e, por comparação, numa propaganda do disco de estreia do grupo Real People. Farm e Real People, que tiveram discos lançados no Brasil, do contrário dos LA's, também são de Liverpool.

O único álbum oficial do grupo conta com apenas doze faixas. Apenas, não, porque se trata de uma dúzia de grandes canções. Quase todas elas são de 1990, porque "There She Goes", influenciada pelo som dos Byrds, é de um compacto original de 1988. Mas se "There She Goes" é a mesma versão de compacto, o mesmo não ocorre com "Way Out", música do primeiro compacto da banda, de 1987, que no LP foi regravada (ambas as versões, diferentes, acabam tendo, cada uma, uma beleza própria). O disco foi produzido por Steve Lillywhite, o super-produtor de U2, Big Country, Simple Minds e Morrissey, entre outros.

Não vamos aqui comentar faixa por faixa, porque você, caro leitor, terá que correr atrás do disco. É genial do começo ao fim. Também não vou botar vídeo anexo porque você, leitor, terá que correr atrás mesmo. No You Tube há vários arquivos com canções do grupo. Vale a pena ouvi-las.

O disco encerra com uma balada, "Looking Glass", que se influenciou pelos Beatles até nos recursos, já que num medley disfarçado, como em "All You Need is Love", cita várias outras canções dos LA's, e o final se acelera numa tensão que se encerra no fim da música, como em "A Day in The Life".

Os LA's se separaram pela primeira vez em 1992. Voltaram a excursionar em 1994 e 1995. Mas o baixista John Power acabou deixando o grupo, para se concentrar na banda Cast. Ele retornou brevemente para uma turnê em 2005, mas depois saiu definitivamente.

THE LA'S PARA INICIANTES

- A música "There She Goes" foi lançada no Brasil numa coletânea de rock internacional lançada pela Polygram (atual Universal Music) em 1991. Não me lembro que coletânea foi.

- A mesma música fez sucesso nas rádios pela regravação do grupo ex-gospel Sixpence None The Richer.

- A influência dos LA's se nota no penteado do guitarrista Noel Gallagher (idêntico ao de Lee Mavers) e no som de sua ex-banda Oasis. "Champanhe Supernova", por exemplo, tem uma leve influência de LA's.

- Algumas músicas dos LA's foram divulgadas no programa "Novas Tendências", de José Roberto Mahr. Numa promoção do programa, eu ganhei uma fita k7 do citado LP do grupo, no final de 1992. Ainda tenho esta fita, mas baixei o CD no EMule com algumas faixas bônus.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

HINO DO SENHOR DO BONFIM TEM ATÉ MUTANTES



O grande público, sobretudo na Bahia, já conhece a famosa gravação do Hino do Senhor do Bonfim, que até rola em certos programas de rádio ou em propagandas. Mas não tem ideia da data e de quem interpreta a canção, acreditando ser uma canção "secular" gravada por um coral do Corpo dos Bombeiros.

Só que o que o pessoal não sabe é que até o lóki Arnaldo Baptista, o gênio psicodélico dos Mutantes, está presente nesta "comportada" gravação. E, por conseguinte, até Rita Lee está presente na gravação.

Trata-se da versão da música de João Antônio Wanderley presente no disco Tropicália ou Panis et Circensis, de 1968, arranjada pelo falecido maestro Rogério Duprat e interpretada pelos nossos conhecidos e ativos Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Mutantes. Mutantes, diga-se de passagem, era então Rita Lee, seu então namorado Arnaldo Baptista e o irmão deste, Sérgio Dias Baptista (depois um entusiasta extremo do rock progressivo).

Pois um dos mais cult e excêntricos grupos brasileiros, espécie de "patrono" não-oficial do circuito independente paulista (Baratos Afins, sobretudo) e idolatrado pelos universitários estrangeiros, os Mutantes, fazem coro nessa música famosa pelo refrão "Nesta sagrada colina...". E olha que boa parte dos católicos que cantam o Hino torcem o nariz para os Mutantes, mas eles estão todos lá.

Disco é cultura.

terça-feira, 27 de abril de 2010

A VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA DOS FÃS DE MÚSICA COMERCIAL



"Meu ídolo tal é comercial? Só porque lota plateias e vende um milhão de discos? E o seu, babaca, não é comercial, não?"

Substitua "meu ídolo" por Beyoncè, Chiclete Com Banana, Zezé Di Camargo & Luciano, Alexandre Pires, Bon Jovi, Waldick Soriano ou similares.

Substitua "e o seu (ídolo)" por New Order, Egberto Gismonti, Edu Lobo, Smiths, Police, Jethro Tull, João Gilberto, Flávio Venturini ou similares.

É aquela velha violência psicológica dos fãs de música comercial. Velha não no sentido cronológico, porque esse recurso da juventude reacionária vem lá dos anos 90, que, para mim, é o mesmo que ontem (coisa antiga, antiga mesmo, para mim, é de 1974 para trás). Velha, no sentido ideológico, de ideias retrógradas, ultrapassadas, vindas de uma juventude que se diz "moderna" e quer fazer suas opiniões prevalecerem na marra, daí o reacionarismo rabugento e esquentadinho.

É claro que existe música comercial e não-comercial. Esses idiotas não reconhecem isso. Quando fulano diz que um artista não-comercial é "comercial", usando argumentos superficiais e confusos - como, por exemplo, o músico não-comercial ganhar dinheiro por sua música - , é porque, na verdade, o fulano quer defender a reputação dos intérpretes comerciais. É como se ele quisesse, por exemplo, colocar uma cantora de axé-music no primeiro time da MPB. Sílvia Telles é que foi mercenária. Arre!

Ganhar dinheiro, por si só, não significa comercialismo. Significa o natural ganha pão. E o verdadeiro artista não usa o dinheiro como causa em si própria. Quando se fala em arte não-comercial, não se fala que fulano faz música de graça, mas que o dinheiro não é o motivo da produção artística. É só uma consequência, a arte não busca garantir o faturamento fácil, a arte é a expressão natural da consciência humana.

Na música comercial, todavia, o dinheiro manobra cada passo do cantor ou grupo. Não se trata de manifestação natural da consciência humana, da expressão do espírito, da expressão da beleza. Se trata de uma produção artificialmente artística, que é tendenciosa em si, porque o dinheiro torna-se a musa maior desse intérprete. Por exemplo, se a cantora de axé-music ver que a moda não é mais gravar samba-reggae e sim covers de Bossa Nova, então ela vai fazer esses covers, não por vontade natural, mas porque é o imperativo do mercado.

Vejam o som do New Order, por exemplo. Um grupo de pessoas esquisitas, saídas do sombrio Joy Division, que teve vocalista que se suicidou e tudo. Gente fazendo uma mistura excêntrica de rock com dance music, capaz de compor disco music com o mesmo astral sombrio dos tempos do Joy Division. O que é "Blue Monday", por exemplo, senão uma disco music glacial? Os caras não querem saber de moda, Bernard Sumner não está aí se as pessoas gostam ou não do talento dele (que, cá para nós, é inegável). Peter Hook, hoje meio brigado com os parceiros e fora do NO (hoje convertido em Bad Lieutenants), não quer tirar satisfação alguma, quer tocar seu baixo conforme seus neurônios e seu temperamento pedem.

Já uma Beyoncè é muito tendenciosa. Se a moda é fazer músicas com som de fliperama, ela tem que fazer. Se a moda é dançar algo parecido com o rebolation (REBOLEJO), ela dança. Não porque ela quer, mas porque o mercado pede. Beyoncè é marqueteira, assim como Lady Gaga, isso da forma mais mercantil possível. Nada de arte, nada da pessoa fazer o que realmente quer, mas porque é o que o mercado unificado do gangsta rap e do charm (erroneamente chamado de rhythm and blues) impoem, pedem, determinam. É um mercado que pede moças lindas e esculturais como Beyoncè, ou falsas esquisitonas como Lady Gaga.

A lógica da verdadeira arte é o artesanato. A lógica da "cultura" comercial é a indústria. Na verdadeira arte, está a expressão do espírito e a transmissão social de conhecimento. O dinheiro só vem como consequência e efeito, mas não é o fim da produção artística. Na "arte" comercial, está a linha de montagem, as fórmulas de mercado, o desejo puro de lucro fácil, imediato e maior.

Portanto, se o pessoal gosta de música comercial, que goste, mas que não fique adotando discursos reacionários e pseudo-cabeça. Não banquem os engraçadinhos acusando os artistas não-comerciais de comerciais. Também não venham dizer que a finalidade maior do ser humano é ganhar dinheiro. E também não venham posar de esquerdistas, se apresentam argumentos tão neoliberais. Deixem de ser hipócritas, se odeiam mesmo hipocrisia. E respeitem quem não está incluído nos padrões mercantis do hit-parade.

domingo, 25 de abril de 2010

DEFENSORES DO BREGA-POPULARESCO FINGEM REJEITAR A REDE GLOBO



Pesquisando os comentários das pessoas que defendem a música brega-popularesca, ao que parece o exemplo de Eugênio Raggi e Olavo Bruno não é único na Internet.

Existem outras pessoas que, em dadas instâncias, defendem Alexandre Pires, Banda Calypso, Zezé Di Camargo & Luciano, DJ Marlboro, Ivete Sangalo, Exaltasamba e outros ídolos popularescos, em outras instâncias falam mal da Rede Globo, seus programas e seu poderio.

Não sei o que eles querem com isso. Mas posso supor que deve ser uma forma de tentar dar uma falsa boa impressão às pessoas, para tentar convencer os incautos de que tais defensores não são adeptos da grande mídia e são "midiaticamente independentes".

Fala sério. Sabemos que isso está longe de ser verdade, afinal, eles têm que defender também a Rede Globo, já que os ídolos musicais que eles defendem, embora tenham trânsito em outras emissoras - como SBT, Record e Bandeirantes - , só se tornaram grandes astros por causa da emissora dos irmãos Marinho.

Portanto, não adianta esse pessoal bancar o espertinho, se queixar que a Globo manipula e tudo o mais, se seus "heróis" da música pouco ou nada seriam sem o apoio da Globo.

sábado, 24 de abril de 2010

"RÁDIO GLOBO AM" FM - RÁDIO FM VOLTA À PRÉ-HISTÓRIA



Quem sintonizar, daqui a uns dez dias, a clone em FM da Rádio Globo AM, cujo anúncio na Internet causa um suspeito rebuliço e um entusiasmo exagerado entre radiófilos pelegos, é bom se preparar.

Definitivamente, não será o rádio AM, em seus tempos áureos, que irradiará brilhantemente na Frequência Modulada. De jeito nenhum.

Primeiro, porque há muito tempo a antiga Rádio Globo AM, direitista, golpista mas pelo menos com uma programação decente, divertida e informativa, não existe mais. Mesmo transmitida somente em AM, a Rádio Globo era apenas sombra do que existia até pelo menos 20 anos atrás.

Se os mais renomados especialistas em rádio, com humildade e realismo, falam que a era dos grandes comunicadores de rádio já passou, pois o rádio atual cada vez mais sucumbe à linguagem superficial da TV aberta, então não podemos fingir otimismo e achar que meros comediantes frustrados, convertidos na recente geração de "comunicadores", mantenha a qualidade dos tempos áureos.

Com raras exceções, o "rádio AM" a ser transmitido na marra pelas ondas de FM simplesmente manterá o nível duvidoso e discutível da TV aberta. Sem qualquer preocupação com a verdadeira cidadania.

A programação será mais ou menos como as antigas FMs do Norte/Nordeste dos tempos da ditadura militar, sobretudo durante o governo Médici, com seu ranço populista conservador, a pré-história do rádio FM brasileiro. O rádio FM regrediu, com certeza.

É o ritmo da grande mídia, mais preocupada com a concentração de poder de seus donos, com o controle social da população através de uma programação "asséptica", e com a ganância pelo lucro fácil, imediato e maior.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

MACHISMO MATA TAMBÉM OS PRÓPRIOS MACHISTAS



Se o machismo mata a mulher à vista, pela vingança dos homens "traídos", ele também mata os próprios machistas, à prestação.

Mata pelo álcool que os machistas consomem aos montes nos fins de semana.

Mata pela nicotina tragada aos montes por pura obsessão e que destrói os já cansados pulmões machistas.

Mata pelas drogas que eles consomem para se auto-afirmar.

Mata pelos desafetos que encontra pela frente, mais armados do que eles.

Mata pelos sustos que os machistas levam quando veem pela frente os entes queridos de suas vítimas.

Mata pelos olhares de desdém das pessoas que os reconhecem como algozes.

Mata pela tragédia que os machistas reservaram às próprias mulheres, mas que eles mesmos não querem assumir para si, mas que sofrerão em dobro ou até pior.

Mata pelo câncer que eles recusam a admitir que têm e que se agrava sob seu silêncio e omissão.

Mata pelo enfarte que os surpreende quando eles menos esperam.

Mata por outras doenças que eles contraem, da AIDS à dengue, pela exposição kamikaze ao perigo e à imprudência.

Mata pelos acidentes de trânsito que os próprios machistas causam, já que machista no volante é perigo constante.

Mas também mata pelos acidentes de trânsito que outros causam, pelo descuido dos próprios machistas.

Mata homens ainda jovens, fisicamente saudáveis, entorpecidos pela raiva que os envelhece demais por dentro.

E mata homens no começo da velhice, na medida em que os machistas velhos mal conseguem correr contra o tempo que lhes esgota (sem que eles saibam quando) para fazer alguma coisa útil.

Mata quando os machistas, confiantes na longevidade, morrem mais cedo do que imaginavam.

Mata pelo caducamento das ideias machistas e pela redução de espaços sociais que toleram tais machistas.

Mata pelo ostracismo que faz os machistas desaparecerem aos poucos da sociedade.

Mata pela impunidade judicial que os expõe à insegurança das ruas, em vez da prisão que os protegeria até mesmo do ódio da sociedade.

Mata até mesmo pelo medo desses machistas morrerem.

Mata pelo processo que eles fazem contra a mídia, para não relembrar os crimes que eles cometeram e do qual saíram impunes.

Mata pela noite escura e traiçoeira, cruel até para qualquer valentão.

Mata pelo decorrer dos tempos, que parecem longos mas não são.

E mata pelas lápides silenciosas que os túmulos dos machistas sanguinários reservam para o esquecimento coletivo, enquanto matam os nomes ilustres dos machistas vingativos que quase nunca souberam o que é a punição dos homens, e não tardam a conhecer o que será a punição dos céus.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

HISTÓRIA DE BRASÍLIA



por Alexandre Figueiredo - editor deste blog

Brasília completa 50 anos. É relativamente uma cidade jovem. Mas seu projeto é muito antigo e desde a colonização do país já se cogitava em criar uma capital no interior do país. No entanto, a primeira capital do Brasil foi Salvador, na Bahia, entre 1578 e 1763, e o Rio de Janeiro, de 1763 a 1960. Cidades litorâneas, pois o litoral era a área mais povoada num país novo, explorado oficialmente a partir de 1500 e certamente não descoberto então, porque o que chegava de estrangeiros à terra nova da América do Sul se perdia no tempo. O Brasil tinha um interior pouco conhecido por seus exploradores, e ainda havia o acordo territorial de Tordesilhas, dividindo o país entre a metade portuguesa e a metade espanhola.

Considera-se, no entanto, que o interesse mais concreto de construir uma capital no interior do Brasil tenha partido do Marquês de Pombal, secretário de Estado da coroa portuguesa (posição equivalente a de primeiro-ministro), na segunda metade do século XVIII. Não existem evidências quanto a essa intenção, no entanto, mas havia a preocupação estratégica de instalar a capital brasileira para o interior, como medida de defesa do território do país.

Todavia, foi o movimento da Inconfidência Mineira que abraçou a causa da mudança de capital do país. A capital seria em Minas Gerais, talvez Vila Rica, mas o movimento não foi adiante, pois seus integrantes foram posteriormente presos e condenados. A essas alturas Rio de Janeiro era a capital do país, para facilitar o trânsito de minerais para o comércio europeu.

Em 1808, o almirante inglês Sidney Smith sugeriu ao rei Dom João VI a transferência da capital do país para o interior, por motivos estratégicos. A ideia também foi defendida pelo jornalista Hipólito da Costa, do Correio Braziliense, em vários de seus artigos a partir de 1813. Na época dos debates da Assembleia Constituinte, José Bonifácio de Andrada e Silva incluiu o projeto da nova capital no interior do país na pauta de reivindicações enviada para a Corte Constituinte em Lisboa, em 1821. Um ano depois, um deputado redigiu um folheto anônimo reivindicando a nova capital, já propondo o nome de Brasília.

Em 1839, o historiador Francisco Adolfo de Varnhagen lançou uma campanha pela nova capital, sugerindo a princípio a cidade mineira de São João Del Rey, mas depois optando pelo Planalto Central. Apesar destas e de outras iniciativas, o projeto de uma nova capital no centro do Brasil não vingou, mesmo com a repercussão do sonho do sacerdote italiano Dom Bosco, em que uma nova capital no centro do Brasil representaria o início de uma nova civilização.

Com o advento da República, a Assembleia Constituinte incluiu na Constituição de 1891 o projeto de criação de uma nova capital, no artigo 3º: "Fica pertencendo à União, no planalto central da República, uma zona de 14.400 quilômetros quadrados, que será oportunamente demarcada para nela estabeIecer-se a futura Capital federal".

Para levar adiante o projeto, uma equipe comandada pelo diretor do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro, Luís Cruls, foi enviada em 1892 para realizar pesquisas no Planalto Central. Era a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, cujos estudos, que duraram sete meses, resultaram em dois relatórios delimitando, com base na área indicada por Varnhagen, uma área retangular de 90 x 160km, que se tornou conhecida como Retângulo Cruls.

Os relatórios continuam estudos científicos detalhando as condições geográficas, morfológicas, climáticas e topográficas do sítio escolhido, e o Retângulo Cruls passou a ser incluído em todos os mapas brasileiros publicados na República Velha.

As pesquisas de Cruls e sua equipe, no entanto, não deram continuidade, devido à resistência dos parlamentares ao projeto de mudança de capital, reação reforçada com as reformas urbanas realizadas no Rio de Janeiro, sobretudo durante o governo do prefeito Pereira Passos, entre 1902 e 1906.

Na década de 1920 recomeçaram as discussões em torno do Relatório Cruls, retomando a motivação estratégica para a transferência da capital federal para o centro do Brasil. Na década seguinte, em 1933, a Grande Comissão Nacional de Redivisão Territorial e Localização da Capital, sob a presidência do jurista Teixeira de Freitas, recomendou que se ratificasse o disposto na Constituição de 1891 pela Assembleia Constituinte, na elaboração do texto da Constituição de 1934. Mas, em 1937, com a Constituição outorgada naquele ano, por efeito do Estado Novo, a fase ditatorial de Getúlio Vargas, o disposto foi esquecido e excluído do texto constitucional.

Mas o texto reapareceu na Constituição de 1946, que previu também a transformação da então capital, Rio de Janeiro, no Estado da Guanabara. Uma comissão chefiada pelo engenheiro Poli Coelho, ainda em 1946, se dirigiu à área prevista pelo Retângulo Cruls para reconhecer o local. Outra comissão, comandada pelo engenheiro José Pessoa, completou os estudos já realizados e delineou a área da futura capital entre os rios Preto e Descoberto e os paralelos 15º30' e 16º03', abrangendo parte do território de três municípios goianos (Planaltina, Luziânia e Formosa). O parecer foi aprovado.

Em 03 de abril de 1955, no início da campanha eleitoral, o ex-governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek de Oliveira, desceu de avião, diante de chuva, no município goiano de Jataí. No comício realizado, devido ao temporal, num velho galpão, Juscelino afirmou que uma de suas metas era cumprir rigorosamente a Constituição (de 1946), se dispondo depois a ouvir dos presentes os relatos sobre os problemas da nação. Um jovem humilde, Toniquinho da Farmácia, fez, acanhado, uma pergunta que causou forte impacto: "Já que Vossa Excelência está anunciando o propósito de cumprir integralmente a Constituição, queria saber se, eleito fosse, construiria a Capital no Planalto, conforme nela consta?

Juscelino parou por uns segundos, e, paciente, respondeu: "É uma pergunta muito feliz. Não havia pensado, nem os meus assessores, neste problema. Mas vou fazer de sua pergunta o objetivo principal de minha campanha de candidato, e de minha administração, se eu for eleito".

Pouco depois, o projeto de Brasília foi garantido pelo decreto 38.261, do presidente da República em exercício, o presidente do Congresso Nacional Nereu Ramos, em 09 de dezembro de 1955. O decreto transformou a Comissão de Localização da Nova Capital do Brasil em Comissão de Planejamento da Construção e da Mudança da Capital Federal. Presidido por Ernesto Silva, a nova comissão lançou o concurso para a elaboração do plano piloto de Brasília, em 19 de setembro de 1956.

Foi designado para chefiar o Departamento de Arquitetura e Urbanística o arquiteto Oscar Niemeyer, ao qual coube também a abertura de concurso para a escolha do plano piloto. Com uma comissão julgadora composta por Niemeyer, sir William Halford, Stano Papadaki, André Sive, Luís Hildebrando Horta Barbosa e Paulo Antunes Ribeiro, foi aprovado o projeto elaborado pelo arquiteto Lúcio Costa.

Em 02 de outubro de 1956, o presidente Juscelino Kubitschek assinou o primeiro ato de construção da futura capital numa cerimônia feita em sua área. Nesta cerimônia, em campo aberto, Juscelino declarou em discurso "Deste planalto central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino".

O Governo Federal instalou um prédio provisório para acompanhar as obras, prédio conhecido como Catetinho. O pequeno edifício, no entanto, marcou história e por isso foi tombado pelo DPHAN (atual IPHAN) em 1959 e existe até hoje.

A construção de Brasília não foi fácil. Teve forte oposição política, sobretudo do jornalista e político Carlos Lacerda, que tornou-se enérgico rival do presidente, fazendo comentários agressivos e alegando que a construção de Brasília representava desperdício de dinheiro público.

A origem das cidades-satélites - como são conhecidos os bairros de Brasília - já se deu com as moradias então provisórias dos candangos e seus familiares, vindos de diversas partes do país. Eram trabalhadores que atuavam na elaboração da nova cidade, ou que estableciam o comércio para atender aos operários de construção.

Apesar da oposição política e até de incidentes trágicos - como uma chacina que vitimou trabalhadores em protesto, em 1958 - , além das acusações de corrupção do Governo Federal e da preocupação de que as obras poderiam demorar por tempo indeterminado, a construção da cidade se efetivou dentro do prazo previsto, sendo inaugurada em 21 de abril de 1960.

A nova capital, no entanto, parecia ter nascido em parto prematuro, já que havia problemas de saneamento e energia, a vida sócio-cultural era precária, e parte da vida política nacional ainda funcionava no Rio de Janeiro. Brasília iniciava sua caminhada dessa forma, mas valeu o cumprimento do prazo, porque Kubitschek assim não transferiu a responsabilidade para outro presidente.

Mas os infortúnios políticos fizeram com que apenas na década de 90, com Fernando Henrique Cardoso (que em 1960 era sociólogo e professor universitário), Brasília visse um presidente eleito por voto direto completar todo o mandato, de 1994 a 1998. Isso porque os dois presidentes eleitos por voto direto, Jânio Quadros e Fernando Collor, não puderam completar o mandato e, entre eles, houve o governo do vice de Jânio, João Goulart, deposto com o golpe que gerou a ditadura, e, depois desta, a vitória de Tancredo Neves, eleito indiretamente, doente e depois falecido, passando o governo para o vice José Sarney.

FONTES: Manchete, Cruzeiro, Wikipedia.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

COUTO, Ronaldo Costa. Brasília Kubitschek de Oliveira. Rio de Janeiro: Record, 2001.

O ROCK DE BRASÍLIA


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Por restrições cronológicas devido a compromissos pessoais, eu reproduzo um texto do site Rock Brasília. Fico aqui saudando às bandas Aborto Elétrico, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Plebe Rude, Capital Inicial, Finis Africae, Escola de Escândalos, Detrito Federal e tantos outros que batalharam pela cena roqueira da capital federal.

Fica aqui também a dedicação deste tópico às memórias de André Pretorius, Renato Russo e Fejão (Escola de Escândalos).

ROCK DE BRASÍLIA: O QUE É ISSO, AFINAL?

GIOVANI IEMINI - Rock Brasília

O que é rock de Brasília? Olhando assim, com nome e estilo, dá para imaginar um movimento social, uma escola artística, uma associação intelectual. Mas não é nada disso. rock de Brasília é apenas o rock que é feito aqui, nada mais.

Não existe uma “cena”, tampouco uma filosofia ou uma inspiração comum para os roqueiros da cidade. Rock de Brasília é o som variado que sai das diversas caixas nos mais diferentes eventos. Falar em rock de Brasília imaginando algo assemelhado ao grunge de Detroit (EUA) ou o punk inglês é estereotipar e engrandecer os nossos simplórios conjuntos musicais. Não há uma linha condutora, uma produção encorpada, um desejo difundido. Talvez o que mais englobe esse rock de Brasília seja a vontade de fazer o mesmo sucesso que a Legião Urbana alcançou.

Nesta cidade tão compartimentada em setores, o rock também surgiu distinto. Há os punks, os headbangers, os skazeiros, os pop/rock sem discriminação, os clássicos, os modernosos, os experimentalistas, os indie, os forró-core... todos tão iguais e tão diferentes. A maioria prestigiando o próprio umbigo e desconsiderando os que não os felicitam. Talvez a única coisa que os una, além da vontade de fazer sucesso, seja o ódio por axé, pagode e política, tudo que a cidade tem em excesso, além de asfaltos e árvores.

Na verdade, o rock de Brasília é uma grande incongruência, como a arquitetura niemaryana e a câmara legislativa. a boa intenção, o talento e o desejo de construir um “Rock de Brasília” esbarram no objetivo final, a necessidade de sucesso e as concessões em prol dessa vontade. Assim como o arquiteto imaginou monumentos disfuncionais e esdrúxulos, a câmara legislativa faz leis inconstitucionais e desordena a terra e as construções, os roqueiros da cidade não buscam concretizar a única e irrecorrível verdade do roquenrou: a diversão!

Se, ao invés de querer aparecer no Faustão, o rock feito na cidade, que é atemporal e permanentemente gera bandas interessantíssimas, tivesse o objetivo de simplesmente “curtir um som” com os amigos em algum pub/boteco por aí, certamente a admiração e a conseqüente satisfação por este rock de Brasília seriam completos.

E o resto que vá pra micarecandanga.

terça-feira, 20 de abril de 2010

FUNDIÇÃO PROGRESSO, HÁ TEMPOS, SE VENDEU PARA O "FUNK"



O Circo Voador se vendeu completamente para a Música de Cabresto Brasileira, mas a Fundição Progresso, fundada por dissidentes da outra casa de espetáculos, também se vendeu.

Há um bom tempo os dois locais promovem eventos de "funk carioca" (FAVELA BASS), com base daquela demagoga retórica "etnográfica" que sustentou o ritmo durante anos, criando reserva de mercado e se afrouxando para dar espaço à entrada do "rebolation" (REBOLEJO) e do "sertanejo universitário" (SERTANOJO UNIVERSOTÁRIO).

Hoje a Fundição terá apresentação do protegido das Organizações Globo (queiram ou não queiram os "caros amigos"), Mr. Catra ou MC Catra - para quem procura no Google qualquer uma das duas palavras, aqui estão ambas - , que vai mostrar até sua nova dançarina e dar uma de "engajado" com letrinha bajulando a Lei Maria da Penha.

Aliás, quanto "engajamento" assim de uma hora para outra. Parangolé falando de "favela", Psirico falando de "chuva atingindo os morros", e Mr. Catra falando de "direitos das mulheres". Até pouco tempo atrás, esses caras falavam só de glúteos sacolejantes. Por que a mudança repentina de atitude? Aí tem. Mundo tendencioso, esse do brega-popularesco...

ADVINHE QUEM É A NOVA SOLTEIRA DO PEDAÇO?



Sim, Sandra Bullock!! Ao que tudo indica, depois das muitas amantes do então marido e até de rumores de um possível atentado contra a bela atriz, ela, cansada de tanta traição e intriga, já circula sem o anel de casada, além de ter se mudado para outra residência.

De fato, uma mulher como Sandra Bullock não merece um cara como o Jesse James, tão grosseiro, infiel e vulgar.

PÂNICO NA TV FICA EM SEGUNDO LUGAR NO IBOPE



Como tem "coisa importante" na nossa TV. "Muito importante". O Pânico na TV, da Rede TV!, com toda sua (falta de) graça, alcançou o segundo lugar no Ibope.

A "façanha" só não ocorreu antes, segundo o apresentador e (não) humorista Emílio Surita (que, na prática, foi um dos mestres dos antigos locutores das rádios pseudo-roqueiras), porque os espectadores estavam vendo o Big Brother Brasil. Nada "mais importante", né?

Saudades dos tempos em que game shows traziam questões sobre filosofia e havia musicais na televisão. E os ídolos universitários se chamavam Edu Lobo, MPB-4, Quarteto em Cy, Marília Medalha, Carlinhos Lyra, Sérgio Ricardo, Sidney Miller e Geraldo Vandré.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

REDE GLOBO CANCELA VÍDEO ACUSADA DE TENDENCIOSISMO ELEITORAL



Durou pouco a festa da Rede Globo. Veja aqui os detalhes em texto publicado no portal Terra e reproduzido por Paulo Henrique Amorim:

Globo decide suspender comercial acusado de ser pró-Serra

Claudio Leal

Para não “ser acusada de tendenciosa” e favorável a José Serra (PSDB), a Central Globo de Comunicação decidiu suspender a veiculação da campanha institucional dos seus 45 anos. Segundo a emissora, a propaganda havia sido elaborada em novembro de 2009.

O coordenador da campanha da pré-candidata Dilma Rousseff (PT) na internet, Marcelo Branco, criticou a “mensagem subliminar” da propaganda, acusando-a de inspirar-se no lema de Serra, “O Brasil pode mais”. No texto lido por atores e jornalistas, há a repetição da palavra “mais”: “Todos queremos mais. Educação, saúde e, claro, amor e paz. Brasil? Muito mais. É a sua escolha que nos satisfaz. É por você que a gente faz sempre mais”. A idade da Globo, 45 anos, coincide com o número da legenda do PSDB, 45.

SINAL DOS TEMPOS: POR QUE AGORA AS BOAZUDAS FICAM SOLTEIRAS COM FACILIDADE?


JOANA MACHADO, EX-NOIVA DO JOGADOR DE FUTEBOL ADRIANO.

O que deu com as boazudas hoje em dia, que ficam sozinhas com tanta facilidade?

Em outros tempos, elas eram comprometidíssimas, seja com jogadores de futebol, boxeadores, lutadores de jiu-jitsu, banqueiros do jogo-do-bicho, dirigentes esportivos, dirigentes carnavalescos, comerciários, empresários de rinhas de galos, ou até mesmo gerentes de motéis de rodovia. Sem falar nos policiais, é claro.

Mas agora elas ficam sozinhas. A ex-noiva do jogador Adriano - o tal "imperador" - rompeu com ele porque, segundo rumores, estava apaixonada por um policial. Mas os rumores foram só rumores, e ela está sozinha, mesmo.

O que é que está havendo? Quando se vê a palavra "está solteira" no Google, a maior parte dos linques é de ex-integrantes do Big Brother Brasil. Mas já apareceu Gretchen (que felizmente reatou com o marido), Rita Cadillac e até a cantora dos Aviões do Forró, que eu pude ver grávida num vídeo que passou numa loja (eu passeava pelo shopping então).

Quanta diferença se você colocar a expressão "she's currently single" no Google. Embora não apareça uma Angie Harmon da vida (Angie Harmon está casada, meu irmão...), mas pelo menos aparecem jovens atrizes emergentes, de seus 23, 30 anos. Aparece uma Kaley Cuoco (a deliciosa vizinha de Big Bang Theory e até uma Vanessa Williams, ex-miss, linda mulata de olhos claros, de beleza bem sensual.

Mas, no Brasil marcado por um machismo podre mas resistente, as boazudas hoje é que são as "currently single". Nem os machistas as querem mais, e já se foram os tempos em que um bicheiro velho, vestido de forma espalhafatosamente cafona com seu medalhão em volta do pescoço, aparecia ao lado de uma boazuda que era sua namorada ou, quiçá, esposa. Isso nem foi muito outrora, até os anos 80 havia casos assim.

Mas agora nós, nerds, termos que tomar muito cuidado porque o preço de nossa inteligência corre o risco de ser pago com o assédio de mulheres cuja única coisa que pensam em fazer é viver mostrando seus corpos exibicionistas e sem conteúdo.

"RÁDIO GLOBO AM" FM - TÃO "MOLEQUE" QUANTO A REDE GLOBO



Para comemorar os 45 anos da Rede Globo de Televisão, o Sistema Globo de Rádio lançará daqui a duas semanas a clone em FM da Rádio Globo AM do Rio de Janeiro, que já comete, mesmo de maneira diferente, a mesma molecagem que marcou a emissora do Projac.

Sabe-se que a Rede Globo de Televisão, ou, primeiramente, a TV Globo do Rio de Janeiro, nasceu de uma outorga fraudulenta, porque teve a participação de capital estrangeiro, no caso a corporação Time-Life, o que é considerado ilegal. A Globo News, por sua vez, conta com a participação acionária da Fox News, do magnata Rupert Murdoch.

A Rádio Globo não vem com participação de estrangeiro, mas usa a dupla transmissão AM/FM como outra molecagem. É para pedir empréstimos superfaturados do governo e dos bancos, para assim aumentar o poder financeiro através do sucateamento do rádio AM e da erosão cultural do rádio FM.

REDE GLOBO ADOTA LEMA DE JOSÉ SERRA



Do Blog do Miro - http://altamiroborges.blogspot.com

Por ser uma concessão pública, a TV Globo deveria ter a sua outorga reavaliada imediatamente. Ousada e descarada, ela assumiu de vez o papel de comitê de campanha de José Serra. Para comemorar os seus 45 anos de existência, ela adotou como mote o mesmo slogan da campanha do demotucano – “O Brasil pode mais”. Durante 30 segundos, artistas e jornalistas da emissora repetem “todos queremos mais”, “Brasil muito mais”, “saúde, educação, queremos mais”. Outra referência à campanha de Serra é o destaque ao número 45, o mesmo do PSDB nas eleições.

Para o jornalista Paulo Henrique Amorim, do blog Conversa Afiada, "deve ter sido uma retribuição ao agasalhamento do terreno que a Globo invadiu por 11 anos e o Serra transformou numa escola técnica para formar profissionais para a Globo. Uma mão lava a outra. E cada vez ‘mais’". O vídeo comemorativo é um típico crime eleitoral. Veja acima e fique esperto. Não se deixe enganar pelas técnicas de manipulação da Globo.

PIMENTA NEVES, TRAIDOR DA IMPRENSA DE ESQUERDA


MUITO ANTES DE BALEAR A NAMORADA, PIMENTA NEVES APUNHALOU PELAS COSTAS A IMPRENSA DE ESQUERDA.

Muitos já ouviram falar do Pimenta Neves criminoso passional, que tirou a vida da própria colega e namorada Sandra Gomide, por motivo fútil e sem oferecer à vítima qualquer chance de defesa. Muitos conhecem a impunidade que fez do ex-jornalista o "rei da pizza com pimenta", um Judas em potencial que deixou as grades na época da Semana Santa.

Mas poucos conhecem que Antônio Marcos Pimenta Neves fez coisa tão pior para nossa imprensa. Mais PiG do que ele, impossível. É um mistério seu verdadeiro perfil ideológico no começo de carreira, em 1958, mas ele, filho de um político do interior paulista, havia trabalhado em jornais progressistas como Última Hora, inicialmente como crítico de cinema.

Como jornalista, não deixou marcas. Seu jornalismo não fedia nem cheirava, mas diante de tantos personagens que fizeram história no jornalismo, pode-se dizer que Pimenta Neves era um pouco acima do medíocre. No fundo, fazia corretamente o dever de aula. Era, todavia, homem de contatos muito importantes, o que fez deslanchar no status quo depois de aparentemente estar ligado profissionalmente ao jornalista Cláudio Abramo.

Cláudio Abramo, irmão de Perseu Abramo e uma das figuras de destaque do jornalismo de esquerda, tendo atuado corajosamente durante a ditadura militar, numa dessas coincidências de destino tinha Pimenta Neves trabalhando em sua equipe. Isso ocorreu sobretudo na época em que a Folha da Tarde, único jornal remanescente das três "folhas" que se fundiram e viraram a Folha de São Paulo, viveu um breve período como jornal esquerdista. Isso foi por volta dos anos 60, começo da segunda metade. No Rio de Janeiro, o Correio da Manhã se destacava como jornal oposicionista ao regime militar que, por boa fé, inicialmente apoiou, devido à aversão ao governo João Goulart.

Passada a breve fase esquerdista da Folha da Tarde - postura tolerada por Otávio Frias de Oliveira, devido a questões mercadológicas - , com a saída de Cláudio Abramo, por consequência do enrijecimento da ditadura militar, Pimenta Neves foi escolhido para adaptar o projeto de Abramo para uma linha mais acomodada, inofensiva ao regime militar. Aos poucos, esboçou um jornal direitista, que Pimenta deixou ao sair do jornal.

Ao longo dos anos 70, Pimenta Neves esteve à frente da extinta revista conservadora Visão. Foi também consultor do Banco Mundial, o que diz muito ao direitismo dele. Bem entrosado com os grandes capitalistas, Pimenta foi para O Estado de São Paulo, Gazeta Mercantil e Folha de São Paulo. Virou protegido e aliado das grandes elites. A ponto de, na época do seu crime contra Sandra Gomide (jornalista que ele conheceu nos tempos da Gazeta Mercantil, periódico hoje extinto), cometido em 20 de agosto de 2000, a imprensa paulista orquestrou uma sutil proteção ao criminoso, por claros interesses corporativistas.

Quando eu lancei o zine homônimo a este blog, foi pouco depois deste crime. Ironicamente, "morria" um jornalista e "nascia" outro. Eu estava em Salvador, e quando ouvi a notícia do crime de Pimenta Neves em Ibiúna (cidade do interior paulista antes conhecida pelo Congresso da UNE reprimido pouco antes do seu início, em 1968, com todos os integrantes presos), pensei que era um crime cometido por um editor de um jornaleco de Ibiúna. Mas não foi, foi um crime cometido por um editor de O Estado de São Paulo, o histórico jornal conservador da família Mesquita.

Um dos lances irônicos relacionados a Pimenta Neves é que seu substituto no comando editorial do Estadão foi Sandro Vaia, cujo prenome é a forma masculina da vítima do antecessor. Quanto ao sobrenome, uma palavra cuja ideia está associada à reprovação por meio do grito individual ou coletivo, dá um trocadilho interessante. A substituição teria dado uma manchete muito engraçada: "VAIA NO LUGAR DE PIMENTA NEVES".

Durante um bom tempo a imprensa paulista mais conservadora - Veja, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo - protegeu Pimenta Neves. A grande imprensa, como um todo, impediu que até mesmo jornais regionais (que se servem de agências de notícias ligadas à imprensa sudestina) colocassem o caso de Pimenta Neves nas seções ou retrancas policiais. O crime por ele cometido e seus reflexos eram sempre noticiados na seção País, normalmente reservada a fatos políticos ou a notícias comuns de âmbito nacional.

Na época do crime, apenas a imprensa humorística protestou contra o crime de Pimenta Neves. A revista Exame Vip, com relativa autonomia editorial em relação à Editora Abril, que publica a revista, criou uma tabela divertidíssima comparando o Abominável Homem das Neves e o Abominável Pimenta das Neves, concluindo que o famoso monstro polar é mais inocente que o ex-jornalista. Na imprensa carioca, destaca-se os trocadilhos jocosos do fictício colunista Agamenon Mendes Pedreira, cria do Casseta & Planeta, entre a palavra "furo de reportagem" e os "furos" que Pimenta deu em Sandra Gomide.

Somente alguns anos atrás, quando houve o júri popular que fez manter a impunidade a Pimenta Neves, a grande imprensa teve que mudar a postura, reprovando a figura do ex-jornalista. Mesmo a revista Veja, que tentou tratar Pimenta Neves como um coitadinho, teve que mudar seu procedimento. O motivo disso tudo estava na pressão da imprensa carioca, sobretudo do Jornal do Brasil, que veiculava textos e reportagens que, na prática, desqualificavam a reputação de Pimenta Neves.

Só para sentir a coisa, enquanto a imprensa paulista, a princípio, definia Pimenta como um "sofredor" que vivia "preso em sua própria casa" e toma diariamente anti-depressivos, a imprensa carioca já revelava o outro lado, do arrogante ex-jornalista mas ainda poderoso socialmente, que ia armado para os eventos chiques. A famosa arrogância de Pimenta Neves pode ser comprovada quando ele, recuperado de um coma induzido, explicava, irritado, o crime que ele cometeu contra Sandra Gomide.

A ascensão de Pimenta Neves na imprensa paulista mostra o quanto ele, trabalhando discretamente na imprensa de esquerda, na medida em que se ascendeu profissionalmente tornou-se traidor do jornalismo progressista, se entrosando com setores mais conservadores da imprensa de São Paulo. Um traidor que, aparentemente, não se revelava em artigos ou seminários, mas nos bastidores da imprensa paulista.

E, assim como a imprensa reacionária, Pimenta acabou cometendo também mau jornalismo, pois, pouco antes de matar Sandra Gomide, Pimenta cometeu deslizes sérios como editor-chefe, criando manobras fúteis no Estadão. Um caderno de TV do Estadão teria sido tendenciosamente editado como meio de pressionar moralmente a colega e já ex-namorada.

Mas mesmo nos seus últimos atos como jornalista, antes da aposentadoria - num país sério, Pimenta teria o registro de jornalista cassado - , o criminoso, dizem, se comportava como um dublê de editor-chefe da imprensa paulista, exigindo uma cobertura "imparcial" sobre seu caso e reprovando quando as reportagens desfavoreciam a reputação dele.

A experiência de Pimenta Neves na conservadora imprensa paulista está documentada no livro Notícias do Planalto, de Mário Sérgio Conti. Já sua experiência na equipe de Cláudio Abramo foi documentada no livro Cães de Guarda, de Beatriz Kushnir.

QUEM VAI INVESTIGAR A CORRUPÇÃO EM SALVADOR?



Há muita sujeira na mídia e nos transportes em Salvador, Bahia. Certa vez, um blog chegou a denunciar um esquema de corrupção em torno da AGERBA, agência que controla, entre outras coisas, o transporte coletivo intermunicipal da Região Metropolitana de Salvador.

O sistema de ônibus soteropolitano - comandado pelo sindicato patronal representado pela patética sigla SETPS (com a risível pronúncia "setépis") - é tão estranho que existe até um esquema chamado "Frota Reguladora" que na prática é como se as empresas legalizadas imitassem o esquema de ônibus piratas. Além disso, as linhas são distribuídas sem obedecer critério de regiões de bairros e os ônibus são até desconfortáveis (bancos de plástico que doem nos quadris e nas colunas).

O sistema de "pool", que já é desnecessário porque uma linha de ônibus fica mais eficaz quando é servida por uma única empresa, desde que a ela seja cobrada um serviço responsável, em Salvador ganha um sabor de politicagem mais explícita. Duplas de linhas como 0342 e 0344 (Rodoviária Circular A e B), e S002 e S011 (Aeroporto e Praia do Flamengo para o Campo Grande), poderiam ser distribuídas de forma que uma linha ficasse com uma única empresa, mas isso não acontece. Além disso, há estranhos casos de linhas em pool em que uma das empresas contribui com apenas um carro, como é o caso das linhas 1348 (Canabrava / Lapa) e 1475 (Águas Claras / Pituba).

No rádio, vemos a hegemonia tanto das rádios de música brega-popularesca, que alimentam o mercado jabazeiro que envolve os blocos de axé-music na capital baiana, e outras tendências popularescas. Mas há também o chamado "Aemão de FM", programas de locutor, noticiários ou jornadas esportivas, em que a politicagem é escancarada, com o envolvimento de políticos, empresários, fazendeiros e dirigentes esportivos.

A herança das concessões politiqueiras de Antônio Carlos Magalhães, antigo chefe político do Estado, quando era ministro de José Sarney, dá o tom da politicagem e da presença de políticos ou "laranjas" no quadro acionário das emissoras de rádio. A programação "aemizada" dá o tom da politicagem, com conchavos com os "cartolas" e com opinionismos e denuncismos que dão o falso tom "imparcial" dos programas, enquanto por debaixo dos panos impera o tendenciosismo e as brigas entre desafetos político-empresariais.

A corrupção existe e não sou eu nem você quem inventou isso. Até porque ela existe, mas os detalhes e pormenores são bastante desconhecidos. Por isso, quem é que vai investigar esses esquemas de corrupção?

Vemos blogueiros ou cronistas baianos que, salvo honrosas exceções, não fazem senão um teatrinho jornalístico em que se limitam a copiar, e muito mal, a abordagem crítica de Carta Capital e Caros Amigos, com pinceladas de Isto É, e para certas coisas se comportam feito crianças deslumbradas, sobretudo quando o assunto é rádio.

E, quando qualquer bobagem sobre transportes coletivos em Salvador é lançada, eles se comportam como crianças obedientes. Se é para manter bancos de plásticos até em linhas longas para o subúrbio ferroviário, tudo bem. Se é para as empresas manterem um visual esbranquiçado que confunde os passageiros, tudo bem. Esses apáticos críticos da mídia na Bahia mais parecem mendigos que, de tão acostumados com a sujeira, já não sentem o fedor que está em sua volta.

É necessário romper as amarras do corporativismo. No caso dos transportes, a coisa também é complicada, porque o "setépis" é anunciante de praticamente toda a mídia soteropolitana. Jabaculê mal-disfarçado, mordaça travestida em verbas publicitárias. No caso do rádio, como os jornalistas poderão investigar a corrupção, se tem aquele medo de botar os amigos e ex-colegas na cadeia?

Ha 20 anos, o jornalista e ativista social Fernando Conceição se encorajou em investigar, como free lancer, o esquema de corrupção da segunda gestão de Mário Kertèsz como prefeito de Salvador. Fernando fez o trabalho para o jornal A Tarde, descobrindo depois que o então prefeito havia criado, com um cúmplice, duas empresas fantasmas que desviaram dinheiro do Governo Federal para as fortunas pessoais dos dois. O dinheiro seria para obras de urbanização de Salvador, que foram paralisadas e terminadas depois pelos sucessores.

O esquema de corrupção custou a vida política de Kertèsz, engenheiro apadrinhado por Antônio Carlos Magalhães e que, também em 1990, foi nomeado por ACM interventor do Jornal da Bahia. Kertèsz deu o golpe mortal, sendo autor material do interesse de ACM em acabar com o JBa, na medida em que destruiu a linha editorial do periódico, convertido no mais abjeto tablóide populista. Mas Kertèsz, deixando a vida política, virou uma espécie de "Cidadão Kane" baiano, e, como dublê de radiojornalista, engana tudo e todos, seduzindo até a esquerda baiana e ludibriando os soteropolitanos com o espetáculo de tendenciosismo que a Rádio Metrópole e o jornal Metrópole fazem dentro da mídia baiana.

Infelizmente, o ex-prefeito de Salvador reverteu a decadência política numa reputação midiática que equivale a uma espécie de Roberto Marinho doméstico, mas metido a um "militante anti-mídia", numa retórica demagoga moderna que pega os críticos da mídia baiana de surpresa, desprevenidos. Em nome da visibilidade, esses críticos se silenciam diante desse grande espetáculo de corrupção, que é o maior mas não é o único que ocorre na capital baiana.

Vale lembrar que o grosso da corrupção e do tendenciosismo não ocorrem só na Rede Bahia (grupo dos herdeiros de ACM), mas dos antigos filhotes políticos de ACM, como Marcos Medrado, Mário Kertèsz, Pedro Irujo, Cristóvão Ferreira Jr. e outros, gente ligada à politicagem midiática, e que por isso não pode ser vista como "mídia alternativa" em relação à mídia carlista propriamente dita.

Contestar a corporação carlista e aceitar os demais "coronéis" eletrônicos soa o mesmo que um paulista falar mal da Rede Globo mas beijar as mãos dos Frias, Civita, Saad e Mesquita, os barões midiáticos de São Paulo.

domingo, 18 de abril de 2010

JOSÉ SERRA "PAZ E AMOR" NA REVISTA VEJA


Atendendo a pedidos, revista Veja finalmente vestiu a camisa serrista. E agora mostrando o "Serrinha Ternura", com sorriso simpático para agradar sobretudo o eleitorado feminino.

As tempestades adiaram a reportagem de capa, e até muita gente estranhou, mas Veja não iria mesmo sobrecarregar com capas de José Serra toda hora, até porque isso geraria um efeito contrário.

Até que Veja se antecipou à campanha eleitoral, com a edição desta semana. Afinal, ela terá que alternar capas serristas com outros destaques, afinal Veja tem que parecer profissional. Terá que alternar capas com José Serra, FHC e o escambau com capas sobre reportagens de saúde, fenômenos da mídia, possíveis personagens policiais - tipo os casais Nardoni da vida, o psicopata goiano ou o assassino do cartunista Glauco e do filho deste - , ou futuras catástrofes a atingir o Brasil ou o mundo (tipo a do terremoto no Haiti).

REACIONARISMO EM ALTA NA INTERNET



O reacionarismo está em alta. Os defensores do establishment da mídia e do entretenimento andam patrulhando sites da Internet e reagindo a todo texto ou fórum que reprovasse algum fenômeno da mídia em evidência.

São emissoras FM dedicadas ao jornalismo conservador, ídolos popularescos e personalidades da grande mídia que passam a ser defendidos com mãos de ferro por supostos fãs, que, de uma maneira ou de outra, reagem de forma violenta a todo texto de Internet que falem mal dos seus totens.

Esse pessoal fica rastreando os mecanismos de busca, como Google, as comunidades do Orkut e do Facebook e as mensagens do Twitter para ver se a emissora tal, o radialista qual, o breganejo isso ou o sambrega aquilo, etc, receberam alguma crítica negativa, mesmo construtiva. Havendo essa crítica, eles reagem com fúria, usando toda sorte de argumento.

Os fóruns de rádio, por exemplo, estão cheios de gente reacionária defendendo a CBN FM, Transamérica e Band News e programas como Energia 97 e Na Geral. Um suposto radiófilo disse que preferia 400 rádios tocando "funk e pagode" (na verdade, favela bass e sambrega) do que música de qualidade, só porque dá mais emprego. Um missivista ouvinte da Band News FM, que por sinal não sabe a diferença entre showrnalismo e jornalismo, chamou de ridículas as críticas que eu fiz sobre o programa de Ricardo Boechat.

Na música, nomes como Alexandre Pires, Belo, Zezé Di Camargo & Luciano e mesmo o "sertanejo universitário" - muita gente não gostou quando eu critiquei o oportunismo de uma dupla se chamar João Bosco & Vinícius - também contam com defensores reacionários, que também estão por trás do "funk", do porno-pagode baiano (até Fantasmão conta com tais defensores) e do "brega de raiz".

Numa época em que o candidato tucano à Presidência da República, José Serra, anunciou que fará uma guerrilha virtual no Orkut, Facebook, Twitter ou mesmo em qualquer espaço virtual de mensagens para desqualificar blogs e sites que fazem oposição a ele, é natural que, no ramo midiático e cultural, haja reacionarismo similar.

Olavo Bruno, Eugênio Raggi, Francielle Siqueira e outros tornaram-se alguns dos pistoleiros digitais a defender a mediocridade dominante no país. Mas há outros "anônimos" que fazem a mesma coisa, chegando a espinafrar até mesmo colunistas de rádio. O fã-clube do breganejo Leonardo já disparou mensagens agressivas contra o colunista Artur Xexéo, de O Globo, por ele ter falado mal de uma versão que o cantor gravou da música "Nervos de Aço", de Lupicínio Rodrigues.

Assim como o Instituto Millenium equivale ao antigo IPES-IBAD, esse reacionarismo virtual equivale ao antigo Comando de Caça aos Comunistas, CCC, que voltou à tona através do episódio de Bóris Casoy (ex-integrante do CCC) falando mal dos lixeiros. As rádios pseudo-roqueiras 89 FM, de São Paulo, e Rádio Cidade, do Rio de Janeiro, já deram uma amostra da volta do clamor reacionário de jovens que usam a pouca idade e os aparatos de modernidade para defender ideias retrógradas.

EFEITO BUMERANGUE - No entanto, o reacionarismo dessas pessoas pode dar efeito contrário. Afinal, não se salva alguém dando porradas em outro, confundindo defensiva com ofensiva. A ação ofensiva dessas pessoas pode dar a impressão de que tais pessoas são temíveis, que não se pode criticar certos totens da grande mídia e do entretenimento. No entanto, a própria agressividade dessas pessoas pode gerar efeito contrário, muitas vezes causando prejuízo até mesmo para esses totens.

Olavo Bruno, o radical defensor do breganejo, por exemplo, com tanta arrogância com que falava mal da MPB autêntica e caluniava sites e pessoas, teve problemas no fórum do portal Movimento Country, um dos maiores ligados à música breganeja. Como uma pessoa que defende com entusiasmo o breganejo e colaborava com mensagens no fórum do Movimento Country praticamente desapareceu do portal, com suas mensagens posteriormente apagadas, parece mistério, mas mostra o quanto encrenqueiros podem causar problemas para seus próprios aliados.

A 89 FM e Rádio Cidade também foram prejudicadas pelo próprio reacionarismo de seus defensores, que não puderam mais esconder a briga que tinham contra o público roqueiro autêntico. Era a reconstituição do conflito USP versus Mackenzie na Rua Maria Antônia em São Paulo, em 1968, através da Internet. Mas ela gerou prejuízo para as duas supostas "rádios rock", que, mostrando que tinham adeptos violentos, caíram em popularidade.

O reacionarismo, por isso mesmo, pode gerar triunfo provisório. Na música brega-popularesca, que lida com um aparente clima de alto astral, o reacionarismo furioso de seus defensores contradiz com essa necessidade de alegria. Afinal, a fúria contradiz esse astral, e pode fazer com que nomes como Alexandre Pires, Belo, Vítor & Léo e outros sejam prejudicados pelos seus próprios adeptos, na medida em que eles reagem com fúria a textos que contestam o talento desses ídolos. Será como um bumerangue atirado contra alguém mas que volta contra quem o atirou.

Dessa forma, se um Olavo Bruno da vida aparecer no camarim de Vítor & Léo, será o fim de linha para a carreira dessa dupla. Defensor reacionário tem a cabeça quente e o pé frio.

sábado, 17 de abril de 2010

PORTAL EGO IRONIZA CRÍTICAS E DEFENDE A MESMICE DAS BOAZUDAS



Na maior cara-de-pau, o portal Ego, das Organizações Globo, ironizou as críticas sobre a mesmice das boazudas com o título de uma nota sobre Nana Gouveia: "E dá para enjoar? Veja Nana Gouvêa de biquíni em versão frente e verso".

Pobres de nós, nerds, que estamos à procura de mulheres com conteúdo, e temos que ver musas popularescas que se limitam apenas a mostrar o corpo na praia ou nas noitadas. Só praia e noitadas, só praia e noitadas, só praia e noitadas, só isso, só isso, SÓ ISSO!!

Nós estamos enjoados, enjoados mesmo, para não dizer enojados, de ver mulheres que só mostram o corpo, como se fossem embalagens ocas que de bonito só têm o embrulho (afinal, por dentro, simplesmente são vazias).

Nada de vestir uma camisa abotoada para dentro da calça - a gente fica babando vendo a Ana Paula Araújo (que é casada) no RJ TV com esse tipo de roupa - , ou de sentar numa praça para ler livros científicos de Umberto Eco (como fez Renata Vasconcellos) ou mesmo demonstrar tietagem a nomes como o New Order (como fez a jornalista Elaine Bast, hoje sumida por conta dos filhos). Nada de dizer coisas interessantes, de nos trazer novos conhecimentos, de nos mostrar coisas bacanas.

Para sentir o drama, Nana Gouveia fez tietagem com o brega José Augusto, isso com tanto Edu Lobo e Flávio Venturini precisando de chamego das fãs. José Augusto não precisa, ele já tem o Fausto Silva para dizer que ele é o maior cantor do planeta.

Sinto muita tristeza quando, por outro lado, uma atriz de comerciais que fez reportagens para o Telecurso 2010, lindíssima e inteligente, que é aquela "Rosa" do comercial da Ford (do bordão "Tudo bem"), não tem nome divulgado e não recebe reconhecimento algum, mesmo tendo certeza de que ela seria uma das mulheres famosas mais interessantes do país, no que diz à inteligência, simpatia e charme.

A gente reclama da mesmice dessas boazudas, e a mídia golpista do Ego faz a maior gozação, de forma bem cínica. Bom mesmo é mulher-objeto. Muito corpo, nenhum cérebro. Mídia machista, machista, machista. Arre!

MASSACRE DE ELDORADO DE CARAJÁS COMPLETA 14 ANOS



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Criminoso passional é que é "boa pessoa". Tem até um com sobrenome de Pacífico, em Belo Horizonte. "Criminosos" são os agricultores que lutam por um pedaço de terra para plantar, por escola, serviços de saúde e outras garantias de qualidade de vida. Para a mídia gorda que criminaliza os movimentos sociais, o machismo sanguinário é mais cordial.

Publicado do blog Sem Categoria

17 de abril de 1996
Município de Eldorado de Carajás
2 mil sem terra marcham na rodovia PA-150 por reforma agrária
Governador Almir Gabriel (PSDB) ordena desocupar a rodovia
Ação da Polícia Militar do Pará

19 trabalhadores rurais executados a sangue-frio
69 feridos
3 mortos dias depois
66 mutilados físicos
2 mil pessoas mutiladas na alma e na memória (palavras do jornalista Eric Nepomuceno)

144 incrimidados
2 condenados (coronel Mario Colares Pantoja e major José Maria Pereira Oliveira, da PM-PA)
Nenhum dos responsáveis está preso
A violência contra os sem-terra continua
Não saiu a Reforma Agrária

MÍDIA MACHISTA MOSTRA IMAGEM "INJUSTIÇADA" DE ASSASSINO IMPUNE



A mídia golpista é sutilmente machista. Não satisfeita em noticiar a impunidade de homens que assassinam mulheres, tenta mostrar o cotidiano deles, tentando fazer propaganda de uma pretensa imagem de "vítimas" desses assassinos.

Imagine se você, caro leitor, sabe que um empresário matou a esposa com dois tiros, sai impune por conta da lei e ainda sai com aquela garota que você está a fim? Isso não ocorreu pessoalmente comigo, mas pode ocorrer com qualquer cidadão de bem, que perde sua garota para os braços de alguém que já acabou com a vida de outra mulher.

Pois é. Doca Street tornou-se o "bom velhinho", Pimenta Neves cometeu uma "besteira", Guilherme de Pádua é "injustiçado" e agora o ex-médico Farah Jorge Farah, que esquartejou uma amante, é um "simpático solitário". Todos posando de vítimas em declarações à imprensa, nos últimos anos. Todos "coitadinhos", supostamente desprovidos das vantagens na vida.

Agora o portal G1 mostra o cotidiano "simples" do estudante Farah, que cursa duas faculdades, dando a crer que ele tornou-se um "sofredor", um "solitário".

E os familiares da vítima de Farah, como vivem? Será que o criminoso sofre mais que a vítima, ou que os entes que a vítima deixou sofrendo de saudades? Farah tenta fazer pose de "nerd sofredor", mas quando seu acesso de fúria o fez massacrar sua antiga paciente, ele nada teve de simpático. Se ele se arrependeu ou não, é outra história, porque o crime que ele cometeu traz consequências morais muito sérias para ser compensado com uma aparente pose de coitado ou por algum sentimento de depressão ou tristeza.

A mídia quer promover o machismo como se fosse um sistema de valores onde os homens cometem grandes erros e fingem grande arrependimento. Cometem erros gravíssimos e querem sair deles como se nenhum prejuízo tivessem feito. Não conseguem ser punidos pela Justiça, e agora querem a reintegração social mais do que os verdadeiros cidadãos de bem.

É até irônico que os pacíficos agricultores que lutam por um pedaço de terra e um lugar na escola sejam, aos olhos da grande mídia, muito mais criminosos do que homens que matam esposas, namoradas, ex-pacientes ou ex-colegas de novela.

Pedir uma passarela para a comunidade de um subúrbio é "crime". Pedir terra para plantar, pedir escolas melhores, pedir aumento salarial é "crime". Mais do que um machista que nunca amou sua própria mulher e que, cobrando dela o amor que ele não dá em troca, é capaz de massacrá-la por um simples anúncio de fim de relação.

Ou seja, os machistas não amam, mas querem ser amados. Cometem crimes, mas se dizem vítimas de injustiças. Sofrem ataques de fúria, mas não querem sucumbir à depressão. E são mais protegidos do que qualquer movimento social edificante.

Mídia vergonhosamente machista.

OAB FAZ CAMPANHA PELA REABERTURA DE ARQUIVOS DA DITADURA


A PASSEATA DOS CEM MIL, IMPORTANTE MANIFESTAÇÃO OCORRIDA NO RIO DE JANEIRO EM 1968, NÃO IMPEDIU QUE O GOVERNO MILITAR TORNASSE MESES DEPOIS MAIS REPRESSIVO, TORTURANDO E MATANDO PRESOS POLÍTICOS.

A Ordem dos Advogados do Brasil lançou ontem uma campanha pela abertura dos arquivos da repressão militar da ditadura. A mobilização tem como objetivo pedir esclarecimentos quanto ao desaparecimento de vários prisioneiros políticos durante o regime militar. além de reivindicar à opinião pública o conhecimento dos crimes cometidos pelos militares.

A campanha foi lançada com uma série de vídeos de 30 segundos em que atores como José Mayer, Fernanda Montenegro e Osmar Prado interpretam pessoas que foram torturadas e mortas durante o período ditatorial.

Esta é uma boa iniciativa para que o país acerte contas com a ditadura militar, período político há muito superado mas cujos efeitos continuam refletindo até os nossos dias.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

PARABÉNS, EMMA WATSON!!!



Hoje a atriz de Harry Potter, a estonteante Emma Watson, completa 20 anos, cada vez mais bela. Poucos haviam prestado atenção à atriz que fez a Hermione, mas a beleza, o charme e a simpatia dessa bela gata seduziu a todos, e até o estilista Karl Lagerfeld ficou fascinado com o talento e a elegância dela.

Por isso, damos a ela parabéns pelo seu aniversário e desejamos a ela tudo de bom que Deus pode lhe oferecer.

Emma Watson: que mulher, que mulher, QUE MULHER!!!...

DISCUSSÃO SOBRE FAVELAS ACABA EM MANIQUEÍSMO IDEOLÓGICO


MORRO DOS PRAZERES, FAVELA DO RIO DE JANEIRO, CONTÍGUA AO BAIRRO DE SANTA TERESA, ATINGIDA PELA TRÁGICA TEMPESTADE DA SEMANA PASSADA.

Sou de esquerda, mas não posso fazer vista grossa a certos exageros ou equívocos que a esquerda faz, sobretudo no Brasil, um país declaradamente capitalista, complexo demais para visões socialistas presas ao rigor ideológico, temporal e geográfico de seus maiores teóricos.

A esquerda, assim como a direita, nesse episódio da trágica tempestade que atingiu o Rio de Janeiro no começo deste mês, investe num duelo ideológico maniqueísta, no que diz às críticas aos motivos que geraram o terrível infortúnio coletivo.

A esquerda insiste radicalmente na urbanização de favelas e critica de forma generalizada a remoção das casas, sem ver que áreas realmente podem ser urbanizadas nem considerar as condições que podem garantir uma remoção justa, sem danos para os desalojados.

A direita, por sua vez, tenta culpar o povo pela ocupação desordenada do solo, ignorando que são as próprias elites que, através de taxas caríssimas de compra de casas, contribuem para que as classes pobres se desloquem para as áreas de risco, que é o que elas podiam arranjar para construir, de forma precária, suas humildes residências.

Por isso uns e outros não se entendem e esse debate tolo só prejudica o povo pobre. Além disso, vendo que a retórica esquerdista dominante fala em prender o povo nas favelas, seguindo a lógica dos empresários funqueiros - que, embora contem com o apoio das Organizações Globo e com a Folha de São Paulo do temível Otávio Frias Filho, também tentaram fazer lobby com setores de esquerda - , e a retórica direitista quer que o povo viva fora de apartamentos com algum conforto nas cidades, então as classes pobres se encontram sem amparo algum, se para uns são obrigados a ficar eternamente em áreas degradadas, porque "ser pobre é mais bonito", e para outros são proibidos a ter uma residência mais digna, porque "são gente ralé".

O povo assim fica num mato sem cachorro, e que por enquanto tem casas. Mas depois ocorre um deslizamento e o mato não será mais do que um simples lodo cobrindo cadáveres inocentes e injustiçados.

O QUE MAURÍCIO DE SOUZA E O GRUPO INGLÊS WOODENTOPS TÊM EM COMUM



Simples. O personagem pós-hippie de Maurício de Souza se chama Rolo, xará do líder dos Woodentops (grupo de folk rock londrino em atividade desde os anos 80), vocalista e guitarrista Rolo McGuinty.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

VERDEMAR EM VISUAL RIDICULAMENTE BRANQUELO




A única maneira da Transportes Verdemar, de Salvador, Bahia, pegar alguma corzinha é em situações como esta, numa tempestade. O lodo e a lama dão o tom e pintam de marrom-sujeira a lataria do ônibus.

A Verdemar tinha um visual tão bonitinho, lembrava a Viação Galo Branco, de São Gonçalo (RJ), na sua distribuição de branco e verde. Mas a empresa insistiu no irritante "branquinho básico", e queimou sua imagem e reputação entre os busólogos. É assim que a empresa quer zelar por sua imagem frente ao público? Se for, meus pêsames!!

(Fotos de Fernando Vivas, de A Tarde)

MÍDIA DE ESQUERDA DEVERIA COMBATER IDEOLOGIA BREGA


MENDIGOS EM BRASÍLIA - A ideologia brega nada faz senão condenar o povo à degradação social através da cultura.

A mídia de esquerda deveria deixar de restringir o discurso contestatório ao âmbito político e prestar atenção às armadilhas de âmbito cultural que a ideologia brega-popularesca acumulou nos últimos 50 anos, e ver o lado da gravidade disso tudo.

Um verdadeiro "Morro do Bumba" cultural pode desabar, mostrando o lixão cafona que axezeiros, breganejos, sambregas e funqueiros escondiam por debaixo de suas roupas perfurmadas. A alma de Waldick Soriano penetrando em Alexandre Pires, Zezé Di Camargo, & Luciano, Exaltasamba e até MC Leozinho. As lições de Gretchen seguidas pelas Sheilas do Tchan, pelas "mulheres-frutas" e até mesmo por Ivete Sangalo. Mas os neo-bregas "não são bregas", porque há quem se iluda com sua pseudo-modernidade.

A hegemonia brega-popularesca, que acumulou tendências como o "brega de raiz" e as diversas tendências pseudo-regionalistas dos anos 80 para cá, faz 20 anos de implantada. A MPB autêntica, genuína, tão acessível no pré-1964, até agora não recuperou seu carisma diante do grande público. Mas hoje, o que vemos? Dóris Monteiro, Edu Lobo, Carlinhos Lyra, todos injustiçados. Emilinha Borba e Lúcio Alves morreram injustiçados. A música brasileira autêntica, abandonada, desprezada, boicotada. Waldick Soriano, "injustiçado"? Fala sério, a mídia dá todo espaço para ele, quem não percebe é porque bebeu demais, ou tem a mente falha mesmo.

A cultura é uma atividade na qual se transmitem valores, crenças, saber. É a personalidade cultural de um povo. É a expressão do espírito individual ou coletivo de uma comunidade. E a música é uma parte, embora significativa, da cultura.

Portanto, de que adianta criticar José Serra, Otávio Frias Filho, William Waack, se aceita o "funk carioca" de bom grado? De que adianta falar mal da Miriam Leitão se fica babando com as boazudas ocas do Big Brother Brasil? De que adianta falar em "barões da grande mídia", de forma bem pejorativa, se faz tietagem com Alexandre Pires e Zezé Di Camargo & Luciano?

O pessoal todo da política, PSDB e DEM, sabe que dá as caras a tapas. O pessoal da mídia golpista, também. Diogo Mainardi sabe muito bem que ele é odiado por muita gente, e ele não faz segredo disso, ele mesmo escrever para provocar, é de propósito. Miriam Leitão e Alexandre Garcia sabem que seus comentários irritam muita gente. Otávio Frias Filho, Kennedy Alencar, Gilberto Dimenstein, todos eles sabem que muita gente vai reprovar tudo aquilo que eles escrevem.

Só que, quando intelectuais e blogueiros de esquerda esquecem as armadilhas culturais, todos os políticos e jornalistas do bloco golpista ficam tranquilos. Otávio Frias Filho pode ser frito a óleo quente pela blogosfera, se o "funk carioca" estiver a salvo, ele dorme tranquilo. Logo, logo, sai uma reportagem sobre os MCs disso, as "mulheres-objeto" daquilo, na primeira página de Ilustrada e o Instituto Millenium vai para o Bar Millenium comemorar com chope.

Alexandre Garcia e Miriam Leitão podem ser espinafrados pela blogosfera, mas se os breganejos, sambregas e axézeiros, em rodízio, aparecem felizes no Domingão do Faustão, a fauna da selva global pode dormir bem tranquila.

A música brega-popularesca distrai o povo enquanto os abutres do "livre mercado" cometem seus abusos impunemente. Se a blogosfera reduz seu foco à esfera política, menosprezando as armadilhas em torno da cultura, sob o pretexto de que se trata de um "inocente entretenimento" e que "gosto não se discute", estará sendo lesada seriamente, visto que para a divulgação dessa cultura de gosto duvidoso existe uma mídia bem-estruturada. E que essa mídia bem-estruturada é aquela que estabelece conchavos com grupos políticos detentores do poder.

A hegemonia da música brega-popularesca de 1990 para cá foi efeito da farra de concessões de rádio de ACM e Sarney para empresários e políticos aliados. Entre outras consequências, fez multiplicar seriamente as FMs supostamente dedicadas ao "povão", a maioria esmagadora delas controlada por latifundiários, deputados, senadores. E que exercem um papel explícito de controle social e manipulação e dominação das classes populares.

Então, como é que ainda alguns intelectuais de esquerda, traídos pela memória curta que ainda vicia muitos brasileiros, tratam o brega-popularesco como se fosse "rock alternativo", como se nunca tivesse acesso na mídia e nem feito sucesso algum? Essa intelectualidade se mostra isolada no seu etnocentrismo predial, no seu bairrismo de luxo, porque só ela ouvia a melhor MPB e, depois, por puro paternalismo, julga a música brega e seus derivados como se fosse o "verdadeiro folclore do nosso povo". Atitude cínica de pequenos-burgueses - ah, esse termo está meio caduco, é? - que desconhecem ou esqueceram os fatos históricos.

Por exemplo, os símbolos da baixaria cultural de 1990-1992, segundo se observava muito na época, eram Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires (então no Só Pra Contrariar), Leandro & Leonardo, Chiclete Com Banana e Beto Barbosa. Hoje eles são vistos como "sofisticados" e o reacionarismo dos seus defensores intimida quem faça alguma crítica contra eles.

Outro exemplo. O "funk carioca" de 1990 era risível, patético, caricato, bobo. Muito bobo. Seus intérpretes, zé-manés sem talento vocal, fazendo uma paródia de cantiga de roda com uma batida eletrônica que mal saía do som do "pum". Hoje esses mesmos caras se protegem sob o rótulo de "funk de raiz" e são vistos como "militantes sociais", "revolucionários esquerdistas", enganando muita gente que mal sabe que esses mesmos funqueiros "de esquerda" alimentaram suas carreiras às custas de muito vereador direitista que era aliado entusiasmado do então presidente Fernando Collor de Mello.

Por isso mesmo, é bom que a pauta cultural esteja incluída na abordagem dos blogueiros de esquerda. Se os jornais estabelecem seções culturais em suas páginas, a blogosfera crítica deveria incluir, também. Afinal, se a crítica não ir para o âmbito cultural - que envolve política, sim, porque os detentores do poder não querem que o povo se emancipe culturalmente - , vai que o abatido e derrotado Otávio Frias Filho renasça como fênix quando a Ilustrada anunciar o MC Créu como o "novo Tom Jobim".

terça-feira, 13 de abril de 2010

AXÉ-MUSIC É O BBB DA MÚSICA BRASILEIRA


INTEGRANTES DO BBB 10, NOS BASTIDORES DA MICARETA OCORRIDA HÁ POUCOS DIAS EM BELO HORIZONTE.

A axé-music é o Big Brother Brasil da música brasileira. Tem a mesma futilidade, o mesmo caráter descerebrado, o mesmo astral de curtição vazia e compulsiva, tenta dar o recado mesmo não tendo o que dizer, é uma inutilidade, uma coisa supérflua, que no entanto se impõe como "coisa importante".

A única diferença é que a axé-music conta com o respaldo de jovens fascistas que, feitos um Comando de Caça aos Comunistas da realidade virtual, invadem comunidades do Orkut para fazer defesa aos ídolos axézeiros, até de forma agressiva, boçal e ofensiva.

A axé-music é tão arrogante e megalomaníaca que, musicalmente, é totalmente superficial. É a dance music brasileira, com todo o mercantilismo explícito, com toda a baixa qualidade artística. Pior: o pessoal da axé-music se acha o "dono da MPB", com direito até mesmo a lucrar com a morte de Tim Maia, se for necessário. Além da pretensão absurda da axé-music se achar a herdeira do Tropicalismo, o que não é verdade. Quem herdou o Tropicalismo, por exemplo, foi a MPB paulistana do final dos anos 70, de Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé.

A axé-music é o Big Brother Brasil da música, vale repetir. Não por acaso, a micareta ocorrida em Belo Horizonte, há poucos dias, estava cheia de "celebridades" (prestem atenção nas aspas) que integraram o BBB 10. Tudo a ver. O mesmo vazio, a mesma superficialidade, o mesmo astral abobado, forçadamente alegre. Com a diferença que a alegria falsificada dos BBBs, uma vez criticada, gera resignação dos criticados. Já a axé-music, arrogante até a medula, uma vez criticada, gera ataques violentos. Daí a arrogância de um cantor de axé-music que logo investiu para processar um publicitário que o criticou.

E a megalomania da axé-music tem dessas coisas. Dia do Beijo? Eu não tenho a ver com isso. Se eu quiser uma namorada e beijá-la na boca, as micaretas são a última coisa que escolheria para isso. Prefiro aprender inglês e esperar uma estrangeira cair nos meus braços, porque arrumar uma boa namorada está difícil neste Brasil varonil.

Axé-music não é coisa para um nerd como eu. Axé-music é para garanhão, filhinho de papai, rapagão malhado, playboy e outros homens privilegiados. Nerd, não. Até porque uma famosa canção de axé-music, "Ele Não Monta na Lambreta", é um verdadeiro ataque verbal contra os nerds, um legítimo bullying musical.

TROVOADAS EM NITERÓI ANUNCIARAM TRAGÉDIA DO MORRO DO BUMBA


Quem vive em Niterói nos últimos anos deveria ter prestado atenção à maioria dos dias em que ocorriam trovoadas na cidade.

Nos dias de calor fortíssimo, as nuvens cinzentas que prenunciavam trovoadas em Niterói se formavam sobretudo na área compreendida entre a zona de Viçoso Jardim e Ititioca - onde se situa o Morro do Bumba - , o entorno do Largo da Batalha e Parque da Colina e as áreas de Caramujo e da Cova da Onça, onde muitas áreas verdes foram desmatadas por conta das favelas e que em parte também foram atingidas nos dois trágicos dias de tempestade no Grande Rio, na semana passada.

Por isso, as trovoadas em si já anunciavam a tragédia que estava por vir. Mas a tradicional indiferença das autoridades, que nem para orientar a população se interessam, fez o povo sofrer com as terríveis perdas materiais e humanas.

O povo sabe do risco que corria, mas não tinha condição alguma de arrumar uma nova casa, por falta de dinheiro necessário para isso. E não há política habitacional que permitisse a inclusão imobiliária, e mesmo a política de urbanização das favelas se deu sem critérios sobre que área de favela teria condições de ser reaproveitada, em vez de demolida.

Por isso, ninguém percebeu, mas a Natureza deu seu recado crucial, para que todos pudessem evitar a tragédia ocorrida. Mas a Natureza não foi ouvida.

CHEGA DE VER O BRASIL BREGA!!!!



CHEGA DE BRASIL BREGA!!

Chega do povo viver sempre subordinado, forçado a ser feliz com seu sofrimento.
Chega da cultura da mediocridade triunfante, que a ninguém faz crescer como ser humano.
Chega do pseudo-desabafo viciado do conformismo cafona.
Chega de alternar pieguice religiosa com grosseria pornográfica.
Chega de meros lotadores de plateias que não criam coisa alguma de valor!!!!
Chega de reacionários defensores da mediocridade dominante.
Chega da ditadura do mau gosto, a querer se passar por "bom gosto" de qualquer jeito.

Chega da corrupção dissimulada!
Chega da violência enrustida!
Chega da crueldade impune, pela lei e pela contemplação pública!!
Chega da ruindade que tenta se impor como coisa boa!!
Chega da pseudo-cultura patética e caricata!!
Chega do atraso travestido de modernidade!!
Chega de ver o povo na prostituição, no alcoolismo, no subemprego!!
Chega dos velhos barões do poder se passando por injustiçados sem poder!!
Chega de machistas que pegam para si as mulheres que eles odeiam!!
Chega de boazudas enjoadas que acham que vender o corpo para a mídia é "feminismo"!

Chega de grupos minoritários se imporem como se fossem a maioria!
Chega de políticos corruptos disfarçados de radiojornalistas honestos!
Chega da cafonice reinante que corre atrás do próprio rabo!
Chega de sentimentalismo romântico viciado!
Chega de tratar as favelas em risco como arquitetura pós-moderna!
Chega de pseudo-artistas grandiloquentes da música brasileira regravando regravações!
Chega de barões da mídia se apropriando da opinião pública!
Chega da desigualdade social que faz tanta gente sofrer!

Chega de tanta injustiça, até aquelas que no momento não me lembro!

CHEGA DE VER O BRASIL BREGA!!

BRASIL, PARE DE SER BREGA!! JOGUE A BREGUICE NO LIXO!!

JOSÉ ROBERTO ARRUDA DEIXA PRISÃO



O Supremo Tribunal Federal decidiu libertar o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, acusado de esquema de corrupção. Ele saiu da prisão, abraçado à esposa, às 17:20h de ontem.

Como se vê, corrupto rico não fica muito tempo na cadeia. Pizza com arruda.

domingo, 11 de abril de 2010

O QUE É UMA GROSSERIA



Sabemos através deste blog que os ultra-reacionários Olavo Bruno e Eugênio Raggi, embora defendam, até com muita arrogância, os ídolos do brega-popularesco, no entanto são metidos a falar mal da grande mídia e dos políticos que a cercam. Eugênio Raggi chega a se associar no portal do Luís Nassif, além de falar mal da Rede Globo, de ACM, Collor e Sarney. Já Olavo Bruno apenas fala mal da Globo, sem maiores atrevimentos.

O que eles no entanto desconhecem é o quanto grosseiro eles agem com tudo isso, já que tanto a Rede Globo quanto Collor, ACM e Sarney ajudaram muito nas carreiras dos ídolos popularescos que Olavo e Eugênio tanto defendem. Se não fosse a Rede Globo, nem a Boca do Lixo se encorajaria a fazer um filme sobre Zezé Di Camargo & Luciano. Ivete Sangalo não seria ícone nacional e Alexandre Pires teria voltado para Uberlândia arrumar um empreguinho por lá.

Não adianta eles dizerem que tais ídolos não aparecem só na Globo, porque é justamente a emissora dos irmãos Marinho que dá mais apoio a eles. As demais emissoras, mesmo a Rede Record, apenas se realimentam do sucesso dos ídolos popularescos apadrinhados, até de forma explícita, pela emissora do corredor midiático Jardim Botânico-Jacarepaguá. Waldick Soriano ganhou um socorro de uma atriz da Rede Globo para tentar ser relembrado.

Endeusar Alexandre Pires, Belo, Zezé Di Camargo & Luciano, Waldick Soriano, Ivete Sangalo, Exaltasamba etc e falar mal da grande mídia soa exatamente igual à situação do convidado de um jantar que gosta da comida mas esculhamba o anfitrião.

Imagine se o cara adora a comida, a casa onde ocorre o jantar, a festa organizada em torno deste jantar, e de repente o cara, em vez de agradecer ao anfitrião pelo jantar oferecido, esculhamba ele, chamando-o de canalha para baixo.

É o que fizeram Olavo Bruno e Eugênio Raggi. Eles defendem os ídolos brega-popularescos com furioso ardor, como convidados do jantar da grande mídia - afinal, música brega-popularesca não é arte, é entretenimento, patrocinado explicitamente pela mídia gorda - , e no entanto esculhambam quem organizou a festa. Esculhambam Collor, ACM, Sarney e a Rede Globo, que tudo fizeram para os ídolos que Eugênio e Olavo tanto defendem.

Quem se lembrar da farra de concessões de ACM e Sarney, com a participação de Roberto Marinho, que fez multiplicarem as rádios popularescas que divulgariam primeiro os "grandes ídolos" da atualidade, e a farra da vitória eleitoral de Collor, comemorada com a participação de todos os ídolos "sertanejos" há muito conhecidos do grande público, sabe bem do que este texto quer dizer.

Isso sem falar que Raggi, associado no portal de Luís Nassif, deve ignorar que o jornalista é também especialista da MPB autêntica, a mesma MPB que causa horror ao professor mineiro, que a associa à máquina varguista. Sim, meus caros, para Eugênio Raggi, Chico Buarque deve ter sido agente do DIP, a temerosa agência de censura do Estado Novo, talvez junto com o pai, o historiador Sérgio Buarque de Hollanda.

Com isso, defender ídolos popularescos apadrinhados da grande mídia e baixar a lenha na grande mídia é uma grande grosseria. É ser ingrato com a mídia que tanto trabalhou para o sucesso dos grandes ídolos. Talvez Raggi não esteja em casa nos domingos, para ver o Domingão do Faustão e ver o quanto a Globo dá tratamento VIP aos ídolos que Eugênio Raggi e Olavo Bruno tanto defendem.

Dizer que isso nada tem a ver não dá. A mídia gorda deixa bem claro que apoia amplamente os ídolos da música brega-popularesca.