sábado, 6 de março de 2010

TRAIDORES CULTURAIS


EM SENTIDO HORÁRIO: PEDRO BIAL, REGINA CASÉ, ARNALDO JABOR, PATRÍCIA PILLAR, HERMANO VIANNA E MARCELO MADUREIRA.

Houve um tempo em que certas pessoas que atuavam na cultura e na militância política de nosso país eram consideradas dignas de admiração. Eram indivíduos que, talvez por um certo exagero, eram considerados heróis, traziam esperança em qualquer de suas manifestações.

Na história política, pessoas como José Dirceu, presidente da UNE durante a fracassada reunião em Ibiúna, quando ele e outros estudantes foram presos, e os guerrilheiros remanescentes Dilma Rousseff e José Genoíno, eram tidos como heróis até se tornarem decepcionantes quando chegaram ao poder.

Mesmo na direita, heróis forjados pela ideologia tecnocrática como Heródoto Barbeiro, Jaime Lerner, Mailson da Nóbrega, Otávio Frias Filho e Fernando Henrique Cardoso, embora não tivessem o carisma natural dos grandes idealistas, também se tornaram frustrantes diante de uma sociedade em que o senso crítico retoma com toda a força no Brasil através da atual geração de blogueiros.

Mas, também na cultura, os equivalentes culturais de José Dirceu, José Genoíno, Dilma Rousseff e outros combatentes, tornam-se decepcionantes traindo seu idealismo anterior, aderindo ao esquemão conservador da mídia, o esquemão que criou os tecnocratas e depois adotou em seu seio a antiga esquerda militante e guerrilheira que lutava contra a ditadura. E que hoje janta com antigos aliados da mesma ditadura que combatiam.

Pessoas que antes representavam o que era moderno, vanguardista e, de um certo modo, esquerdista, na medida em que eles também representavam ideologias novas e mais democráticas, hoje se acomodam com o poder e, embora contem com algum talento e profissionalismo, sua postura ideológica se torna decepcionante, o que prejudicou seriamente seu carisma anterior.

Nem vamos falar de Arnaldo Jabor, porque já falamos em outro texto.

Vemos Pedro Bial, que antes era um poeta performático, um jornalista alternativo e um intelectual atuante, até poderia ser um simples profissional da grande mídia por questões de visibilidade. Mas não é. Pelo contrário, passou a ser o apresentador titular de um dos símbolos máximos da imbecilização televisiva, o Big Brother Brasil (ou PiG Brother Brasil). E, não bastasse isso, escreveu um livro entusiasmado sobre Roberto Marinho e participa, com gosto, da cúpula do Instituto Millenium, organização de direita com fachada de "instituto", como o IPES há quase 50 anos. Só não estava no Fórum Democracia e Liberdade de Expressão porque tinha que apresentar o BBB 10.

Vemos Regina Casé, atriz de vanguarda, estrela do Asdrúbal Trouxe o Trombone, hoje está a serviço do golpismo cultural da grande mídia. E sob o apoio do escudeiro Hermano Vianna, antropólogo que era admirável quando escrevia artigos para revistas como Bizz e outras, nos anos 80, era o irmão intelectual do músico Herbert Vianna, dos Paralamas do Sucesso, mas hoje também é o militante maior do golpismo cultural.

O humorista Marcelo Madureira, de Casseta & Planeta, só assume papel de esquerdista, agora, quando parodia a Marta Suplicy, sogra da também casseta Maria Paula. O "Guerreiro, o Bombeiro" do C&P e um dos ghost writers por trás do Agamenon Mendes Pedreira agora é um neoconservador entusiasmado, um ex-comunista convertido em direitista. E não é só para defender a Rede Globo, da qual é empregado, mas a mídia golpista como um todo, porque compareceu, com gosto, no mesmo fórum que Pedro Bial não pôde comparecer por "compromissos de trabalho".

E Patrícia Pillar, que parecia aquela moça bacana dos nossos sonhos, lindíssima, sensual, engajada culturalmente, que viveu uma longa relação com o ex-Boca Livre Zé Renato (hoje um corajoso pesquisador cultural, além de renomado artista), que nos excitava numa cena de Roque Santeiro usando um conjunto vermelho de suéter, camisa de gola, calça justa e sandálias que a tornava charmosa e sexy, decepcionou feio, quando se casou com Ciro Gomes, um ex-tucano que só é "esquerdista" no sentido pejorativo descrito pelo amigo Marcelo Delfino no blog Brasil Um País de Tolos.

Mas Patrícia fez coisa pior, defendendo o nada vanguardista cantor brega Waldick Soriano, tão conservador que, se fosse convidado para a reunião do governo militar em dezembro de 1968, teria também votado pelo AI-5. Pior, um vídeo com Waldick no TV Mulher defendendo a ditadura foi retirado do portal Globo.Com, porque "pegava mal", talvez pelo lobby que a atriz tem nas Organizações Globo.

Que sabemos de outros exemplos decepcionantes, como os óbvios casos de Caetano Veloso e Gilberto Gil, às vezes condescendentes com a degradação cultural brasileira, em outras posando de donos da verdade absoluta no Brasil, é verdade. Mas só os seis famosos que aparecem na foto que ilustra este texto mostram o quanto as circunstâncias mudam as pessoas, que por mais visibilidade, por mais dinheiro, acabam traindo os antigos ideais. Ganham fama, mas perdem a reputação que tinham antes.

2 comentários:

Marcelo Delfino disse...

Atesto o que foi descrito aqui sobre o meu parecer para os neoesquerdistas. Ciro seria mais autêntico se tivesse feito carreira no DEMocratas ou permanecido no PSDB, pois que ele foi da Juventude da Arena. Ele não convence nessa sua nova fase "neosocialista". E ele só bate no ex-presidente da UNE José Serra porque o hoje governador fez o caminho inverso do Ciro. Este era um arenista que virou “socialista”, e Serra era um stalinista-leninista (dizem que ainda é) que aceita bem o fato de ser adotado por parte da atrofiada direita nacional.

E com relação a todos os nomes citados, seja da política, da mídia ou da cultura, nós definitivamente não temos mais os mesmos ídolos. Se eles fazem hoje o contrário do que faziam quando eram nossos ídolos, cabe a nós abandona-los em sua mediocridade. Fiquemos com a boa lembrança de quando eles eram relevantes.

E pensemos com nossas próprias cabeças. Mas isso nós já fazíamos mesmo quando esses cretinos ainda eram dignos de admiração.

Marcelo Delfino disse...

Tenho um aviso para O Kylocyclo. Parabenizo-o por ter incluído a Rede de Blogs pela Democracia na lista de blogs. Trata-se de uma rede heterogênea de blogs que podem discordar entre si em vários pontos, mas que têm em comum a defesa da democracia, que é exercida na blogosfera como em poucos lugares no Brasil.

O aviso é quanto a uma lista que corre entre aqueles alguns blogueiros que se inscrevem na Rede. Um dos blogueiros (que não é o mesmo que criou o blogspelademocracia.blogspot.com) criou uma lista no Yahoogrupos com o mesmo login do Blogs pela Democracia (blogspelademocracia). Ele manda um convite para todos os que se inscrevem no blog homônimo do Blogspot. Só que um dos requisitos para permanecer na lista do Yahoogrupos é participar da campanha presidencial de José Serra ou ao menos não fazer nenhum comentário contrário a ele. Como deixei bem claro que não faria isso, fui desligado da lista do Yahoogrupos. Também deixei isso claro diante do blogspelademocracia.blogspot.com, mas como esta é uma rede heterogênea e democrática (onde cabem todos, dos serristas aos antisserristas) e o único requisito para participar é não ser petista (o grupo também tem ex-eleitores do PT), continuo acolhido normalmente, e participando dos bons esforços do grupo.