terça-feira, 23 de março de 2010

SISUDEZ DE ROBERTO JUSTUS SÓ TRAZ PROBLEMAS


ATÉ A APRESENTADORA TICIANE PINHEIRO SE SENTE INCOMODADA COM A SISUDEZ DO MARIDO, CONFORME DISSE EM ENTREVISTA: "ELE É MUITO SÉRIO", ELA DISSE.

"Eu aceito desafios. Sou um empresário arrojado, moderno, atuante, sempre atualizado com as novas tendências da Administração. Não temo novos desafios, minha coragem nos negócios me fez avançar muitas etapas. E vou seguindo em frente".

Esta é uma provável síntese do pensamento do empresário e publicitário Roberto Justus que, sorridente, diz aceitar novos desafios. Só que os desafios que ele passou a encarar são muito difíceis e amargos do que sua mente trabalhólatra pode supor.

Primeiro, ele passou a ter o apresentador Sílvio Santos como seu patrão, já que o homem-sorriso também é o todo-poderosos do SBT. Segundo, Justus passou a apresentar um game show para jovens, num contexto que sua personalidade granfina não está acostumado a encarar.

O resultado não podia ser outro. Roberto Justus, que nas páginas de Caras é tratado como um rei, na TV aberta ele tem que suportar baixos índices de audiência, numa emissora cujo dono tem a tradição de cortar repentinamente as atrações, se elas não têm o resultado esperado na audiência ou se a novelista Íris Abravanel simplesmente detesta tal atração.

Roberto Justus ainda vive nos anos 70. Estranhamente, ele e seus colegas de geração - Almir Ghiaroni, Edmar Fontoura, Malcolm Montgomery, Walter Zagari, Eduardo Menga e outros - são da mesmíssima geração da maior parte dos ingleses que fizeram o punk rock, o que mostra o quanto o Brasil pré-industrial gerou senhores tão elegantemente cafonas.

O empresário brasileiro da NewComm ainda parece uma versão grisalha daqueles modelos que apareciam em anúncios de cigarros, automóveis ou mesmo roupas de grife nas antigas revistas dos anos 70, como Manchete, Fatos e Fotos, Senhor e Visão, sem falar de Veja (então sem o reacionarismo dos últimos 30 anos). Como cantor, parece se pautar no estilo crooner que só não chega a cafonice explícita de Julio Iglesias porque este está bem escoltado pela "nata" da música neo-brega brasileira: Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano e Alexandre Pires.

O agravante da geração de Roberto Justus não é o fato desses empresários, executivos e profissionais liberais, usuários "doentes" de ternos e frequentadores "afobados" de eventos de gala, parecerem mais velhos e caretas que a nossa geração.

O agravante é que a geração de Roberto Justus é mais antiquada e envelhecida que os atores, apresentadores e cantores da mesma geração que eles. O oftalmologista Almir Ghiaroni não enxerga o fato de que ele é um ano mais novo que Lulu Santos, um dos pioneiros do Rock Brasil pós-AI 5, com idade para ser amigo de infância e tudo. A diferença etária de Tom Jobim e Vinícius de Morais era de 14 anos.

E o que dizer quanto a geração de Justus ser mais nova que Serginho Groisman? Ou seja, por mais que os empresários, profissionais liberais e executivos carreguem na "maturidade" e nos clichês de elegância (com o claro objetivo de agradar os colegas, patrões ou mestres mais velhos que esses cinquentões), nos seus sorrisos artificiais, nos padrões antiquados de perfeição masculina, é sempre o apresentador de Altas Horas que chega à maturidade primeiro que a geração Justus que brinca de ser idoso aos 50 anos.

De que adianta o empresário Roberto Justus fazer festinhas com seus empregados no final do ano expediente, num clima artificial de recreação, se ele, na intimidade, não passa de um careta sisudo? Como também de que adianta Malcolm Montgomery escrever sobre Beatles se ele coloca dentro do livro alguma pregação moralista típica de papai conservador? Se bem que os Beatles de Malcolm Montgomery são quatro rapazes isolados no tempo e no espaço, trancafiados entre orquestras, quando a realidade mostrou que os quatro rapazes de Liverpool se entrosavam mesmo era com Rolling Stones, Who, Beach Boys, Jimi Hendrix, Deep Purple (Ian Paice tocou com Paul McCartney!), Led Zeppelin e Pink Floyd (sobretudo a fase Syd Barrett).

A sisudez certamente afastou os cinquentões de hoje de suas esposas anteriores. Se hoje eles parecem elegantes e refinados, nos anos 80 eles eram yuppies apenas profissionalmente bem sucedidos. Numa entrevista a uma revista, Ticiane Pinheiro reclamou da sisudez do marido. "Ele é muito sério", ela disse. O que mostra o quanto essa geração de empresários, profissionais liberais e executivos, por trás de seus sucessos na publicidade, nos meios de comunicação, na medicina etc, está fora do tempo, totalmente antiquada, não passando de um cinquentões brincando de serem velhos e ainda assim posando de "jovens" (o machismo brasileiro infelizmente mantém os "coroas" como símbolos de beleza e virilidade).

Serginho Groisman amadurece sendo jovem. Roberto Justus se infantiliza sendo velho. Se comparar o Serginho Groisman de hoje com o de 35 anos atrás, as duas imagens, a antiga e a atual, se dialogam e se convergem. Mas se virmos Roberto Justus em 1975 e o de hoje, a impressão que se tem é que são duas pessoas diferentes que nem sequer se entendem.

Pior é que a sisudez da geração Roberto Justus já faz acostumar mal uma nova geração de homens de negócios e profissionais liberais, hoje entre os 40 e 45 anos, já ensaiando seus tiques de sisudez que se agravarão na casa dos 50.

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