quarta-feira, 17 de março de 2010

O MERCENARISMO DOS "CÃES DE GUARDA" DA INTERNET


Recentemente, foi anunciado que José Serra mobilizará uma equipe de internautas "mercenários" destinada a desmoralizar quem faz campanha contra o governador paulista, já muito distante do passado de militante estudantil de esquerda.

O processo é conhecido. A campanha será feita por blogs e páginas do Orkut, Twitter e Facebook ligados ao tucano, aspirante a candidato à Presidência da República, ou em textos em fóruns ou espaços de comentários na Internet. Gente "anônima" ou "comum" irá defender José Serra e espinafrar, da forma mais agressiva que puderem e as circunstâncias permitirem, ora com argumentações sutis, ora com xingações. Haverá textos escritos em internetês entre eles.

O "mercenarismo" virtual é muito comum. De repente, você questiona alguma coisa e é bombardeado com textos caluniosos, violentos, agressivos. Uns tentando defender a causa que você contesta humildemente, com argumentos objetivos e procurando não ofender. Você tenta não ofender o objeto de sua crítica, apenas reprovando seus procedimentos, afinal você não iria mesmo aplaudir um erro que você viu nele. Mas você é ofendido, porque sua crítica, apesar de construtiva, vai contra o privilégio e a ascensão sócio-econômica do criticado, e aí vem textos violentos contra você, fora eventuais processos judiciais de iniciativa dos "lesados".

Isso não se dá apenas quando políticos querem atropelar a liberdade de informação para manter a escalada fácil ao poder. Se dá também com determinados fenômenos da mídia e do entretenimento.

RÁDIO CIDADE E 89 - No caso da programação "roqueira" da Rádio Cidade, houve um reacionarismo furioso da dita "nação roqueira", quando passei a publicar textos questionando a diluição do radialismo rock por parte da emissora. Também questionei o mesmo processo pela 89 FM paulista, e vieram manifestos furiosos, geralmente de produtores das duas rádios e de pessoas mais próximas, num reacionarismo ofensivo que lembrava o Comando de Caça aos Comunistas.

Mas o reacionarismo pegou tão mal que eles nem tiveram coragem de desmentir, o que mostra que eram reacionários mesmo. E, ironicamente, depois de tanto criticarem o brega-popularesco, "abominando" funqueiros, "pagodeiros" e "sertanejos", eis que os antigos produtores da 89 FM hoje estão na Nativa FM (que toca sambrega e breganejo) e os antigos produtores e locutores da Rádio Cidade estão na Beat 98 (que toca sambrega e "funk carioca").

OLAVO BRUNO E EUGÊNIO RAGGI - Quando passei a questionar com mais frequência o brega-popularesco, passei também a receber mensagens reacionárias de vários internautas, e dois deles se destacaram, como Olavo Bruno e Eugênio Raggi.

Eram carinhas conhecidos em vários fóruns da Internet e pretensos "juízes da verdade absoluta", capazes de ofender quem não concorda com eles. Queriam julgar a cultura brasileira segundo suas vontades, sem qualquer visão objetiva dos fatos, e não raro partiam com ironias, comentários raivosos e ofensivos.

Olavo Bruno aparece em vários fóruns sobre mídia, cultura e até mesmo em fotologs de ônibus no Fotopages, enquanto Eugênio Raggi, professor mineiro, na verdade tinha relações com algum produtor da TV Alterosa, afiliada do SBT em Belo Horizonte, por dois motivos: um discurso que ao mesmo tempo defendia nomes popularescos em voga na TV aberta - Alexandre Pires, Exaltasamba, Banda Calypso - e questionava a própria mídia que apoiava os mesmos ídolos, como a Rede Globo. Um e-mail de Raggi foi lido num programa da TV Alterosa. Raggi "colabora" também no fórum do portal de Luís Nassif. O que indica que Raggi tem relações com algum representante do SBT ou da Record em BH, ou simplesmente tem algum protegido seu trabalhando numa emissora afiliada e, talvez, com experiência em outra.

Na medida em que divulguei estas informações, Olavo e Eugênio parece que "sumiram" da Internet. Na busca do Google, no critério "Resultados Recentes", o tópico mais recente envolvendo o "nosso" Olavo Bruno, pois desconta-se aqui seus homônimos, é de janeiro deste ano. Já o de Eugênio Raggi, que havia "sumido" durante alguns meses em 2008 do fórum "Samba & Choro" (principal arena para a arrogância do professor mineiro), aparece num tópico correspondente a fevereiro último.

Recentemente, o reacionarismo ganhou a adesão de Francielle Siqueira, aspirante a dama-de-ferro dos defensores do brega-popularesco, com suas histéricas defesas ao cantor neo-brega Alexandre Pires.

OUTROS CASOS - Há também outros casos. Em 2001, eu tive um site chamado "Boys Not Band", que questionava a mania da mídia em denominar de "bandas" grupos jovens que só tinham cantores e dançarinos. Era a dance music querendo usar gírias roqueiras, uma vez que no jargão roqueiro era comum chamar conjuntos e cantores generalizadamente de "bandas", até porque mesmo um Ozzy Osbourne solo tem uma banda por trás. Mas no pop dançante, não.

No pop dançante, o que há são grupos de dançarinos sem instrumentista algum, que destoa até mesmo das raízes do funk autêntico (que musicalmente inspira esses grupos), porque no funk autêntico, muitos grupos vocais, na verdade, são bandas, porque seus vocalistas tocavam instrumentos nos estúdios, seguindo a tradição da soul music, em que até cantores solo como Marvin Gaye, Otis Redding, James Brown e Tim Maia, que apareciam no palco apenas cantando, eram na verdade multi-instrumentistas e arranjadores, e arranjadores de primeira.

Fui criticar o fenômeno Rouge, que nem era muito popular se comparado a tantos mega-ídolos comerciais, só repercutindo então com a música "Ragatanga", e não passava de uma imitação requentada das já então decadentes Spice Girls, e aí recebi e-mails indignados dos "fãs" do Rouge, que tentaram defender o rótulo "banda" porque uma integrante toca violão. Mas ela praticamente tocava violão nas horas vagas, assim como, só no final das carreiras grupais, conjuntos como Take That e Backstreet Boys mostram membros tocando instrumentos. Mas porque esses grupos não mostram gente tocando instrumento o tempo todo? Não confundir com o caso Polegar, porque os caras só faziam pleibeque. Estava na cara que os defensores do Rouge, hoje extinto, eram membros do fã-clube do grupo.

A axé-music também tem muito disso. Ivete Sangalo, Cláudia Leitte e Chiclete Com Banana têm um exército de divulgadores, estagiários e tudo o mais, que se inscrevem até em comunidades contra esses ídolos no Orkut, para defendê-los da forma mais desesperada possível. E, como o breganejo é filho do coronelismo, famoso por seu reacionarismo e represália, houve até mensagens de defensores de Zezé Di Camargo & Luciano na página de recados de orkuteiros associados à comunidade contra a dupla goiana. Em busca da unanimidade impossível, o reacionarismo desses mercenários virtuais não encontra limites.

O próprio jornalista Artur Xexéo, quando reprovou a regravação (sempre as regravações!) do breganejo Leonardo da música "Nervos de Aço", de Lupicínio Rodrigues (um dos injustamente acusados de brega hoje em dia), recebeu mensagens indignadas de toda natureza, incluindo "anônimas", que o jornalista descobriu mais tarde virem de uma campanha organizada pelo fã-clube do cantor goiano. As mensagens teriam vindo de gente associada a esse fã-clube.

Como se vê, na Internet existe mesmo esse reacionarismo virtual. Não é de gente que realmente admire seus ídolos ou causas, porque quem ama alguém não se preocupa em odiar quem odeia esse alguém. Quem gosta se preocupa em gostar, amar, admirar. Não vai perder tempo perseguindo quem não gosta.

E, quando são desmascarados, os "mercenários" virtuais fogem de medo, como um pit-bull que é apedrejado. Ou então fogem para outra causa em evidência, como a "nação roqueira" da Cidade que hoje defende os ex-desafetos funqueiros na Beat 98 FM.

Afinal, onde estão mesmo os reacionaríssimos fãs do Charlie Brown Jr.? Nas assessorias de Vítor & Léo?

Um comentário:

Marcelo Delfino disse...

Tenho encontrado um monte desses mercenários nos comentários do blog Preserve o Rádio AM e na comunidade Dial Rio de Janeiro no Orkut. Os caras chegam a ser risíveis.