segunda-feira, 8 de março de 2010

MULHER COM GOSTO MUSICAL BREGA LEVA SEMPRE A PIOR



As mulheres cujo gosto musical é voltado à música brega e todos os seus derivados - como sambrega, breganejo e "funk carioca" - vivem numa grande ilusão. Dependentes psicologicamente da manipulação da grande mídia, elas imaginam que vivem no paraíso de Adão e Eva e podem escolher o homem ideal, recusando qualquer tipo de pretendente.

Se aparece um capataz com o porte físico do Thiago Lacerda dando flores a uma mulher assim e pedindo a mão dela em casamento, ela, hesitante, acaba dizendo não. Mas se ela vê no Orkut um rapaz com aparência de skinhead inglês dizendo que é gentil e carinhoso com as mulheres e que mora com a mãe e não bebe álcool, essa mulher cisma com ele como se fosse o homem ideal, e enche o saco dele até ele, desgostoso, bloquear mensagens de e-mail dela e exclui-la da lista do Orkut, e ainda esse cara mudando foto e identidade para evitar que ela o procure na Internet.

Pois essa ilusão prejudica as mulheres que vivem nesse mundo da fantasia. As mulheres que sonham com um Fábio Jr. para marido e depois preferem se casar com um John Lydon, forjando falsa modéstia sob aquela desculpa de que "não tem preconceitos", acabam ficando na mão, chorando nas sarjetas.

Isso porque essas mulheres insistem em manter vários aspectos sociais ligados ao modelo de mulher imposto pelo machismo, subordinado e patético, mesmo quando essas mulheres possuem emprego próprio. Também é inútil que os politicamente corretos de plantão, cheios de esnobismo e arrogância pedante, afirmem que "dá para curtir brega e ser inteligente", como fazem os defensores do "funk carioca" (FAVELA BASS).

Pois o gosto musical brega-popularesco em si expressa os papéis sociais subalternos da mulher, que através do gosto musical acaba ficando em desvantagem com as mulheres consideradas inteligentes, classudas e realmente independentes.

Primeiro, porque o gosto musical brega-popularesco indica que essas mulheres só apreciam o que a mídia lhes determina a elas curtir. De Waldick Soriano a MC Créu, passando por chitões, chicletões, tchans, rebolations, vitors, léos, zezés, calypsos, calcinhas, popozudas, belos, revelações, exaltasambas etc, etc, etc, tudo isso representa o poderio das rádios interioranas, o que mostra que até o "injustiçado" Waldick Soriano - que afirmou ter sido feliz no país da ditadura - é um produto do poder da grande mídia regional, pois grande mídia não é só aquela que tem escritório na Avenida Paulista. Grande mídia é aquela que exerce domínio sobre determinada multidão.

O gosto musical brega-popularesco dessas mulheres acaba expressando a sua personalidade submissa, resignada, patética, escrava da pieguice e da cafonice que expressam a forma etnocêntrica que os "coronéis" da grande mídia regional trabalham a ideia de povo, que praticamente não é muito diferente da ideia de povo do personagem Justo Veríssimo, de Chico Anysio.

Segundo, o gosto musical brega-popularesco dessas mulheres mostra uma falta de consciência crítica, e indica aspectos depreciativos da sua personalidade. Além de indicar submissão à mídia - pois esse gosto parte de emissoras de rádio e TV que exercem poder sócio-político nas suas regiões - , indica insegurança, imaturidade, ingenuidade. Imagine uma mulher de 45 anos, divorciada, moradora de uma cidade do Nordeste, ainda deslumbrada com Psirico e Calcinha Preta e capaz de chorar quando ouve Exaltasamba, Bruno & Marrone e Fábio Jr, numa histeria que nem as antigas fãs do Menudo nos anos 80, estas nos seus 13, 14 anos, ousaram ter pelo grupo vocal porto-riquenho.

Imagine se uma mulher dessas vai para São Paulo e encontra uma outra da mesma idade que, em vez de ler livros de auto-ajuda e romances de terceira categoria, leem livros de ciências sociais, história e romances literários de alta qualidade. E que, em vez de ouvir Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó e Ivete Sangalo, ouve Agostinho dos Santos, 14-Bis e Sílvia Telles. E que, em vez de ver a vida como se fosse uma menininha deslumbrada, observa a realidade com a consciência crítica.

Certamente a diferença será inevitável, e a mulher interiorana, com jeitão de "coitada", se envergonhará de seus referenciais. Se sentirá passada para trás pela mulher de referenciais não-cafonas. Se sentirá socialmente em desvantagem, quando poderia substituir Fábio Jr. por Edu Lobo e apreciar uma cultura de verdade, não a "cultura do cabresto" que rola nas rádios e TVs. Por isso a mídia lhe dá um jeito de evitar que essa maria-coitada vá para o MASP, quando vai para São Paulo, a empurrando para a Rua 25 de Março.

Também não adianta a maria-coitada dizer que "também gosta de MPB", que acha até a Bossa Nova linda, que "gosta de tudo de bom" porque o gosto musical cafona continua prevalecendo, a relativa apreciação da MPB autêntica não vai além dos sucessos manjados e divulgados pela grande mídia e dá a impressão de que artistas como Milton Nascimento e Chico Buarque, para a maria-coitada, são meramente uns simpáticos estrangeiros. "Música nacional", para ela, continua sendo sempre Fábio Jr., Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano, Calcinha Preta ou DJ Marlboro.

A mídia transforma a maria-coitada numa boneca de brinquedo, mesmo se ela for adulta e até com filhos, mesmo se ela está bem colocada no mercado de trabalho. Mesmo se ela seja a chefe de família, por não ter um marido. Porque seu comportamento fala por si só, sendo infantilizado, piegas, ingênuo, indiferente à realidade à sua volta.

Convém essa coitada escolher entre dois caminhos. Ou a superação e a eliminação de seus referenciais cafonas, que a fazem tornar ingênua e submissa até quando aparentemente é socialmente emancipada, ou então parar de pensar que é a maioral e viver no seu mundinho cafona, aceitando os mesmos pretendentes capatazes ou suburbanos que elas haviam recusado anteriormente.

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