segunda-feira, 22 de março de 2010

MORTE DE RAPPER DINA DI NOS PÕE A PENSAR


A RAPPER BRASILEIRA DINA DI, NUMA DE SUAS ÚLTIMAS FOTOS, COM A FILHA ALINE.

Faleceu de complicações causadas pela infecção hospitalar, depois de ter dado à luz sua segunda filha, Aline, a rapper Dina Di, uma das maiores representantes femininas do gênero. Tinha apenas 34 anos.

Embora eu não seja um grande fã do hip hop brasileiro, respeito o movimento e reconheço sua legitimidade. Seus intérpretes não contam com o suporte midiático, marqueteiro e empresarial do "funk carioca", nem compartilham da futilidade dos funqueiros. O hip hop brasileiro busca ter identidade própria, e seus intérpretes são batalhadores.

Dina Di morreu porque teve que recorrer a uma clínica que, embora particular, era menos onerosa para quem veio da periferia. A clínica Master Clin, como as clínicas particulares de segundo escalão, não teve o cuidado suficiente de manter a higiene necessária para suas atividades, e Dina poderia muito bem ter sobrevivido se houvesse todo cuidado da clínica neste sentido.

A tragédia da rapper, no entanto, faz juntar dois mundos na indiferença a esse drama. Um mundo é o das "mulheres-frutas", que não são batalhadoras nem percebem o drama que as verdadeiras mulheres da periferia sofrem. Embora várias "mulheres-frutas" sejam de origem humilde, elas são logo jogadas para a mordomia do estrelato fácil, neste Brasil onde fama é sinônimo de futilidade.

Outro mundo é o dos grandes médicos particulares, sobretudo aqueles experientes, com mais de 55 anos, que aparecem nas colunas sociais com suas esposas mais jovens que eles. Ficam eles mais preocupados com viagens e outras formalidades (almoços "sociais", festas de gala, seminários), em exibir suas noções pedantes sobre artes plásticas. Eles também não sentem o drama de uma mulher que tem que recorrer a uma pequena clínica, quando poderia ter acesso a um bom hospital, ter assistência digna, necessária, e ter um parto sem qualquer problema.

Para Dani Di, só resta ela ser enterrada e ser lembrada com saudades por seus amigos, familiares e colegas de movimento hip hop. A sua segunda filha, orfã, viverá sem ter qualquer lembrança forte de sua mãe. Enquanto isso, as mulheres-frutas, indiferentes a isso, continuarão mostrando seus glúteos na mídia. E os grandes médicos cinquentões, exibindo sua elegância exagerada e suas opiniões pedantes e artificiais sobre artes plásticas nas páginas de Caras e congêneres.

Um comentário:

Elisabete disse...

Gostei muito do que escrevei nessa pagina .. pois ela era uma grande mulher batalhadora e sem duvidas no meu ver a melhor representante feminina do movimento Hip Hop, e concerteza tudo que ela havia tido até os dias de hoje, concerteza foi com todo suor e esforço da cantora ..adimirava muito o trabalho dela e na minha memória sempre será lembrada como um exemplo de garra!