segunda-feira, 1 de março de 2010

JOSÉ MINDLIN DOOU CERCA DE 40 MIL VOLUMES À USP



O empresário José Mindlin, falecido ontem de manhã, havia doado cerca de 40 mil títulos para a USP, que vai compor a nova biblioteca, a Biblioteca Brasiliana Guida e José Mindlin (Guida foi o nome da esposa de Mindlin, também falecida), que estará pronta em maio do próximo ano.

José Mindlin foi leitor de livros desde muito jovem, algo que se deve levar em conta num país onde o povo trabalhador quer ler livros mas não pode, não tem condições - baixa escolaridade - nem recursos.

Mas pior mesmo é a juventude rica do Brasil, que acha que vai entender o país conhecendo apenas as pessoas das boates que frequentam. Uma juventude que poderia ler livros e, por pura arrogância, não os lê e ainda sai esnobando aqueles que defendem a leitura dos livros.

Imagino como essa "galera irada" deve agir quando tiver Mal de Alzheimer logo aos 40 anos (provavelmente daqui a 10, 15 anos) por não ter exercitado a memória e por ter abusado das "guloseimas" consumidas sobretudo na praia e na "náite".

José Mindlin foi um dos remanescentes de tempos em que havia grandes homens e mulheres. Anísio Teixeira, Barbosa Lima Sobrinho, Milton Santos, Darcy Ribeiro, Josué Montello, Otto Maria Carpeaux, Rodrigo Melo Franco de Andrade, Clarice Lispector, Mário de Andrade. E também tantos outros, anônimos e semi-anônimos, que eram pobres dotados de riqueza moral. Gente que procurou ajudar no progresso desse país. Progresso que, infelizmente, a "galera irada" tenta barrar, no alto de suas boates ou de suas bebedeiras ao volante.

3 comentários:

Lucas Rocha disse...

Daqui a vinte anos, os jovens atuais nem vão mais se lembrar o nome daquele sambrega que, em 2003, esteve na Casa Branca (sede do governo norte-americano) cantando "Garota de Ipanema" e chorando no ombro do então presidente ianque George W. Bush em 2003... Por isso que o Brasil está desprezando seus maiores educadores.

O Kylocyclo disse...

É, porque a cultura do descartável é tão voraz que nem mesmo os medíocres ídolos do momento serão lembrados. Mas aí, quando o PiG se lembrar de Alexandre Pires, vendo tamanha desinformação da "galera", poderá relançá-lo como se ele fosse "gênio da MPB". Hipocrisias da mídia golpista.

Se o povo pudesse valorizar seus melhores educadores, os ídolos seriam outros e, certamente, Wilson Simoninha teria o dobro da popularidade que Alexandre Pires e Belo, juntos, possuem hoje.

Lucas Rocha disse...

É por isso que essa gentalha foi educada pela mídia do espetáculo ao invés da cultura... E se um historiador récem-formado de 2010 escrevesse um livro sobre 1961, será que ele falaria alguma coisa sobre o curto governo de Jânio Quadros, a fase parlamentarista de João Goulart, a Bossa Nova, os CPCs da UNE, o Cinema Novo, a nouvelle vague francesa, o neo-realismo italiano, as viagens do russo Yuri Gagarin e do americano Alan Shepard ao espaço, lambretas, os casacões de couro, os topetões com brilhantina Gumex, o "tuíste", o "rolingole", o "tchá-tchá-tchá", os brotos de vestidos rodados, o udenismo ipesibadiano, o surfin dos Beach Boys, a invasão inglesa liderada por Beatles e Rolling Stones e a pré-Jovem Guarda de 1958-1964?