terça-feira, 2 de março de 2010

FÓRUM DOS "BARÕES" DA GRANDE MÍDIA VIVE FORA DA REALIDADE



A grande mídia vive no mundo da lua. Na verdade, é um grupo privado, uma minoria que se autoproclama "maioria". Tenta se tornar invisível dentro da sociedade, como se ela não fosse o poder.

E olha que nesse fórum intitulado "Democracia e Liberdade de Expressão" e organizado pelo Instituto Millenium está a mídia abertamente reacionária e de caráter federal. Afinal, onde está Bóris Casoy? Onde está Mário Kertèsz? Onde está Domingos Alzugaray? Onde está Hermano Vianna? E Eugênio Raggi, onde está? Em muitos aspectos, eles se afinam, e muito, com a patota presente no fórum promovido pelo Instituto Millenium, mas sabem que a direita escancarada da grande mídia está aí para dar a cara a tapa, não querem ter a exposição dos presentes no evento, porque eles, contraditoriamente, se vangloriam mas repercutem negativamente com suas posições abertamente conservadoras.

Casoy e Kertèsz, durante a ditadura, estavam bem acomodados no circuito do poder, tanto quanto, por exemplo, a família Frias da Folha de São Paulo. E ambos até atacaram Hugo Chavez, como seus compadres do Fórum. Mas aparecer num fórum desses seria sofrer a péssima reputação que os presentes no evento sofrem. E a "mídia fofa" não pode se expor da maneira que a "mídia gorda" se expõe, para não levar desvantagem.

No fórum, a grande mídia propriamente dita, em seus vários palestrantes, tentava reafirmar sua visão de "democracia", que eles, no discurso, tratam como se fosse sinônimo de economia de mercado e direito à propriedade. Criam uma ideia tecnocrática da "democracia", que só dá poder de decisão, de privilégios e de supremacia social para quem é dotado de poder político, econômico, sócio-cultural, técnico ou tecnológico. Acham que a ideia de "liberdade", relacionada à expressão, imprensa e pensamento (três coisas diferentes, diga-se de passagem), tem que passar primeiro pela grande mídia, que seus empresários e profissionais classificam como a "representante mais sensata da humanidade".

A grande mídia vive fora da realidade. A sua realidade é a dos escritórios. Seu oxigênio é o ar condicionado de suas salas e gabinetes. A sua liberdade é a liberdade de classe, de quem tem dinheiro, poder sócio-político, poder técnico e tecnológico. Sua liberdade é a liberdade dos ricos quererem manter sua supremacia, diante de uma sociedade domesticada, alienada, cujos valores e pensamentos a assumir são na verdade determinados pelos poderosos da grande mídia, que falam tanto em "cidadania" mas na prática já colocaram, há muito, muito tempo, as leis do mercado acima da verdadeira cidadania.

Sabemos que muito do que esse pessoal do "fórum do Millenium" fala é uma grande lorota. Ainda evocam ideais iluministas que há muito foram distorcidos pelo capitalismo selvagem e sua forma atualizada, o neoliberalismo. Evocam todo um fascínio pelos EUA, como se tal nação simbolizada pela águia e pelo Tio Sam fosse ainda a nação emergente anterior à crise econômica de 1929. E falam como se ainda estivessem militando no IPES-IBAD e nas marchas Deus e Liberdade de 1964, mas querendo hoje, se não o golpe militar, pelo menos um governo civil que seja o mais conservador possível.

A "mídia gorda" fala também pela "mídia fofa" (Bandeirantes, Isto É etc, "ausentes" no fórum), sua concorrente, mas em todo caso, sua companheira na bandeira pela "liberdade de expressão" das elites midiáticas. O "líder de opinião", envergonhado, diz timidamente que o Fórum Democracia e Liberdade é uma reunião de déspotas, tenta dar um sorriso amarelo para o fórum de rua realizado fora do Hotel Golden Tulip, onde ocorreu o "democrático" fórum, cujo ingresso custou o "democrático" (ou DEMOCRATA, no sentido de um partido político que deu aval ao evento?) preço de quinhentos reais.

O vice-presidente de relações institucionais do Grupo Abril, Sidney Basile, disse, de maneira esnobe, que o controle social está no público. Exemplificando o caso das revistas, ele disse que, se o leitor compra uma revista e a acha ruim, ele deixa de comprá-la. Coitado do Basile, que, certamente, ignora que essa situação que ele tão alegremente narrou é justamente a que vive a decadente Veja.



Do lado de fora do Hotel Golden Tulip, debaixo de chuva, estavam os manifestantes contrários ao poder da mídia. Vários deles estavam vestidos à caráter, como palhaços de circo, bobos da corte ou com algum adereço cômico, afinal, o chamado para o Fórum de Rua Democracia e Liberdade de Expressão, ideologicamente oposto ao evento do Instituto Millenium, foi "Se você também acha que a mídia é uma palhaçada, venha vestido a caráter".

Rolou até a música "O Circo", do esquecido e injustiçado compositor de MPB autêntica Sidney Miller (1945-1980), para desespero daqueles que, leitores tortos da Caros Amigos na sua fase gordurosa, imaginariam que fosse rolar "Créu", "Rap das Armas" ou "Festa do Apê", por sinal três dos grandes sucessos veiculados pela mídia que estava dentro do Hotel Golden Tulip.

Os manifestantes certamente não tinham os R$ 500 para pagar o ingresso para o fórum dos "barões da mídia". Quinhentos reais daria para comprar algumas coisas essenciais da cesta básica. Ou então serviria de sobressalente, em todo o mês, para o pessoal que pegar ônibus errado graças ao insosso visual unificado do SPTrans. Por isso, a patota proleta foi chiar da grande mídia na rua, sob chuva. Mas isso fez os revoltosos chamarem a atenção dos transeuntes do local, apesar do esnobe silêncio da imprensa, que, tão preocupada com a "liberdade de informação", não se encorajou em cobrir esse outro lado da manifestação.

Quem foi lá, dava para sentir a diferença entre o teatrinho da cidadania dos barões da mídia e de seus porta-vozes - há aqui que constatar um aspecto negativo do humorista Marcelo Madureira, presente no evento, já que eu pessoalmente assisto ao programa Casseta & Planeta Urgente da Rede Globo - e o protesto animado de estudantes, trabalhadores e representantes da outra mídia, aquela que não se reúne num hotel de luxo para defender a economia do mercado nem aquela que se esconde num telejornal para falar mal de lixeiros ou cria um "QG" midiático no Pernambués para enganar a esquerda baiana.

O blogueiro Altamiro Borges, do Blog do Miro, definiu os palestrantes do Fórum Democracia e Liberdade de Expressão como "os fujões do Confecom", a 1ª Conferência Nacional de Comunicação que se realizou em Brasília no final do ano passado. Ele afirmou que o Fórum de Rua será o primeiro de muitos fóruns, e será em caráter permanente, servindo de meio de discussão sobre os meios de comunicação segundo os verdadeiros interesses da sociedade.

O Fórum de Rua conta com o apoio da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), da União Nacional dos Estudantes, do Coletivo Intervozes, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Associação Portal Vermelho, da Articulação Mulher e Mídia, da Marcha Mundial de Mulheres, da União da Juventude Socialista (UJS), da Revista Viração, do Conselho Regional de Psicologia, do Sindicato dos Radialistas, entre outros.

Um comentário:

Marcelo Delfino disse...

Também são engraçados os comentários simplórios ao vídeo postado no YouTube:

odontoway (10 horas atrás)

comunistas vagabundos !!!!!!!!!

constantinosalazar (51 minutos atrás)

Ainda bem que eles sabem que são palhacinhos...

Engraçado como esse pessoal não estuda nem trabalha, plena terça-feira à tarde e eles fazendo isso.





Ué, e os participantes do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, que se reúnem em pleno horário comercial, não estudam nem trabalham? Ah, esqueci que profissionais liberais e patrões trabalham a hora que bem entendem, portanto podem marcar o tempo livre pra quando quiserem, para participarem de fóruns, por exemplo.