terça-feira, 30 de março de 2010

Falta de respeito com a MPB: podridão sonora ganha status “universitário”



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Este texto tem um tempo, mas resolvi reproduzir porque o autor, o amigo radialista Marcos Niemeyer, do blog Cajarejadas & Ejacuçações, fala da onda dos bregas "universitários", sobretudo o tal "sertanejo universitário", que, pelo jeito, é o novo modismo do momento, depois do fracasso da grosseria do "funk carioca" e sua demagogia "etnógrafa".

Por Marcos Niemeyer

Somos do tempo que os festivais universitários e apresentações musicais nessas instituições impunham respeito e admiração até nos países do Primeiro Mundo.

Nas repúblicas, jovens estudantes debatiam além dos assuntos acadêmicos/ rotineiros, filosofia, cultura e permeavam na surdina sobre a situação política brasileira (vivíamos em pleno regime militar).

Livros, revistas, baseados e violões se misturavam por dentro daquelas casas com aspecto centenário. Havia sempre a turma dos "certinhos" e a galera dos "agitadores".

As duas tribos, mesmo com uma ou outra divergência, não abriam mão quando o assunto era ouvir e divulgar a boa música feita nos anos 60/70. Os festivais universitários ou promovidos pela televisão em épocas passadas revelaram importantes nomes da MPB, a exemplo de Chico Buarque, Gil, Caetano, Tom Zé, Edu Lobo, Marcos Valle, Geraldo Vandré, MPB-4, Carlos Lyra, Nara Leão e outros tantos.

Cantores e compositores talentosos souberam usar esses palcos como trampolim para uma carreira artística consolidada e acima de qualquer suspeita. Ritmos de qualidade duvidosa já existiam, mas nada comparável ao estágio atual das sonoridades propagadas, inclusive, nas próprias faculdades.

Alguém em sã consciência saberia nos explicar, por exemplo, do que se trata esse tal de "sertanejo universitário" ou ainda algo como "forró universitário" inventados pela mídia para emburrecer ainda mais nossos jovens calouros? É difícil acreditar a que ponto chegou o nível de educação do estudante brasileiro com essa verdadeira lavagem cerebral sonora.

Os principais meios de comunicação de massa - rádio e televisão - desevoluiram e nada de interessante apresentam com o objetivo de salvar a música nacional do mar de lama que está atolada. Nas FMs, só tem gritaria e "música" com prazo de validade; a TV por sua vez, se caracteriza como o supra-sumo da idiotização coletiva.

Até mesmo conhecida rede de ensino superior de Belo Horizonte patrocinou há pouco tempo a turnê de uma banda vagabunda por diversas cidades mineiras. Nos cartazes de apresentação, manchete do tipo "O melhor swing sertanejo do Brasil".

Axé, forró, breganejo, pagode... são todos "universitários"! Quem disse que essa coisa indigesta pode ser recheada com nome de cultura? Uma vergonha sem precedentes na história musical brasileira. É preciso repensar o modelo ensinado não só nos meios acadêmicos, mas, sobretudo nas bases escolares. É alí que está a essência, a semente em constante germinação. O mal se corta pela raiz!

Um comentário:

Lucas Rocha disse...

Alexandre, já sei que o breganejo universotário se tornou hegemônico no mercado brega-popularesco brasileiro. Mas porque a grosseria do "funk carioca" fracassou, será que o ritmo não conseguiu enganar os estrangeiros?