segunda-feira, 22 de março de 2010

A ECONOMIA DA MÚSICA BRASILEIRA



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Não será a música brega-popularesca, com seus ídolos da axé-music, do "pagode romântico" e do "sertanejo", com sua estrutura milionária mas qualidade artística duvidosa, que renovará a música brasileira. Precisamos discutir a verdadeira renovação de nossa música.

DO PORTAL DE LUÍS NASSIF

Nos últimos anos, as mudanças ocorridas no âmbito da música popular brasileira têm uma dimensão ainda não suficientemente aquilatada.

Essa é a principal conclusão do programa “Brasilianas.org”, gravado esta semana para discutir a economia da música.

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Antes as “majors” – grandes gravadoras internacionais – dominavam o circuito de gravações (com seus estúdios), do mercado interno (com os “jabás” para as rádios e contatos com o jornalismo cultural) e o circuito internacional (através de relações com outros países, com eventos musicais e com circuito de shows).

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Essa cadeia foi quebrada com o advento da música digital e as facilidades de gravação, levantando o véu que impedia o florescimento de uma nova geração de músicos.

O próprio sistema de “jabás” (pagamento por fora para as rádios tocarem apenas músicas previamente definidas acabou restringindo violentamente o cardápio de gêneros explorados pelas “majors”.

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O segundo elo a ser quebrado foi o da divulgação, à medida que a Internet ia se consolidando como um veículo alternativo – embora ainda não tenha a abrangência dos rádios.

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O terceiro elo a ser quebrado é o de circuitos internacionais. Antes, poucos eram os empresários capazes de organizar uma turnê internacional para um artista. Com a formação de redes de relacionamento especializadas, surgiu uma nova geração de jovens empresários em outros países, que passaram a solicitar artistas brasileiros. Ainda é um movimento pequeno, não sistematizado, mas que está criando massa crítica para ações públicas mais articuladas.

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Somado à questão do direito autoral, dos downloads de música, desenhou-se uma nova realidade não apenas para a música alternativa como para as próprias “majors”.

A primeira mudança é o fim dos grandes popstars. O circuito de shows tornou-se extraordinariamente oneroso, exigindo massas cada vez maiores de públicos. A multiplicidade de novos talentos, as novas formas de formação de imagens de artistas faz com que, em vez de um mercado concentrado em grandes estrelas tenha-se o mesmo mercado dividido por uma legião de artistas médios.

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Todo esse estoque de novas armas, de guerrilhas internéticas, de identificação de novos segmentos será utilizado não apenas pela música alternativa como também pela “majors”.

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E aí se entra nas estratégias de internacionalização da música popular brasileira. Ainda hoje, os ecos internacionais da música brasileira repousam em Carmen Miranda (pegando os mais antigos), na bossa nova e na geração dos popstars que hoje em dia estão com mais de 60 anos – Caetano, Gil, Milton, João Bosco, Djavan, Chico.

Não há uma “marca Brasil” nova para facilitar a abertura de novos mercados para a nova geração. Aliás, marca existe, mas ainda não se transformou em política estratégica.

Hoje em dia, a juventude mundial compartilha um conjunto de valores – meio ambiente, afetividade, sensualidade, musicalidade – que é a própria cara do Brasil.

Falta apenas uma ação concatenada para que esses valores ajudem a música brasileira a conquistar o mundo.

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