sábado, 13 de março de 2010

CACAREJADA VIRTUAL FEZ BRILHANTE ANÁLISE SOBRE MPB



O excelente locutor Marcos Niemeyer, autor do blog Cacarejadas & Ejaculações, comentou a crise da Música Popular Brasileira em seu programa de rádio. O áudio está acessível através deste link, em que Marcos faz uma análise dura sem perder a compostura, como um verdadeiro profissional de rádio faz.

Eu escrevi um comentário, até agora inédito, complementando a análise dele. E resolvi antecipar a publicação, até porque o ponto de vista encontra consonância à análise feita pelo radialista e blogueiro. Aqui está o meu comentário:

O pior de tudo é que os chamados "ídolos populares", do nível de Alexandre Pires, Belo, Ivete Sangalo, Cláudia Leitte, Zezé Di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó, Leonardo, Daniel, Banda Calypso, Calcinha Preta, entre outros tantos (e olha que eu falo naqueles que, mesmo ruins, são tidos como "geniais" pela grande mídia), já começam a perder a disposição de compor suas próprias músicas ou encomendar inéditas de autores amigos, e já estão lançando discos ao vivo sucessivos, sempre revisitando os mesmos "grandes sucessos".

E também já começam a gravar mais covers, um atrás do outro, se nivelando até abaixo dos piores crooners, sem o escrúpulo de vampirizar, de parasitar o cancioneiro autêntico da MPB. Assim, Cláudia Leitte pode cantar, por exemplo, "Como Nossos Pais", música de Belchior consagrada por Elis Regina. Alexandre Pires pega carona em Sá Marina, sucesso na voz de Wilson Simonal. E mesmo os "emergentes" Revelação e César Menotti & Fabiano, espertos, agora lançam como "novas músicas" regravações de, respectivamente, "Sina" de Djavan e "Natural" do 14 Bis, evidentemente sem a beleza das versões originais.

Só quero retificar uma coisa. Os grandes nomes da MPB, vários deles, não gravam mais músicas inéditas porque não tem espaço na mídia. A indústria fonográfica não deixa. As gravadoras impõem ao artista regravar seus antigos sucessos, senão não há disco. E olha que Djavan, Milton Nascimento, Joyce, Chico Buarque, tem fôlego para lançar novos clássicos, se houver oportunidade eles lançam músicas que serão marcadas em nossas mentes.

Enquanto isso, nossos incompetentes ídolos populares ficam regravando músicas, porque é mais cômodo. Medíocres, eles até tinham um caráter de ineditismo no começo de suas carreiras, daí terem conseguido botar seus poucos hits, seus "Entre Tapas e Beijos", "Festa", "Você Não Vale Nada", "Cachorro, Sem Vergonha", "É o Amor", "Depois do Prazer", "Eu Te Quero Só Pra Mim", "Você Não Vale Nada". Mas, depois de passada a relativa impressão de "novidade", eles tentam justificar-se no mercado apelando para qualquer coisa, até para intelectual pelego que tenta tratar o Calcinha Preta como se fosse uma pérola perdida do pós-Tropicalismo.

Esses intelectuais endeusaram tanto a Tati Quebra-Barraco, cinco anos atrás, comparando ela (injustamente) a Elza Soares, nivelando ela a Pixinguinha (pode?) que hoje ninguém mais fala no assunto. Tati teve uns dois ou três hits, muito ruins por sinal, enriqueceu, torrou a grana com plásticas e lipos e, incapaz de gravar um novo disco, teve que se converter para uma seita evangélica, antes que o fim de sua celebridade a ameace no mais cruel ostracismo.

O brega-popularesco mostra seu desgaste e mostra também seu caráter anti-popular. Afinal, seus DVDs superproduzidos e suas sucessivas gravações de covers mostra que eles são, na verdade, a música das elites, e não a "verdadeira música popular" que tanto alardeiam. Isso porque as oligarquias financiam muito esses ídolos, tentando livrá-los do ostracismo inevitável, tentando disfarçar seu esgotamento natural, afinal são eles que enriquecem a mídia e todos os empresários direta ou indiretamente envolvidos, sem falar de latifundiários e políticos corruptos que "lavam" suas granas sujas no sustento permanente desses ídolos popularescos, que vão para o Domingão do Faustão como quem vai para a casa da titia na esquina.

2 comentários:

Marcelo Pereira disse...

Assim como acontece nocinema e na TV, parece que recriar, regravar. refazer virou a moda. É acrise de criatividade tomando proporções geigantescas diante da desesperada necessidade de ganhar dinheiro.

Esses "cantores" apelam para as regravações para se promoverem às custas dos gênios do passado e garantirum bom lucro financeiro sem ter que criar nadinha. Ficar sem pagar os supérfluos da cada dia é que eles não podem, não é?

Lucas Rocha disse...

Não bastasse tudo isso que você falou, será que um pintor medíocre vai imitar as obras de Cândido Portinari em vez de fazer um quadro próprio (inclusive um autorretrato)?