quarta-feira, 17 de março de 2010

BREGA-POPULARESCO NADA TEM A VER COM EXPRESSÃO DO POVO POBRE


CHITÃOZINHO & XORORÓ - RICOS MAGNATAS DE UMA "CULTURA POPULAR" ESTEREOTIPADA.

A música brega-popularesca não representa a cultura do povo pobre. Não representa os anseios, as crenças nem os valores das classes populares. É apenas uma "cultura popular" estereotipada pela associação entre a indústria fonográfica e a grande mídia, sendo ela de caráter nacional, através das grandes redes, e de caráter regional, através da mídia regional.

E a música brega-popularesca se torna um negócio milionário de tal forma que hoje o que vemos são apresentações superproduzidas, pesado investimento em campanhas na mídia e em toda a modernização visual, técnica e tecnológica de seus ídolos. Por isso, não faz sentido eles trabalharem a falsa imagem de injustiçados, porque são eles que estão no poder.

Além disso, a tendência atual dos DVDs ultraproduzidos, dos duetos seja dos ídolos popularescos entre si ou entre eles e os medalhões da MPB, e a compra aos montes de músicas do cancioneiro da MPB autêntica para virarem covers na regravação dos ídolos popularescos mostra o quanto esse universo musical nada tem a ver com a verdadeira cultura das classes populares.

O investimento pesado nesses ídolos, como os breganejos, sambregas, axézeiros, funqueiros etc, mostra o quanto as oligarquias, as elites, ou seja, quem há de mais rico financeiramente no país, deposita suas granas nesse processo incessante e desesperado de pasteurização da cultura popular. E isso, cinicamente, sob o rótulo de "cultura dos excluídos", numa argumentação falaciosa que só não define o breganejo como "música dos sem-terra" porque o MST é tratado como vilão até pela mais boazinha da mídia fofa.

Está na cara que isso não é a verdadeira cultura popular. A verdadeira cultura popular não é aquela que se nutre por plateias lotadas. É a que transmite arte genuína, valores sólidos, conhecimento, honestidade, integridade. Essa "cultura popular" que vemos sobretudo em veículos que variam do Domingão do Faustão às pregações de Rodrigo Faour e Hermano Vianna é estereotipada, falsa, alimentada pelo propinoduto do jabaculê musical durante anos. Agora eles tentam fingir que nunca cometeram jabaculê. Finjem até que nunca fizeram sucesso, tudo para entrar na festa da MPB autêntica pela porta dos fundos.

Mas os ídolos popularescos podem fazer todas as manobras, porque elas sempre são falhas. Só porque eles fazem sucesso e ainda contam com muita grana para evitar ou ao menos adiar a decadência inevitável, não significa que eles sejam os donos da MPB. Eles não são, e é melhor que não tentem. Nosso patrimônio cultural não deve se servir à farsa de bregas e neo-bregas que só estão na música por dinheiro.

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