quinta-feira, 4 de março de 2010

ARNALDO JABOR PEGOU PESADO NO FÓRUM DA MÍDIA GOLPISTA


ARNALDO JABOR - O ex-ex-cineasta foi integrante dos CPC's da UNE, mas hoje está do lado da direita reacionária da mídia gordíssima.

Quem diria, Arnaldo Jabor foi um dos que mais pegaram pesado na pregação ideológica dos barões, viscondes e condes da grande mídia, reunidos no Hotel Golden Tulip, em São Paulo, no último dia 1º.

Vejam a declaração do jornalista, a pretexto de se destinar à ascensão da candidatura Dilma Rousseff, mas destinada a tudo que representar risco aos interesses da "galera irada" do Fórum Democracia e Liberdade de Expressão. Eis aqui:

“Então o perigo maior que nos ronda é ficar abstratos enquanto os outros são objetivos e obstinados, furando nossa resistência. A classe, o grupo e as pessoas ligadas à imprensa têm que ter uma atitude ofensiva e não defensiva. Temos que combater os indícios, que estão todos aí. O mundo hoje é de muita liberdade de expressão, inclusive tecnológica, e isso provoca revolta nos velhos esquerdistas. Por isso tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução. Senão isso se esvai. Nossa atitude tem que ser agressiva”.

É de se estarrecer ver Arnaldo Jabor cobrando mais agressividade para a mídia golpista. E não é só nesta situação, como provavelmente em outras que vierem. Não bastasse a Folha de São Paulo perseguindo blogueiros.

Mas o que é de pasmar é que Arnaldo Jabor atuou nos Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes, junto a figuras como Carlos Estevam Martins, Oduvaldo Vianna Filho, já falecidos, mais Ferreira Gullar e Cacá Diegues. Ele contribuiu para a renovação cultural de nosso país e foi um dos atuantes diretores do Cinema Novo, amigo de Glauber Rocha e tudo. Agora, Arnaldo Jabor está do lado de Carlos Sardenberg, Miriam Leitão, Heródoto Barbeiro e Alexandre Garcia nas artimanhas golpistas da mídia global...

Mas sejamos sensatos. Na década de 90, Jabor ainda escreveu artigos interessantes sobre a "pagodização" do Brasil. Criticou o brega-popularesco como poucos, e eu mesmo gosto destes textos. Só que não é condenando a atual postura reacionária de Jabor que venhamos a inocentar a "pagodização" como certos editores menos experientes de Caros Amigos, glorificando o "funk carioca", herdeiro direto das baixarias do É O Tchan aliado a uma "militância 171" de outros funqueiros.

Seria igualmente grotesco, da mesma forma que endeusar as atuais abordagens de Arnaldo Jabor, achar que as mulheres-frutas são "injustiçadas", que o Tchan "até que era divertido e bacana", e outras tolices. Seria ser panaca de um lado, como endeusar os surtos reacionários de Jabor seria ser panaca de outro lado. Sem falar que tchans, créus, sheilas, mulheres-frutas, "funqueiros de raiz" e outras bobagens contam com o apoio aberto, explícito e entusiasmado da mídia golpista.

Dá dó saber que os textos pró-funqueiros da Caros Amigos têm rigorosamente os mesmos argumentos nos textos pró-funqueiros da Folha de São Paulo. Qual é a diferença?

Um comentário:

Marcelo Pereira disse...

Daqui a pouco vão dizer que a direita é que odeia o popularesco, que axé-pagode-"funk"-sertanojo-brega é que são de "esquerda".

A direitização de Jabor pode, infelizmente jogar mais lenha nesta absurda tese.