quarta-feira, 31 de março de 2010

CAPA DO CD "SERTANEJO UNIVERSITÁRIO" IMITA A DO LP "PHONO 73"



Agradecimentos ao internauta Lucas Rocha pela lembrança da comparação.

O que é a falta de originalidade. Se houvesse algum contexto para imitar capas de LP, tudo bem, mas o que se vê aí é pretensiosismo. A nova onda do momento, o "sertanejo universitário", já havia mostrado, anos antes, a pretensão de preciosismo ao lançar uma coletânea com capa 'chupada' do LP Phono 73, o histórico álbum de música brasileira, em que pese seu elenco nem ser sempre bom.

Afinal, há no Phono 73 a presença de Odair José, um dos ídolos da música brega - certamente, um dos gurus dos "sertanejos universitários" - num dueto com Caetano Veloso. Mas a maior parte dos cantores e grupos do elenco da Phonogram correspondia à MPB autêntica que hoje ameaça desaparecer do rádio.

No entanto, o que se nota na imitação é que varia a posição da colagem em acrílico das imagens dos cantores, que no CD breganejo é posta embaixo, enquanto que no LP de 1973 é posta acima.

"FUNK CARIOCA" NÃO CONSEGUIU AVANÇAR COM RETÓRICA "ETNOGRÁFICA"


Foi como uma porção de fezes embrulhada num livro de antropologia. O "funk carioca" (FAVELA BASS) não conseguiu convencer a opinião pública com sua retórica "etnográfica", porque era um discurso falsamente sofisticado, feito para disfarçar um estilo musicalmente chato, difícil de ouvir com atenção, e marcado pelo grotesco gratuito, pelo mau gosto impositivo e constrangedor.

O "funk carioca" teve que se contentar com o mercado que conquistou. Com o controle social que exerce sobre o povo pobre, com os estudantes de escolas públicas deixando rolar o ritmo nos seus telefones celulares. Mas a reputação dos sonhos, de "música popular do século XXI", "novo folclore brasileiro", com as comparações pretensiosas à Semana de Arte Moderna, Revolta de Canudos e outros eventos históricos, simplesmente não se realizou.

Isso porque o "funk carioca" esbarrou numa intelectualidade inteligente e crítica, que certamente não se convenceu com a falsa ideia de que o MC Créu, por exemplo, seria o novo Donga, e o Latino o novo Ernesto Nazareth. Tudo por conta das pretensas e demagógicas comparações que a rejeição do "funk" possui hoje com a que o samba teve há cem anos atrás. Até porque são épocas diferentes com perspectivas morais diferentes. Quem rejeitou o samba era moralmente rígido demais. Quem rejeita o "funk" é moralmente bem mais aberto, só não aceita a baixaria, a grosseria, a estupidez.

Por isso, o "funk carioca" agora tem que liberar seu espaço para a campanha do "sertanejo universitário", de um lado, e a do porno-pagode baiano, de outro. O "funk" tem que se contentar com o mercado que conquistou, à maneira do competidor de quiz show que, ao ganhar a quantia de um milhão, decide encerrar a competição por aí, em vez de continuar a competir e se arriscar a perder até tudo que tinha.

Além disso, a mídia golpista, já preparando sua campanha para botar um tucano no Planalto novamente, não teria mesmo que usar o grotesco funqueiro como trilha sonora do mainstream midiático, mas o comportado e "familiar" breganejo, na sua versão "universitária", com seus cantores parecendo galãs de novela ou, quando muito, atores de Malhação. A direita quer espantar os ares populistas, mais uma vez evocando a "tradição" da família e da propriedade privada expressas pelos emergentes "jovens sertanejos".

MÍDIA TENTA EVITAR DECADÊNCIA DA EROSÃO CULTURAL



A erosão cultural está aí. A televisão aberta, cada vez mais decadente, e de propósito, porque acha que é isso que o público quer. A música brega-popularesca se divide com os veteranos gravando covers e discos ao vivo em excesso, enquanto lança novos ídolos (como o "sertanejo universitário") que lançarão apenas cinco hits próprios até seguir a linha sanguessuga dos veteranos e suas regravações. A imprensa populista pondo bosta nas mentes dos leitores. As rádios FM, sofrendo ao mesmo tempo dos males de Parkinson e Alzheimer, empurra programação Aemão ou música popularesca para transformar os ouvintes em cidadãos superficiais e submissos.

E erosão cultural de que fala o jornalista Dioclécio Luz avança, enquanto os clamores contra esse fenômeno surgem e crescem, apesar das réplicas raivosas contra eles. E a grande mídia se esforça sempre em fazer essa erosão avançar, depositando milhões e milhões de reais para que seus valores e totens evitem sucumbir à decadência e ao ostracismo.

O cantor de sambrega que, no fundo, se limita a ser uma caricata fusão de Luiz Miguel com Usher, tem que fazer sucesso? Haja notas pagas sobre ele na Internet. O grupo de axé-music de vocalista barbudo está em decadência? Mais notas pagas, do tipo "grupo tal arrasta multidões em Piramboca do Norte". A mulher-fruta ameaça cair no ostracismo? Bota ela para ser deputada ou vereadora. A dupla breganeja não faz algo que preste? Lança um filme sobre a dupla. O apresentador brucutu de TV perde Ibope? Lança um concurso de funqueiros no programa dele, ou então bota ele para fazer merchandising de tônico capilar.

Enfim, são tantos artifícios que tentam manter a imbecilização cultural, o controle social, em ordem. A decadência está aí, a olhos vistos, como um penhasco que ameaça cair. Mas a mídia amarra um barbante para segurar a parte do penhasco que começa a cair. E esse barbante custa milhões.

É um mecanismo mais perverso do que se imagina, porque o controle social não se efetiva com pregações verbais dos militantes do Instituto Millenium. Nem se efetiva na fúria dos articulistas de Veja. E nem nas repressões policiais do governo José Serra, ou outro similar.

A imbecilização cultural da imprensa populista, da música popularesca, do rádio FM esquizofrênico e desmiolado, da manipulação emocional sobre as classes populares, tudo isso é o que há de mais perverso em controle social, que desmobiliza muito mais os movimentos sociais. A domesticação do povo pobre é a forma mais eficaz para as elites controlarem a sociedade, sem recorrer a massacres que transformariam a direita brasileira num ente abominável à altura dos regimes fascistas europeus.

Por isso mesmo, o controle social da mídia existe. Está em toda a "cultura" popularesca, sobretudo em eventos tipo Big Brother Brasil, que nem no auge está, mas cujo princípio de decadência foi tapeado com convidados em evidência na mídia, falsos debates, falso engajamento, enfim, tentou-se transformar tomate podre em caqui.

E os ídolos musicais popularescos, os mesmos veteranos da axé-music, do sambrega, do breganejo e outros estilos, fazem a trilha sonora do "Brasil imbecil", com seus sucessivos discos ao vivo, covers em excesso e duetos oportunistas, tudo para tapear o péssimo repertório autoral que eventualmente é despejado nas rádios a título de músicas de trabalho.

Tudo isso representa a prática da dominação social que os críticos da mídia pouco veem. Existe a gravidade da militância da mídia golpista, mas ela não se dá somente nas pregações do Instituto Millenium e seus seguidores (sobretudo enrustidos, como o Grupo Bandeirantes de Comunicação e a Rádio Metrópole de Salvador). Se dá na prática diária e constante da erosão social que elimina do povo brasileiro os grandes valores e referenciais sociais, que certamente fariam do povo uma arma contra a dominação e a domesticação pelas elites.

terça-feira, 30 de março de 2010

GLENDA KOSLOWSKI



Alguém pode dizer se essa gatona do Globo Esporte está solteira? Há um bom tempo a bela apresentadora e ex-surfista não mostra anel algum na mão esquerda, apesar de oficialmente estar casada pela segunda vez.

O "HOMEM PADRÃO" DE QUARENTA ANOS



O que é chegar aos 40 anos? Eu ainda não cheguei lá, mas vejo quantos quarentões considerados de grande sucesso sócio-profissional, ligados às classes abastadas e com suas famílias estáveis, se comportam.

Chegar aos 40, para eles, é a tentação de jogar fora toda a jovialidade e o verdadeiro prazer de viver que tinham na juventude, desenvolvendo um padrão "moderado" de comportamento que eles acreditam ser o caminho seguro para a maturidade e para o prestígio social entre as demais pessoas.

O sujeito monta uma empresa, por volta de seus 35 anos, se casa com uma mulher de personalidade bem interessante e aparência muito atraente. Geralmente com pelo menos quatro ou seis anos a menos do que ele. Aí ele obtém sucesso nos negócios - ou nas profissões liberais, se for o caso - e, quando chega aos 40 anos e vê avançar o embranquecimento dos fios de cabelo, ele então tenta mudar sua conduta.

Sobrecarregado na sua profissão, emocionalmente envolvido com ela, esse quarentão acaba moldando sua personalidade e seu lazer de acordo com sua profissão. Sendo ele um empresário, executivo ou profissional liberal, ele acaba transformando seu lazer numa vitrine de sua profissão. Quando ele aparece nas festas ou nas reuniões com os amigos, ele não é mais aquele fulano, o bom amigo da juventude, mas o empresário tal.

Sua aparência viril dos tempos de faculdade se transforma num perfil sisudo e cansado. É evidente que ele não deixa de rir ou sorrir, mas sua transformação no comportamento o faz calcular até a forma de dar uma risada. Escravo das etiquetas, ele deixa de calçar aqueles alegres tênis com os quais ia para a faculdade e só os reserva quando "necessário", nas caminhadas no calcadão da praia ou do parque, por razões de saúde ortopédica, ou em passeios turísticos, que requer longas caminhadas em centros históricos.

No resto, ele passa a usar sapatos de couro ou verniz até quando vai para o shopping, que para ele é melhor porque passa a imagem de um homem "sério e responsável" até no lazer. Até na forma de andar se muda: ele anda bem mais vagarosamente, seus gestos se tornam mais frios, ele passa a falar como se fizesse uma paletra num seminário sobre negócios, seu sorriso perde a espontaneidade.

Ele troca sua trilha sonora, fugindo das músicas agitadas como o diabo foge da cruz. Independentemente da qualidade ou mérito artístico ou artístico-temporal, ele se fixa apenas em alguns heróis "comportados" do cenário musical do pop adulto. A geração de empresários, executivos e profissionais liberais nascida nos anos 50, eles estando hoje nos seus 55 anos em média, elege como "heróis" os medalhões do jazz ou os cantores da época áurea de Hollywood, como Frank Sinatra, Bing Crosby, Nat King Cole e Ella Fitzgerald. Já quem nasceu nos anos 60 e tem em média 45 anos, seus heróis são a turma do Live Aid, como Sting, Elton John, Phil Collins, Rod Stewart e Dire Straits.

A escolha das músicas românticas cantadas por esses ídolos é enfatizada porque o espírito de racionalidade que o "homem padrão" da nossa sociedade, seja quarentão ou cinquentão, requer um lazer mais relaxante, mais sedentário. Adeus às andanças aceleradas dos tempos de estudante. Agora são as caminhadas em ritmo de procissão, como se esses homens tivessem fazendo funeral de si mesmos. Chega de músicas agitadas, entusiasmantes. Agora são as músicas mais lentas possíveis, ainda que seja "I've Got You Under My Skin" ou "So Far Away".

Adeus aos refrigerantes, só aceitos quando nos almoços profissionais porque beber álcool é proibido. Mas, no lazer, apenas uísques, champanhes e vinhos, ou, num momento de maior informalidade (como assistir a uma partida da Seleção Brasileira na TV), cerveja. O pretexto é que refrigerante engorda, causa diabetes e é "bebida de criança". Mas, no melhor estilo "olha só quem fala", uísques, champanhes, vinhos e cervejas também engordam, e muito, e causam diabetes da mesma forma.

Mas até os sucos de frutas esses homens de "sucesso" costumam beber menos. Quando muito, o suco "qualquer nota" do café da manhã. Só por alguma obrigação de saúde. Imagine se um homem desses vai beber suco de uva com sua esposa nas noites de sexta-feira!...

O lazer se torna escravo da formalidade. Até quando tenta ser informal. Daí não ser difícil notar que, apesar dos empresários, profissionais liberais e executivos serem capazes de escrever releases em linguagem coloquial e didática, eles tornam-se tão irremediavelmente sisudos. O lazer vira uma encenação só.

O médico cinquentão passa a demonstrar noções pedantes sobre artes plásticas, geralmente forçando a barra para obras anteriores a 1945, para forjar um preciosismo e impressionar colegas mais velhos. A conversa costuma ser, no entanto, dominada por assuntos políticos e econômicos, temas preferidos pelos homens "sérios", o que mostra o quanto os "pupilos" querem imitar os mestres. Quarentões falando de Oriente Médio como se fossem franceses que viveram no Irã, mas sem ter tido essa experiência. Cinquentões que falam sobre a década de 40 com uma intimidade que não possuem mas acreditam ter de sobra. "Ah, Glenn Miller...", suspira um médico cinquentão que, por pedantismo, trata os referenciais dos anos 40 com uma falsamente exagerada intimidade.

Os 40 anos que esses cinquentões atravessaram nos anos 1990 e 2000 e que os quarentões passam atualmente, certamente, representam as pressões que os valores sociais conservadores exercem sobre quem detém privilégios financeiros e sociais. São obrigados a adotar um comportamento que, mesmo numa simples reunião de amigos, os faça serem reconhecidos como "líderes" ou "chefes" de alguma coisa, ainda que seja de forma mais discreta.

Só que essa seriedade no comportamento acaba dando num efeito desagradável. Homens que, nos tempos de faculdade, eram pelo menos amigos legais, e que na infância eram meninos bem divertidos e dinâmicos, tornam-se meros líderes profissionais que, no âmbito do trabalho, são quase sinônimo de perfeição, mas no lazer se tornam constrangedores no teatro de fingimentos, de falsos sorrisos, de gestos calculados.

A seriedade e outros artifícios aparentemente tolos - como, por exemplo, quando o homem em questão deixa de cuidar-se da forma física, deixando "cultivar" a barriga - acabam por moldar negativamente o homem, transformando-o numa pessoa chata, embora profissionalmente admirável. Um chato que dificilmente as pessoas o julgariam como tal, mas é inegável a falta de entusiasmo diante da pessoa que ele representa na hora do lazer.

O "HOMEM-PROFISSIONAL" SE COISIFICA NA HORA DO LAZER

Sua inteligência "fina" se dissolve como uma farsa. A natural especialidade profissional, a competência técnica, se contrasta com um gosto cultural artificialmente sofisticado, em que o cinquentão de hoje tenta relembrar dos referenciais que ele conheceu na infância e caminha para referenciais mais antigos, sem a intuição natural de quem consegue entender o passado que não viveu, mas com o pretensiosismo forçado de quem quer impressionar os mais velhos.

Esse pedantismo muitas vezes o deixa em maus lençóis, uma vez que o empresário, executivo ou profissional liberal cinquentão, preso em seus procedimentos profissionais, na hora de apreciar a música, por exemplo, perde o senso de discernimento, classificando como "jazz" todo evento que envolva trajes de black tie (o tal conjunto smoking, combinação de terno com gravata-borboleta).

Daí entender por que esses cinquentões acabam pegando esposas mais novas, se desfazendo de seus dois ou três casamentos anteriores. Dois motivos costumam ser alegados: eles "trabalham demais" e "eles são imaturos". Quando eles estão nos seus 25 aos 40 anos, eles se tornaram pais pouco presentes (até presentes, mas longe ainda do ideal), maridos pouco dedicados, enquanto se dedicavam até demais para obter algum sucesso profissional, às custas de novas técnicas de cirurgia, novos projetos de engenharia, novas causas a advogar, novos empreendimentos ou mesmo a gerência de nova grade de programação de TV.

Perdem suas primeiras esposas que se impacientaram em esperar os maridos para reviverem os carinhos dos tempos de namoro. E, assim, sem encontrar alguma outra similar, pegam moças mais jovens. Mas, no entanto, não se adaptam à juventude delas, cujos valores sócio-culturais lhes são ainda estranhos. Afinal, elas viveram a adolescência nos mesmos anos 80 em que seus maridos cinquentões estavam trancados nos escritórios ou consultórios ou fazendo teses de pós-graduação nas faculdades, praticamente sem ver a vida passar.

A sisudez torna-se evidente. A obsessão pela elegância, o pedantismo cultural, a formalidade compulsiva, tudo isso faz com que os cinquentões se tornam pessoas bem diferentes do que eles mesmo eram aos vinte e tantos anos. É só comparar as fotos de um homem do gênero aos 22 anos e ele mesmo aos 55.

Parecem pessoas diferentes! O cara de 22 anos parece, para o mesmo sujeito aos 55, um filho que ele quis matar. O cinquentão mal se consegue ver nas antigas fotos sem que expresse um saudosismo hipócrita, de uma "saudosa" juventude que ele mesmo quis liquidar, de uma "saudade" que dura segundos, porque ele volta a si e à mesma sisudez presente, da busca de uma maturidade formal que, mentalmente falando, revela-se muito mais imatura do que parece.

E é essa armadilha que começa a seduzir os quarentões de hoje. A sobrecarga profissional pode fazer os homens "de sucesso" verdadeiros seres humanos. Mas, no lazer, eles se transformam em meras coisas, seres quase autômatos que "entendem de artes plásticas", meros bonecos sofisticados e elegantes. Como pais, esses homens não podem reprimir seus filhos, mas também não conseguem ser cúmplice deles, a jovialidade dos meninos se torna algo estranho para seus pais, que perderam a jovialidade há anos.

Esses homens "sofisticados" rompem com o prazer da juventude, ignorando que não se amadurece dessa forma tão brusca, desse "amadurecimento" formal e superficial, um reles "amadurecimento" de gestos, poses e vestuário, que escondem a insegurança da personalidade. Também não adianta forjar uma falsa jovialidade, tipo a de Malcolm Montgomery, se ela é mais fruto de uma mentalidade estratégico-organizacional do que da própria vontade humana.

Afinal, que vontade têm esses homens, que até para sorrir calculam demais? Eles tornam-se escravos da sua profissão sócio-profissional, não sabem mais o que fazer para serem interessantes como seres humanos e não somente como profissionais renomados. Os cinquentões se perdem porque, meras imitações risonhas dos idosos, não conseguem, no entanto, impor autoridade aos mais jovens. Até porque se tornaram artificiais, nas suas regras de etiqueta, na sua racionalidade extrema dos gestos, procedimentos, vestuário, gostos e por aí vai. Dão uma péssima lição para os quarentões, que, nos seus escritórios e consultórios, perdem a forma física, a alegria natural e o prazer de curtir os momentos de ócio.

Enquanto a sisudez comportamental é sinônimo de sucesso financeiro e prestígio social, os homens "de sucesso" ficam felizes. Mas eles, se tornando idosos e aposentados, veem que tudo se passou de uma ilusão. A sisudez só lhes trouxe depressão, tristeza e vazio.

OLAVO BRUNO FEZ PIOR DO QUE SE IMAGINA


OLAVO BRUNO ATROPELA MPB E CAUSA PROBLEMAS COM XARÁS.

Tivemos um mal entendido. Recebemos mensagem do verdadeiro Olavo que faz divulgação da dupla Ronny & Rangel, desmentindo que seja o tal Olavo Bruno.

Na verdade, o mal entendido se deu por conta da própria postura pedante de Olavo Bruno, sobretudo no portal Movimento Country Brasil, um dos maiores dedicados à dita "música sertaneja". Olavo Bruno, com comentários pedantes sobre os ídolos breganejos, a defender todos esses ídolos, dava a crer, da forma que escrevia, que era especialista ou divulgador, tamanha a pose de "autoridade" que ele forja, sobretudo em outras páginas, quando ele quer promover o breganejo e a música brega em geral através da desmoralização dos grandes cantores da MPB.

E o pior é que a ênfase de Olavo Bruno neste portal se refere às duplas de "sertanejo universitário", que ele defende de forma entusiasmada. No fórum do Movimento Country, sobre um texto criticando a postura anti-rodeios da cantora Rita Lee, Olavo Bruno estava lá desqualificando a ex-mutante e, certamente, defendendo o "ganha pão" do universo breganejo e latifundiário.

Ou seja, na tentativa de defender os ídolos breganejos, Olavo Bruno acabou, mesmo de forma indireta, indo contra os verdadeiros divulgadores de música breganeja. O Olavo Divulgador disse que se chama Olavo Menezes e não conhece qualquer Olavo Bruno que trabalhe em sua empresa, que promove a dupla Ronny & Rangel. E ele mesmo escreveu que nunca fez comentário algum em blogs ou fóruns de Internet.

O problema no entanto é que o pedantismo de Olavo Bruno, e sua pretensa "autoridade" em julgar a música brasileira, enquanto em outros sites chega a falar em patrimônio e fazer críticas à grande mídia, acaba lesando os próprios xarás. Para um cara desses que diz querer que o mestre João Gilberto morra de fome, faz sentido ele escrever textos para confundir.

Mas se ele quer defender o breganejo assim dessa forma irritada, jocosa e pedante, acaba causando o efeito contrário, irritando os outros Olavos que apenas fazem seu trabalho honesto, acidentalmente confundidos com o Olavo Bruno, que certamente acha que divulgar o breganejo é dizer "Vítor & Léo vão mudar o mundo, João Bosco & Vinícius são o máximo, a MPB se rendeu à axé-music, João Gilberto é que não presta, Maria Rita é um lixo, O Kylocyclo e Preserve o Rádio AM são umas bostas etc".

Ou seja, como uma bola de neve, a defesa raivosa da música breganeja por um internauta, estranhamente a partir de um site roqueiro como Mondo Pop, faz com que se criem saias-justas e mal-entendidos. Querendo atropelar tudo e todos, esse Olavo Bruno desaparece, depois de causar estragos. E, se ele imagina que via salvar os breganejos assim, acaba fazendo o contrário.

Agora, ele criou um mal estar até para os verdadeiros divulgadores das duplas breganejas que ele tanto defende.

Falta de respeito com a MPB: podridão sonora ganha status “universitário”



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Este texto tem um tempo, mas resolvi reproduzir porque o autor, o amigo radialista Marcos Niemeyer, do blog Cajarejadas & Ejacuçações, fala da onda dos bregas "universitários", sobretudo o tal "sertanejo universitário", que, pelo jeito, é o novo modismo do momento, depois do fracasso da grosseria do "funk carioca" e sua demagogia "etnógrafa".

Por Marcos Niemeyer

Somos do tempo que os festivais universitários e apresentações musicais nessas instituições impunham respeito e admiração até nos países do Primeiro Mundo.

Nas repúblicas, jovens estudantes debatiam além dos assuntos acadêmicos/ rotineiros, filosofia, cultura e permeavam na surdina sobre a situação política brasileira (vivíamos em pleno regime militar).

Livros, revistas, baseados e violões se misturavam por dentro daquelas casas com aspecto centenário. Havia sempre a turma dos "certinhos" e a galera dos "agitadores".

As duas tribos, mesmo com uma ou outra divergência, não abriam mão quando o assunto era ouvir e divulgar a boa música feita nos anos 60/70. Os festivais universitários ou promovidos pela televisão em épocas passadas revelaram importantes nomes da MPB, a exemplo de Chico Buarque, Gil, Caetano, Tom Zé, Edu Lobo, Marcos Valle, Geraldo Vandré, MPB-4, Carlos Lyra, Nara Leão e outros tantos.

Cantores e compositores talentosos souberam usar esses palcos como trampolim para uma carreira artística consolidada e acima de qualquer suspeita. Ritmos de qualidade duvidosa já existiam, mas nada comparável ao estágio atual das sonoridades propagadas, inclusive, nas próprias faculdades.

Alguém em sã consciência saberia nos explicar, por exemplo, do que se trata esse tal de "sertanejo universitário" ou ainda algo como "forró universitário" inventados pela mídia para emburrecer ainda mais nossos jovens calouros? É difícil acreditar a que ponto chegou o nível de educação do estudante brasileiro com essa verdadeira lavagem cerebral sonora.

Os principais meios de comunicação de massa - rádio e televisão - desevoluiram e nada de interessante apresentam com o objetivo de salvar a música nacional do mar de lama que está atolada. Nas FMs, só tem gritaria e "música" com prazo de validade; a TV por sua vez, se caracteriza como o supra-sumo da idiotização coletiva.

Até mesmo conhecida rede de ensino superior de Belo Horizonte patrocinou há pouco tempo a turnê de uma banda vagabunda por diversas cidades mineiras. Nos cartazes de apresentação, manchete do tipo "O melhor swing sertanejo do Brasil".

Axé, forró, breganejo, pagode... são todos "universitários"! Quem disse que essa coisa indigesta pode ser recheada com nome de cultura? Uma vergonha sem precedentes na história musical brasileira. É preciso repensar o modelo ensinado não só nos meios acadêmicos, mas, sobretudo nas bases escolares. É alí que está a essência, a semente em constante germinação. O mal se corta pela raiz!

segunda-feira, 29 de março de 2010

CRÍTICOS DA MÍDIA BAIANOS TÊM QUE PARAR DE SER BURROS



Diz um ditado popular sobre quem se preocupa com os problemas de longe não presta atenção aos problemas à sua volta.

Pois a chamada mídia baiana, salvo exceções, e digo a chamada mídia semi-nanica, de blogueiros considerados importantes e prestigiados, ou de blogs com alguma projeção razoável, digna dos chamados "líderes de opinião", anda muito, muito burra.

Em nome da visibilidade, se comportam feito patos recém-nascidos, que quando veem um objeto à sua frente, logo o adotam como mãe.

Os críticos da mídia na Bahia, mais preocupados em ser um coro frágil e monocórdico dos críticos da mídia em São Paulo, praticamente macaqueando o que estes falam da Rede Globo, da Folha de São Paulo e da Veja, dentro dos padrões da Carta Capital e Caros Amigos, não olham a corrupção que há sobretudo no rádio baiano.

Viciados no paulistocentrismo, eles se preocupam demais com o papel de bala jogado pela grande imprensa paulista numa calçada da Avenida Paulista, mas não preocupam com o entulho que uma rádio próxima joga pelos arredores do Pernambués, bairro de Salvador.

Estufam o peito dizendo que odeiam a Rede Bahia, que acham o falecido senador ACM a encarnação do mal em terras baianas, mas, em compensação, se rendem aos cantos-de-sereia da outra mídia baiana, não menos corrupta, não menos carlista, mas que tentou dissociar suas imagens à do "painho" quando as circunstâncias exigiram.

Por isso, falam maravilhas de Mário Kertèsz, Zé Eduardo (Bocão), Raimundo Varela, Marcos Medrado, Pedro Irujo e outros, sem perceber a ratoeira que prenderam esses críticos. Como quem procura agulha num palheiro, tentam ver mídia de esquerda onde ela não existe, sobretudo quando endeusam a Rádio Metrópole, do mafioso Kertèsz, que, para quem não sabe, é uma espécie de Paulo Maluf temperado com dendê, um Bóris Casoy de borracharia.

Ficam deslumbrados com o queijo que está na ratoeira, e endeusam felizes a mídia "menos carlista" como se ela fosse a mídia libertária, e quando os barões da mídia baiana são envolvidos em escândalos de corrupção, vão esses blogueiros matutos se solidarizarem ao barão processado. Aí fazem clamores pela "liberdade de expressão", como se o barão da mídia tivesse direito de caluniar seus desafetos, pois, como pseudo-jornalista e pseudo-radialista, ele não sabe a diferença entre comentário jornalístico e opinionismo barato.

Esses blogueiros cumprem sua missão de jagunços virtuais, sem saber. Viram pelegos digitais, e, quando querem aplausos, certamente não merecem. Por isso mesmo é que tem muito blog baiano que não ganha destaque na busca do Google. Tudo por conta do apoio dado à mídia tendenciosa, só porque ela aparentemente derruba antigos "dinossauros" políticos da Bahia.

Mas é mera coincidência que essa mídia baiana e os críticos da mídia brasileiras da Bahia - que não são críticos da mídia baiana, são críticos da mídia nacional que vivem na Bahia - tenham desafetos em comum. Mas o fato de uma rádio baiana derrubar o antigo chefe político de uma cidade do interior, corrupto de carteirinha, não significa luz no fim do túnel. Não. Significa apenas a derrubada de um inimigo político de um barão da mídia baiana. No entanto, os blogueiros baianos acreditam no poder messiânico dessa grande mídia regional e se dão mal. Porque depois o barão da mídia espinafra esses blogueiros em rede estadual de rádio e TV ou nas altas tiragens de seu jornal, que os blogueiros não têm mais o que falar. Desacreditados, seus blogs acabam perdendo o poder mobilizador que deveriam ter, e seus autores, medrosos, se apagam diante de outros blogueiros mais críticos e céticos que chegam por aí.

O QUE É O PREÇO DA VULGARIDADE



A dançarina de "funk" Renata Frisson, a Mulher Melão, ficou irritada ao saber que suas fotos apareceram em um site de prostituição e outro com o falso perfil dela, conforme noticia a colunista Fabíola Reipert, do portal R7. A dançarina tem intenções de entrar na vida política.

Querendo cuidar de sua imagem, a Mulher Melão, no entanto, encerrou uma entrevista para a Rede TV rebolando naquele mesmo estilo vulgar e grotesco.

É o preço da vulgaridade. As Sheilas do Tchan também sofreram algo parecido, anos antes.

Os comentários dos internautas, por sua vez, revelam tiradas engraçadas, porém sensatas. Vários deles perguntavam coisas que se resumem na seguinte ideia: "Mas ela queria o quê? Aparecer num site infantil, na página das Edições Paulinas ou da Academia Brasileira de Letras?".

Essas dançarinas deveriam ter pensado duas vezes antes de vender os glúteos para a mídia. E elas ainda têm o atrevimento de querer "caras legais" para namorar. Pode?

COINCIDÊNCIA? PORTAL DA GLOBO SAI DO AR APÓS DENÚNCIA DA RECORD


Depois que o programa Domingo Espetacular, da Rede Record, publicou reportagem sobre o terreno irregular que as Organizações Globo receberam do PSDB para construir uma "escola técnica", o portal Globo.Com e seus derivados (como G1 e as páginas virtuais do jornal O Globo, dos jornalísticos da Rede Globo e o portal Ego) ficaram fora do ar por algumas horas.

Curiosa coincidência.

CORONELISMO MUSICAL: BREGANEJO TORNA-SE HEGEMÔNICO NO MERCADO BRASILEIRO


INTEGRANTE DA DUPLA RICK & RICARDO, UM DOS REPRESENTANTES DO "SERTANEJO UNIVERSITÁRIO".

Realmente, o Brasil é um país conservador que, na melhor das hipóteses, muda na forma para manter todo o conteúdo antiquado e retrógrado.

No país em que os movimentos sociais são tratados pela mídia golpista como se fossem atos criminosos - sobretudo, as manifestações dos agricultores sem-terra - , a música breganeja, forma musical do coronelismo latifundiário, torna-se hegemônica no mercado fonográfico brasileiro.

A mídia golpista comemorou. O jornal O Globo mal se fez da ressaca pela comemoração do sucesso do decadente Big Brother Brasil, nas páginas da Revista da TV do último dia 28, hoje, no Segundo Caderno, dedicou sua primeira página para esses usurpadores e diluidores da nossa música caipira, ameaçada de extinção.

E, na festa do Partido da Imprensa Golpista, até o executivo da Sony Music, Alexandre Schiavo, teve direito a falar besteira: "O sertanejo é hoje a grande música realmente popular brasileira", disse o executivo, certamente mais entendido de dinheiro do que de cultura brasileira. Qualquer boi ou galinha, ou mesmo uma pedra, entenderia muito mais de cultura brasileira do que ele.

O "sertanejo universitário" é uma espécie de breganejo com QI de emo. É a principal tendência do breganejo que, como já se imaginava, se esforça em entrar no mercado carioca, firmar sua reserva mercadológica, para aí empurrar os veteranos junto. É uma espécie de agronegócio musical, cujos músicos são mais articulados para falar, parecem galãs de novelas, andam de carrões importados e dominam toda a técnica country que eles copiaram dos ídolos atuais dos EUA.

É lamentável que esse tipo de música faça sucesso e tente entrar no Rio de Janeiro. Os latifundiários não querem só a Avenida Paulista, querem também a Barra da Tijuca e o Leblon. E os defensores do breganejo estão com fome de reacionarismo, à altura de seus antigos titios do Comando de Caça aos Comunistas. Se esse suposto som sertanejo é "universitário", só se for da mesma linha direitista daquelas turmas infelizes do CCC, que em São Paulo teve como integrante um gordinho chamado Bóris Casoy e que no Rio chegaram até a destruir os estúdios da Rádio MEC AM.

O breganejo, de Chitãozinho & Xororó até os "universitários" - será que vem aí a dupla "Renato Russo & Cazuza"? - , é a expressão musical da UDR (filhote caipira da UDN). É o coronelismo querendo controlar a cultura brasileira, destruindo a cultura regional mesmo defendendo a mesma no discurso.

MÍDIA GOLPISTA CONSAGRA CALCINHA PRETA NOS "MELHORES DO ANO"


A música "Você Não Vale Nada", do grupo de forró-brega Calcinha Preta, foi eleita a "Música do Ano" segundo votação promovida pelo programa Domingão do Faustão, da Rede Globo.

O Domingão do Faustão é o programa mais popular da Rede Globo, símbolo maior das Organizações Globo, por sua vez símbolo maior da mídia golpista, que se reúne no Instituto Millenium e coisa e tal.

E, certamente, a última coisa que o Domingão do Faustão e seu público sabem fazer é entender de música. Até planta é capaz de entender melhor de música do que eles.

domingo, 28 de março de 2010

JORNAL EXPRESSO: O PERIGOSO JAGUNÇO DAS ORGANIZAÇÕES GLOBO


Quem é que, de fato, combate pra valer os movimentos sociais? Claro, o cidadão médio vai pensar que é o aparelho policial repressivo. O intelectual médio deve imaginar que são as pregações verbais de Diogo Mainardi, Eurípedes Alcântara, William Waack e tantos outros semelhantes.

Errado. Quem combate pra valer os movimentos sociais é a imprensa populista, comprometida a manipular o inconsciente coletivo com frivolidades como boazudas, fanatismo no futebol e idiotices como o Big Brother Brasil. Sem falar do brega-popularesco mais rasteiro, já que o brega-popularesco comportado (Belo, Alexandre Pires, Zezé di Camargo & Luciano, Ivete Sangalo) fica por conta da imprensa semi-populista.

As Organizações Globo, uma das entidades-mor do Instituto Millenium, símbolo máximo do Partido da Imprensa Golpista, tem um jornal populista carioca, o jornal Expresso, além de um jornal semi-populista, Extra. Mas falaremos do pior deles.

O jornal Expresso, dessa forma, executa o serviço de controle social pregado pela Rede Globo. Faz o que o Jornal Nacional não consegue fazer. Executa o controle social na base, que são as classes populares. Com seu sub-jornalismo chulo, vulgar, grotesco, estúpido, o jornal Expresso tira do povo a atenção a coisas realmente importantes, para fixá-los no espetáculo popularesco das mulheres-frutas, da exploração patética da violência, da pieguice chorosa da adoração dos ídolos neo-bregas, da supervalorização do vazio através de atrações como o Big Brother Brasil.

O jornal Expresso, como toda imprensa popularesca, combate na prática qualquer movimento social. Torna-se um jagunço eletrônico, frio, calculista, direto, mas sem derramar um pingo de sangue. Já bastam os litros de sangue derramados pela pistolagem do latifúndio, que, para evitar espetáculos genocidas, tem que cumprir também sua quota de controle social sobre as classes populares das zonas rurais e suburbanas no país. Daí o aparelho ideológico do coronelismo ter inventado a ideologia brega-popularesca, a subordinação da cultura brasileira à mediocridade dominante de hoje.

O jornal Expresso, dessa forma, garante o sono tranquilo dos irmãos Marinho, como instrumento deles de controle social do povo subordinado a tais elites.

ORSON WELLES TERÁ GRAVAÇÃO UTILIZADA EM FILME



O mestre do cinema dos EUA, o ator, locutor e cineasta Orson Welles, terá uma de suas últimas gravações lançada num filme sobre o Natal.

Welles gravou sua voz narrando os contos do livro Christmas Tales (Contos de Natal), de Robert X. Leed, e concluiu meses antes de morrer, em 1985. A gravação foi feita a pedido do escritor, que era amigo do cineasta.

A gravação será utilizada na adaptação cinematográfica do mesmo livro, do mesmo título da obra literária, e que será uma produção que combinará ação real em 3D com animação de computador.

Welles, sabemos bem, havia sido um jovem de ideias bastante ousadas. Narrou a adaptação radiofônica do livro Guerra dos Mundos, de H. G. Wells, em 1938, com um realismo que assustou os estadunidenses. Dirigiu e protagonizou Cidadão Kane, que surpreendeu pela história, dramaticidade e até pelo ousado tema, baseado na vida de um magnata da mídia. Quis fazer um filme no Brasil que fosse o mais fiel possível à nossa realidade, It's All True, que a mercantilista indústria cinematográfica dos EUA (a mesma que produz filmes que, olhem só, são tidos como "alternativos" pelo Telecine Cult) boicotou e fez deixá-lo inacabado. E quis lançar uma linguagem original para o cinema estadunidense, o que fez de Welles um dos grandes criadores do cinema mundial.

GILBERTO DIMENSTEIN CRIMINALIZA GREVE DE PROFESSORES DE SP



Em um artigo na Falha de São Paulo, o articulista Gilberto Dimenstein, naquela costumeira tendência da mídia golpista em criminalizar os movimentos sociais, chamou os professores que faziam greve contra o governo de São Paulo de "baderneiros".

Pior é que Dimenstein coordena uma ONG em tese educacional, Cidade Escola Aprendiz, é especializado em jornalismo comunitário, e até pouco tempo atrás, quando a Folha de São Paulo era considerada "mídia boazinha", era considerado um dos "mestres" do jornalismo, um dos símbolos de "liberdade de opinião" e "defesa da cidadania". Mas, sinceramente, nunca foi para mim. Sempre achei ele meio yuppie, um tanto metido.

E, agora, com ele chamando os professores de "baderneiros" - lembra seu ídolo FHC chamando os aposentados de "vagabundos" - , Gilberto Dimenstein se junta às trapalhadas cometidas pelo colega Bóris Casoy. Péssima lição de jornalismo para quem fica criminalizando os movimentos sociais.

Sim, lugar de professor é na escola, ensinando ou pesquisando. Mas é preciso ter melhor qualidade de vida, não é mesmo?

SEJA SINCERO, EUGÊNIO RAGGI!!


LUÍS NASSIF - Além de jornalista, é também apreciador da MPB autêntica.

Eugênio Arantes Raggi faz muita falta aos fóruns do Instituto Millenium. Quem sabe tais eventos seriam mais divertidos com um cara que junta um discurso grotesco com tiradas irônicas, que certamente inspirariam os hoje direitistas Arnaldo Jabor e Marcelo Madureira nos seus comentários por enquanto mal-humorados (sim, em se tratando de Marcelo ser membro do Casseta & Planeta).

Mas Raggi tem medo, muito medo, de assumir seu apreço à Rede Globo, ao Partido da Imprensa Golpista, a Collor, Sarney, ACM, que ajudaram tanto nos ídolos musicais que o "professor" de Belo Horizonte tanto defende. Prefere dar falsa impressão para a plateia, se infiltrando nos portais que contestam a grande mídia.

Seja coerente, Eugênio Raggi!!

Eugênio Raggi condena a MPB feita entre 1930 e 1968, que para ele é reflexo de uma mentalidade nacionalista maquiavelicamente traçada por Getúlio Vargas. Raggi também desceu farpas violentas aos partidos de esquerda. O que significa isso? Significa que, juntando o ódio ao nacionalismo ao ódio à esquerda, Raggi seria um perfeito golpista, estando nas primeiras fileiras dos defensores do Golpe de 1964.

Raggi, contraditoriamente, está inscrito no portal de Luís Nassif, um dos jornalistas críticos da grande mídia e que também é especialista em MPB autêntica. Portanto, as convicções culturais de Nassif deveriam causar asco em Eugênio Raggi, que chega ao ponto de dizer que o livro Eu Não Sou Cachorro, Não, de Paulo César Araújo, é uma "bíblia".

Por outro lado, seus ídolos Alexandre Pires, Exaltasamba e Banda Calypso, fora outras breguices, nada seriam se não fosse a forcinha das Organizações Globo, que Raggi deve pensar ser uma "inocente" divulgação. Ele deve acreditar que o sucesso da Banda Calypso se deu com o casal Chimbinha & Joelma pedindo esmola nos ônibus de Belém do Pará. Coitado. Alexandre Pires tornou-se fenômeno de mídia por causa do apoio da Rede Globo. Ou será que o sucesso dele, para Raggi, veio porque ele pedia dinheiro nas sinaleiras de BH, hein?

Se ele fosse menos cego na sua arrogância e fosse mais coerente no seu ponto de vista, assumindo seu direitismo, seu apreço à mídia golpista - certamente ele deve ser um fanático enrustido pela Rede Globo - , que tanto fez pelos seus ídolos. Vamos desejar que o protegido do prof. Raggi, que deve trabalhar nas afiliadas mineiras do SBT ou Record, seja contratado pela Rede Globo, porque assim facilitariam as coisas, e o professor mineiro será estimulado a ser mais sincero em suas abordagens midiáticas.

Mídia e entretenimento, no Brasil, se interrelacionam. Por isso, não adianta pegar pesado no reacionarismo cultural se ele é afrouxado nas questões da mídia. Está na cara o caráter golpista das opiniões de Eugênio Raggi, que odeia demais a esquerda para ele participar de sites que questionam o direitismo da grande mídia. Raggi deveria é ficar apegado ao Instituto Millenium e seus militantes. Porque suas opiniões são a face cultural do mesmo reacionarismo que move a mídia golpista de nosso país.

DEFENSORES DO BREGA-POPULARESCO SÃO GOLPISTAS E INSEGUROS


ZEZÉ DI CAMARGO & LUCIANO E ALEXANDRE PIRES - ÍDOLOS QUE CONTAM COM DEFENSORES REACIONÁRIOS E CULTURALMENTE GOLPISTAS.

Os defensores da música brega-popularesca mostram cada vez mais que são pessoas inseguras, golpistas culturais, pessoas com problemas de auto-estima, e ainda vão acabar prejudicando os próprios ídolos musicais que tanto defendem.

Eu nunca escrevi, num blog favorável a Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano ou quem quer que seja, para espinafrá-los da forma mais irresponsável. O que eu critico neles é a mediocridade deles como artistas, mas nunca os desmoralizei como pessoas, nunca os depreciei como seres humanos.

Mas Olavo Bruno, cheio de moral para julgar a música brasileira de acordo com o que ele gostaria que fosse, me espinafrou quando eu criticava os ídolos "sertanejos" que ele tanto gostava. Arrogante, ele chegou a dizer que meu blog estava condenado ao fracasso ("A cada caiu para O Kylocyclo"). Ele acredita que seus ídolos breganejos, axezeiros e até mesmo o brega "de raiz" (ele defendeu Benito di Paula e José Augusto) se tornarão populares se Olavo Bruno puxar o tapete da MPB.

Pois são pessoas assim que fazem comentários caluniosos, não eu. Olavo Bruno chegou a dizer que, pela vontade dele, o mestre João Gilberto teria morrido de fome. Sim, um cara desses que exige respeito a Zezé Di Camargo & Luciano, Vítor & Léo e até João Bosco e Vinícius, simplesmente parte para o ataque mais desmoralizador contra a música brasileira.

Isso criará problemas futuros, sem dúvida. Imagine se um programa tipo Estação Globo chama tanto Maria Rita Mariano, "estraçalhada" por Olavo, e os ídolos deste, Vítor & Léo. Aí o assessor de Maria Rita fala para o produtor de TV que um carinha defensor de Vítor & Léo falou mal de Maria Rita. "Foi um comentário muito infeliz, não me leve a mal. Parece ser um cara importante, com tanta presença que esse tal Olavo tem na Internet. Mas o cara quer puxar o tapete da MPB, mesmo. Carinhas assim só vem para bagunçar".

Aí cria-se um clima de saia justa, os rumores se espalham de boca em boca, e daí para Olavo Bruno se transformar num perigoso jagunço cultural, é um pulo. Aí ele tira férias da Internet, feliz da vida por ter bancado o "dono da verdade" nos inúmeros fóruns em que ele deixou mensagens na Internet. Mas, na volta, ele recebe o troco: NINGUÉM fica solidário com ele, e Olavo passa a ser chamado de grotesco para baixo. Preço que ele paga pelas grosserias e baixarias que escreveu na Internet.

O mesmo com Eugênio Raggi. Os textos longuíssimos, grotescos, burros, arrogantes, que o professor mineiro usava para julgar a MPB de acordo com o seu próprio umbigo, transformaram ele na figura mais chata de fóruns como Samba & Choro. Antes dele me espinafrar com seus textos - eu tentei participar do mesmo fórum - um outro internauta me preveniu "Se prepare que lá vem o professor", como quem dissesse: "Lá vem o Chatonildo com suas pregações ridículas".

Imagine o que Francielle Siqueira, a "fã" de Alexandre Pires que despejou comentários grossos contra mim, deve ser vista pelas fãs do cantor mineiro. Deve ser vista como uma dondoca chata e metida. O fã se preocupa em gostar do ídolo, ficar perto dele. Quem é que vai se preocupar em esculhambar quem fala mal do ídolo? Se o cara se preocupa mais com quem não gosta do seu ídolo do que em gostar dele, então pode ser tirada de onda, insegurança, reacionarismo barato. Nem o pretexto de "preservar a imagem" do seu ídolo justifica tamanhos ataques.

MÚSICA BREGA-POPULARESCA LIDA COM "ALEGRIA" - Se a música brega-popularesca, ou a Música de Cabresto Brasileira, lida com valores "positivos", "alegres", com "alto astral", então por que há defensores com uma agressividade semelhante a de um nazi-punk?

A axé-music queimou sua imagem por causa disso. Que "alegria" é essa que se converte em raiva na menor contrariedade? Pensam seus defensores que vão conseguir a unanimidade para seus ídolos assim, através de comentários agressivos?

Se eu falo mal de Alexandre Pires, convém para a verdadeira fã do cantor apenas discordar, e não perder tempo me espinafrando em e-mails, comentários ou qualquer meio de mensagem. Apenas evitar ler meus textos, e vai logo para a página do cantor. Por que Francielle Siqueira, por exemplo, não se preocupa em desejar felicidades para a família do cantor? Por que ela não se preocupa em admirá-lo, se diz tanto ser sua fã?

Essas pessoas, com seus comentários reacionários - há também outros, mais anônimos - , com a máxima certeza não contribuirão para salvar a reputação dos seus ídolos. Pelo contrário, suas raivas só vão promover a imagem negativa dos seus ídolos, mais e mais.

Porque toda a aura de "alto astral" que seus ídolos se esforçam em passar, toda a alegria das apresentações ao vivo se desfaz através da repercussão dos comentários raivosos dos defensores, tidos como "fãs" desses ídolos. Dessa forma, a repercussão converterá esses defensores em fãs violentos, pessoas intolerantes, que se contradizem pregando a tolerância dos outros (no caso, eu), mas tão intolerantes que não suportam ler as críticas que este blog faz para eles.

Ora, ora, este blog não é um blog de música popularesca. Por isso, não sou obrigado a aplaudi-los pela mediocridade que fazem nem fingir que eles são geniais, quando eles deixam claro serem artisticamente menos expressivos do que sua projeção na mídia (golpista) sugere.

MÁ NOTÍCIA: MULHER JACA ESTÁ SOLTEIRA



A dançarina do Créu, a Mulher Jaca, não fugiu do Brasil para se casar com um magnata. Apenas fez viagens num cruzeiro marítimo com estrangeiros e depois voltou solteira.

Será que só sobra isso de mulher solteira nesse país, salvo raras exceções?

Essas mulheres vulgares são piores do que espantalho. Para piorar, a Mulher Jaca escorregou feio no português, conforme declaração feita ao portal Ego: "Fiquei bem à vontade, era um navio com muitos estrangeiros e poucas pessoas me reconheceram. Aproveitei de todas as formas!(risos). Foram os 5 dias mais feliz da minha vida!"

Cinco dias "mais feliz"? Credo, que falta de concordância!! Que grande burrice, infelizmente exaltada por essa mídia populista que, no ramo do entretenimento, faz coisas piores do que Veja faz no ramo da informação. Mas como entretenimento, segundo muitos, não é mais do que lazer "água com açúcar", deixa-se passar a mídia populista, mesmo o pseudo-cult portal Ego, sem saber do perigo grave que é domesticar e imbecilizar o povo, porque é dessa forma que os movimentos sociais, que causam pavor na mídia golpista, se dissolvem sem disparar um tiro.

ORGANIZAÇÕES GLOBO TEM SUA MÍDIA PSEUDO-ALTERNATIVA



O que dizer de uma grande corporação da mídia cuja manipulação ideológica é tal que introjeta no inconsciente coletivo até de parte das pessoas que aparentemente a odeiam? Muitas pessoas estufam o peito falando mal do Domingão do Faustão e, nos domingos, estão lá assistindo ao programa e até mesmo às suas piores atrações. E com direito a competir com o apresentador nas zilhões de vezes que Fausto Silva fala a saturada gíria "galera".

Muitas pessoas dizem rejeitar a Rede Globo, mas dizem abominar seu poder de mídia, mas seguem seus valores, seus princípios, mostrando que eles mesmos são muito mais dominados pelas Organizações Globo do que os espectadores mais submissos e alienados. Porque de uma forma ou de outra sofrem sua influência, mesmo quando tentam desculpar dizendo "nada a ver". Eugênio Raggi faz falta nos fóruns do Instituto Millenium, até para abraçar os irmãos Marinho.

As Organizações Globo, por isso, conta com uma divisão "alternativa", cujo poder de mídia a juventude alienada e reacionária não enxerga sequer à distância. São veículos que acabam pautando o gosto médio da juventude "descolada", mesmo aquela que se diz "diferente" e "insubmissa ao poder da mídia". Quanto poder tinha Luciano Huck! Seu raio de influência atingia até os "roqueiros" que ouviam 89 FM e Rádio Cidade, que diziam achar Huck "ridículo".

Pois esse público é presa fácil da corporação maior do Partido da Imprensa Golpista. São ferinhas que podem ser domesticadas, ainda que não sintam amores pelo seu tutor, tal qual o pitbull que não é carinhoso ao seu dono, mas lhe é obediente. E as Organizações Globo tem sua própria mídia pseudo-alternativa, que determina o que deve ser oficialmente considerado "vanguarda" no entretenimento brasileiro. O "funk carioca" se valeu muito dessa manobra.

Os principais veículos pseudo-alternativos das Organizações Globo são estes:

PORTAL EGO - O portal Ego, embora trabalhe com o universo da vulgaridade mais popularesca, tenta passar uma imagem de "cult" para os internautas. Sobretudo na ênfase das noitadas, dos eventos de moda, criando uma aura de "bacana" até nas bobagens feitas pelos membros das várias edições do Big Brother Brasil.

QUEM ACONTECE - Coitado de Andy Wahrol. Aqui o jovem médio abomina as artes plásticas, a "cultura pop" que consomem é vendida como "estilo" e "atitude" pela revista Quem Acontece, aparentemente uma concorrente de Caras. A revista tenta manobrar o gosto juvenil sob a prespectiva do comportamento em geral.

MULTISHOW - Que mentira, que lorota boa. Como é que as Organizações Globo iriam criar "inocentemente" uma emissora que misturasse TV Cultura e MTV? A pretendida fusão fica só na aparência, porque por debaixo dos panos o canal pago Multishow empurra muita porcaria digna de ser o pior do SBT. A música brega-popularesca é tratada como se fosse a "vanguarda pop-cult". Ah, e tem também o Big Brother Brasil, para "variar".

GNT - Espécie de Multishow para trintões, com ênfase para o público feminino. Tenta trabalhar o lado sentimental da ideologia brega, exibindo documentários como Sou Feia Mas Tô Na Moda, de Denise Garcia, e Waldick, Sempre No Meu Coração, de Patrícia Pillar.

FANTÁSTICO (REDE GLOBO) - O programa televisivo, que representa o showrnalismo levado até as últimas consequências, tenta a todo custo manipular o público através de uma falsa reputação de "revista eletrônica alternativa". O programa tenta vender o ideal de vida brega como se fosse "vanguarda". Foi a partir dele que veio o Central da Periferia, que também se valeu do pretensiosismo "alternativo" para reciclar o establishment brega que contamina as rádios brasileiras.

TELECINE CULT - O que dizer de um canal de filmes que tenta vender o cinemão comercial dos EUA como se fosse "cinema alternativo"?

sábado, 27 de março de 2010

CRISE NO PSOL



Divergências internas começam a dar problemas no Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Consta-se que uma parte do partido não está satisfeita com a escolha de Plínio de Arruda Sampaio como pré-candidato à Presidência da República pelo partido. A coisa está tão feia que o próprio site do PSOL chegou a ficar fora do ar.

Será isso uma maldição do nefasto "funk carioca", cujo lobby havia seduzido alguns políticos do partido de linha trotskista?

BIG BROTHER BRASIL DESVIA A ATENÇÃO PARA COISAS MAIS IMPORTANTES



Infelizmente, a mídia golpista chega a investir, junto com a mídia "boazinha" e com a mídia populista - esta vista como "acima de qualquer suspeita", como um bandido que ataca de noite, às escuras - , na tolice do Big Brother Brasil e seus "dramas pessoais" que no fundo não têm importância alguma nem acrescentam coisa alguma para nossas vidas.

Cria-se um suposto machão, Dourado, e há também supostos gays e lésbicas. Cria-se um debate do nada, quando discutir o homossexualismo do BBB não vai resolver em coisa alguma a violência que os homossexuais da vida realmente real sofrem nas ruas, sobretudo de parte dos punks-fascistas.

É constrangedor ver jornais e revistas falando tantas bobagens sobre BBBs, sobre uma atração tão tola que chega a servir de "maldição" para as musas lançadas pelo programa, que passam a ter dificuldade para arrumar namorado, ou então pegam o rapazote que estiver de plantão. Se nem a bonitinha da Francine Piaia conseguiu namorado (o pretê que ela arrumou no Superpop já rompeu com ela)...

Francamente, não vejo a hora não somente do BBB 10 acabar, como se extinguir a atração como um todo. Mas a atração infelizmente faz parte do perverso projeto da mídia golpista em manipular o povo, recrutando pessoas comuns para servir de espelho para a plateia alienada. O Big Brother Brasil conta com a apresentação do poeta performático do Instituto Millenium (entidade que conta com o apoio até do medieval Opus Dei!), Pedro Bial. E é dirigido pelo yuppie-universitário Boninho, que nos anos 80 dirigiu aqueles horríveis vídeoclipes que copiavam, muito mal, a estética de "More Than This" do Roxy Music, numa época em que eu sonhava em ver clipes brasileiros em película, como os ingleses.

Mas parece que a atração, apesar de tanta apelação - convidaram até a luso-canadense Nelly Furtado para se apresentar lá - , já começa a declinar. Seu auge já foi no ano passado. A mídia popularesca tenta manter todos os valores e referenciais, mas seu declínio é certo. Mesmo com a cara feia de seus defensores, para os quais só resta agora aprender a chorar. De verdade, não de forma encenada como essa sub-novela sem pé nem cabeça que é a série Big Brother Brasil.

PARLAMENTO FRANCÊS QUER COMBATER FRAUDE DO PHOTOSHOP


PAMELA ANDERSON - O Photoshop ainda engana muitos marmanjos...

O parlamento da França lançou um projeto para alertar sobre a fraude do Photoshop para "embelezar" visualmente as modelos do mundo inteiro. O projeto foi criado pela parlamentar Valerie Boyer, para combater a prática usual de maquiagem digital feita pelas revistas e sites para manter a aparência "sempre jovem" e "em forma" das mulheres. Mas a fraude também é usada para retocar imagens de homens, sobretudo em campanhas eleitorais ou mesmo em reportagens na mídia e no colunismo social.

Todo tipo de musa é vulnerável a essa técnica, e mesmo mulheres sofisticadas como Sharon Stone e Liz Hurley, que com suas rugas são naturalmente lindíssimas, tiveram sessões retocadas com Photoshop. Mas até a supergatíssima Jessica Alba, numa campanha da bebida Campari, também recebeu o retoque digital.

Em apoio à iniciativa, a revista Elle francesa publicou uma reportagem com celebridades fotografadas sem o recurso do Photoshop. É uma forma de mostrar as pessoas de forma natural, sem a maquiagem digital.

A fraude do Photoshop foi usada por muitas sessões de revistas como Playboy, além de anúncios publicitários, seja para "rejuvenescer" ou para "emagrecer" ou "redesenhar" fisicamente muitas personalidades. No Brasil, várias musas popularescas associadas ao "funk" e ao porno-pagode teriam "torneado" seus corpos roliços com a técnica do Photoshop, aplicativo da marca Adobe muito famoso, e que o concorrente Corel tem um similar, o Photo Paint.

Mas nos EUA, vemos casos como o da atriz Pamela Anderson, que se tornou bastante feia e envelhecida devido a uma plástica mal-sucedida, se "embelezar" em certas sessões de fotos, mesmo em eventos sociais, graças ao programa Photoshop. O truque engana muita gente, porque Pamela nunca foi grande coisa (eu, por exemplo, sempre achei ela sem graça), está com aparência decadente, mas com o Photoshop há quem diga que ela "continua quente e sexy". Tudo por conta de meros arquivos JPG retocados digitalmente.

RENATO RUSSO FARIA 50 ANOS



Eu me lembro como se fosse ontem de quando a Legião Urbana lançou suas gravações em fita demo pela Fluminense FM. Bons tempos aqueles em que o rádio AM não sofria a concorrência desleal das FMs, e que a música brega-popularesca, mesmo ligada às oligarquias dominantes, não se colocava acima da MPB.

A Legião Urbana era uma banda de rock emergente, não havia feito mais que um ano de existência em 1984, e o grupo mesclava em seu repertório músicas novas, da fase intermediária do Trovador Solitário (primeira investida solo de Renato) do tempo do Aborto Elétrico, a banda punk de Renato Russo, que marcou história no cenário de Brasília. Apesar disso, Renato era um carioca da gema, tendo nascido na Ilha do Governador há 50 anos.

Nascido Renato Manfredini Jr., ele ficou doente na infância, viveu alguns anos nos EUA, leu muitos livros, trabalhou como professor de inglês em Brasília. Era intelectualizado para os padrões meramente revoltosos do punk rock brasileiro, que era coisa de proletário ou de cidadão de classe média baixa. Mas tornou-se, mesmo assim, um importante menestrel punk, numa abordagem crítica e ácida dos fatos.

Não é preciso explicar os primeiros versos de "Que País é Este?", que o Aborto Elétrico tocava em 1978: "Nas favelas / No senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação / Que país é este?". Retrato contundente dos tempos da ditadura? Pode ser, mas os versos fazem sentido se relacionados aos nossos dias. E qual o "funk carioca", qual a axé-music, qual a "conscientizada" dupla de "sertanejo universitário" terá coragem de escrever versos assim tão raivosos? Ninguém, é claro. Nem os funqueiros "de raiz", tão metidos a se dizerem "de protesto".

A Legião Urbana durou apenas treze anos. De 1983 a 1996. No final de 1984, foi lançado o primeiro LP, que considero o mais "cru" da banda. Tem até música que critica a juventude alienada, "A Dança", que era endereçada aos playboys dos conjuntos da Colina, em Brasília, mas pode muito bem ser endereçada aos jovens de hoje com arrogância reacionária, defendendo o brega-popularesco, o emo, as noitadas compulsivas, as gírias ridículas, o "internetês" ou qualquer onda da grande mídia com mãos de ferro.

Como os Beatles, a Legião Urbana teve duas fases. A primeira foi de 1984 a 1988, mais punk, só que dentro da perspectiva pós-punk, devido ao trabalho melódico (com ecos de U2 e Smiths). Havia ênfase nas letras políticas e nas temáticas sociais. Mas havia espaço para coisas pouco convencionais, como a longa faixa "Faroeste Caboclo", de 1987, originária da fase Trovador Solitário de Renato, com um enredo que certamente agradaria Glauber Rocha se ele tivesse vivido para ouvir a música.

Antes da segunda fase, houve um incidente em Brasília, em 18 de junho de 1988. Renato Russo se desentendeu com a plateia, que em boa parte estava desequilibrada, confusa, revoltada. Renato desistiu da apresentação e então houve um quebra-quebra, com vários feridos. A banda deixou de se apresentar em Brasília. Algo comparável ao cancelamento das apresentações ao vivo dos Beatles em 1966.

A segunda fase veio, portanto, logo depois, quando Renato Russo passou a trabalhar temas pessoais, mais emotivos e existencialistas. Seu lirismo a princípio causou estranheza, até mesmo a mim. Mas só depois pude entender o sentido de "Disciplina é liberdade" e "Você culpa seus pais por tudo / Isso é absurdo". Versos bem diferentes do que Renato escrevia cinco anos antes, mas pensando bem sempre dentro do estilo dele. Renato Russo apenas mudou seus interesses, pensava menos em política e mais nos seus dramas pessoais. Como Bob Dylan que deixou de fazer letras de protesto para trabalhar temas mais complexos e existenciais.

Renato Russo investiu depois em carreira solo. Não no contexto do Trovador Solitário, mas a princípio gravando covers. A essas alturas, ele já tornou-se querido pela MPB autêntica, compondo com Leila Pinheiro, Marisa Monte e Flávio Venturini, entre outros. Gravou música italiana, o que causou estranheza. Mas o sobrenome Manfredini explica a ascendência italiana. E Renato admitia que era um trabalho que não cabia em sua banda.

Nos últimos meses de vida, infectado pelo vírus HIV e sofrendo de anorexia, Renato estava amargurado com o país e com os dramas pessoais. Era homossexual e sofreu uma desilusão amorosa com um namorado. Mas estava revoltado com os rumos do país de FHC. O último álbum da Legião Urbana, A Tempestade ou o Livro dos Dias, foi lançado em 1996 e era melancólico. É desse álbum a música mais triste da banda, "Natália", relato amargurado dos rumos do país.

Renato Russo morreu pouco depois do lançamento do LP, em 11 de outubro, aos 36 anos. Mas tornou-se desprezado por uma geração esnobe e alienada de jovens, fanáticas por grupos tipo Charlie Brown Jr., por noitadas e curtição excessiva. A juventude dessa época personificou bem o retrato lamentado por Renato Russo em "A Dança": "Você é tão esperto / Você está tão certo / Que você nunca vai errar / Mas a vida deixa marcas / Tenha cuidado / Se um dia você dançar".

Mas um dia as bandas de proto-emo, os funqueiros, os "sertanejos universitários", todos eles passam, e a boa música é a que fica. Mesmo morto, Renato Russo vive e viverá para quem aprecia seu talento, sua obra e sua vida.

sexta-feira, 26 de março de 2010

CORRUPÇÃO


PARA TODO EFEITO, ESTE É UM GOLFINHO ADORÁVEL - A corrupção chega ao ponto não só da impunidade, mas da própria adoração ao corrupto.

Infelizmente, a corrupção está em alta em nosso país. E, o que é pior, apenas uma pequenina parte é reconhecida como escândalo pela grande mídia. E, mais grave ainda, é uma pequena e inexpressiva parte, tão minúscula que faz com que fiquemos estarrecidos em ver tantos corruptos obscuros, alguns de nomes esquisitos, sendo enquadrados pela Justiça, enquanto outros, bem maiores, continuam impunes.

Mas até que eram bons tempos quando os corruptos eram apenas impunes e só eram adorados pelos seus "súditos" de seus ambientes de "trabalho". Os corruptos eram, todavia, odiados pela sociedade civil, que manifestava sua revolta explícita.

Só que, hoje em dia, os corruptos conseguem não somente a impunidade mas a reputação social. Isso piora cada vez mais a corrupção praticada, uma vez que dificilmente ela se torna escandalosa porque, além do corrupto contar com o apoio dos aliados e colegas mais próximos, também conta com o consentimento da própria sociedade, que não vê certos corruptos como tais, uma vez que eles configuram em escalões secundários de poder, o que os faz monentâneos rivais de outros corruptos, os que encontram em escalões ora superiores, ora inferiores, mas geralmente estes.

Na Bahia, a corrupção da mídia, do rádio baiano, da TV baiana, é tão gritante que há todo um coro de silêncio em torno dela. Corrupção lá, pasmem, é apenas a corrupção de pequenas cidades do interior, de coronéis envelhecidos e desmoralizados do interior, ou de pequenos corruptos de cidades pequenas.

A Bahia é um paraíso potencial para os chamados "líderes de opinião", que enganam a opinião pública com seu quixotismo informativo, enchendo seus blogs de políticos, dirigentes esportivos, jornalistas e servidores, todos geralmente em trajes paisanos, para dar a impressão de que faz um trabalho sério.

Mas eventualmente ele endeusa certos corruptos enrustidos da mídia baiana, com a subserviência tão infantil quanto uma criança que vai ver o Papai Noel num shopping. Aliás, até mais infantil, se percebermos o ceticismo das crianças de hoje.

É assustador o quanto o rádio baiano, o mais corrupto do país por ter sido favorecido diretamente da farra de concessões do tirânico ACM, passar a falsa impressão de "honestidade". Tudo por conta da mesma farra da Aemização das FMs, que transforma as emissoras de rádio FM em verdadeiros "partidos políticos" não assumidos, redutos do denuncismo, do opinionismo e da manipulação da opinião pública sob o pretexto da "livre informação" e da "defesa da cidadania".

Por debaixo dos panos, dirigentes esportivos, políticos e radialistas passam a viver numa relação de promiscuidade junto com sindicatos pelegos e entidades patronais. Mas a própria posição secundária da corrupção e do golpismo midiático - já que a posição dominante fica por conta da Rede Bahia, controlada por herdeiros de ACM - dá a impressão de um falso esquerdismo midiático.

Picaretas como Mário Kertèsz, Marcos Medrado, os Cristóvão Ferreira (primeiro o pai, depois o filho, Cristovinho) e Pedro Irujo se autopromoveram através dessa manobra, sobretudo o primeiro deles, que seduziu, feito serpente atraindo a vítima, a desmoralizada esquerda baiana. Com isso, Salvador virou terra sem lei, a "lei" é polarizada entre o poder carlista explícito (Rede Bahia) e os picaretas acima citados, que na prática completam o trabalho carlista (ACM foi padrinho de todos eles), se apropriando e depois enfraquecendo as vozes oposicionistas do Estado.

CORRUPÇÃO SÓ VIRA ESCÂNDALO QUANDO ALGUÉM É TRAÍDO

O caso José Roberto Arruda, embora pareça um gigantesco escândalo de corrupção, é um dos menores casos, diante de tantos outros encobertos. E, como nos casos do "mensalão do PSDB" e do "mensalão do PT", o "mensalão do DEM" comandado por Arruda é um processo antigo tardiamente descoberto. Foi descoberto porque alguém foi lesado no esquema e decidiu denunciar.

É sempre assim. Como na corrupção do esquema financeiro de Fernando Collor e Paulo César Farias, no começo dos anos 90, alguém que é lesado, como no caso o irmão de Collor mas rival de PC, o falecido Pedro Collor, foi quem lançou as denúncias de corrupção. Por sorte, era um caso de corrupção ainda prematura, mas há muitos casos de corrupção que duram 15 anos sem que qualquer denúncia fosse feita.

CORRUPÇÃO "PROFISSIONAL": TODO MUNDO É "GENTE BOA E HONESTA"

Na verdade, muitos casos de corrupção falham pelo "amadorismo" ou pela divergência de interesses. Alguns corruptos menos sutis e menos habilidosos acabam abusando dos seus privilégios, deixando algum dos envolvidos sem algum benefício, e este, se sentindo traído, vai para a imprensa denunciar o esquema.

Por isso há casos de corrupção habilidosa, sutil, a corrupção "profissional", que poucos conseguem perceber porque sua estrutura é engenhosa. Os líderes do esquema sempre se preocupam em beneficiar todos os envolvidos, permitir que todos os envolvidos no esquema cumpram todos os "deveres" e garantir que eles exerçam todos os "direitos". É muito dinheiro envolvido, existem elites poderosas no meio, e com isso os corruptos não se preocupam apenas com a impunidade legal. Precisam, sobretudo, serem queridos e aceitos pela sociedade, garantindo assim a impunidade informal, junto à impunidade formal da lei.

CAMPANHAS NA MÍDIA

Por isso, quando o corrupto está envolvido com a mídia, como no caso do rádio baiano, as coisas ficam fáceis. O coronelismo midiático tem que se tornar mais sutil, se travestir até mesmo de ecumenismo ideológico, dando espaço a uma diversidade de vozes, distribuindo gratuitamente revistas ou jornais, tudo para conquistar a confiança da sociedade, minimizando, o máximo possível, a indignação popular.

A campanha inicialmente é feita quando os aliados subalternos do líder do esquema de corrupção são recrutados para participar de fóruns na Internet, sobretudo em portais de relacionamentos sociais como Orkut e Facebook. Tecnologias e veículos de mídia novos são aproveitados o máximo, seja Twitter, You Tube e tudo o mais.

A partir daí, o projeto-causa do esquema de corrupção é defendido como se fosse a salvação do planeta. Por exemplo, vamos supor que haja um projeto de monopólio da distribuição de cajus no mercado brasileiro. Cinco grupos se juntam e um líder se destaca, o empresário Celso Pombal.

Celso Pombal é ligado a uma rede estadual de rádios FM no interior de um Estado nordestino e tem muitas fazendas no referido território. Ele quer monopolizar o mercado distribuidor de caju, a princípio absorvendo a concorrência e concentrando seu poder. Mas ele precisa de um argumento, e ele pensa logo em usar dois argumentos:

1. Que o poderio dele não é monopolista, que qualquer risco de denúncia neste sentido é um exagero e que o crescimento dele se deu natural e honestamente.

2. Que o poderio dele representa a modernização tecnológica, a geração de empregos e a adoção de métodos de qualidade na comercialização de caju no país.

Com isso, ele tem que se preocupar em neutralizar, na aparência, o envolvimento de grupos poderosos. Com isso, ele controla a rádio Itajuípe FM, que, para fins de manipulação da opinião pública, adota programação "Aemizada". Seu principal noticiário, na verdade um programa apresentado pelo próprio Celso Pombal, tem que forjar um perfil polêmico, misturando denúncias políticas contra pequenos políticos do interior do Estado, notícias nacionais do dia e comentários pedantes sobre assuntos culturais, além de entrevistas tendenciosamente articuladas, chamando sobretudo professores universitários, sindicalistas, líderes de movimentos sociais menos radicais e artistas que se apresentam na capital deste Estado.

O ecumenismo ideológico é feito para dar a impressão de transparência, o que dissimula o esquema de corrupção, que inclui grilagem de terras, sonegação fiscal, conchavos políticos, superfaturamento financeiro e até mesmo uso de energia elétrica clandestina (os chamados "gatos"). Tudo disfarçado com todo o esforço do corrupto em agradar de colunistas sociais a líderes estudantis, de empresários regionais a sindicalistas.

Junte-se a isso à campanha que os aliados de Celso Pombal, disfarçados de internautas comuns, alguns usando meramente os nomes de batismo (tipo Renato Gusmão, Paulo Ferreira), ou então formas superlativas (Claudinho Tourinho, Betão de Souza) e apelidos ou pseudônimos (Jabuti, Mandrake Kent, Michael Jackson Alive), defendem a causa do fim dos pequenos distribuidores de caju.

O pretexto usado para o fim dos pequenos distribuidores é a desordem e a falta de higiene, além do preço muito caro e outras irregularidades. Cria-se uma polêmica. Na comunidade "Horti-Fruti Brasil", de um portal de relacionamentos sociais, Toupeira, na verdade assessor de Celso Pombal, diz, com fingida humildade, que gostaria que houvesse menos distribuidores de caju no país, porque haveria mais organização e menos riscos para o cidadão.

Mas outro membro, Luciano Vega, revoltado com o fim dos empregos que isso pode causar, além da concentração de mercado, expressa sua revolta. Acaba discutindo com Toupeira, que conta com o apoio de umas dez pessoas. Vega conta com o apoio de umas seis, e tem melhor argumentação. Mas Toupeira, fazendo ameaças e chamando Vega de burro, prevalece no seu ponto de vista, mesmo tendo menos razão que seu discordante.

Assim, com o crescimento "espontâneo" do poder de Celso Pombal, blogueiros regionais passam a adorá-lo, mesmo sendo esses blogs destinados a questionar as armadilhas do poder.

Pitaco Borges, por exemplo, autoproclamado jornalista de esquerda, de 62 anos de idade, tendo no currículo um livro sobre um guerrilheiro e militante comunista de Cabrobró de Pirijipe, Gilmar Gutierrez Nascimento, faz um blog chamado Análise da Idade Mídia, em que ele mistura notas copiadas da agência Carta Maior sobre a grande mídia do Sudeste, denúncias de sindicalistas regionais e notícias sobre a política local.

De repente, Pitaco escreve no blog que está adorando ouvir a Itajuípe FM, dizendo que seu "âncora" (ele tem coragem de chamar Celso Pombal de âncora, quando ele nem diploma de jornalista ele tem; seu único diploma foi um curso profissionalizante de agropecuária, a nível do atual ensino médio, antigo segundo grau).

Pitaco afirma que Celso é polêmico mas abre espaço para vários tipos de opinião, e o blogueiro afirma seu entusiasmo em ouvir Celso denunciando os escândalos de Walfrido Sombrinha, antigo prefeiro de São Longuinho de Passa Quatro, uma cidade do interior do referido Estado. Pitaco acaba se iludindo com a aparente valentia de Celso, cujas denúncias contra Walfrido se devem não ao fato deste ser corrupto, mas pelo fato de ser um desafeto político de Celso Pombal. Mas isso Pitaco não observa, ou se esquece de observar.

Esse é um exemplo de como a corrupção "profissional" é perigosa. A pior corrupção é a que não aparece, e traveste-se de "honesta" para os olhos do público. É a corrupção cujo esquema procura satisfazer os interesses de todos os envolvidos, evitando traições. É a corrupção travestida de "salvação da pátria", o poder de domínio enrustido num verniz de anti-poder, um quixotismo que engana muita gente até deixá-la deslumbrada.

É essa corrupção que, enorme, se oculta, se esconde, se dissimula. É a pior delas, e envolve muitos grupos detentores de poder, ainda que sejam grupos poderosos secundários, adversários do poder dominante propriamente dito.

De qualquer maneira, são tubarões vorazes querendo se passar por golfinhos adoráveis.

quinta-feira, 25 de março de 2010

LEILA DINIZ FARIA 65 ANOS



Hoje é a lembrança dos 65 anos de nascimento de Leila Diniz. Atriz niteroiense, não foi exatamente uma militante feminista nem uma alienada. Ela era uma mulher moderna, em seu tempo, talvez moderna até hoje, num país de muitas marias-coitadas.

Leila foi mal compreendida em seu tempo. Não falava palavrão por falar. Falava quando ela achava necessário, e mesmo assim com um jeito peculiarmente feminino. Era inteligente, graciosa, sexy, lindíssima, tinha um corpão maravilhoso. Era atriz talentosa, e expressava bem o espírito de liberdade dos anos 60.

Mas ela se foi muito cedo, pois teve o azar de pegar um avião às pressas de ver a filha Janaína, que explodiu ainda em voo, em 14 de junho de 1972. Não pôde rever a filha, que hoje trabalha com cinema. E ficamos sem uma das musas que, embora polêmica, era adorável. Leila pode ter sido enérgica, mas, no fundo, ela era também uma doçura.

Hoje, provavelmente, ela seria uma idosa bem bonita e muito atraente.

A FALTA DE RESPEITO DE OLAVO BRUNO


O MESTRE JOÃO GILBERTO TAMBÉM FOI ALVO DA GROSSERIA DO DEFENSOR DOS BREGANEJOS OLAVO BRUNO

Que o blog Mondo Pop espinafre os grandes nomes da MPB, é compreensível, pois é dedicado ao rock, sua perspectiva anti-MPB é ridícula, mas tem um motivo. Mas um cara como o Olavo Bruno querendo puxar o tapete da MPB para defender os ídolos breganejos, não se pode admitir.

Olavo Bruno que, como sabemos, é colega de reacionarismo de Eugênio Raggi, tem apetite em dobro para baixar a lenha na cultura de qualidade. É como se baixasse o espírito de Marcelo Fromer e suas defesas da música brega no pessoal do Instituto Millenium. Raggi já espinafrou a coitada da Roberta Sá, que tem uma luta, não foi pupila de empresário de bloco carnavalesco baiano, nem de empresário ligado a rodeios e vaquejadas, com o mesmo apetite desmoralizador que Olavo Bruno teve quando espinafrou Maria Rita Mariano.

No caso de Olavo, quando o Mondo Pop baixa a lenha na MPB, o internauta baixa em dobro. Se o Mondo Pop tem sede de destruir a MPB, Olavo tem fome, e que fome. E quando eu tentei consultar a palavra-chave "Olavo Bruno", para procurar o paradeiro do bregaiato que espinafrou até este blog, deparei com outras mensagens que o reacionário despejou no mesmo Mondo Pop, desta vez para fazer mais barulho que o articulista, nos seus ataques aos grandes nomes da MPB.

E o alvo desta vez, foi João Gilberto, definido como "mala sem alça". Olavo Bruno Ferreira de Souza, o nome completo do reaça, chega a dizer, de forma bem grosseira: "se for por mim joão gilberto morreria de fome o cara fresco".

Depois sou eu que, fazendo críticas duras porém não caluniosas contra Alexandre Pires e Zezé Di Camargo & Luciano, é que sou grosso, baixo nível. Nunca disse para Alexandre Pires morrer de fome. Nunca fiz qualquer comentário maldoso contra ele ou quem quer que seja. Só falei que eles eram cantores medíocres e critiquei dentro dessa perspectiva.

Mas o reacionário Olavo Bruno tem coragem de depreciar um dos mestres da música brasileira, considerado o inventor da linguagem definitiva da Bossa Nova, e tem a coragem de se achar com a moral alta para isso. Ele, como Eugênio Raggi, pensa ser o juiz maior de nossa cultura, o possuidor da verdade definitiva e inquestionável, a ponto de ambos partirem para grosserias sem tamanho. E ainda veio Francielle Siqueira para fazer coro a eles, no reacionarismo.

Até que ponto a mediocridade musical de nosso país chegou. Chegamos ao triste ponto de não podermos mais defender a MPB autêntica, ou de criticar os ídolos bregas e neo-bregas que, sim, são tutelados pela mídia. E não adianta Eugênio e Olavo espinafrarem a Rede Globo, porque eles deveriam se ajoelhar para a emissora dos irmãos Marinho que tanto fez para fazer crescer o sucesso de seus ídolos.

Olavo Bruno tem que agradecer à Globo porque, sem ela, a axé-music já teria voltado ao seu provincianismo original de Salvador e Ivete Sangalo não estaria fazendo sequer propaganda de tintura pirata para cabelos. E nem a Boca do Lixo teria interesse em fazer Os Dois Filhos de Francisco.

Isso também mostra que os defensores do brega-popularesco não estão aí para ética, nem para estética, nem para respeito humano. Só que o feitiço se virá contra o feiticeiro e há algum tempo Olavo e Eugênio fugiram da Internet. Como covardes que, quando são visados por algum delito, fogem de medo.

ENSAIOS PATRIMONIAIS DIVULGA IPHAN E ANALISA CIÊNCIAS SOCIAIS



Há pouco mais de quatro anos, o site Ensaios Patrimoniais se dedica a divulgar os eventos mais importantes e os assuntos ligados às Ciências Sociais no Brasil, e, às vezes, em outros países do mundo que tenham algum reflexo no Brasil, direto ou indireto.

Ele surgiu diante de minha indignação por ter sido reprovado no concurso do IPHAN em 2005, fato consequente de uma greve de bibliotecários da UFBA, num momento inoportuno, uma greve abusiva que poderia ter sido substituída por algum protesto alternativo, sem causar prejuízo aos alunos que querem pegar livros emprestados e devolvê-los.

Enquanto os aprovados do concurso do IPHAN de 2005 começavam a ser chamados, eu começava meu envolvimento externo com a entidade, lançando uma nota sobre o roubo de objetos de arte no Rio de Janeiro. Foi o ponto de partida de um site que aparentemente é desprezado por muita gente, mas que tem o apoio silencioso de muitos internautas.

De início, Ensaios Patrimoniais foi hospedado pelo Yahoo! Geocities. Tinha só texto. Mas como o Geocities se extinguiu, a página foi toda para o Fotopages, com inclusão de fotos. A transferência dos textos se deu através do mecanismo "Edit Past/Future" que permite creditar um texto a uma data anterior ou posterior. No caso, coloquei as datas anteriores, conforme a publicação original.

Ensaios Patrimonais é um dos primeiros sites sobre ciências sociais feito fora do âmbito acadêmico. Não tenho mestrado e não sou figurão de ciências sociais, mas Ensaios Patrimoniais se compromete à produção de conhecimento à altura dos antigos cientistas sociais, sem no entanto se aprisionar no rigor acadêmico.

É evidente, no entanto, que Ensaios Patrimoniais, dentro do contexto de anti-intelectualismo em que vivemos, não é um sucesso estrondoso na Internet. Mas, por outro lado, o site também é desprezado por uma intelectualidade que o vê com desconfiança, porque não é escrito por um cientista social de nome dotado de títulos de pós-graduação e livros publicados.

Afinal, parece que, para esses intelectuais "profissionais" - cujo termo "profissão" não se usa no sentido de trabalho propriamente dito, mas como uma tarefa "mercenária" na qual não se sentem naturalmente identificados - , uma página da Internet que tenha artigos de alguém que não tem sequer mestrado é considerada desprezível. Mas eles fazem um trabalho acadêmico, cumprem todo um ritual profissional, mas, indiferentes à função social de seu trabalho, abandonam a causa logo que termina o expediente, como quem abandona um fardo pesado. Salvo exceções, esses intelectuais não possuem o envolvimento humano na causa que trabalham.

Mas Ensaios Patrimonais veio para ficar, nesses quatro anos de existência. Ele divulga as principais atividades do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), além de textos relacionados às áreas de Ciências Sociais. Foi a única página da Internet a publicar uma biografia abrangente de Rodrigo Melo Franco de Andrade.

Além de textos próprios por mim escritos, Ensaios Patrimonais publica textos alheios informando sobre atividades ligadas às Ciências Sociais.

O endereço dos Ensaios Patrimonais está na lista de blogs e sites no canto direito deste blog.

quarta-feira, 24 de março de 2010

EDU LOBO DEPENDE DE TELEJORNAL PARA RETOMAR A CARREIRA


De fato, é uma notícia digna de telejornais ou artigo de imprensa. No entanto, o contexto é de pura dependência dessa mídia para a MPB autêntica, injustiçada e discriminada do grande público, manter algum cartaz na mídia, dentro do mercado perverso em que vivemos.

Enquanto mediocridades como Belo pensam em se apresentar na Europa, só esperando chegar às mãos o investimento necessário para isso - já que existem quem invista nele - , e reacionários ainda perdem tempo defendendo Alexandre Pires e Zezé Di Camargo em mensagens de baixo nível contra nosso blog, os verdadeiros artistas são os verdadeiros injustiçados.

Sim, porque enquanto um Waldick Soriano, no final da vida, se dá ao luxo de ter uma recepção digna de um velho "coronel" do Nordeste, Edu Lobo e Carlinhos Lyra, antes jovens galãs e grandes artistas, junto a Chico Buarque, da MPB engajada dos anos 60, talentos surpreendentes já naquela época, hoje são dois humildes cantores em busca de divulgação. Chico ainda parece no portal Ego (Organizações Globo) com uma possível nova paquera.

Mas Edu e Carlinhos não contam com a mesma sorte. Carlinhos Lyra, recentemente, apareceu na sede da União Nacional dos Estudantes com uma humildade autêntica que não existe num Odair José da vida. E Edu Lobo, com uma simplicidade de um artista que passou por dificuldades e ficou até doente, apareceu hoje no Bom Dia Brasil.

Edu afirma que, depois de 15 anos, quer gravar novo disco, com inéditas, e fazer concertos mostrando novas músicas e antigos sucessos, sobretudo "Arrastão", "Upa Neguinho" e "Lero-Lero". "Lero-Lero" tem um refrão que poderia ser muito bem a queixa de nós, nerds, contra as marias-coitadas que nos assediam e contra o comprometimento afetivo das mulheres classudas: "Sou brasileiro / Estatura mediana / Gosto muito de fulana / Mas sicrana é quem me quer".

Edu Lobo era um discípulo dos grandes mestres da MPB. Hoje ele também é um dos mestres. É, também, o verdadeiro representante da nossa música universitária, do contrário que os neo-bregas "universitários" de hoje, mais próximos dos "universotários" previstos por João Penca & Seus Miquinhos Amestrados nos anos 80.

E, numa época em que os ídolos popularescos tentam se enrolar na mídia com covers, duetos, DVDs ao vivo e visitas ao Faustão na TV aberta, o retorno de um grande nome da nossa música autenticamente brasileira é uma notícia e tanto.

"RIVALIDADE" ENTRE "FUNK" E PORNO-PAGODE PODE ACABAR



Ao que parece, o acordo do porno-pagode baiano e do "funk carioca" em não fazerem sucesso ao mesmo tempo pode acabar. Nem mesmo os Beatles e os Rolling Stones, que fizeram acordo para um não lançar compacto ao mesmo tempo que o outro, tiveram tamanha negociação.

Pois agora haverá uma versão funqueira do "Rebolation" (REBOLEJO), sucesso do grupo de porno-pagode baiano Parangolé. Os funqueiros Taty Gomes e MC Ronaldo, que integram o embuste A Princesa e o Plebeu, resolveram gravar a música, depois que se apresentaram no Carnaval baiano.

Agora que o "funk" firmou mercado e o É O Tchan fará 15 anos de existência, o rebolejo, herdeiro das baixarias do Tchan, conta com o apoio do "pancadão" para a "bunda music" voltar ao sucesso nacional depois de dez anos.