quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

RÉGIS TADEU DENUNCIA "PANELINHA" DA CRÍTICA MUSICAL


"A coisa que a gente mais vê no meio artístico hoje são as pessoas se elogiando umas às outras, com medo de falar o que realmente pensam, fica aquele pensamento assim: 'Ah, eu vou elogiar o seu disco porque aí, quando eu lançar o meu, você vai elogiar também'".

Essa frase do jornalista Régis Tadeu, que trabalha nas revistas da família Cover (Cover Guitarra, Cover Baixo, Cover Teclado, Cover Bateria), em seu depoimento contestatório à funqueira Tati Quebra-Barraco, para o programa Superpop (Rede TV!), dá uma ideia do esquema que acontece nos bastidores da crítica e da intelectualidade, sobretudo na defesa do brega-popularesco.

Noto, por exemplo, que o endeusamento a Paulo César Araújo pelo livro Eu Não Sou Cachorro, Não, próximo a um manifesto de unanimidade, não resultou na real, constante e definitiva reabilitação dos ídolos bregas. Tudo ficou na mesma situação de indiferença de antes. Só houve o hábito politicamente correto de não mais falar mal dos ídolos bregas, por parte destas pessoas.

A crítica e a intelectualidade viraram uma "panelinha". Jornalistas elogiando ídolos popularescos pensando num lugar no júri do Domingão do Faustão, ou ao menos uma entrevista para o Fantástico. Antropólogos cansados de esperar verbas do CNPq, recebendo um jabaculê de empresários de ídolos popularescos. Professores com protegidos trabalhando em emissoras de TV aberta. Enfim, uma grande "panelinha", o que mostra o quanto esses defensores do brega-popularesco são tendenciosos.

Todo mundo fazendo o mesmo discurso. "Tomados de preconceito, os ídolos populares(cos) são rejeitados dia e noite por intelectuais invejosos querendo impor normas para a Música Popular Brasileira", é uma das ideias clichês veiculadas no discurso comum desses intelectuais e jornalistas. Ou então: "Lotando plateias aonde quer que chegam, esses ídolos correspondem a uma verdadeira (sic) cultura popular, vendendo muitos discos e levando a mídia para altos índices de vendagem e audiência". Como se a mídia não tivesse a ver com isso.

Mas a mídia tem. Esse discurso, que a gente vê em sites da Internet, em revistas, primeiras páginas dos cadernos de cultura da imprensa escrita, ou mesmo em reportagens de programas culturais da TV educativa, na imprensa centro-esquerdista e até em publicações acadêmicas universitárias, parece à primeira vista "transparente" e "justo".

No entanto, esse discurso todo, na verdade, envolve jogo de interesses de quem os escreve. O brega-popularesco tornou-se um mercado milionário, pois os chamados "ídolos populares" da música que hoje é tocada nas rádios e nas emissoras de TV, que são os cantores ou grupos de axé-music, sambrega, porno-pagode, breganejo, "funk", forró-calcinha, brega setentista e outros estilos, mesmo os "universitários", movimentam uma poderosa indústria por trás da qual investem as poderosas elites, entre oligarquias interioranas e o empresariado urbano.

Sabemos que se trata um tipo de música de qualidade bastante duvidosa, tanto que os defensores logo imploram para que a gente despreze a questão estética, e mesmo a ética, ou qualquer contexto de degradação social que esteja por trás da Música de Cabresto Brasileira.

Por isso o mercado jabazeiro mudou. Não se paga mais programadores de rádio para a música popularesca fazer sucesso. É preferível juntar uma "panelinha" de intelectuais e jornalistas para defender tais ídolos como se fosse "a nova cultura popular".

Vale qualquer apologia, sem escrúpulo de usar fatos históricos antigos - como a Revolta de Canudos - ou artistas falecidos - como Zé Kéti - nas comparações e alusões. Tudo para garantir a intelectuais e jornalistas o acesso fácil e quase gratuito ao jet set, recebendo ingressos gratuitos para eventos culturais de ponta e crachás que permitam ir a eventos nos hotéis cinco estrelas sem qualquer tipo de ônus.

Daí as defesas nervosas, apaixonadas, desesperadas, aos ídolos popularescos. Alguém acha que uma Bia Abramo da vida vai ouvir o MC Créu na sua casa? Nada disso. Por outro lado, não é pelos "lindos olhos azuis" ou por sua "meiga simpatia" que o professor mineiro Eugênio Arantes Raggi tem e-mail lido num programa sobre automóveis da TV Alterosa (SBT).

Enquanto isso, Régis Tadeu torna-se malvisto porque ele está sozinho na sua independência e integridade.

Um comentário:

Bruna disse...

O Regis Tadeu é simplesmente fantástico.
A mídia precisa de mais formadores de opinião críticos como ele.

O medo de discordar que as pessoas têm, principalmente no meio artístico, é patético. Todo novo trabalho "é maravilhoso", contracenar com qualquer idiota sempre "está sendo maravilhoso". Isso já tá ficando ridículo.