quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Planalto e Supremo planejam intervenção no Distrito Federal


PAULO OCTAVIO, EX-GOVERNADOR INTERINO DO DF, NÃO CONSEGUIU HERDAR A COMPETÊNCIA, A INTEGRIDADE E O CARISMA DO AVÔ DE SUA ESPOSA

Ontem Paulo Octavio renunciou ao governo interino do Distrito Federal e se desfiliou do DEM, o estranho partido direitista chamado apenas de "Democratas" e que, na prática, é mais uma continuação moderna da trajetória da União Democrática Nacional (UDN), o temível partido composto pelos avôs da garotada do DEM. A UDN existiu nos tempos de glória de Juscelino Kubitschek como governador mineiro e presidente da República.

Mas Paulo Octavio, marido da neta de Juscelino, não herdou a competência, a integridade nem o carisma do falecido ex-presidente. Ele foi apenas um empresário entre tantos, fechado nos seus ternos ou nas suas camisas pólo, nas fotos de eventos noticiados na revista Caras. Eu, francamente, não imaginaria, no entanto, que ele se envolveria no escândalo de corrupção comandado pelo então governador José Roberto Arruda, hoje preso. Corrupção que tornou-se conhecida como o "Mensalão do DEM".

Paulo Octavio saiu do DEM expulso pela cúpula do partido, sempre a preservar sua estrutura desde que se livrou de siglas anteriores, seja UDN (que, numa suposta isonomia aos demais partidos cassados pela ditadura, se "extinguiu" pela ação do AI-2), ARENA, PDS, PFL.

E agora o Governo Federal e o Supremo Tribunal Federal pensam em intervir no Distrito Federal, conforme prevê a Constituição, em casos de improbidade administrativa. No momento, o terceiro suplente passou a assumir interinamente o governo do DF, o presidente da Câmara Distrital, Wilson Lima, do Partido da República (PR). Com Arruda preso, Octavio afastado e Leonardo Prudente, o antigo presidente da Câmara, afastado de tal função, Lima é ligado ao ex-governador Joaquim Roriz e ao próprio Arruda.

Se afastado, Wilson Lima pode ser sucedido pelo presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Níveo Gonçalves, mas ele não tem interesse em assumir o mandato. Daí a hipótese de Supremo e Governo Federal intervirem no Estado, diante dessa desordem política.

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