quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

PiG NA BAHIA NÃO SE RESUME À MÍDIA CARLISTA


O Partido da Imprensa Golpista, na Bahia, é algo que até agora não foi devidamente analisado pelos seus críticos. Os blogueiros baianos, sobretudo aquela geração mofada dos "líderes de opinião", sofrem de um certo paulistocentrismo e imaginam que mídia grande só existe no eixo Rio-São Paulo, ignorando que existe também poderio midiático regional. Afinal, na mídia também vale considerar as esferas federal (as grandes redes), estadual (os grupos regionais) e municipal (as sucursais ou os grupos mais regionais ainda).

Este paulistocentrismo, que é considerar que as artimanhas da grande mídia se limitam aos grandes centros (Rio, São Paulo e, quando muito, Brasília), equivale mais ou menos a dizer que a mídia imperialista só existe no Primeiro Mundo e que no Brasil só existe mídia cidadã. Grande equívoco. Felizmente, Porto Alegre é uma das poucas cidades em que o vício paulistocêntrico encontra seu inferno astral.

Quando muito, os críticos baianos da mídia golpista se limitam a considerar apenas a ação da Rede Bahia, grupo de comunicação ligado aos herdeiros do senador Antônio Carlos Magalhães e que é composto, pelo menos em Salvador, do jornal Correio (ex-Correio da Bahia), da TV Bahia (canal 11), da rádio de gagá contemporâneo Globo FM e da emissora popularesca Bahia FM. Como se só o fato do falecido senador, que havia sido também deputado federal, prefeito de Salvador e governador da Bahia, ter sido um dos maiores "coronéis" da Bahia em seu passado recente, inocentasse a mídia restante.

Não é assim. Primeiro, porque existe um jornal conservador que, no plano ideológico, equivale aos perfis da Folha de São Paulo e de O Estado de São Paulo juntos. Trata-se do jornal A Tarde. Até fiz dois testes para trabalhar lá, mas a realidade é essa mesma, um jornal de certa forma conservador, embora bem mais discreto nas suas posturas que os jornais paulistas. É uma espécie adormecida de PiG.

Segundo, porque as "rádios AM em FM" que certos blogueiros, tão atrapalhadamente equivocados, tratavam como se fosse "mídia de esquerda", deslumbrados com o denuncismo que desmitifica antigos tótens políticos do interior da Bahia, e com a relativa receptividade a entrevistar sindicalistas e professores universitários.

E aí verdadeiros tubarões que hoje comandam a mídia golpista baiana com mais empenho do que o cansado Antônio Carlos Magalhães Jr. e seu filho "emocrata" ACM Neto, um bravateiro ainda sem o carisma do avô.

Aí não dá para entender por que os "líderes de opinião" baianos, tão posudos em se autoproclamar "a mídia de esquerda baiana", ou os "grandes críticos da mídia golpista" locais, em endeusar Marcos Medrado, Mário Kertèsz e Pedro Irujo, três chefões da mídia gordíssima locais, ou inocentar a família Rebouças (dona da franquia baiana do Grupo Bandeirantes) por qualquer atitude medio-golpista.

Primeiro, porque os três senhores que controlam as FMs mais esquizofrênicas de Salvador - porque se comportam como arremedos malucos de rádio AM, seja o dia inteiro ou em algumas horas - , a Nova Salvador FM, a Rádio Metrópole e a Itapoan FM, todos eles foram pupilos de Antônio Carlos Magalhães, e integravam com gosto a direita baiana apenas, em algumas ocasiões, rompendo com o "painho" conforme a conveniência política do momento. E, nessas ocasiões, pelo menos Kertèsz e Irujo (espanhol que mal sabe falar português direito), tentaram seduzir a esquerda baiana para seu domínio, conseguindo ludibriar alguns deslumbrados que, mais tarde, sentiram o peso da traição pelos mesmos aliciadores.

Já Marcos Medrado, espécie de "coronel" do subúrbio baiano, era um tradicional representante do antigo PDC (Partido Democrático Cristão) baiano, que, fundindo com o que restou do PDS depois de sua nata fundar o PFL (atual DEM), virou PPB (Partido Progressista Brasileiro) e depois PP (a mesma nomenclatura anterior, sem a terceira palavra), portanto um símbolo máximo da direita populista baiana.

Mas, quando o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (também filho de um ex-aliado de ACM, João Durval Carneiro), então no começo de sua primeira gestão, integrava o PDT (Partido Democrático Trabalhista, uma espécie de sarcófago político que nem lembra o partido brizolista de sua história original), um grupo de políticos do PP migrou de forma oportunista para o PP, baseado nos princípios eleitoreiros da infidelidade partidária, verdadeira fábrica de camaleões políticos no país.

Aí, ficou risível ver Marcos Medrado, então presidente do PPB, acomodado no PDT, um partido que em tese é populista, mas no plano ideológico oposto ao do "coronel" do Subúrbio Ferroviário, pelo menos com base no que foi o político Leonel Brizola (1922-2004). Consta-se que a má vontade de Marcos em ficar no PDT é evidente, já que ele ingressou no partido por pressão de outros carlistas enrustidos que estavam no PP. Seu papel político no PDT até diminuiu diante do que ele fazia no PP. Para compensar, Marcos Medrado fez o que o velhaco Mário Kertèsz havia feito antes: foi brincar de radiojornalista e se passar por locutor-entrevistador (obviamente às custas de perguntas e informes escritos por outras pessoas).

Da mesma forma que é risível ver a esquerda baiana e até mesmo dois fundadores do Jornal da Bahia endeusarem Mário Kertèsz como se ele fosse a fina flor da intelectualidade esquerdista, ignorando que foi ele o algoz maior do fim do Jornal da Bahia, como interventor nomeado por ACM. Só que João Falcão e Teixeira Gomes, fundadores do JBa, apoiarem Mário Kertèsz soa o mesmo que a novelista Glória Perez tratar o Guilherme de Pádua com carinho maternal.

Por isso depois o pessoal, desprevenido, teve que engolir Kertèsz atacando toda a esquerda, do PT ao PSTU, seja na sua tendenciosa Rádio Metrópole, seja no jornal (ex-revista) Metrópole tendenciosamente distribuído de graça para os soteropolitanos ("Quando a esmola é tanta, o santo desconfia"), sobretudo diante da sede de A Tarde, aparente concorrente do jornaleco "digrátis".

Quanto a outros exemplos, é bom lembrar que a família Rebouças, representante do Grupo Bandeirantes em Salvador, é famosa pelo apoio dado a Antônio Carlos Magalhães em muitos momentos. Há também, no PiG baiano, o populismo conservador da Tribuna da Bahia, a filial da Rede Transamérica (rede controlada por um banqueiro - nada mais PiG que isso), a breguice local da Piatã FM. Enfim, é o Partido da Imprensa Golpista de Salvador, o que mostra a prepotência arrogante da mídia baiana que certos críticos baianos da grande mídia se recusam a ver.

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