sábado, 27 de fevereiro de 2010

PAGODE DA IMPRENSA GOLPISTA


GRUPO REVELAÇÃO - SAMBA "CORRETO", PORÉM SEM ALMA.

Vai se apresentar num evento comemorativo na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, o grupo de sambrega Revelação, ou Grupo Revelação, como também é conhecido. O grupo tocará com Gilberto Gil, nome da MPB autêntica condescendente com os ídolos popularescos, e cuja filha Preta Gil chega a ser pior na adesão à Música de Cabresto Brasileira.

Convém lembrar que o Grupo Revelação faz um samba tecnicamente "correto", mas que, como todo grupo de sambrega que tenta fazer "samba de verdade", soa falso, forçado e sem alma. E que, como todo ídolo popularesco que se torna veterano, logo apela para covers e antigos sucessos. Na entrevista de hoje no programa RJ TV, da Rede Globo, o grupo foi logo investir em "Sina", música de Djavan, tão bajulado pelos sambregas quanto o Clube da Esquina pelos breganejos. E o sambrega é o Pagode da Imprensa Golpista, apoiado explicitamente pelos meios de comunicação mais conservadores.

Me lembro quando o site Mondo Pop espinafrou a cantora Maria Rita Mariano quando ela gravou um disco de sambas, na ocasião em que localizei o Olavo Bruno (não seria Olavo Bruto?) espinafrando este blog, da forma mais ofensiva possível. Maria Rita não é, exatamente, uma sambista, e não poderia mesmo fazer um disco de sambista, mas uma leitura pessoal dela do samba. O título Samba Meu, portanto, não soa oportunista, levando em conta este aspecto. E, do contrário que o autor da resenha e do arrogante autor das mensagens agressivas, Maria Rita fez, sim, um samba com alma, mas realmente diferente.

O que não é o caso do Grupo Revelação e do Exaltasamba que, se não me engano, devem ter o mesmo empresário. Eles investem em clichês do samba autêntico, imitando o som que eles ouviram de sucessos do Fundo de Quintal e Zeca Pagodinho, evidentemente com a orientação de algum arranjador mais experiente. Não há espontaneidade. É mais ou menos a mesma coisa que uma banda de poser metal (que, como atitude, é o "sambrega" dos EUA) tentar soar como o Led Zeppelin, por exemplo. Lá as bandas poser falam em "rock'n'roll de verdade", e aqui os sambregas levantam a bandeira do "samba de verdade".

Mas o esforço dessas bandas de sambrega soa vão. Tecnicamente, dá para enganar. Mas já se percebe que é um samba postiço, de gente que não sabe a diferença de um maxixe com o samba de gafieira. Põem flauta nas suas músicas, escrevem letras "engraçadas", como se isso fosse suficiente. Mas o resultado, embora pareça verossímil à primeira audição, numa atenção maior se torna frouxo, artificial, sem espontaneidade. Fica soando algo tendencioso, apenas para justificar a permanência de ídolos sambregas no mercado.

Esse samba "bonitinho" nada acrescenta ao samba original e nem tem a força artística dos genuínos sambistas. Compare o que Revelação, Exaltasamba ou então os momentos pedantes de outros grupos tipo Molejo e Só Pra Contrariar fazem com o que, por exemplo, os Originais do Samba e Fundo de Quintal fizeram e continuam fazendo, para ver a diferença. Os sambregas arrumadinhos apenas fazem o "dever de aula", são meros cumpridores de normas exigidas pela intelectualidade burguesa (a mesma que nos acusa de querer uma "normatização" para a música brasileira). Os sambistas de verdade, quem conhece mesmo, sabe a diferença que exercem sobre os sambregas.

Vale lembrar que não estou sendo invejoso, nem calunioso, nem desaforado e nem qualquer coisa parecida quando escrevo isso. Estou sendo objetivo, nas minhas análises. Afinal, sou jornalista e pesquisador cultural.

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